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Posts de novembro 2010

Há quatro anos - O 'nascimento' de Alexandre Pato no Palestra Itália

27 de novembro de 2010 1

Hoje, dia 27 de Novembro, completam-se quatro anos da estréia profissional de Alexandre Pato no Internacional contra o Palmeiras no Brasileirão de 2006 em São Paulo. Conheci Pato quando trabalhava no Internacional em 2005. Muito jovem ainda, me causava incomodação porque era o recordista em colocar vírus nas estações disponibilizadas dentro da Concentração das Categorias de Base (era uma por time da base e ele ficava o tempo todo no MSN). Pato era bagunceiro, provocador, inquieto e muito divertido na concentração, então eu sabia que era apenas uma estratégia a “forçada” timidez nas entrevistas quando chegou ao grupo profissional

Já naquela época, causava furor nos times de base, sobretudo na Copa Santiago de Futebol Juvenil de 2005. Na decisão do estadual de Juvenis daquele mesmo ano, contra um time gremista empolgadíssimo pela Batalha dos Aflitos (analisada por uma visão diferente na quinta-feira), o Inter jogou no Suplementar do Olímpico contra quase 5 mil gremistas e reforçado pela estrela Anderson (herói de Recife).

Em uma atuação absurda, Alexandre Pato sofreu um pênalti e marcou dois gols (um deles sem ângulo quase no final)  quando o Colorado estava com 1 jogador a menos, garantindo a vitória por 3×2 e o título da categoria. Na Copa SP de Juniores, com limite de idade de 20 anos na época, Pato foi titular e vice-artilheiro de uma razoável campanha colorada. Mas tinha apenas 16 anos, quatro a menos que a maioria dos adversários e colegas de time.

Então, após a conquista da Libertadores e com atuações fenomenais no 1º Brasileirão Sub-20, quando foi campeão, vice-artilheiro e o grande craque da competição, a utilização de Alexandre Pato no time principal era uma necessidade. O técnico Abel Braga e os jogadores mais velhos (como Índio) pediam isto, porém a diretoria colorada refutava em aceitar.

A explicação era complexa: o contrato que Pato tinha assinado com o clube estava firmado em valores baixos, e a multa recisória para times brasileiros era de 4,6 milhões de reais. Parecia muito, mas convencidos que Pato era um ‘diamante’, a diretoria insistia em renovar com bases mais altas. Depois de meses negociando (incluindo uma ameaça de ficar fora, enfim o contrato novo foi assinado: multa de 20 milhões de dólares e 50% do passe para o jogador e seu empresário Gilmar Veloz.

Ou seja Pato estava inscrito no Mundial ainda sem jogar uma única vez pelo time profissional. Isto ocorreria no domingo seguinte, contra o Palmeiras no Palestra Itália pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro daquele ano, com o São Paulo já campeão antecipado.

Com um minuto de jogo, Pato fez 1×0. Logo depois, Fernandão ampliou após jogada iniciada por Pato e com passe de Iarley. Ainda no primeiro tempo, Pato fez jogadaça individual e cruzou para área. Antes de Iarley ampliar, Daniel marcou contra. No finalzinho do primeiro tempo, Pato entrou a dribles e tocou para Iarley, sem goleiro, marcar 4×0 ainda no primeiro tempo. Na etapa complementar, Fabiano Eller marcou um golaço, contra, e fechou o marcador: Palmeiras 1×4 Internacional.

O resto? Todos sabemos, Pato marcou gol na semifinal do Mundial em Tóquio contra o egípcio Al-Ahly e atuou na decisão contra o Barcelona. No ruim ano de 2007, foi o destaque soberano na conquista da Recopa Sul-Americana contra o Pachuca e ainda marcou gols importantes na Libertadores e Brasileirão. No final de agosto, foi negociado por recordes 20 milhões de euros com o Milan.

Cinco anos da Batalha dos Aflitos - Por um colorado fanático

26 de novembro de 2010 55

AVISO DO BLOGUEIRO: Leia este longo post com atenção, até o final. Comentários sem noção serão sumariamente deletados. E ninguém aqui duvida de qual time eu torço, basta ver que sou ex-funcionário e que estou em uma das nominatas que concorrem ao Conselho Deliberativo do Internacional.

Considero este um desafio no Almanaque Esportivo, escrever minhas impressões sobre a Batalha dos Aflitos em uma ótica de um torcedor rival. Afinal, todo mundo já leu muita coisa sobre este assunto.  Porém acredito que tenha prestado um ótimo serviço à comunidade esportiva do estado e do país com textos diferentes nos mais de mil posts ao longo dos mais de 3 anos aqui no clicRBS. Agradeço aos milhões de pageviews e aos milhares de comentários o longo deste tempo que me fizeram valer a pena continuar escrevendo.

ANTES do 26/11/2005:

Depois de escapar por pouco da Segunda Divisão em 2003, o Grêmio acabou caindo em 2004, fechando a “Era Obino” no pior ano de sua história com uma ridícula campanha no Brasileirão, terminando em último lugar com 25 derrotas em 46 jogos. Um clube com sérios problemas financeiros, redução da cota de TV com o rebaixamento, torcida ausente e um arremedo de grupo para o ano de 2005, com um novo velho presidente, o corajoso Paulo Odone.

O início do ano foi um desastre, com Hugo de León de treinador e Mário Sérgio em um esdrúxulo cargo de gerente de futebol. O time fez fiasco no Gauchão e foi eliminado rapidinho da Copa do Brasil. Vindo do Caxias, Mano Menezes assumiu dias antes da estréia na Série B, um 1×2 contra o Gama em Brasília.

O time alternou altos e baixos ao longo da primeira fase, se mantendo invicto por oito jogos e depois levando 4×0 da Anapolina em Anápolis. Mano Menezes ficou ameaçado de demissão se perdesse o jogo que o Grêmio virou para 4×3 sobre o Ceará no Castelão (com direito a 2 gols contra do mesmo jogador do Ceará, Victor Boleta). Isto seguido de um horroroso 1×1 com a União Barbarense quando o Mano não colocou nenhum atacante nato em campo.

Mesmo assim, e com uma preciosa reformulação do elenco ao longo da Série B, a classificação foi tranquila e o Grêmio chegou ao primeiro quadrangular com a quarta melhor campanha. Atropelou nesta fase Avaí e Santo André, indo para o quadrangular final ao lado do também favorito Santa Cruz…

DURANTE O QUADRANGULAR:

O Grêmio é um dos gigantes do futebol brasileiro. Nem deveria ter caído, mas já que caiu, deveria subir com sobras, como Corinthians, Vasco e Atlético-MG fizeram. Nem a questão do regulamento da Série B ser diferente na época vale, pois Palmeiras e Botafogo também subiram com facilidade em 2003.

O problema é que o Mano Menezes era muito inseguro na época e o Grêmio, sendo tecnicamente o melhor time ao lado da Portuguesa, jogava de maneira covarde fora de casa. Cada jogo como visitante foi um terror de 2005 a 2007. Pra mim o Grêmio tinha que ter atropelado todo mundo, subido com folga. Não o fez e isto gerou a existência da “Batalha dos Aflitos“.

No quadrangular final, as coisas começaram bem com um suado 1×0 sobre o Náutico, gol marcado no último minuto por Domingos. Depois, um empate com o Santa Cruz em Recife, gols de Carlinhos Bala e Lipatin (para o Grêmio).  E então vieram os jogos que fizeram a diferença, contra a Portuguesa. Os jogos das oportunidades desperdiçadas

O Grêmio no Canindé vencia por 2×0, cedeu o empate e a Lusa ainda perdeu dois jogadores expulsos. Nem assim o Tricolor selou a vitória, jogando muito mal no 2° tempo. Já no Olímpico entupido foi o contrário, saiu perdendo de 2×0 e arrancou um empate heróico, mas tropeçou em casa com um atuação ruim que deixou a torcida preocupada. Contra o Santa Cruz não teve choro, 2×0 ao seu favor em um jogo que a jóia gremista Anderson foi inexplicavelmente reserva de Lipatin, para desespero de 50 mil gremistas que superlotavam o estádio da Azenha.

Para a última rodada, um empate servia contra o Náutico. Pela terceira vez em três jogos, Mano jogaria em um retrancadíssimo esquema. Seria o 4-4-2 com Anderson de novo no banco, desta vez de Ricardinho e Marcel. Se o Santa Cruz vencesse a quase eliminada Portuguesa (a poucos quilômetros dali, no Arruda), o Grêmio precisava ao menos de um empate.

O JOGO EM RECIFE:

Ao contrário de quase todos os jogos entre 2005 e 2009 quando morávamos juntos, vi este jogo em casa, no quarto de cima enquanto meu pai gremistão via na parte de baixo da casa, muito nervoso. Mais uma vez, o Grêmio jogou na retranca. Teve pouquíssimas chances de gol, enquanto o Náutico esbarrava em sua ruindade e no bom controle de jogo do Grêmio. Aos 30 minutos, penalidade idiota de Domingos para o Náutico. o experiente Bruno Carvalho bateu na trave. O gol perdido não melhorou o ânimo pernambucano, mas o Grêmio continuou muito atrás.

No segundo tempo, depois de Ricardinho sair machucado e entrar o volante Lucas (Leiva, ele mesmo!), o Grêmio ficou ainda mais recuado. Anderson entrou no lugar de Marcel, mas o time continuou defensivo. O Náutico enfim começou a atacar com alguma qualidade e ter chances. Já aos 30 minutos do segundo tempo, pênalti claro de Galatto que o árbitro Djalma Beltrami não marcou para o Náutico. Escalona ainda seria expulso corretamente, deixando o Grêmio com 10 jogadores.

Porém logo depois, o juiz carioca (pavoroso, conseguiu se complicar em uma disputa de pênaltis naquele mesmo ano entre Paulista e Inter na Copa do Brasil), inventou um pênalti. O volante Nunes supostamente teria colocado a mão na bola. Porém foi sem intenção e fora da área, ou seja: penalidade totalmente inexistente.

O Grêmio foi pra cima do árbitro, Patrício empurrou o juiz, assim como Nunes e estes foram expulsos. Depois,  Marcelo Costa o chutou por baixo mas o juiz não expulsou antes de chamar a Polícia Militar (OBS: ele também é policial, Tenente-Coronel da PM-RJ). Os policiais agiram com violência e agrediram Patrício e o pandemônio se instaurou nos Aflitos. Dirigentes invadiram o campo, torcedores, o jogo parou por 20 minutos.

Quando tava quase tudo serenado, o Grêmio já com 3 a menos, Domingos descontrolado tira a bola do local na cobrança e é igualmente expulso, deixando o Tricolor com sete atletas. Meu pai, no andar de baixo, teve um princípio de ataque furioso e queria espancar todos os expulsos, xingando muito e dizendo que eles não mereciam sair vivos do clube. Domingos destruiu o vestiário, revoltado com a situação geral, com seu comportamento e com o quase inexorável fim do sonho da volta imediata à Série A

Completamente gelado, Galatto espera o inexperiente Ademar bater o pênalti, já que Kuki amarelou e Bruno Carvalho já tinha sido substituído. Então o goleiro tricolor se eterniza ao pegar a cobrança, batida no meio do gol, com os pés…

Galatto entrando na eternidade do futebol brasileiro - Ricardo Duarte/grupo RBS

Mas ainda faltavam 10 minutos, o Grêmio com quatro a menos (Escalona, Patrício, Nunes e Domingos). Mas então a genialidade de Anderson resolve tudo: ele cava a expulsão de Batata (aquele, ex-Corinthians) e marca na saída de bola um golaço, Grêmio 1×0. Precisando fazer 2 gols, o Náutico sucumbe ao desespero e não tem mais chance alguma.

Fim de jogo, Grêmio de volta à Série A!!!!


DEPOIS DAQUELE JOGO:

Muito choro no vestiário, a cena famosa da reza reproduzida aqui. Lembro que tinha um jantar à noite na Cidade Baixa e o clima era de festa em Porto Alegre, foguetório e gente nas ruas em euforia generalizada, ainda em catarse pelo que havia ocorrido.

Reza após a partida - Ricardo Duarte/grupo RBS

O time inteiro foi recebido com uma enorme festa em Porto Alegre, do Aeroporto ao Olímpico. Obviamente eu estava puto da cara com tudo aquilo e pensava: “assim não, né? Pô, fiquei o ano inteiro preparado para a inexorável subida deles à Série A, mas não deste jeito maluco!”

Um amigo colorado enlouqueceu quando o juiz marcou o pênalti e comemorava antecipado. Por algum motivo, eu fiquei frio, talvez por adivinhar que o Náutico podia desperdiçar de novo. Depois do cara errar o pênalti, obviamente tive um ataque histérico mas em silêncio total. Só ouvia meu pai gritar absurdamente na sala.

Depois do jogo, resolvi ir para internet me acalmar. Sabem o que eu fiz? ENTREI NA COMUNIDADE DO NÁUTICO. O mínimo que eu via lá era que o time tinha que fechar. Era até divertido, eu ria de nervoso e de raiva.

Ainda mais que não havia digerido ao longo daquela semana o jogo Corinthians 1×1 Internacional (sim, o do pênalti no Tinga) e as roubalheiras que ocorreram na Série A daquele ano. A sensação ia piorar com a frustração pelo final do Brasileirão de 2005, mas isto é outra história…

O grande impacto ocorreu em duas frentes: anímica e financeira. No espírito dos gremistas, a queda antecedia um período de glórias. Uma espécie de expurgo pelos nefastos anos de José Alberto Guerreiro e Flavio Obino, com uma glória isolada de Copa do Brasil em 2001. As vendas de produtos se multiplicaram, a média de público disparou (fiz uma análise e ela era melhor inclusive que as da Libertadores de 95 e 96), o orgulho retornou.

A grana também voltou. Sem receitas, o presidente Paulo Odone superlotava o Olímpico em 2005 pois precisava do dinheiro vivo das bilheterias (que não ia para penhoras judiciais) para pagar os atletas. Foi uma medida acertadíssima, ele mesmo disse que torcia para nada errado dar no estádio superlotado (contra o Santa Cruz tinha mais gente que em qualquer jogo da década) em uma famosa entrevista no Bate-Bola da TV-COM no domingo seguinte. .

Já o Vice-Presidente de Finanças  Túlio Macedo, com o seu habitual exagero, acreditava que o Grêmio fecharia se não subisse pois as cotas do Clube dos 13 diminuiriam ainda mais para 2006 sem a promoção à Série A. Não chegaria à tanto, mas se a situação ainda é delicada hoje, imaginem se a volta para a Primeira Divisão não tivesse ocorrido?

E olha que foi o próprio Túlio Macedo o principal mentor do “Condomínio de Credores“, medida que salvou as finanças do Grêmio renegociando dívidas altíssimas e históricas do clube.

O impacto financeiro da volta foi impressionante. O Grêmio teria média de público alta ao longo de todo o ano de 2006 e início de 2007. Seria bicampeão gaúcho e vice-campeão da Libertadores em 2007. Fora de campo, o clube largou o amadorismo completo e se reestruturou, voltando a priorizar as categorias de base esquecidas na “Era Guerreiro” e também no período falido da “Era Obino”.

O Grêmio voltou a ser postulante em quase todas as competições, ainda sem resultados imediatos. Uma hora, acerta.

OS ANOS SEGUINTES:

Para mim, neste momento ocorreram aspectos nefastos para o Tricolor, resumidos abaixo e explicados com detalhes na sequência:

1°) Supervalorizou-se ao extremo o jogo da “Batalha dos Aflitos”, como o mais importante jogo da história do Grêmio. Isto foi refletido em “viradas imortais” contra times fraquíssimos ao longo dos anos seguintes, que ganharam contornos épicos quando na verdade nasciam de vexames ou quase isto do Grêmio nos jogos de ida.

2°) Se criou, principalmente nos torcedores mais jovens que não viveram os anos 90, uma era de endeusamento de jogadores tecnicamente fracos como Patrício e Sandro Goiano. Para quem teve Arce e Dinho, me parecia um absurdo continental. Um exagero em prol de times raçudos, ignorando totalmente aspectos técnicos.

1°) Exagero na valorização da Batalha dos Aflitos

Para mim foi uma questão política, pois Odone não conquistou títulos expressivos e via o rival Inter campeão da América e do Mundo. Ao longo dos últimos anos de sua gestão (até 2008), as comemorações da Batalha dos Aflitos superaram e muito as do Mundial, que ocorrem quase na mesma época.

No site oficial isto fica claro, reparem a diferença da cobertura pela Libertadores de 95 e da Série B 2005:

Campanha do Grêmio na Libertadores 95 no site oficial:

http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=libert_1995&language=0 – Resumo

http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=libert_campanha95&language=0 – Campanha

Campanha do Grêmio na Série B 2005 no site oficial:

http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=jogos_1ao5&language=0 – Jogos 01 ao 05

http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=jogos_6ao10&language=0 – Jogos 06 ao 10

http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=jogos_11ao&language=0 – jogos 11 ao 15

http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=bras_sb05&language=0 – Campanha

http://www.gremio.net/news/view.aspx?id=1073 – Matéria especial

O fato é que ocorreu um exagero. Mesmo sendo uma partida histórica, não pode ser o “maior jogo da história do Grêmio ou do futebol“, como vi centenas de vezes dirigentes daquela gestão dizerem. Deixem isto para folcóricos como o escritor Eduardo Bueno, o Peninha.

Não pode se tornar uma política estratégica do clube. Nada é maior que conquistar a América e o Mundial. Dentro do seu contexto, aquela partida foi inesquecível, mas acabou ali e no ano seguinte.

Não se pode falar nem de brincadeira uma coisa destas. E esta opinião não é isolada. Meu pai mesmo sempre diz que se o Galatto não pega o pênalti, o resto do time ia apanhar no Aeroporto. Alguns amigos gremista igualmente não compactuam com este “endeusamento” da partida de 2005.

O Grêmio teve vitórias imortais quando segurou o Palmeiras com 2 a menos na Copa do Brasil de 95, quando bateu o Flamengo no Maracanã entupido em 97. Quando fez gol no finalzinho e foi campeão contra a Portuguesa em 96 ou arrancou um título dramático contra o Peñarol em 1983. Mas não ir para a Goethe por golear o Caxias em casa, né? Ou diz que o Boca é um “Caxias com grife”

2°) O Grêmio deixou de priorizar a qualidade.

A prova disto são os times montados desde 2006 até 2009, quase todos com poucos jogadores de talento. A torcida se acostumou com jogadores médios e muito raçudos, como Patrício, Gavilán, Sandro Goiano, Domingos, etc e esquecia de que a técnica tem que estar sempre aliada à raça. Mesmo jogadores de boa qualidade, como Tcheco, foram incensados a um patamar incompatível com o futebol apresentado.

Eventualmente times assim foram longe, principalmente na Libertadores de 2007, mas as sérias deficiências em quase todos setores acabavam pesando perante individualidades de maior talento.

Talvez somente em 2010 percebi uma busca maior pela qualidade no Olímpico. Jogadores com pouca ou nenhuma raça, como Gabriel e Douglas, se sobressaem tecnicamente no Tricolor, considerado um dos melhores do pais por quase todo o ano, exceto nos meses de julho a setembro (o final da “Era Silas”). Esta opinião foi defendida por mim aqui várias vezes ao longo deste ano.

Fora, vozes até de certa forma isoladas ao longo destes anos. Mas com o tempo, o impacto da “Batalha dos Aflitos” diminui entre os torcedores e a exigência por mais e mais qualidade, resultados retorna.

No fundo, olhando em perspectiva nestes cinco anos, acredito que tenha sido bom para o Internacional o retorno do Grêmio. Em 2004, quando ainda trabalhava no clube, percebi que o pessoal do clube (especialmente no futebol) nivelava por baixo. Não à toa, o Inter fez sua campanha mais difícil na “Era Pontos Corridos”, precisando vencer oito em dez jogos pra terminar em 9° lugar.

Acredito que a direção colorada teria se acomodado com um Tricolor ainda mais afundado em 2006, ao invés de se manter sempre alerta e cobrada pelo sucesso do rival. Duvido até que Alex e Nilmar, por exemplo, tivessem sido mantidos no clube em agosto de 2008 se então o líder do Brasileirão, disparado, não fosse o Grêmio.

Quanto aos gremistas, comemorem muito e principalmente lembrem

- De não deixar as coisas desandarem a tal ponto de retornar àquela situação.

- De não desperdiçarem chancs de não complicarem as coisas.

-E, na minha opinião, de nunca esquecerem que o melhor quase sempre vence, mesmo no futebol.

Priorizar a qualidade é mérito.

E os gremistas sempre foram exigentes demais.

Isto deixa todos entendendo o que eu quero dizer.

Quatro times brasileiros já disputaram a Libertadores estando na Série B

25 de novembro de 2010 22

Tenho visto um repertório de informações desencontradas sobre o fato de um “time rebaixado” não pode disputar a Libertadores já que o Goiás está na final da Copa Sul-Americana (cujo campeão vai para a Libertadores) e também já está matematicamente rebaixado à Série B 2011.

Isto não faz muito sentido, pois senão nenhum time poderia almejar o título da Copa do Brasil estando na Série B, Série C, Série D ou mesmo sem divisão alguma (15 de Novembro-RS em 2004, semifinalista da Copa do Brasil). Ninguém nunca comentou isto e duvido que seja verdade.

A prova são os exemplos pretéritos. Quatro times brazucas já disputaram a Libertadores e não estavam classificados para a Série A daquela temporada. Criciúma (1992), Juventude (2000), Santo André (2005) e Paulista (2006) participaram da Libertadores, e todos estavam na Série B. Fora o time catarinense, todos os demais foram eliminados na primeira fase.

Criciúma 1992:

Campeão da Copa do Brasil em 1991, o Tigre estava na Série B nacional. Fez ótima campanha na primeira fase contra São Paulo, e os bolivianos Bolívar e San José. Ficou em primeiro lugar com nove pontos (a vitória valia 2 pontos), com direito a um 3×0 histórico sobre o Tricolor Paulista na estréia:

Nas oitavas-de-final, bateu o Sporting Cristal (Peru) por 2×1 e 3×2) e, como o regulamento exigia, reencontrou o São Paulo.

No primeiro jogo, o poderoso time de Telê Santana só venceu por 1×0 no Morumbi, gol de Macedo, apesar de ter sido muito superior ao time catarinense. Veja o compacto: .

Na partida de volta, um duelo épico no Heriberto Hulse que resultou em um empate em 1×1. O Tigre estava vencendo por 1×0, gol de Soares, e Roberto Cavalo ainda acertou o travessão no primeiro tempo. No segundo tempo, Catê empatou para o São Paulo. Buscando o gol da classificação, o Criciúma fez um bombardeio no gol de Zetti que, mesmo errando em muitos lances, conseguiu segurar o empate.

Em sua primeira, e até hoje única, participação na Libertadores, o Tigre terminou em uma belíssima 5º colocação. A torcida, emocionada, aplaudiu o time do então novato técnico Levir Culpi pela grande campanha e esforço:

Já o São Paulo conquistaria a Libertadores duas vezes seguidas e se tornaria o time da década de 90, seguido de Palmeiras e Grêmio (como reclamaram por causa desta frase, pelamordedeus).

Juventude 2000:

Campeão da Copa do Brasil de 1999, o time de Caxias do Sul foi para a Libertadores 2000 depois de amargar o rebaixamento no Brasileirão do ano anterior. Sem dinheiro, o time fez uma equipe pobre e com dificuldades técnicas. Repleto de veteranos e figurinhas carimbadas, o time do treinador Flávio Campos foi eliminado ainda na primeira fase contra Palmeiras, The Strongest (Bolívia) e El Nacional (Equador), ficando em 3º lugar no grupo.

OBSERVAÇÃO: o Juventude estava rebaixado no 1º semestre de 2000, quando ocorreu a Libertadores. A virada de mesa que gerou a Copa João Havelange só ocorreu no 2º semestre, em agosto/setembro.

Santo André 2005:

Surpreendente campeão da Copa do Brasil de 2004, o Azulão foi para a Libertadores disputando a Série B do Campeonato Nacional. Fez uma campanha irregular e a derrota de 1×0 para o Táchira (Venezuela) na 1º rodada pesou para a eliminação em um grupo que tinha ainda Palmeiras e Cerro Porteño (Paraguai).

Paulista 2006:

Também do interior paulista (Jundiaí), o Paulista chegou credenciado como time campeão da Copa do Brasil de 2005 e disputando a Série B. O time do técnico Vágner Mancini fez uma campanha irregular. Com três empates e 2 derrotas, o Paulista só venceu um jogo, justamente contra o adversário mais imponente: o Ríver Plate argentino. El Nacional (Equador) e Libertad (Paraguai) foram os outros adversários, classificando-se a equipe argentina e paraguaia. Curiosamente, o River Plate eliminou outro brasileiro, o Corinthians, enquanto o Libertad foi eliminado pelo Internacional nas semifinais.

Jogador do Catar perde gol inacreditável nos Jogos Asiáticos - Lembrou alguém?

16 de novembro de 2010 7

O atacante catariano Khalfan Fahad entrou para a história do futebol mundial ao perder o gol mais feito de 2010. No jogo entre Uzbequistão e Catar pelas oitavas-de-final dos Jogos Asiáticos, Fahad aproveitou uma falha patética do goleiro uzbeque Timur Juraev e entrou na cara do gol. Canhoto, ele evitou usar a direita e chutou com a perna esquerda,  perdendo um gol ridículo totalmente sem goleiro:

Para completar o azar de Fahad, o lance ocorreu no último minuto do tempo normal. E, claro que  o Uzbequistão venceu na prorrogação por 1×0, gol marcado por Ivan Nagaev aos 18 minutos do tempo extra, jogo disputado na cidade chinesa de Guangzhou.

Curiosidade: Fahad joga no Al-Rayyan, time treinado pelo ex-técnico da dupla Gre-Nal Paulo Autuori.

Coitado do Autuori.

Este lance lembrou muito o famoso gol perdido pelo artilheiro gremista Jonas, que errou um gol feito três vezes seguidas em um jogo que o Grêmio venceu o Boyacá Chicó, da Colômbia, por 1×0 pela Copa Libertadores 2009, 2º jogo da primeira fase. Revejam:

O mundo dá muitas voltas e hoje Jonas é titular absoluto e artilheiro da Série A 2010 com 22 gols.

Ranking de Eleições - As maiores eleições do futebol brasileiro

09 de novembro de 2010 2

Confira agora as maiores eleições da história do futebol brasileiro. Isto inclui eleições majoritárias para presidência dos grandes clubes do país e também eleições para os Conselhos Deliberativos.

A dupla Internacional e Grêmio, com os maiores quadros de associados do país, possuem seis sete das dez maiores eleições do futebol brasileiro, incluindo as quatro cinco primeiras. Isto já era esperado, com o último pleito colorado sendo o mais expressivo de todos, com 7.473 votos.

Em quinto sexto lugar, surpreendentemente, está o Sport, que mobilizou quase 3.500 associados em 2008. Com a eleição do Conselho Deliberativo do Grêmio em 11 de setembro, os dados sobre eleições diretas no futebol brasileiro mudaram um pouco. Santos e Flamengo completam esta sequência, enquanto Atlético-PR e São Paulo não fizeram eleições diretas (outros clubes com um expressivo número de sócios)

A eleição presidencial do Internacional dia 04 de dezembro, com votos por correspondência e 47 mil aptos, deve obliterar os números anteriores.

RANKING DAS MAIORES VOTAÇÕES – atualizado até 09/11/2010

  1. Internacional – 2008 – 7.473 votos – Reeleição de Vittorio Píffero
  2. Grêmio – 2008 – 5.365 votos – Eleição de Duda Kroeff
  3. Internacional – 2001 – 4.171 – Eleição de Fernando Carvalho
  4. Internacional – 2004 – 3.977 votos – Reeleição de Fernando Carvalho
  5. Internacional – 2006 – 3.500 votos – Renovação do Conselho Deliberativo (OBS: correção enviada por Caio de Santi)
  6. Sport – 2008 – 3.457 sócios – Eleição de Sílvio Guimarães
  7. Grêmio – 2010 – 3.063 votos – Renovação do Conselho Deliberativo
  8. Santos – 2009 – 3.204 votos – Eleição de Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro
  9. Grêmio – 2004 – 2.427 votos – Eleição de Paulo Odone
  10. Flamengo – 2001 – 2.367 votos – Eleição de Edmundo Santos Silva

OBS: estes números podem ser atualizados, basta que os internautas enviem os dados com fontes jornalísticas.

Grêmio pede empréstimo de quase R$ 12 mi; clubes devem rever modelo financeiro de gastos

03 de novembro de 2010 28

Um empréstimo de 12 milhões de reais servirá para pagar as contas no término da Gestão Duda Kroeff no Grêmio. A notícia foi divulgada hoje, e preocupa a nova gestão de Paulo Odone, que assume em dezembro, pois as receitas de 2011 já foram antecipadas. Nada que não tenha ocorrido na sua gestão (Odone também antecipou receitas), mas o ponto a ser discutido é o nível de comprometimento das finanças gremistas.

O empréstimo em si será quitado em cinco anos, com juros mais baixos e direitos federativos de Victor, Mário Fernandes, Adilson e Jonas como garantias. Se estes forem vendidos antes, outros jogadores serão incluídos.

A questão que fica é: qual é o macro planejamento financeiro do Grêmio? Se por um lado, o Condomínio de Credores (que chegou até a atrasar), foi bastante reduzido nos últimos meses em ações magistralmente conduzidas pelo Vice-Presidente de Finanças Irany Sant’Anna Jr. , em contrapartida os gastos no futebol realmente foram exagerados, sobretudo em 2010.

Irany Sant`Anna em entrevista à Grêmio Rádio, dirigente exemplar/site Grêmio.Net

Isto gerou inclusive atritos públicos entre a então Vice-Presidência de Futebol de Luiz Onofre Meira e o próprio Irany. Além disto, nesta temporada a folha superou 4,5 milhões de reais mensais por vários períodos, dinheiro gasto em atletas com baixo ou quase nulo potencial de revenda (Souza, Borges, Douglas, Leandro, Hugo).

No Internacional,  a folha este ano bateu recordes, chegando próxima ou superando cinco milhões de reais mensais. Muitos jogadores, inclusive reservas, recebem salários muito altos e o clube ainda tem diversos jogadores emprestados/encostados (apostas que equivocadamente foram contratadas por longo tempo ao invés de contratos curtos, como Jonas, Luís Carlos, Mineiro, entre outros).

Defendo, e isto há muito tempo, que os clubes brasileiros utilizam um modelo absolutamente equivocado de planejamento financeiro com gastos no futebol. Um valor anual deve ser definido, de acordo com os objetivos da temporada e as receitas a serem destinadas ao futebol. Este valor é flexível, de acordo com receitas ou despesas que se apresentem ao longo da temporada.

Sendo assim,a contratações sem investimentos pesados na aquisição liberam uma folha salarial superior, enquanto vendas de atletas (inclusive aquelas inesperadas, como por exemplo a saída de Danilo Silva em fevereiro no Internacional) tem percentual da receitas destinadas ao departamento  de futebol. Da mesma maneira, uma aquisição pesada com salários elevados diminui a ‘sobra orçamentária’ para o restante da folha e encerra os investimentos do ano.

Acredito que os clubes devem, urgentemente, modificar sua política de investimentos/gastos e sobretudo planejamento dentro do Departamento de Futebol. Para isto, devem contratar profissionais com experiência de mercado e principalmente foco em resultados.

VEJA TAMBÉM:

Como Grêmio tenta driblar caos financeiro (agosto/2009)

Finanças: abrindo a discussão com os leitores (abril/2009)

Grêmio atrasa condomínio de credores: folha alta? (abril/2009)

Gol polêmico de Nani reabre polêmica sobre lances de 'fair-play' no futebol

01 de novembro de 2010 5

O Manchester United bateu o Tottenham Hotspur por 2×0 no último sábado, a polêmica se instaurou no futebol inglês. Quase ao final do jogo, o português Nani entrou na área e se atirou, pedindo penalidade em favor do Manchester United. O árbitro não deu, mas o goleiro brasileiro Gomes largou a bola no chão como se fosse bater a falta por simulação.

Só que o árbitro Mark Clattenberg não marcou nenhuma das duas infrações, ou seja: a bola estava em jogo! Com muita esperteza e uma profunda cara-de-pau, Nani chutou para as redes do Tottenham, assinalando o 2º gol do jogo. Tecnicamente o juiz não poderia anular o gol, mas faltou um pouco de dignidade para o meia-atacante português, um dos melhores na atual temporada inglesa. Vejam o lance:

VEJA TUDO QUE SAIU SOBRE LANCES DE ‘FAIR-PLAY’ NO ALMANAQUE ESPORTIVO:

Lances de Fair-Play bacanas – Robbie Fowler e Miroslav Klose negando penalidades marcadas, e o Arsenal pedindo o replay de um jogo com gol contra o fair-play

Fair-Play é isto aí! - O time do Leicester City deixa o Nottingham Forest marcar um gol após remarcação de jogo, assim como o Ajax-B, enquanto Paolo Di Canio, do Aston Villa, deixa de chutar sem goleiro por causa da lesão do arqueiro Paul Gerrard, do Everton.

Erro grotesco na Alemanha: gol validado com bola 1m antes da linha! Veja outros casos! - Duisburg comemora um gol que a bola visivelmente não entrou contra o Eintracht Frankfurt. Em 1994, o mesmo ocorreu em um Bayern de Munique x Nurnberg

Gol polêmico de Nani reabre discussão sobre lances de ‘fair-play’ no futebol – Nani se aproveita de confusão do goleiro Gomes e marca gol discutível no Campeonato Inglês