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Posts do dia 24 fevereiro 2011

Crônica Inter 4x0 Jaguares - Quando o óbvio não explica tudo

24 de fevereiro de 2011 6

A goleada de 4×0 do Internacional sobre o Jaguares, pela 2º rodada da Libertadores, remete a uma frase: nada é o que parece. Paradoxalmente, o Colorado jogou pior do que no 1×1 da estréia contra o Emelec,  e ainda assim saiu com um resultado muito superior. Três gols em bolas parada e um nos acréscimos podem resumir um jogo no qual o vencedor foi amplamente superior. Porém não foi assim na agradável mas chuvosa noite de quarta-feira no Beira-Rio.

Notadamente sem D’Alessandro, faltou criatividade e posse de bola ao time gaúcho. Por determinação do contestado Celso Roth, o Colorado entrou com dois volantes e Guiñazu jogou de meia-esquerda. Fora uma jogada logo a oito minutos, não deu certo a decisão, e o argentino ficou perdido no meio-campo. Sobrecarregado, Zé Roberto fez bom jogo, ganhando as jogadas individuais pelos flancos, mas sem presença centralizada. Ao baixo time do Jaguares, restou o toque de bola e dois lances perigosos com Frías. No primeiro, Índio (péssimo novamente) não pulou e o centroavante cabeceou para excepcional defesa de Lauro. No segundo, aos 23 minutos,Frías chutou de fora da área e tirou lasca da trave esquerda.

Porém neste instante, o Inter já vencia. Quatro minutos antes, após bate-rebate na área do Jaguares com participação de Sorondo, o inusitado goleador Mario Bolatti havia feito 1×0. Para um volante com sete gols na vida antes do Colorado, dois gols em duas partidas era algo impensável. Isto se tornou ainda mais incrível no finalzinho da primeira etapa em falta na intermediária cobrada por Zé Roberto. Sorondo passou para Cavenaghi e este, sempre no jogo aéreo, triangulou com Bolatti para marcar 2×0. Três gols colorados na Libertadores, três gols de Bolatti. Surreal.

Só que o torcedor do Inter não é cego e via que algo estava muito errado em campo. Ao invés da quase sempre improdutiva troca de passes e posse de bola, o Inter mudou para um jogo repleto de balões. Uma ligação direta que faria inveja aos times de Muricy Ramalho. A bola não passava pelo meio-campo e as dificuldades eram visíveis. Totalmente isolados, Leandro Damião e Cavenaghi sofreram para vencer os 3 zagueiros mexicanos, quase sempre em desvantagem. Era urgente a entrada de um meia com estilo de armador, e não se compreendia porque Andrezinho não estava em campo.

No segundo tempo, o Inter não levou mais sustos do time mexicano, mas também não conseguia jogar. A partida se seguia apática e murmúrios desaprovadores da arquibancada eram nítidos. Pelo esforço, os dois atacantes foram premiados ao participarem do gol da tranqüilidade aos 20 minutos. Foi quando Zé Roberto bateu falta, o fraco goleiro Vilalpando soltou para Cavenaghi chutar na trave. No rebote, Damião desencantou e fez seu primeiro gol na competição.

Mesmo assim, a torcida reclamava de Roth e se ouvia gritos de ‘burro’ da arquibancada. Um pouco de irritação pelos últimos jogos do time, pelo Mundial, pelo Inter-B, pela chuva, por tudo. Mas também pelo apresentado no jogo. Então Oscar entrou e deu vivacidade ao ataque. Sua ousadia foi premiada com um belo chute de fora da área, seco, rasante e 4×0. Seu primeiro gol como atleta profissional. Ele se juntou a Sorondo, Lauro, Zé Roberto e aos isolados Damião e Cavenaghi como destaques. Já Nei, Índio, Guiñazu, Kléber foram bem abaixo do esperado.

Em uma noite estranha, o Inter não jogou bem e goleou.

De novo, o time naufragou taticamente.

Mas Celso Roth respirou.