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Posts do dia 28 fevereiro 2011

OPINIÃO: A tarde do goleador Borges, e uma homenagem para Moacyr Scliar

28 de fevereiro de 2011 1
O Grêmio venceu o Cruzeiro por 4×2 e está na final da Taça Piratini. Foi a tarde de Borges, que marcou três gols e comandou o time gremista, com direito a escolher música no Fantástico (ele optou por uma canção gospel). O adversário, algoz do Inter-B na fase anterior, endureceu novamente contra um grande.
Vale destacar um ótimo jogo de Gabriel, um dos melhores laterais/alas do país. E a recuperação de Douglas, de má-jornada contra o Júnior-COL pela Libertadores. Em compensação, Carlos Alberto novamente fracassou ao jogar mais recuado. Caberá a Renato decidir: quer ele no ataque ao lado de um (Borges ou André Lima), ou no banco. Lúcio retorna naturalmente, para dar opções ao lado esquerdo tricolor.
Sem o lesionado Lúcio, Renato escalou o Grêmio com 2 volantes (Rochemback e Adílson) e 2 centroavantes (Borges e André Lima).
A primeira opção se mostrou mais uma vez acertada, com Rochemback aproveitando a liberdade fornecida por Adílson e sendo importante na saída de jogo. Já a segunda claramente prejudicou André Lima, que caiu de produção desde que passou a dividir o ataque com o antigo titular.
Ao time da Zona Leste, que se muda para a vizinha Cachoeirinha em 2011, fica a lembrança do dever cumprido. No dia que perdeu seu mais ilustre torcedor, o escritor Moacyr Scliar, o simpático Cruzeiro mostrou mais uma vez que um trabalho de longo prazo e organizado dá frutos até nos times pequenos. Depois de 30 anos na Segundona, a permanência estará garantida com mais 5 pontos no returno, mantendo a mesma base desde 2009.
Contra um Cruzeiro sólido defensivamente,o Tricolor dominou o primeiro tempo mas sem grandes chances. Aos poucos abriu brechas na defesa cruzeirense e Gabriel acertou o poste de Fábio. Logo depois, o bom meia Diego Torres quase surpreendeu o bom público no Olímpico ao obrigar Victor a fazer ótima defesa. Aos 36 o Grêmio superou a retranca em uma bela jogada envolvendo Douglas e Gabriel, que cruzou para Borges chutar mascado e abrir o marcador.
Na etapa complementar,três em cinco minutos: aos nove, André Lima escorou e Borges ampliou, 2×0. Na saída de bola, a zaga gremista errou no posicionamento e o baixinho Jô descontou para o Cruzeiro. Então foi a vez de Borges ser derrubado na área, pênalti que converteu com categoria, Grêmio 3×1.
Sem nada à perder, contra um Grêmio nitidamente cansado e um tanto displicente, o Cruzeiro foi para cima e, aproveitando outro erro no jogo aéreo gremista, o zagueiro Léo cabeceou cruzado e marcou, 3×2 aos 32 minutos. Com a expulsão justa de Alberto, acabaram as chances do Cruzeiro. E nos acréscimos, Júnior Viçosa fez bela jogada e sofreu pênalti, que Gabriel (o segundo melhor em campo), cobrou e fechou o placar. Final, Grêmio 4×2, finalista da Taça Piratini e já esperando o Caxias.
Ao enlutado Cruzeiro, o esforço e a simbólica homenagem à Scliar.
Ao Grêmio, o cumprimento com o dever. O retorno do goleador. E o talento de um lateral.

Copa da Liga Inglesa: a glória do Birmingham no desastre do Arsenal

28 de fevereiro de 2011 0

Em uma partida histórica, o Birmingham City se sagrou campeão da Copa da Liga Inglesa ao derrotar o poderoso Arsenal por 2×1. Estará na Liga Europa 2011/12 e ainda acabou com um jejum de 48 anos sem conquistas com um gol no finalzinho, da maneira mais bizarra possível.  Ao time derrotado, a lembrança sombria do desastre de 1988, quando perdeu a mesma competição no (quase) mesmo Wembley para um adversário ainda mais modesto, o Luton Town, de maneira tão inacreditável quanto hoje.

Aos torcedores do Arsenal, vice-líder do Inglês e a um empate de tirar o favorito absoluto Barcelona da Liga dos Campeões, foi um duro golpe. De um time com a fama de ‘amarelar‘ em decisões, sem títulos há seis anos. Pior que isto: o jogo marcará para sempre a carreira do zagueiro francês Laurent Koscielny e do goleiro Wojciech Szczesny, protagonistas do desastre que deu o título ao time menos famoso de Birmingham.

Aproveitando os tropeços dos melhores times (que quase sempre jogam com reservas na “League Cup”), o time treinado por Alex McLeish chegou à decisão em Wembley empurrado por quase 30 mil torcedores. Franco favorito, o Arsenal viu que a final não seria fácil aos três minutos, quando o temperamental Lee Bowyer foi lançado e derrubado pelo goleiro Szczesny. Pênalti clamoroso não-marcado graças a um erro do bandeira que assinalou impedimento e salvou o Arsenal. Ao menos por enquanto…

Se defendendo bem, o Birmingham saiu na frente em escanteio que Roger Johnson escorou e o gigantesco sérvio Nicola Zigic (2,02m) só desviou de cabeça para fazer 1×0. Depois de levar uma na trave, o Arsenal empatou dez minutos depois quando o talentoso Jack Wilshere chutou no travessão, e o rebote foi para o russo Andrei Arshavin. Este fez um cruzamento na medida para o holandês Robin van Persie marcar um golaço de voleio e empatar a final, 1×1.

A despeito de uma nova bola na trave do Birmingham em um lance isolado, só deu Arsenal no segundo tempo. Ben Foster, exorcizado do Manchester United e do ‘English Team‘ nos últimos anos, teve uma atuação impecável e parou um bombardeio dos ‘Gunners‘ , Samri Nasri e Nicolas Bendtner. Como prêmio, foi eleito o melhor em campo pela Federação. Nos minutos finais, com coragem, McLeish resolveu suportar a pressão colocando outro atacante e atacando o Arsenal com Zigic no meio, o chileno Beausejour na esquerda e Oba Oba Martins na direita. O prêmio à ousadia veio aos 43 do 2° tempo…

Falta lateral e Zigic faz sinal para o goleiro Foster pedindo a bola na cabeça. O balão vem e Zigic apenas resvala na bola. Então, o desastre: Koscielny não se comunica com o goleiro Szczesny e dá uma furada. O arqueiro não segura e a bola sobra, sem goleiro, para o incrédulo Martins só escorar para as redes, gol do Birmingham e 2×1. Vejam a trapalhada dupla do Arsenal e ainda o tapão que Koscielny leva na cabeça de Beausejour após o gol:


Birmingham City vs Arsenal Wembley [BRMB] Tom… por ChrisWembleyBlue

Fim. O jogo termina, o título é do Birmingham e o pesadelo é londrino. O delírio nas arquibancadas é azul. Uma final com o drama típico de um capítulo inteiro do livro “Febre de Bola”, autobigráfico do escritor britânico Nick Hornby sobre sua paixão pelo Arsenal. Ele detalha a final da Copa da Liga de 88, quando o Arsenal caiu diante do Luton Town. O gigante saiu perdendo e virou para 2×1, antes de errar um pênalti aos 35 do 2° tempo.

Na sequência, o zagueiro Gus Caesar furou em bola e caiu sentado no lance que daria o empate ao Luton Town, 2×2. No último minuto, o Luton virou e venceu por 3×2 em seu único título de todos os tempos. A carreira de Caesar, no Arsenal e no futebol profissional, praticamente acabou neste dia. Confira o compacto aqui deste jogo:

23 anos depois, o pesadelo em Wembley retornou.
Lembrando 1969 (quando perdeu a decisão da Copa da Inglaterra para o Swindon Town) e o citado 1988, o Arsenal deu vexame na final.

Em um lance bisonho, o título foi para o adversário…

Glória aos azuis de Birmingham!