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Posts do dia 13 fevereiro 2012

... e Zâmbia, após frustração e dor, chega ao momento de glória quase 20 anos depois!

13 de fevereiro de 2012 0

Nesta segunda-feira comecei a contar a sensacional história da seleção de futebol de Zâmbia. Que de surpresa dos Jogos Olímpicos de 1988 em Seul passou a vítima da maior tragédia esportiva reunindo uma Seleção apenas cinco anos depois. Agora irei contar o que ocorreu entre o 27 de abril de 1993, quando o avião da Força Aérea Zambiana caiu e matou todos à bordo (incluindo 18 jogadores), e o dia 12 de fevereiro de 2012, quando conquistou o título da Copa Africana de Nações nas penalidades, superando a favorita Costa do Marfim.

Único titular que não estava no trágico vôo, o ídolo nacional Kalusha Bwalya puxou para si a tarefa de reerguer o futebol nacional de Zâmbia, abalado pelo desastre. Liderando uma equipe de jovens inexperientes, Bwalya levou seus comandados até a última rodada das Eliminatórias. Um empate classificaria os zambianos contra o experiente Marrocos, em Casablanca no dia 10 de outubro de 1993, menos de seis meses após o acidente. Em um jogo dramático, os marroquinos venceram por 1×0 e se classificaram. O sonho de uma Copa do Mundo ficava adiado…



Zâmbia ainda causou furor na Copa Africana de Nações do ano seguinte, 1994. Com o mesmo time do ano anterior, heroicamente chegou à decisão contra a Nigéria. Muito mais experiente, o time nigeriano venceu por 2×1 e foi campeão africano pela segunda vez. A vontade de ver Zâmbia no topo estava novamente postergado. Comovidos com o esforço do time, os vice-campeões foram recebidos como heróis em Lusaka por centenas de milhares de torcedores.  Melhores momentos da final:

Os anos se passaram, e depois de um 3º lugar na Copa Africana de 1996, os resultados sumiram. Então, nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, Kalusha Bwalya acumulava o posto de treinador e jogador. No segundo tempo de um modorrento 0×0 contra a Libéria, Bwalya entrou em campo no dia 5 de setembro de 2004, aos 41 anos em seu 147º jogo por seu país. Com um golaço de falta, marcou seu 100º gol por Zâmbia e decretou a vitória por 1×0. Depois, os zambianos não conseguiram a classificação naquele Mundial, tampouco em 2010. Bwalya hoje é dirigente da CAF (Confederação Africana de Futebol) e presidente da Federação Nacional de Futebol.

E chegamos, após quase duas décadas de sofrimento, ao ano de 2012. Zâmbia chegou à Copa Africana de Nações, sediada em Guiné Equatorial e no Gabão (sim, o mesmo país da tragédia de 1993), como uma das forças mas sem favoritismo destacado, que era compartilhado por Costa do Marfim e Gana. Venceu Senegal (2×1), empatou com a Líbia (2×2) e superou a anfitriã Guiné Equatorial por 1×0. Nas quartas-de-finais, 3×0 no Sudão e uma emocionante viagem para Libreville, Gabão.

Com uma campanha sólida, o time de Hervé Renard estava nas semifinais, contra Gana. Venceu por 1×0, com direito a outro pênalti cobrado pelo ganês Gyan Asamoah, e defendido pelo goleiro zambiano Kennedy Mweene. Zâmbia, repetindo 1994, estava na final! Depois do jogo, a delegação foi à praia em Libreville e fez uma sensível homenagem aos 30 mortos daquele abril de 1993:

Neste domingo, também em Libreville no Gabão, o sonho adiado por 19 anos foi concretizado. Em uma atuação heróica, contra os favoritos de Costa do Marfim, Zâmbia venceu nos pênaltis por 8×7 depois de um 0×0 no tempo normal e prorrogação. Um jogo com tons de drama, incluindo pênalti desperdiçado pelo centroavante marfinense Didier Drogba aos 25 do 2º tempo.

O time zambiano fez ótimo jogo e, com exceção da penalidade já citada, teve as melhores chances da partida. Sobretudo com Chris Katongo, melhor jogador da final e do torneio, que obrigou o goleiro marfinense Barry a um milagre no primeiro tempo da prorrogação.

Depois de sete cobranças perfeitas para cada lado, o veterano Kolo Touré errou para Costa do Marfim. Rainford Kalaba teve a chance do título para Zâmbia, mas isolou. O pesadelo ressurgia?

Não desta vez: a estrela Gervinho, do Arsenal, bateu mal e para fora a cobrança seguinte de sua equipe.
Com toda a pressão de 19 anos de dor e frustrações,  Stophira Sunzu foi para a cobrança derradeira.

Ele bateu e marcou.

Zâmbia 8×7.

Enfim, campeão africano!

Doze milhões de pessoas entraram em catarse coletiva.

E uma nação deixou seus mortos descansarem em paz…

Parabéns Kalusha Bwalya!

Parabéns Zâmbia!

MELHORES MOMENTOS DE ZÂMBIA 0X0 COSTA DO MARFIM

DISPUTA DE PÊNALTIS, ZÂMBIA 8X7 COSTA DO MARFIM

CONTO DE FADAS DE ZÂMBIA

Parte I: Jogos Olímpicos de 1988 e a tragédia aérea em 1993

Parte II: Os anos perdidos (1993, 1994, 2006) e a glória na Copa Africana de Nações em 2012

O "conto de fadas" se completa e Zâmbia é campeã africana após décadas de dor

13 de fevereiro de 2012 0

A Seleção de Zâmbia é campeã africana pela primeira vez em sua história. Conquistou o título contra a favorita Costa do Marfim nas penalidades por 8×7 , após um 0×0 no tempo normal e prorrogação. Só que esta não foi uma conquista especial por ser inédita, por ser o ponto máximo de toda a seleção da África.

Zâmbia é campeã africana de nações - Foto: Issouf Sanogo, AFP

Ela evidencia a redenção de uma nação, que enfim poderá homenagear seus mortos com uma conquista inesquecível. O jogo de ontem reuniu elementos de alegria, dor, frustração e uma saudade daqueles que se foram antes da hora… E nada mais singular, mais emblemático, mais significativo do que a decisão ter sido disputada em Libreville, no Gabão. Justamente o local da maior tragédia do esporte naquele país.

Era uma vez um time jovem, que pela primeira vez se classificou para os Jogos Olímpicos. O ano era 1988, Olímpiadas de Seul. Este time, classificado ao lado de Tunísia e Nigéria, caiu em um grupo que tinha Iraque, Guatemala e a favoritaça Itália. No dia que este que vos escreve completava nove anos de idade (19 de setembro de 1988), os italianos de Mauro Tassotti, Ciro Ferrara, Steffano Tacconi, Andrea Carnevale foram impiedosamente goleados por 4×0. Três gols de Kalusha Bwalya. Guardem este nome…

Líder da primeira fase, Zâmbia foi superado nas quartas-de-final pela forte  Alemanha Ocidental (de um tal Jurgen Klinsmann…) por 4×0 e ali se encerrava a primeira participação zambiana em uma competição de alto nível. E uma ótima impressão. Cinco anos se passaram e Zâmbia era a sensação do futebol africano. Com um futebol ofensivo, liderava seu grupo nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Passaram da primeira fase e estavam no triangular final com o favorito Marrocos e mais o Senegal. O craque do time, Kalusha Bwalya, jogava no holandês PSV Eindhoven e chegaria direto à Dakar, no Senegal.

Antes do primeiro jogo, no dia 27 de abril, um avião da Força Aérea de Zâmbia levava a delegação, com 18 atletas e o treinador Godfrey Chitalu. O avião teve problemas no motor detectado na escala em Libreville, Gabão (isso, o local da conquista de ontem). Mesmo assim decolou, para cair no mar 500 metros depois da costa. Todos morreram, incluindo cinco jogadores que disputaram as Olimpíadas: Derby Makinka, Eston Mulenga, Richard Mwanza, Samuel Chomba e Wisdom “Mumba” Chansa. Apenas Bwalya , que ainda estava na Holanda antes de se reunir com a delegação, e Charles Musonda, lesionado e que estava na Bélgica, sobreviveram entre todos os 11 titulares.

Era o momento mais trágico do esporte na jovem nação.

Zâmbia chorou por seus mortos.

O capitão e ídolo Bwalya levantou-se da dor e comandou uma revolução.

O mundo da bola seguiu…

Isto veremos ainda hoje, aqui no Almanaque Esportivo.

CONTO DE FADAS DE ZÂMBIA

Parte I: Jogos Olímpicos de 1988 e a tragédia aérea em 1993

Parte II: Os anos perdidos (1993, 1994, 2006) e a glória na Copa Africana de Nações em 2012