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Posts de fevereiro 2012

HISTÓRIA DO FUTEBOL - Dois sites sensacionais com imagens históricas

28 de fevereiro de 2012 1

Para os fãs da história do futebol mundial, e que gostam de imagens esportivas, eu vou deixar recomendados dois sites. Um eu já conhecia, o The Football Archivist, já bastante divulgado em abril de 2011 neste espaço. O site tem fotografias raras, momentos históricos e com um foco no futebol britânico.




O outro eu conheci hoje, por indicação do sempre amigo Márcio Gomes. É o I Got Cider in My Ear, focado na Internazionale  e no futebol italiano. Mas já fiz várias pesquisas e achei raridades no mesmo. Realmente vale muito a pena!

I Got Cider in My Ear - Reprodução site: http://interleaning.tumblr.com/

500 Milhas de Daytona: Montoya roda e bate em carro de serviço, que explode!

28 de fevereiro de 2012 0

Simplesmente caótica a edição de 2012 das 500 milhas de Daytona, a prova nobre da NASCAR norte-americana. Depois de diversos adiamentos por causa da chuva nas últimas 36 horas, a corrida finalmente ocorreu nesta segunda-feira à noite, ainda que em condições precárias.

Na volta 160, sob bandeira amarela, o colombiano Juan Pablo Montoya teve um pneu furado e perdeu o controle do carro. Para azar supremo, bateu no caminhão-turbina (que é usado para secar a pista) que estava em uma das curvas do oval. No acidente, os dois carros pegaram fogo, muito devido à enorme quantidade de combustível de avião que o caminhão normalmente transporta.

Montoya nada sofreu, mas o motorista do caminhão está no Centro Médico. As imagens mostram outro fiscal de prova correndo para ajudar o colega acidentado. A prova está com bandeira vermelha e a enorme quantidade de combustível incendiado derreteu o asfalto.

Provavelmente a corrida será encerrada prematuramente, e terá uma bizarra vitória de Dave Blaney. Ano passado, ele  ficou em 32° lugar no campeonato, e nunca venceu em 28 provas, com apenas duas pole-positions.

Gauchão não terá Gre-Nal na final pela 12º vez em 17 anos

27 de fevereiro de 2012 0

Com as eliminações sucessivas de Internacional e Grêmio da Taça Piratini, uma coisa é certa: a finalíssima do Gauchão não será em Gre-Nal. Parece algo raro, mas tem se tornado bastante comum. Nos últimos 17 anos, em 12 oportunidades isto ocorreu.

Foram 11 finais com times do interior (que ganharam duas vezes) e mais um ano (2009) no qual o Internacional venceu os dois turnos e o jogo final do 2º turno foi contra o Caxias (apesar do Grêmio, pelo regulamento, ter somado mais pontos e ficado com o vice-campeonato).

Desde 1996, o Juventude foi quatro vezes vice-campeão (1996, 2001, 2007 e 2008) e 1 vez campeão (1998). Já o Caxias foi à uma finalíssima e venceu (em 2000). A Ulbra foi vice-campeã em 2004, enquanto ao 15 de Novembro de Campo Bom sobrou o mais cruel destino: três vezes derrotado em finais (2002, 2003 e 2005).

Os Gre-Nais só decidiram cinco Gauchões desde 1996: em 1997 (Inter), 1999 (Grêmio), 2006 e 2010 (Grêmio) e 2011 (Internacional)

VEJAM A LISTA COMPLETA

Campeões e Vices do Gauchão desde 1996 – Arquivo Pessoal

Até em Portugal: Capa do Jornal Record cita Michel Teló em jogo da Liga Europa!

24 de fevereiro de 2012 0

Não adianta, gurizada. O fenômeno Michel Teló é mundial. Vejam abaixo a criativa capa do tradicional jornal esportivo Record, de Lisboa, citando o futuro confronto entre Sporting Lisboa e Manchester City, na Liga Europa.

Sim, é um trocadilho com a música (grudenta) “Ai se eu te pego“, líder nas paradas musicais por boa parte do continente europeu.

Eurico Lara nasceu há 115 anos: leia especial no Almanaque

24 de fevereiro de 2012 0

Há exatos 115 anos, nascia Eurico Lara, um dos jogadores mais importantes e carismáticos da história do Grêmio. Único atleta (que eu conheço) a ter seu nome no hino oficial do clube, Lara já foi homenageado pelo Almanaque Esportivo algumas vezes.

Vou reproduzir abaixo o texto original, de 2008, com vídeo especial sobre o lendário goleiro tricolor. No final do post, vários textos citando histórias do goleiro:

LARA: O TEU CRAQUE IMORTAL

02 de maio de 2008

Eurico Lara existe no dualismo típico do povo gaúcho: entre a lenda e a história. O que émito sobre este goleiro, nascido em Uruguaiana no distante ano de 1897 e falecido precocemente em Porto Alegre no ano de 1935, se mistura com fatos reais que rechearam o cotidiano do Rio Grande do Sul no início do século passado. E acabaram por construir uma das mais dramáticas histórias do futebol brasileiro em seu início de existência.

Eurico Lara, goleiro do Grêmio no início do século XX

Defendendo o Tricolor Gaúcho por 16 temporadas, Lara se tornou o primeiro (e até hoje, único), jogador citado no Hino Oficial de um time de Primeira Divisão (homenagem feita por Lupicínio Rodrigues, um dos grandes compositores da MPB).

Tímido, era reservado mas dotado de talentos incomuns, sobretudo entre goleiros da época. Sua resilência era notável, talvez originado da vida militar que seguiu por toda a vida. Porém, o mais provável é que isto era fruto de um sentimento interno, superior, inquebrantável, nato dos grandes ídolos do povo.

Eurico Lara começou a carreira jogando no time do Exército quando completou 18 anos. Rapidamente, sua fama se alastrou por Uruguaiana e cercanias, e um de seus jogos foi visto por um conselheiro gremista, que indicou ao clube.

Ele não queria sair de Uruguaiana e fingiu doença para ficar em Porto Alegre, mas o Grêmio ‘mexeu os pauzinhos‘ e conseguiu uma transferência militar.Se apresentou noFortim da Baixada no ano de 1920, aos 23 anos, para se tornar o maior goleiro tricolor em todos os tempos. E já começou ganhando um título, o citadino de 1920.

Em 1922, defendendo a Seleção Gaúcha contra a Seleção Paulista, Lara pegou 20 chutes de Arthur Friedenreich e saiu ovacionado pela torcida paulista no Pacaembu. Recheado de convites, não aceitou jogar em São Paulo. O goleiro só atuou por um outro clube, o Porto Alegre por um jogo em 1928. Levou uma sova e voltou chorando para a Baixada, naqueles tempos a sede do Grêmio, de onde nunca mais saiu.

Ele fazia defesas impressionantes, especialmente para os goleiros da época. Nos primórdios do futebol profissional, se tornou o primeiro dos ídolos populares do futebol gaúcho. Uma antológica defesa em Gre-Nal, contada pelo então colega Lacy (que disse: ‘o atacante colorado chutou, a bola entraria no ângulo, Lara se levantou, deu um tapa na bola de costas, a bola bateu no travessão e saiu‘), e quatro míticas defesas consecutivas contra o Botafogo, são exemplos deste talento. Rapidamente, se tornou uma unanimidade entre admiradores, rivais e imprensa.

Entretanto, aos poucos começou a mostrar sintomas de uma crônica tuberculose, doença que matava naqueles tempos. Outro problema: tinha insuficiência cardíaca, agravada pela tuberculose.

Chegamos ao ano de 1935, repleto de comemorações no estado pelo Centenário da Revolução Farroupilha. Debilitado, Lara foi vetado pelos médicos e ficaria de fora dos jogos finais. Porém, em um supremo esforço, ele bate pé e afirma: ‘vou jogar a decisão‘.

Lara se referia ao ‘Gre-Nal Farroupilha’, disputado em 22 de setembro daquele ano. Na decisão contra o Internacional, Lara atuou só por 40 minutos (na época os jogos duravam 80 minutos). Fechou o gol e garantiu o 0×0.

Eurico Lara, o primeiro goleiro histórico do GrêmioNo intervalo, deixou o time com fortes dores no peito. Com o empate, o Inter era campeão mas no segundo tempo,Oswaldo Rolla (o célebre Foguinho) fez 1×0. Na saída de bola, Lacy amplia, o Grêmio vence por 2×0 e se torna oCampeão Farroupilha, no maior clássico de todos os tempos até então. Este jogo se tornou tão emblemático que o Grêmio adotou o compromisso de comemorar por 100 anos em um jantar sua vitória mais importante desde a fundação, 32 anos antes.

Depois do jogo, Eurico Lara ainda participa da comemoração dos jogadores, mas depois vai para o Hospital Beneficência Portuguesa, na capital gaúcha.

Com a tuberculose avançada, não sai mais de lá e morre em 6 de novembro de 1935. Seu enterro causa comoção popular, reunindo a multidão de 30 mil pessoas. Gremistas e colorados, em homenagem à uma pessoa comum, de hábitos simples e caráter férreo.

Porém que, naquele dia, deixava o terreno dos homens e subiu para o panteão dos mitos, das lendas, da imortalidade...

LENDAS SOBRE LARA:
- Morreu defendendo um pênalti no Gre-Nal do Centenário Farroupilha (citadino de 1935)
- Que este pênalti tinha sido batido pelo irmão, que jogava no arquirrival e tinha um forte chute. E que Lara morreu gritando ‘Imortal’
- Não era goleiro quando jovem, jogava na posição em Uruguaiana porque ninguém mais era goleiro.
- Quebrou um braço em um dos jogos, e continuou em campo.

FATOS VERÍDICOS SOBRE LARA
- ‘Em Uruguaiana há um goleiro tão bom que, quando joga, seu time não perde’ – Frase de Máximo Laviaguerre, dirigente do Grêmio, sobre o goleiro da cidade fronteiriça.
- Fingiu doença para não se transferir para Porto Alegre.
- O Grêmio fez uma manobra política para ele ser transferido de quartel e ir para Porto Alegre.
- Saiu ovacionado pelos paulistas em uma vitória de 4×2 da Seleção Paulista contra a Seleção Gaúcha
- 16 títulos em 16 anos no Grêmio
- Seu último jogo antes de morrer foi conquistando o título do Centenário Farroupilha.
- Foi um dos Tenentes do movimento Tenentista que comandou a ‘Revolução de 1930′ e colocou Getúlio Vargas no poder, dando fim à República Velha.

TÍTULOS
Campeão da Cidade: 1920, 1921, 1922, 1923, 1925, 1926, 1930, 1931, 1932, 1933 e 1935 (Centenário Farroupilha, seu último jogo).
Campeão Gaúcho: 1921, 1922, 1926, 1931 e 1932

Hino Oficial do Grêmio

Lara, o Craque Imortal,
Soube o seu nome elevar,
Hoje, com o mesmo ideal,
Nós saberemos te honrar.’

IMAGENS RECUPERADAS PELA RBSTV DO ARQUIVO DA LEOPOLDI SOM – CLIC ESPORTES MEDIACENTER

Lara, o goleiro que virou lenda – imagens exclusivas

VEJA TAMBÉM

Sina se mantém: mandante não vence há seis Gre-Nais pelo Gauchão

23 de fevereiro de 2012 1

A vitória do Grêmio em pleno estádio do Internacional manteve uma sina que já dura três anos pelo Gauchão.Desde 2009, o mandante não vence um clássico Gre-Nal pelo Campeonato Gaúcho. Neste período, o tricolor venceu três vezes no Beira-Rio, contra duas vitórias coloradas no Olímpico.

Foi no dia 05 de abril de 2009, quando o Internacional venceu o Grêmio por 2×1, de virada no estádio Beira-Rio com gols de Tcheco (Grêmio), Andrezinho e Índio (Internacional). De lá para cá, nenhum time da casa conseguiu vitórias: quatro derrotas, dois empates. Estes números obviamente não consideram os três Gre-Nais em campo neutro, disputados em 2009, 2010 e 2011 (dois em Erechim, um em Rivera-URU).

SÉRIE SEM VITÓRIAS DOS MANDANTES

  • Internacional 0×2 Grêmio, final Gauchão 2010
  • Grêmio 0×1 Internacional, final Gauchão 2010
  • Internacional 1 (4)x (2)1 Grêmio, final Taça Farroupilha 2011
  • Internacional 1×2 Grêmio, final Gauchão 2011
  • Grêmio 2 (4)x (5)3 Internacional, final Gauchão 2011
  • Grêmio 2×2 Internacional, Gauchão 2012
  • Internacional 1×2 Grêmio, quartas-de-final Taça Piratini 2012

Especial Gre-Nal no Almanaque Esportivo: Os clássicos de 1996 a 2012

2007:

2008:

2009:


2010
2011

Grêmio demite seu 17° treinador efetivo em 10 anos: vejam os números

20 de fevereiro de 2012 3

A saída de Caio Júnior do comando do Grêmio manteve péssimos números no comando do Tricolor. Desde 2002, o time da Azenha já trocou, efetivamente, dezessete treinadores. Outros três nomes (alguns duas vezes) treinaram o time em caráter interino.

O ex-centroavante gremista assumiu em dezembro no lugar do sempre polêmico Celso Roth. Prometeu um futebol ofensivo, mas suas seguidas modificações no time titular, aliada aos péssimos resultados contra times do interior selaram seu destino após um breve período no comando tricolor .

A passagem de Caio Júnior foi bastante breve: apenas oito jogos, com 4 vitórias, 3 derrotas e 1 empate. Apenas três treinadores ficaram menos jogos que Caio: Nestor Simionato (sete jogos em 2003), Vágner Mancini (seis jogos em 2008) e Julinho Camargo (seis jogos em 2011).

Nos últimos 5 anos, os números pioram consideravelmente: são 11 treinadores diferentes.Os recordistas são Mano Menezes, que ficou no comando por dois anos e meio entre 2005 e 2007, e Tite que ficou praticamente o mesmo tempo na casamata gremista entre 2001 e 2003.

  • 2002: Tite
  • 2003: Tite, Cléber Xavier (interino), Darío Pereyra, Nestor Simionatto e Adílson Batista
  • 2004: Adílson Batista, José Luís Plein, Cuca e Cláudio Duarte
  • 2005: Hugo de León, Mano Menezes
  • 2006: Mano Menezes
  • 2007: Mano Menezes
  • 2008: Vágner Mancini, Julinho Camargo (interino), Celso Roth
  • 2009: Celso Roth, Marcelo Rospide (interino), Paulo Autuori, Marcelo Rospide (interino)
  • 2010: Silas, Renato Portaluppi
  • 2011: Renato Portaluppi, Roger (interino), Julinho Camargo, Celso Roth
  • 2012: Caio Júnior

FGF e sua infinita incapacidade de fazer uma tabela de jogos coerente

16 de fevereiro de 2012 4

A Federação Gaúcha de Futebol se supera, ano após ano. Com um campeonato de todos contra todos em turno único, é extremamente tranquilo fazer a tabela de jogos. E, claro, variar as partidas, alternando o mando de campo dos times: em um ano o confronto entre times A e B é na cidade A, no ano seguinte na cidade B. Para times que chegam da segunda divisão, basta metade jogar em casa, metade fora.

Pois bem. Nada disto eles conseguem. A última pérola foi marcar dois jogos para Porto Alegre na última rodada do primeiro turno, e ambos envolvendo a dupla Gre-Nal. Em uma data que  os jogos são simultâneos, por nivelamento técnico. É tão fácil evitar condições assim, mas a FGF é incapaz de perceber que Internacional, Grêmio e São José não poderiam jogar no mesmo dia.

E nem vou considerar o fato de que a rodada é em um sábado de carnaval e a previsão de temperatura para o jogo, no horário solar de 15h20min, é de temperaturas próximas aos 40º celsius

2008 a 2011 – Inter joga seis vezes em Porto Alegre contra times de Santa Cruz do Sul consecutivamente. Às vezes mais de uma vez no mesmo ano (contra o Santa Cruz e Avenida). Enquanto isto, o Grêmio jogava fora de casa contra os mesmos times. Isto foi relatado DUAS VEZES aqui no Almanaque Esportivo, a última em 2010.

2008, 2009 e 2011 – Inter joga sempre contra o São José no Passo D’Areia, enquanto o Grêmio pegava o mesmo time no Olímpico. Detalhe: o Inter já tinha jogado com o Zequinha em 2006 e 2007 no Passo D’Areia.

2009 a 2012 – FGF não consegue colocar a dupla Gre-Nal com número equilibrado de jogos em casa: às vezes um time joga 10 em POA e o outro 7. Bizarro. Isto foi levantado pelo blog Grêmio 1983 na época.

2010 a 2012 – Internacional enfrenta o Pelotas pela 3º vez consecutiva em Porto Alegre, enquanto o Grêmio joga sempre em Pelotas. Ridículo.

2009 a 2012 – Grêmio joga 3 vezes contra o Ypiranga em Erechim e só 1 em POA. Inter tem o mando invertido.

2011 – Ciente de que o Grêmio teria que jogar a pré-Libertadores e o Inter teria folga estendida após o Mundial, a FGF mantém data do Gre-Nal em Rivera para final de janeiro. Resultado: o Tricolor jogou com reservas, e o Colorado com seu time Sub-23. 4 mil pessoas no jogo, absolutamente ridículo.

EDITADO: dica do leitor Luís Bianchi, mais uma da FGF: o Veranópolis pega sempre Juventude e Caxias em casa, e isto se repete há anos.

2009 a 2012 – Regulamento confuso premia times com mais pontos, independente do grupo

VEJA TAMBÉM

Sábado, 31 de maio de 2008
Regulamentos idiotas, parte I – O jogo que o time fez gol contra de propósito

Terça-feira, 03 de junho de 2008
Regulamentos Idiotas, parte II – O dia que o Grêmio jogou para perder

Quarta-feira, 04 de junho de 2008
Regulamentos idiotas, parte III – O dia que o Náutico jogou para perder

Sexta-feira, 29 de maio de 2009
Regulamentos idiotas, IV: Série D 2009, ou ‘como comparar laranjas com melancias’

... e Zâmbia, após frustração e dor, chega ao momento de glória quase 20 anos depois!

13 de fevereiro de 2012 0

Nesta segunda-feira comecei a contar a sensacional história da seleção de futebol de Zâmbia. Que de surpresa dos Jogos Olímpicos de 1988 em Seul passou a vítima da maior tragédia esportiva reunindo uma Seleção apenas cinco anos depois. Agora irei contar o que ocorreu entre o 27 de abril de 1993, quando o avião da Força Aérea Zambiana caiu e matou todos à bordo (incluindo 18 jogadores), e o dia 12 de fevereiro de 2012, quando conquistou o título da Copa Africana de Nações nas penalidades, superando a favorita Costa do Marfim.

Único titular que não estava no trágico vôo, o ídolo nacional Kalusha Bwalya puxou para si a tarefa de reerguer o futebol nacional de Zâmbia, abalado pelo desastre. Liderando uma equipe de jovens inexperientes, Bwalya levou seus comandados até a última rodada das Eliminatórias. Um empate classificaria os zambianos contra o experiente Marrocos, em Casablanca no dia 10 de outubro de 1993, menos de seis meses após o acidente. Em um jogo dramático, os marroquinos venceram por 1×0 e se classificaram. O sonho de uma Copa do Mundo ficava adiado…



Zâmbia ainda causou furor na Copa Africana de Nações do ano seguinte, 1994. Com o mesmo time do ano anterior, heroicamente chegou à decisão contra a Nigéria. Muito mais experiente, o time nigeriano venceu por 2×1 e foi campeão africano pela segunda vez. A vontade de ver Zâmbia no topo estava novamente postergado. Comovidos com o esforço do time, os vice-campeões foram recebidos como heróis em Lusaka por centenas de milhares de torcedores.  Melhores momentos da final:

Os anos se passaram, e depois de um 3º lugar na Copa Africana de 1996, os resultados sumiram. Então, nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, Kalusha Bwalya acumulava o posto de treinador e jogador. No segundo tempo de um modorrento 0×0 contra a Libéria, Bwalya entrou em campo no dia 5 de setembro de 2004, aos 41 anos em seu 147º jogo por seu país. Com um golaço de falta, marcou seu 100º gol por Zâmbia e decretou a vitória por 1×0. Depois, os zambianos não conseguiram a classificação naquele Mundial, tampouco em 2010. Bwalya hoje é dirigente da CAF (Confederação Africana de Futebol) e presidente da Federação Nacional de Futebol.

E chegamos, após quase duas décadas de sofrimento, ao ano de 2012. Zâmbia chegou à Copa Africana de Nações, sediada em Guiné Equatorial e no Gabão (sim, o mesmo país da tragédia de 1993), como uma das forças mas sem favoritismo destacado, que era compartilhado por Costa do Marfim e Gana. Venceu Senegal (2×1), empatou com a Líbia (2×2) e superou a anfitriã Guiné Equatorial por 1×0. Nas quartas-de-finais, 3×0 no Sudão e uma emocionante viagem para Libreville, Gabão.

Com uma campanha sólida, o time de Hervé Renard estava nas semifinais, contra Gana. Venceu por 1×0, com direito a outro pênalti cobrado pelo ganês Gyan Asamoah, e defendido pelo goleiro zambiano Kennedy Mweene. Zâmbia, repetindo 1994, estava na final! Depois do jogo, a delegação foi à praia em Libreville e fez uma sensível homenagem aos 30 mortos daquele abril de 1993:

Neste domingo, também em Libreville no Gabão, o sonho adiado por 19 anos foi concretizado. Em uma atuação heróica, contra os favoritos de Costa do Marfim, Zâmbia venceu nos pênaltis por 8×7 depois de um 0×0 no tempo normal e prorrogação. Um jogo com tons de drama, incluindo pênalti desperdiçado pelo centroavante marfinense Didier Drogba aos 25 do 2º tempo.

O time zambiano fez ótimo jogo e, com exceção da penalidade já citada, teve as melhores chances da partida. Sobretudo com Chris Katongo, melhor jogador da final e do torneio, que obrigou o goleiro marfinense Barry a um milagre no primeiro tempo da prorrogação.

Depois de sete cobranças perfeitas para cada lado, o veterano Kolo Touré errou para Costa do Marfim. Rainford Kalaba teve a chance do título para Zâmbia, mas isolou. O pesadelo ressurgia?

Não desta vez: a estrela Gervinho, do Arsenal, bateu mal e para fora a cobrança seguinte de sua equipe.
Com toda a pressão de 19 anos de dor e frustrações,  Stophira Sunzu foi para a cobrança derradeira.

Ele bateu e marcou.

Zâmbia 8×7.

Enfim, campeão africano!

Doze milhões de pessoas entraram em catarse coletiva.

E uma nação deixou seus mortos descansarem em paz…

Parabéns Kalusha Bwalya!

Parabéns Zâmbia!

MELHORES MOMENTOS DE ZÂMBIA 0X0 COSTA DO MARFIM

DISPUTA DE PÊNALTIS, ZÂMBIA 8X7 COSTA DO MARFIM

CONTO DE FADAS DE ZÂMBIA

Parte I: Jogos Olímpicos de 1988 e a tragédia aérea em 1993

Parte II: Os anos perdidos (1993, 1994, 2006) e a glória na Copa Africana de Nações em 2012

O "conto de fadas" se completa e Zâmbia é campeã africana após décadas de dor

13 de fevereiro de 2012 0

A Seleção de Zâmbia é campeã africana pela primeira vez em sua história. Conquistou o título contra a favorita Costa do Marfim nas penalidades por 8×7 , após um 0×0 no tempo normal e prorrogação. Só que esta não foi uma conquista especial por ser inédita, por ser o ponto máximo de toda a seleção da África.

Zâmbia é campeã africana de nações - Foto: Issouf Sanogo, AFP

Ela evidencia a redenção de uma nação, que enfim poderá homenagear seus mortos com uma conquista inesquecível. O jogo de ontem reuniu elementos de alegria, dor, frustração e uma saudade daqueles que se foram antes da hora… E nada mais singular, mais emblemático, mais significativo do que a decisão ter sido disputada em Libreville, no Gabão. Justamente o local da maior tragédia do esporte naquele país.

Era uma vez um time jovem, que pela primeira vez se classificou para os Jogos Olímpicos. O ano era 1988, Olímpiadas de Seul. Este time, classificado ao lado de Tunísia e Nigéria, caiu em um grupo que tinha Iraque, Guatemala e a favoritaça Itália. No dia que este que vos escreve completava nove anos de idade (19 de setembro de 1988), os italianos de Mauro Tassotti, Ciro Ferrara, Steffano Tacconi, Andrea Carnevale foram impiedosamente goleados por 4×0. Três gols de Kalusha Bwalya. Guardem este nome…

Líder da primeira fase, Zâmbia foi superado nas quartas-de-final pela forte  Alemanha Ocidental (de um tal Jurgen Klinsmann…) por 4×0 e ali se encerrava a primeira participação zambiana em uma competição de alto nível. E uma ótima impressão. Cinco anos se passaram e Zâmbia era a sensação do futebol africano. Com um futebol ofensivo, liderava seu grupo nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Passaram da primeira fase e estavam no triangular final com o favorito Marrocos e mais o Senegal. O craque do time, Kalusha Bwalya, jogava no holandês PSV Eindhoven e chegaria direto à Dakar, no Senegal.

Antes do primeiro jogo, no dia 27 de abril, um avião da Força Aérea de Zâmbia levava a delegação, com 18 atletas e o treinador Godfrey Chitalu. O avião teve problemas no motor detectado na escala em Libreville, Gabão (isso, o local da conquista de ontem). Mesmo assim decolou, para cair no mar 500 metros depois da costa. Todos morreram, incluindo cinco jogadores que disputaram as Olimpíadas: Derby Makinka, Eston Mulenga, Richard Mwanza, Samuel Chomba e Wisdom “Mumba” Chansa. Apenas Bwalya , que ainda estava na Holanda antes de se reunir com a delegação, e Charles Musonda, lesionado e que estava na Bélgica, sobreviveram entre todos os 11 titulares.

Era o momento mais trágico do esporte na jovem nação.

Zâmbia chorou por seus mortos.

O capitão e ídolo Bwalya levantou-se da dor e comandou uma revolução.

O mundo da bola seguiu…

Isto veremos ainda hoje, aqui no Almanaque Esportivo.

CONTO DE FADAS DE ZÂMBIA

Parte I: Jogos Olímpicos de 1988 e a tragédia aérea em 1993

Parte II: Os anos perdidos (1993, 1994, 2006) e a glória na Copa Africana de Nações em 2012