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Posts do dia 16 março 2012

Os melhores blogs de Esportes: Futebol História

16 de março de 2012 0

Inaugurando uma seção que será fixa em todas as sextas-feiras, vamos falar neste espaço de blogs e sites que eu considero sensacionais e que valem a pena o registro. O primeiro será o do meu amigão Carlos Henrique Oliveira, torcedor do Flamengo e também do CRB-AL. Ele escreve, já há alguns anos, o “Futebol História”, que está hospedado aqui: http://futebolhistoria.blogspot.com.br/

Conheço o CH das listas de discussão de futebol desde 2000, 2001. Fora nossa ETERNA discussão sobre Lúcio (sim, o zagueiraço da Seleção Brasileira), normalmente concordamos em quase tudo. O seu blog, Futebol História, já está há cinco anos abrilhantando o conhecimento sobre o futebol em português. Sobre a história do esporte.

Futebol: uma história para contar - http://futebolhistoria.blogspot.com.br/

Vamos às perguntas?

ALMANAQUE: O que te fez escrever o blog, tão diferente de tua ocupação profissional?

R: Sou funcionário público, trabalho em banco numa área totalmente diferente. Mas sou formando em Comunicação Social e tenho paixão pela crônica esportiva, sobretudo pela história do futebol. Como percebi que pouquíssimas pessoas no país tratam desse assunto tão importante resolvi fazê-lo. Aliando o preenchimento de uma lacuna com o prazer em escrever e pesquisar sobre isso.

ALMANAQUE: Como é a preparação para cada assunto?

R: Primeiramente eu procuro focar em algum assunto em destaque no momento, como alguns recordes batidos, times poucos conhecidos que estão surpreendendo, acontecimento (bons ou ruins) ligados ao futebol, personalidades do mundo da bola, etc. Depois eu faço uma extensa pesquisa apenas em SITES e DOCUMENTOS OFICIAIS, certifico-me das informações com as fontes, quando possível, escolho as fotos na internet (com os devidos créditos, se tiver proprietário) e preparo os textos.

ALMANAQUE: Conheceu pessoas por causa do blog, que geraram amizades depois?

R: Conheci algumas pessoas interessadas no assunto e que compartilham informações. Gerou sim amizade e acabmos nos tornando fontes uns dos outros. As mídias sociais têm esse enorme poder de aproximar as pessoas em um país como o nosso, de dimensões continentais.

ALMANAQUE: Qual post foi o mais polêmico, o que gerou mais comentários?

R: O post mais polêmico é, sem dúvida, a respeito do clube de futebol mais antigo do Brasil ( http://tinyurl.com/7x4owd2). Eu citei o SPAC (São Paulo Athletic Club) e os devidos motivos, mas muitos discordam afirmando ser diversos clubes (Rio Grande/RS, Ponte Preta/SP, entre outros). Gerou muitos comentários, inclusive – e infelizmente – alguns ofensivos que foram devidamente excluídos.

ALMANAQUE:  Que assunto tu ainda não abordou e está na pauta?

R: A história do futebol é muito vasta e vários assuntos importantes ainda não foram tratados no blog. Um que está na pauta, mas não tenho ainda previsão de publicá-lo é um balanço geral da Liga Europa/Copa da UEFA/Taça das Feiras, visto que já fiz isso para a Liga dos Campeões da Europa.

ALMANAQUE: E, para fechar, qual foi o post que mais te deu prazer de escrever?

O fato de apenas escrever no blog me dá muito prazer, apesar do tempo exíguo que tenho fora do meu trabalho. Mas um eu gostei em especial, sobre a polêmica envolvendo São Paulo, Flamengo, Sport e CBF na famigerada Copa União de 1987 e a taça das bolinhas. Como eu entendo que um blog é um espaço de OPINIÕES, não só de informações (isso se deixa para os portais de notícias), comentei sobre o assunto que tanto é repercutido. Publiquei o que realmente aconteceu à época (como várias pessoas já o fizeram) e dei minha opinião, pois achei um absurdo aquilo tudo por trás dos panos. Inclusive porque a esmagadora maioria das pessoas que contestam o título flamenguista de 1987 são torcedores de times rivais, do São Paulo e do Sport. Por motivos meramente clubísticos.

Carlos Henrique Oliveira lá no Santiago Bernabeu - Foto: Arquivo Pessoal

SÉRIE C - Rebaixamento do Brasil de Pelotas: uma ímpia e injusta guerra

16 de março de 2012 0

A revolta dos Xavantes! Este texto foi enviado pelo Pedro Henrique Vieira Ferreira e escrito pelo Bruno Sacramento, ele está muito revoltado com a situação do Brasil de Pelotas. O time da Zona Sul foi rebaixado no tapetão para a Série D do Brasileirão em uma contestada decisão do STJD. Lendo os argumentos do pedro, concordei com todos e resolvi postar o texto:

“O imbróglio começa com a escalação do jogador Cláudio Roberto, lateral direito rubro-negro, na estreia do Campeonato Brasileiro da Série C 2011, em 17/07/2011, justamente contra, o agora beneficiado pelo STJD, o clube paulista Santo André/SP que foi derrotado, em casa, pela equipe gaúcha por 3 a 2.

Ocorre que o jogador, por ter sido expulso na última rodada do Campeonato Brasileiro da Série C 2010, quando atuava pelo Ituiutaba-MG, atual Boa Esporte, e ter recebido pena de suspensão de uma partida a ser cumprida numa competição organizada pela CBF não poderia ter sido escalado pelo clube gaúcho.
Após pedido do clube Joinville, a Procuradoria denunciou o Grêmio Esportivo Brasil por infração do artigo 214 (incluir na equipe, ou fazer constar da súmula ou documento equivalente, atleta em situação irregular para participar de partida) do CBJD. Em primeira instância, foi julgado pela 4ª Comissão de Disciplina do STJD, no dia 29/07/2011, quando, numa audiência de quase duas horas, foi absolvido por 4 votos a 1.
A Comissão acolheu os argumentos do clube gaúcho no sentido de que não teve qualquer culpa no caso. Foram apresentados os documentos de transferência do jogador enviados pela Federação Mineira onde não consta qualquer punição pendente. Também foi apresentado documento da Federação Gaúcha informando que na transferência não havia sido informada qualquer punição ao atleta. Por fim, ainda exibiu a ficha de entrada do jogador no clube com sua declaração de que não possuía qualquer punição a cumprir.

Em suma, comprovou que o clube realizou as consultas usuais para o caso e, portanto, agiu de boa-fé sendo que o Código Brasileiro de Justiça Desportiva exige culpa ou dolo no cometimento das infrações. Se há alguém a quem se possa imputar culpa, é a Federação Mineira que deixou de comunicar a punição do atleta. Além disso, a própria jurisprudência do Tribunal era favorável aos argumentos gaúchos.

Em 2010, pela Série B, o Duque de Caxias/RJ foi absolvido em uma situação idênticaA punição do clube carioca o rebaixaria e livraria do descenso o Brasiliense. Em 2006, pela Copa do Brasil, o Santos se livrou da punição pela escalação do zagueiro Domingos que no ano anterior, quando disputava a série B pelo Grêmio, recebeu dois jogos de suspensão e não os cumpriu. A punição do clube paulista beneficiaria o Sergipe.
No entanto, o inesperado aconteceu. Após o transcorrer de quase toda a primeira fase, foi marcado para o dia 15/09/2011 o julgamento do recurso contra o Brasil. Por um capricho, que certamente não foi do destino, faltava apenas dois dias para a última e decisiva rodada do campeonato. Novamente contra a equipe paulista, o Santo André, que, naquele momento, para se livrar do rebaixamento precisava vencer a equipe xavante no estádio Bento Freitas na cidade de Pelotas.
No novo julgamento, bem mais rápido que o anterior, cerca de quarenta minutos, com exceção de um auditor, todos os outros oito auditores se convenceram de que o xavante era culpado. E o clube gaúcho foi derrotado onde menos esperava: no pleno do STJD, justamente o órgão formado pelos auditores que absolveram cariocas (Duque de Caxias) em 2010 e paulistas (Santos) em 2006 .

Embora o quadro narrado já seja capaz de demonstrar a injustiça da decisão, a questão não para por aí. Há outro ponto que foi absolutamente desconsiderado pela decisão do STJD e que é de fundamental importância no caso: a punição do atleta recebida no fim de 2010 (suspensão por um jogo) não possui qualquer validade, pois foi aplicada em processo claramente nulo.
Vejamos os fatos. A expulsão do jogador Cláudio Roberto ocorreu no último jogo válido pela Serie C, na partida em que o seu clube na época – Ituiutaba/MG – disputou contra o ABC/RN. O jogo ocorreu no dia 20/11/2010.
Em 14 de dezembro/2010, ocorreu o julgamento do atleta que acarretou a punição de suspensão por um jogo, que, segundo o STJD, deveria ter sido cumprida em 2011, no jogo entre Brasil e Santo André. Ocorre que o contrato do jogador com o Ituiutaba terminou um dia apenas depois do jogo, ou seja, 21/11/2010, e o julgamento ocorreu em 14/12/2010. A citação, meio pelo qual o denunciado é chamado a se defender, foi dirigida ao Ituiutaba/MG em momento em que o jogador não tinha mais qualquer vínculo com o clube.

O jogador, portanto, não foi avisado do julgamento. Não teve a chance de se defender, direito que lhe é assegurado pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e pela própria Constituição Federal. Em casos como esse, em que o processo ocorre após o término do vínculo do atleta com o clube, este tem o dever de fazer chegar ao jogador da comunicação da justiça desportiva, sob pena, inclusive, de o próprio clube sofrer uma punição.

Para que fique claro, transcreve-se o art. 51 – A, do CBJD:

Art. 51-A. Se a pessoa a ser citada ou intimada não mais estiver vinculada à entidade a que o destinatário estiver vinculado, esta deverá tomar as providências cabíveis para que a citação ou intimação seja tempestivamente recebida por aquela. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).
Parágrafo único. Sujeitam-se às penas do art. 220-A, III, a entidade que deixar de tomar as providências mencionadas no caput, salvo se demonstrada a impossibilidade de encontrar a pessoa a ser citada ou intimada. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

No julgamento do atleta Cláudio, nada disso ocorreu. O Ituiutaba não tomou qualquer providência para que a citação ou intimação fosse recebida pelo jogador. Por isso, foi julgado à revelia, não tendo tido oportunidade de apresentar sua defesa, de comparecer ao julgamento e mesmo de recorrer da punição sofrida.
Mas a situação ainda é mais grave: por ser a última partida do campeonato, o atleta teria o direito de requerer a conversão da pena em medida de interesse social, normalmente a doação de cestas básicas, direito que também lhe foi suprimido.

Vejamos o que diz o art. 171, §1º, do CBJD:

Art. 171. A suspensão por partida, prova ou equivalente será cumprida na mesma competição, torneio ou campeonato em que se verificou a infração.
§ 1º Quando a suspensão não puder ser cumprida na mesma competição, campeonato ou torneio em que se verificou a infração, deverá ser cumprida na partida, prova ou equivalente subsequente de competição, campeonato ou torneio realizado pela mesma entidade de administração ou, desde que requerido pelo punido e a critério do Presidente do órgão judicante, na forma de medida de interesse social.

A conversão em medida de interesse social é praxe no tribunal, sendo utilizada por diversos atletas e clubes nesses casos. Apenas para exemplificar, o próprio Grêmio e o Cruzeiro-MG já se beneficiaram da medida .

Não se sustentando a pena recebida pelo atleta, em decorrência, não se pode manter a do Grêmio Esportivo Brasil. O próprio atleta Claudio Roberto recorreu ao STJD demonstrando a nulidade, porém o tribunal mais uma vez desconsiderou a argumentação em decisão datada de 15/03/2012 .

Por todos esses fatos, em assembleia realizada também no dia 15/03/2012, o Grêmio Esportivo Brasil, após esgotar todos os recursos na Justiça Desportiva, decidiu entrar na Justiça Comum, por ser este o único foro disponível fazer valer seu direito de permanecer na Série C – 2012.
O fato de o Santo André/SP estar amargando seguidos rebaixamentos no campeonato brasileiro não lhe dá direito de obter, injustamente, sua salvação nos tribunais.

O Brasil de Pelotas, time centenário, possuidor de uma das mais fantásticas torcidas do futebol brasileiro, não merece sucumbir dessa maneira. O Rio Grande do Sul, que lembra muito bem das decisões do STJD no campeonato brasileiro de 2005, não pode sofrer outra derrota nos tribunais para os clubes paulistas.

Nós, gaúchos, não podemos esperar uma decisão justa por parte da CBF, uma instituição dirigida por longos 23 anos por nada menos do que Ricardo Teixeira e, agora, pelo paulista José Maria Marin, que foi vice-governador do estado de São Paulo durante o governo de Paulo Maluf em 1980 e foi flagrado pela imprensa em um caso de apropriação de uma medalha alheia .

Portanto, se você é gaúcho ou amante do futebol limpo, decidido no campo, compartilhe, divulgue, lute junto com os xavantes nesta guerra!

Autor: Bruno Sacramento