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Posts do dia 3 abril 2012

Os melhores blogs de Esportes: "Carta na Manga"

03 de abril de 2012 2

Há cerca de um ano conheci o blog Carta na Manga através do Twitter. Desde então passei a ser um fiel seguidor do @cartanamanga e principalmente das postagens frequentes no blog, repletas de opiniões fortes e coerentes. Escrito pelo Vicente Fonseca, o Carta na Manga tem dois veículos principais: o blog em si e também o podcast, que conta com a participação de amigos e eventuais participações especiais.

São milhares de posts desde 2006, sendo um dos veículos de opinião esportiva mais antigos ainda em atividade na internet do Brasil. O Carta na Manga me chama a atenção pelo fato de o Vicente não esconde sua preferência clubística (ele é gremista), e ainda assim não perde a isenção nas opiniões sobre o clube e sobre o rival. Isto sem contar um profundo conhecimento sobre o futebol brasileiro, sul-americano e mundial.

Carta na Manga - Opinião Esportiva - Foto: Reprodução

Vamos às perguntas?

Almanaque: Olá, Vicente! Seja bem vindo ao Almanaque Esportivo. Poderia nos resumir como surgiu a ideia de escrever o blog, nos idos de 2006? Sei o quanto é difícil manter um site por tanto tempo com afinco, afinal já estou na internet há 16 anos…

Carta na Manga: a ideia surgiu em 2006, quando eu estava no penúltimo semestre do curso de jornalismo. Foi mais ou menos um mês após a Copa do Mundo. Foi a primeira Copa em que os blogs de colunistas participaram ativamente da cobertura. Lembro que li bastante o do Juca Kfouri, e passei a pensar em ter o meu espaço também. O legal na internet é justamente possibilitar ao estudante de jornalismo fazer jornalismo opinativo sem precisar necessariamente estar empregado em um veículo há muitos anos, como ocorre com a maioria dos colunistas. Como durante a Copa tive excelentes debates sobre os jogos com colegas meus de faculdade, pensei em unir a possibilidade de fazer um jornalismo opinativo e reunir este pessoal que debatia comigo em um espaço só, na internet. Nunca pensei em lucros, audiência ou qualquer coisa neste sentido. A vontade era falar sobre futebol e comentar o que eu via nos jogos.

Almanaque: Neste longo período, surgiram oportunidades de publicar o blog em algum veículo de maior expressão, ou tu preferes manter a independência?

Carta na Manga: nos primeiros anos, tratei o blog como um projeto paralelo, sem intenção de fixar o conteúdo dele a um veículo. A questão da independência pesou bastante. Em 2010, estabelecemos uma parceria com o Sul21, que publica alguns textos do Carta na Manga de vez em quando.

Almanaque: É possível obter algum lucro com as visitações, ou o blog serve como uma atividade complementar prazeirosa mas pouco lucrativa? Qual sua ocupação principal?

Carta na Manga: por muitos anos, mantive o blog paralelamente a meus estudos e ao meu trabalho. Desde o ano passado, estamos procurando profissionalizar o Carta na Manga. Nossa ideia é abrir uma agência de conteúdo em jornalismo esportivo, não apenas de textos, mas também em áudio – nosso podcast, Carta na Mesa, é um produto que temos há quatro anos e pode perfeitamente ser incluído na programação de emissoras de rádio. Atualmente, sou jornalista freelancer, e a busca pela profissionalização do trabalho do blog é o principal desafio das nossas carreiras neste momento. O Igor Natusch e o Felipe Prestes, que são colaboradores do blog, trabalham no Sul21, e estão trabalhando comigo neste desafio.

Almanaque: Nestes quase seis anos, já te envolvestes em alguma grande polêmica, ou algum texto recebeu críticas que tu não imaginavas?

Carta na Manga: críticas fazem parte no jornalismo de internet, que é interativo por excelência. Mas nada de muito grave. Felizmente, o debate no Carta com os leitores foi sempre em altíssimo nível. Acabamos formando uma comunidade que comenta o blog e discute futebol nele. Fiz até amigos pelo blog, é uma experiência muito gratificante. Em uma ou outra oportunidade viram textos meus como uma flauta ao Internacional, pelo fato de eu ser gremista, mas foram fatos muito isolados. Considerando que temos mais de 3,5 mil postagens em quase seis anos de trabalho, é um número insignificante.

Almanaque: E o PodCast? Faz tempo que começou, o pessoal é todo vinculado à FABICO? Ele me chama a atenção pela qualidade das informações, aliadas à uma informalidade que se torna um bate-papo divertido, como não poderia deixar de ser em alunos desta lendária Faculdade de Comunicação…

Carta na Manga: assim como o blog, o Carta na Mesa surgiu da ideia de debater futebol, e também inspirada em um produto em veículo da grande imprensa – no caso, o PodCast da Placar, que eu conheci em 2008. Como sou radialista também e um apaixonado por rádio, sempre tive o sonho de participar de uma mesa redonda esportiva, mas não sabia como viabilizá-la. Como ex-alunos da Fabico, conversamos com a coordenação do Estúdio de Rádio da faculdade, que nos cedeu o horário após às aulas, ao meio dia, para gravarmos o programa. É claro que a ideia de profissionalizar o podcast e o blog vão nos forçar a sair da Fabico em breve e procurar um estúdio particular para tocar o programa e poder comercializá-lo, o que é impossível num estúdio público como o da Fabico. Nossa ideia no programa é debater os principais acontecimentos do futebol de forma descontraída, mas sem cair no piadismo ou nas flautas. Todos têm seu time, o assumem, mas analisamos jornalisticamente o que ocorre. O pessoal entendeu a proposta e curte bastante. Temos uma audiência bastante fiel.
Almanaque: Algum plano especial para o futuro do Carta na Manga? Ou estás satisfeito com o formato atual, sem maiores responsabilidades a não ser com a qualidade das postagens?

Carta na Manga: a ideia é profissionalizarmos o trabalho a partir de uma agência de conteúdo em jornalismo esportivo escrito e de rádio. Quanto ao blog em si, pretendemos mantê-lo do jeito que tem funcionado, mas abertos a oportunidades que porventura venham a surgir.

Almanaque: Apesar de já imaginar a resposta, gostaria que tu formalizasse tuas ideias sobre a mudança radical do jornalismo esportivo no Brasil, o estilo “descontraído” de Tiago Leifert versus o tecnicamente sisudo de Léo Batista/ESPN?

Carta na Manga: não tenho nada contra o jornalismo esportivo que faz piada das furadas dos jogadores. Só acho que ele não pode se tornar o único modo de fezer jornalismo esportivo no nosso país. O Léo Batista, que tu citaste, é tecnicamente perfeito, mas não deixa de ser descontraído também, quando convém. Agora, quando tu deixa de passar os gols da rodada para ficar só falando do nome engraçado de um jogador ou ridicularizando um gol perdido por um centroavante e tornando-o o fato principal de um jogo importante, ou perguntando em entrevista coletiva se um jogador se acha parecido com o Zé Ramalho, o jornalismo esportivo se empobrece. E o público que gosta mesmo de esporte, e não é pequeno, sente falta. É um estilo legal para complementar um jornalismo esportivo mais informativo, mas não pode ser o único estilo de jornalismo esportivo no nosso país, ou mesmo o principal modo de tratarmos o esporte.Almanaque: Finalizando.. e a temporada 2012? Projeções para Libertadores, Eurocopa e Copa do Brasil (post a ser favoritado, hehe!)

Carta na Manga: É sempre muito complicado brincar de adivinhações em futebol. Vejo a Dupla Gre-Nal com boas perspectivas, mas competições como Libertadores e Copa do Brasil, de mata-mata, reservam surpresas. Vejo o Santos, o Fluminense e o Corinthians como rivais importantes do Inter na Libertadores, e Palmeiras e São Paulo como os possíveis estraga-festas do Grêmio na Copa do Brasil. Quanto à Euro, a Alemanha é o melhor time, e acho que somente a Espanha e talvez a Holanda realmente rivalizam em termos de qualidade. Itália e França, ao contrário da Copa do Mundo de 2010, vêm com bons times desta vez, mas estão alguns degraus abaixo.

E assim encerramos mais uma história para contar.

Na próxima semana, será a vez do Continental Circus, do grande português Paulo Alexandre Teixeira. Aguardem!