Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts do dia 9 abril 2012

Diretor de Seleções da CBF, Andrés Sánchez diz que "Barcelona é uma balela" - Uma reflexão

09 de abril de 2012 2

Pelo visto o futebol brasileiro ainda continuará muitos anos patinando se depender da maneira de pensar de seus dirigentes. Andrés Sánchez, o todo-poderoso diretor de seleções da CBF, disparou lamentáveis declarações neste domingo. Em entrevista à TV Gazeta, o ex-presidente do Corinthians declarou que o “Barcelona é uma balela” e ainda cometeu um vergonhoso equívoco de informação ao bradar: “Onde estava o Barcelona há cinco, seis anos?”

Nem vamos considerar o fato que nesta época, o Barcelona era bicampeão espanhol e campeão europeu, com o melhor jogador do mundo (Ronaldinho) eleito em 2004 e 2005. Fica até chato tripudiar sobre alguém que certa vez afirmou: “A verdade é que enquanto uma pessoa tem duas Mercedes Benz para andar, outras precisam pegar ônibus“. Isto ocorreu há sete anos, quando era vice-de-futebol do idôneo Kia Joorabichan no Corinthians da MSI…

Mas é aterrador ler isto do responsável por cobrar bons resultados do treinador da Seleção Brasileira, aliás seu ex-comandado Mano Menezes e que faz um trabalho pífio. É desesperador.

Vou repetir toda a entrevista: “Isso daí de que o Barcelona tem uma escola de futebol, que todo mundo joga igual, é tudo balela. É fase. O que eles ganhavam cinco, seis anos atrás? Nada. E o que vão ganhar daqui cinco, seis anos? Nada, porque Xavi (32), Iniesta (27), Messi (24) e tudo mais vão parar de jogar. Eu já fui pra lá e não vi o time jogar igual ao profissional, ainda perderam de 2 a 0 (Nota do Almanaque: foi 2×1) para o sub-17 do. Corinthians. A única coisa que eu vi de diferente é que os garotos não têm a obrigação de ganhar”.


VAMOS AOS FATOS?
  1. O Barcelona joga assim há mais de 30 anos, desde que Johan Crujff trouxe sua filosofia do Ajax. Não é um time ocasional.
  2. Todos jogam assim, desde o time sub-fraldinha do Barça até o profissional. O Inter pegou o time reserva do Barcelona e sofreu demais para arrancar um empate, porque os reservas jogam igualzinhos aos titulares.
  3. O trabalho de base do Barcelona é tão bom que, se tirarmos os jogadores contratados, o Barça fica com oito, nove das categorias de base. O time que chega mais perto disto, de muito longe, é o Ajax.
  4. O Andrés Sánchez não deve estar vendo os jogos do Barcelona, pois a idade da maioria dos reservas e alguns titulares (tipo o Messi!) é muito baixa, prontos para jogar anos em alto nível.
  5. O trabalho de base do Corinthians foi destruído nos últimos anos justamente pela gestão Andrés Sánchez. Até o tenebroso Alberto Dualib formou mais atletas na base do Parque São Jorge. Para vocês verem, nesta competição citada o Timão quase levou a equipe Sub-18 ao invés de Sub-17. Emblemático.
  6. Se o Barcelona tem alguma “sorte” é de ter gente pensando no futuro, a longo prazo, no comando do clube.
  7. Daqui há seis anos (o tempo indicado por Sánchez), quantos jogadores do Corinthians Sub-17 estarão na Seleção Brasileira? Ravi; Abner, Lucão, Paulo Cesar, PC; Ayrton, Rivinha, Lucas Kevin, Giovanni; Juninho (Matheus), Washington (Léo/Leandro)
  8. Agora façam o mesmo exercício para este time:  Bañuz, Edu (Pol Calvet), Bakoyoc (Miguel Ángel), Bagnack, Ayala, Samper, Babunki (Adama), Patri, Dongou, Quintillà and Grimaldo.
  9. Realmente os jogadores do Barcelona não tem obrigação de ganhar. Isto é consequência. Eles tem obrigação de se formarem como atletas. De saberem os fundamentos, domínio, passe, posicionamento, marcação e cabeceio.

O mais absurdo é que isto esconde uma lição demonstrada na Copa do Mundo de 2010 e na final do Mundial de Clubes em 2011, ambos vencidos pelo futebol espanhol. Lá, assim como na Alemanha, está sendo priorizado o trabalho de categorias de base, prospecção de talentos, qualificação dos técnicos. Isto aliado a um futebol ofensivo, coletivo, bem ao gosto dos torcedores, encanta novos adeptos.

Guardiola vs. Andrés Sánchez - Quem tá certo? - Montagem TI RBS sobre fotos de Franck Fife/AFP e CBF_Divulgação

Enquanto isto, o futebol brasileiro segue na filosofia do “Muricybol“, do treinador Muricy Ramalho tetracampeão brasileiro e maior exemplo desta maneira de jogar. Ligação direta, bolas paradas, jogo defensivo. Que primeiro pensa em anular o adversário e só depois jogar. Desperdiçando o talento coletivo para girar em torno de uma ou duas “superestrelas”.
No dia que este é bem marcado ou joga mal, acabam-se as opções. E o fracasso ocorre.

Como sugestão de leitura para o Andrés Sánchez (famoso justamente por não ler coisa alguma), indico “A bola não entra por acaso“, do ex-dirigente do Barcelona Ferran Soriano.

Talvez aprenda as lições que o futebol brasileiro tanto necessita.

Ou não…