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Categorias de base do Grêmio: A continuidade política é o maior problema!

05 de julho de 2012 11

Assisti as finais da Copa FGF Sub-17 e a primeira partida das finais do Estadual gaúcho de juniores. Todas encerradas com vitórias do Internacional, duas delas com placar elástico. Saltaram aos olhos a disparidade técnica entre os dois times, e as redes sociais foram inundadas de fortes críticas aos resultados gremistas.
Sobretudo no time de juniores, a diferença foi oceânica, mas cabe aqui algumas ressalvas: o Inter tinha dois jogadores do profissional, Fred e Maurides. O Grêmio perdeu o técnico Jorge Parraga para os profissionais do Barueri há cerca de 20 dias e estava de treinador interino. Ocorreu ainda um erro claro de arbitragem contra o Tricolor. Porém, a unânime opinião foi de que o Inter foi muito superior ao Grêmio em todos os setores.

Juniores do Grêmio- Foto: Divulgação Grêmio.net

Cabe o questionamento: o que está ocorrendo na Azenha? Seria uma involução? Não tomemos opiniões precipitadas.
O sinal que os dois clubes estão em estágios diferentes é evidente. Desde 2005, faço um levantamento de títulos das categorias de base da Dupla Gre-Nal, incluindo torneios relevantes no exterior. São 30 títulos do Grêmio (20 estaduais) e 69 títulos do Internacional (40 estaduais). É muito, especialmente porque os dois clubes hoje tem estruturas semelhantes para seus garotos.
Meu diagnóstico sobre isto pode ser resumido em um aspecto: falta de continuidade política no Grêmio. Desde 1999, nenhum grupo político gremista ficou mais do que 4 anos. E o tempo é indispensável no planejamento de categorias de base.
Naquele tempo, o Tricolor tinha uma estrutura de categorias de base invejada em todo o país, enquanto o Internacional estava atirado no lixo. Em 2000, as categorias de base coloradas dormiam em alojamentos lastimáveis, mais parecidos com cortiços dentro do Beira-Rio. E olha que isto era um avanço: em 1996, o histórico presidente Fernando Carvalho assumiu como dirigente da base após ver 3 times do Inter (em um deles, seu filho jogava) usarem o mesmo uniforme em Gre-Nais de base no mesmo dia, enquanto o rival utilizava três jogos completos de fardamento.
E o que mudou no Beira-Rio desde então? A partir de 2002, o mesmo movimento político gerencia o Internacional. Implantou-se uma política de continuidade nas categorias de base, e profissionais de extrema qualidade permanecem desde então. É o nítido caso do Coordenador-Técnico Ademir Calovi, enquanto outros funcionários da área, como Jorge Macedo só saíram por propostas vantajosas financeiramente (e este já voltou!). Os treinadores seguem uma nítida hierarquia: vão subindo de categoria caso mostrem bons resultados. Nomes como Osmar Loss, Marcelo Estigarribia e André Jardine trilharam um longo caminho até os juniores.
Alguns, como Estigarribia, não foram bem nos juniores e deixaram o clube, mas ainda assim trilharam um caminho de sucesso. O ex-goleiro Clemer, uma lenda do clube, é uma exceção: entrou direto nos juvenis. Mas um ótimo trabalho de 18 meses gerou 4 títulos em 5 competições. Clemer tem o elenco na mão (aliás, uma ótima geração) e está sendo observado pela diretoria do clube.
Outro aspecto a ser ressaltado é a respeito da impecável rede de olheiros colorada. Muitos jogadores chegaram ao clube ainda na base, mas próximos do time profissional, como o volante Sandro e o promissor meia Fred. Sobretudo em MG e PR, os colorados possuem um histórico de ótimas contratações.
Enquanto isto, neste período o Grêmio viu suas categorias de base serem vergonhosamente sucateadas na gestão José Alberto Guerreiro e sofreu com a penúria financeira com Flávio Obino, chegando ao fundo do poço.
A partir de 2005, surgiu o trabalho de Rodrigo Caetano, um ex-meia com carreira precocemente abreviada e que estudou para se tornar um executivo de futebol. Começou na base do Grêmio e, com forte apoio do presidente Paulo Odone, reformulou das cinzas para um nível bastante aceitável, sobretudo em infraestrutura e organização. Seu trabalho foi tão bom que rapidamente ele subiu ao grupo profissional do Grêmio, com resultados igualmente qualificados.
Mas este trabalho foi abreviado por uma reviravolta política: depois de 4 anos, o grupo de Paulo Odone acabou derrotado por Duda Kroeff, apoiado pelo lendário ex-presidente Fábio Koff. Imediatamente, Rodrigo Caetano deixou o Grêmio. Alguns meses depois, chegou o técnico Paulo Autuori com poderes totais na base. Dois nomes externos ao clube, mas das relações do treinador assumiram o comando do futebol de base: Edson Aguiar e Mauro Rocha. O ótimo trabalho do diretor Paulo Deitos foi descartado e os resultados foram catastróficos. sobretudo em 2010. Pessoas com décadas de trabalho ao clube, e bons relacionamentos com os empresários foram afastadas, e bons valores acabaram nos rivais.
Em 2011, adivinhem o que ocorreu? Mais uma inversão política. Desta vez, corretamente o clube abandonou todo o péssimo trabalho do “Legado Autuori” e começou o processo de reconstrução, com novos nomes e retornos de ex-profissionais. Um trabalho que começa a dar frutos. Só que os percalços prosseguem: causou surpresa esta semana a escolha de Marcelo Mabília como técnico dos juniores, já que ele tem uma relação muito próxima com o empresário Jorge Machado. E este é amigo do atual gerente de futebol Paulo Pelaipe, com diversos jogadores no elenco profissional.
Isto aliado à imprevisível eleição presidencial do Grêmio em setembro pode causar uma nova descontinuidade na política de futebol. É improvável não ocorrer mudanças radicais nas categorias de base caso o grupo do presidente Fábio Koff assuma o comando do Tricolor. Haverá um rompimento das idéias.
O Grêmio precisa de um pacto buscando um planejamento estratégico a longo prazo nas categorias de base.
Isto deveria envolver todos os setores do clube, tal qual ocorreu na construção da Arena.
Um trabalho costurado politicamente, mas envolvendo profissionais realmente especializados no assunto.
Porém… Haverá humildade?
Ou a ‘fogueira de vaidades’ do Grêmio irá derrubar os planos de um futuro alvissareiro na base gremista?
OBS: Agradecimentos aos textos de Dassler Marques no Olheiros.Net
LEITURA COMPLEMENTAR
Decadência na Azenha, por Dassler Marques – http://olheiros.net/artigo/ler/2290
O fim da Era Autuori na base, por Dassler Marques – http://www.olheiros.net/artigo/ler/2940

Comentários (11)

  • remir diz: 5 de julho de 2012

    OLA ESTPU EU MANDANDO MEU COMENTARIO DE NOVO.
    O GREMIO NÃO SABE FORMAR UM TIME SO ESTE ANO 22 CONTRATAÇÕES. EM QUAL CLUBE DO MUNDO ACONTECE ISSO? SO COM DIRETORIA AMADORA QUE NEM A DO GREMIO. CONTRATE O MIRO BAGNARA PRA VER SE ACONTECE ISSO.

  • Rolim diz: 5 de julho de 2012

    Bem lembrado todos os momentos, para quem ainda insiste em desenterrar defuntos e atirar nas costas desse ou daquele, é preciso UNIÃO e deixar as vaidades de fora porqueo Grêmio precisa sair da LAMA urgentemente, QUEM SERÀ QUE ESTENDERÀ A MÂO….pago para ver.

  • Gerson diz: 5 de julho de 2012

    Parabéns, historiou bem a involuçao das bases Gremistas, o último brasileiro conquistado e a última libertadores tinham no time INÚMEROS JOGADORES das bases.
    E Paulo Autuori, foi talvez a pior contratação já feita pelo Grêmio, culpa de Duda Kroeff que quis mudar o estilo do time jogar. Pena que Odone voltou apostando em medalhões que estão no ocaso de suas carreiras, principalmente LUXEMBURRO

  • PEDRO GAUCHO diz: 5 de julho de 2012

    Todas as administrações do Grêmio são podres e não há perspectiva alguma de que possa mudar. Não há sequer um único Gremista no Ministério Público que tome a iniciativa de apurar a razão pela qual possuímos somente 10% do passe do Fernando. Isto pode ser a ponta do iceberg. Busquem esta resposta e aparecerão outras. O Estatuto do Torcedor dá poderes para isto. Pobre Grêmio.

  • Fernando Tricolor diz: 5 de julho de 2012

    Opa! Finalmente um comentário lúcido e corajoso. Essa situação do Grêmio só irá melhorar quando haver união e humildade. Essa questão da base do Grêmio reflete bem as intrigas políticas, que não dão continuidade aos bons trabalhos por inveja e interesses. Não pertenço a nenhum grupo político, mas tenho que reconhecer o mérito do Odone quando tirou o grêmio da lama em 2005 e organizou a base revelando craques como Lucas, Anderson, Carlo Eduardo, Douglas Costa…,saldou as dívidas, e ainda assim fazia um time profissional competitivo. MAs aí aparecem os oportunistas e desmancham tudo, colocam os apadrinhados políticos em cargos de direção de futebol, na qual eles não entendem nada e bagunçam tudo. Abram o olhos, eles estão querendo voltar! Onde andavam esse Senhores quando o Grêmio precisava? NENHUM quis assumir a bronca, porque agora estão desesperados para voltar? Devem estar com medo que a continuidade de um projeto dê resultados positivos…

  • Reis diz: 5 de julho de 2012

    Grande Comentario por Alexandre Perin
    Bah nota mil cara

    Eu Acho quer o Gremio esta PODRE por dentro
    Odone , koff,martins,todas essas familias levam o Gremio ao mesmo lugar somos um time de villarejo
    veja bem muito obrigado por tudo que estes ex Presidentes fizeram, mas o futebol mudou.
    A e os filhos e netos dessas doencas ja estao vindo atras Cuidado.

    A unica solucao e que surja alguem ou um movimento fora desse passado amador e que o SOCIO faca esse movimento crecser e vencer

  • andre diz: 5 de julho de 2012

    Belíssima análise. Parabéns!

  • Roberto diz: 5 de julho de 2012

    Odone e Pelaipe são arcaicos, ultrapassados. O Grêmio precisa de administração moderna (não estou falando de administradores jovens). Com eles, isso jamais vai acontecer.

  • Alexandre – NH diz: 5 de julho de 2012

    Belo trabalho Perin!!
    Só que ao contrário do que afirma o amigo Fernando no comentário acima, Lucas, Andershow, Carlos Eduardo e Douglas Costa, já estava na base gremista em 2005 e subiram graças ao trabalho do Mano, não teve nada a ver com Odone!!
    A prova de que Odone dá a mínima para a base, é que atualmente no grupo principal, temos apenas Marcelo Ghroe, Busatto, Fernando, Saimon, Pico, Leandro e Felipe Guedes formados na base, isto entre mais de 30 atletas do grupo principal.
    Nunca no grupo principal, tivemos tão poucos jogadores formados na base.
    Em 2010, tínhamos Marcelo, Busatto,Saimon, Neuton, Fernando, Adilson, Willian Magrão, Mithyue, Roberson, Bergson, Wesley, Pessali e Maylson, hoje não temos nem a metade e somente Marcelo está no time titular, isto pq Victor acabou de sair, caso contrário, não teríamos nenhum no time titular, sem falar que Marcelo é da turma de 2005, ou seja, está no Grêmio, desde quando a base ainda funcionava.
    Historicamente, o Grêmio só ganhou alguma coisa relevante, com pelo menos 3 ou 4 jogadores formados na base no time titular, por isto, as categorias de base deveriam ser blindadas, ficarem fora das disputas políticas, serem profissionalizadas, só que isto é praticamente impossível na atual conjuntura em que se encontra o Grêmio, pois está na mão de dirigentes inescrupulosos e entregue a empresários mercenários, que o único objetivo é ganhar dinheiro as custas do Grêmio!!!
    Espero que a próxima gestão mude isto, caso contrário, ficaremos na fila por muito tempo ainda!!!

  • Informante diz: 5 de julho de 2012

    Parceiro, só uma informação, para tu ver como funcionam as coisas no Gremio.
    O Mauro Rocha que tu referiu,que era da era Autuori, está no Fragata Fc de Pelotas, clube que pertence ao émerson que é auxiliar do Luxemburgo !
    e aí o que tu me diz ????

    EDITADO: digo que é uma várzea.

  • Alvaro diz: 5 de julho de 2012

    Quando Odone sair soltarei foguete para comemorar.
    Pessali, Mithyue, que chance tiveram para mostrar o que sabem no profissional? Já Marco Antonio, Léo Gago e André Lima praticamente não saem nem por decreto.

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