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Tratem os torcedores como seres humanos: pela volta da civilidade nos Gre-Nais

30 de agosto de 2012 5

Trate um ser humano como um animal e ele irá se portar como um. Trate este mesmo “homo sapiens” com dignidade que seu comportamento será diferenciado. Esta deveria ser a prática nos estádios de futebol, mas nos últimos 15 anos assistimos uma involução na sociedade gaúcha.

Assistindo a vídeos de clássicos dos anos 90 vejo o quanto as torcidas de Porto Alegre, os dirigentes da dupla Gre-Nal e a Brigada Militar involuiu no quesito civilidade. Na época víamos 13, 15 mil torcedores da torcida adversária nos dois estádios, Beira-Rio e Olímpico. Duvidam? Então assistam o vídeo abaixo:

Claro que nem tudo era perfeito, brigas ocorriam especialmente longe dos estádios (no Trensurb, por exemplo). Também é bem verdade que hoje, com o expressivo número de sócios, este volume de visitantes não poderia se repetir. Mas, mesmo com estádios em perfeitas condições (como por exemplo no Gre-Nal de 2009 pelo Campeonato Brasileiro), o contigente de visitantes já havia caído para 2.800 torcedores, muito longe do limite máximo de 10% previstos no Regulamento Geral de Competições (algo entre 5 a 6 mil torcedores).

Incidentes no Gre-Nal do Brasileirão em 2008 - Foto: Valdir Friolin, RBS

No dia 7 de outubro de 2008, meu amigo Marcelo Barbosa da Rosa escreveu para o Paulo Sant’Ana e teve seu e-mail publicado. Seus argumentos estão disponíveis aqui e são muito semelhantes aos meus. Violência aumentou com redução da torcida?

Não é coincidência o fato dos grandes incidentes recentes no Beira-Rio e Olímpico terem começado com a redução de espaços. Nos Gre-Nais de 2004 pela Sul-Americana tivemos uma invasão da social do Beira-Rio, com poucos torcedores visitantes no estádio. O triste incidente do incêndio dos banheiros químicos em 2006 também tinha pouca torcida.

Se tu tem 300 marginais que irão tumultuar em quaisquer condições, eles serão 30% de um contingente de 1.000. Mas serão apenas 5% de 6 mil torcedores… Pensem nisto…

Outra questão são os tapumes. De acordo com a sempre eficiente (não) Polícia Militar o ideal é que os torcedores sejam colocados em currais de 500m de cumprimentos. Nem bois indo para o matadouro passam por tamanho constrangimento. Isto acirra o comportamento dos torcedores, especialmente no Beira-Rio. Considero aquilo uma afronta à civilidade dos torcedores.

A situação de torcida única é ainda mais ridícula. Além de ser uma prova de incompetência, como vimos na Polícia Mineira no último domingo (dúvidas? Olhem a coluna do comentarista Mauro Cézar Pereira, da ESPN, sobre os incidentes de Cruzeiro e Atlético-MG), é uma degeneração do conceito básico do esporte, que engloba torcedores nos estádios. E não adianta nada.

Evidentemente que sabemos de fatos lamentáveis ocorridos em clássicos Gre-Nais, como o incêndio dos banheiros químicos no Beira-Rio em 2006. Entretanto isto não pode ser desculpa para a omissão de dirigentes, autoridades. Porém para isto, deve-ser cumprido o Estatuto do Torcedor, focando em penalidade alternativas, punições radicais aos desordeiros e, em casos mais extremos, o encaminhamento à área judicial.

Com a Copa de 2014, os estádios brasileiros chegarão a um patamar nunca vistos anteriormente. Requinte e conforto estarão à disposição dos torcedores. Esperamos que a força de vontade dos dirigentes e das autoridades públicas também se renove com este novo ambiente.

Acima de tudo, cabe o discernimento de buscar alternativas mais civilizadas. O cerne do Relatório Taylor, o documento que levou a Inglaterra da mais profunda depressão futebolística para o topo das Ligas Nacionais, é: trate a todos como deseja ser tratado.

Foi assim que a Inglaterra se tornou o que é.

Queremos isto?

Comentários (5)

  • iraldo y castro diz: 30 de agosto de 2012

    voce blogueiro, esqueceu de escrever que antes dos banheiros quimicos do beira rio, houve um quebra quebra nos banheiros do olimpico, quem será que está errado, neste caso.o ser humano. acho que a torcida faz revide quando ela sofre em outro estadio ou ruas, sim tenho lembranças de quando em grenal os ingressos eram divididos igualmente, mas infelismente hoje existe as drogas que põe coragem onde não existe, infelismente o que acontece entre as torcidas é um retrato da sociedade brasileira, os ricos roubam e ficam livres, politicos igualmente e na visão do pobres, principalmente os de espirito pensam que com eles vai ser o mesmo tratamento, o unico meio de diminuir a violencia entre torcidas é acabar com as organizadas que são financiadas pelos dirigentes de clube, para num futuro terem nas urnas uma resposta,lam,lamentavelmente o torcedor sério pensa duas vezes em ir a um estadio.

  • Antonio Carlos diz: 30 de agosto de 2012

    OI PERIN! PEGASTE MUITO BEM QUANDO CITASTE QUE O SER HUMANO QUANDO TRATADO DE FORMA DIFERENCIADA AGE DE FORMA DIFERENCIADA. NO EPISÓDIO DOS BANHEIROS QUIMICOS NO BEIRA RIO, HOUVE UM TRATAMENTO DIFERENCIADO (INFERIOR) A TORCIDA DO GRÊMIO POR PARTE DA DIRETORIA DO INTERNACIONAL, SE EM TODOS OS JOGOS, INCLUSIVE NO OLIMPICO, TODOS OS TORCEDORES, FOSSEM ELES GREMISTAS OU COLORADOS, USAVAM OS BANHEIROS NORMAIS DOS ESTADIOS, PORQUE A INVENÇÃO DOS CUBICULOS QUIMICOS? AGIRAM COMO SE DISSESSEM QUE PARA A TORCIDA DO GRÊMIO OS BANHEIROS RESERVADOS SERIAM AQUELES, POIS OS MESMOS NÃO TERIAM CIVILIDADE E EDUCAÇÃO PARA USAREM OS CONVENCIONAIS. SERIA O MESMO QUE COMPARAR A ALGUNS ESTADOS AMERICANOS, ONDE POR FORÇA RACISTA, OS NEGROS EM UM ESTABELECIMENTO PUBLICO TIVESSEM UM LUGAR EM SEPARADO DOS BRANCOS! ATITUDE RIDÍCULA E CONDENÁVEL. MÁ DECISÃO DA DIRETORIA VERMELHA, DEU NO QUE DEU!!!

  • Dilson diz: 31 de agosto de 2012

    Primeiro veio o comportamento animalesco, depois veio o tratamento animalesco. Pela amostra, com a conivência dos dirigentes e com estes animais chegando aos conselhos deliberativos, voltando a ser tratados como gente voltarão a se comportar como animais. Mas concordo em aumentar o espaço para a torcida adversária.

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