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Posts de setembro 2012

Gol antológico de Madjer é repetido em jogo da Copa da Liga Francesa

26 de setembro de 2012 2

O jovem atacante Romain Alessandrini marcou um golaço de calcanhar na vitória de 3×2 do Rennes sobre o Nancy, em jogo válido ontem pela Copa da Liga Francesa.  O Nancy vencia por 1×0, quando o meia francês fez isto (no vídeo, 36 segundos):

Imediatamente minha memória lembrou de um histórico gol do argelino Madjer, marcado na final da então Copa dos Campeões da Europa entre Porto e Bayern de Munique, ano de 1987 no Praterstadion em uma Viena lotada de alemães. O Porto perdia por 1×0, gol de Ludwig Kögl aos 24 minutos do primeiro tempo, e jogava muito mal nos minutos iniciais.

No intervalo, uma famosa intervenção do técnico Artur Jorge mudou os ânimos portistas, que entraram no segundo tempo jogando para cima, buscando uma reação. Então o talento do argelino Rabah Madjer, um dos maiores de sua época, decidiu o jogo:  primeiro marcou um golaço de calcanhar (bem parecido com o gol acima de Alessandrini) aos 32  minutos do 2º tempo. Dois minutos depois, fez uma jogadaça pela esquerda e cruzou para o brasileiro Juari virar! Porto campeão europeu pela primeira vez!

O leitor Adriano Fuchs enviou o vídeo do gol de Márcio Hahn no empate de 2×2 entre o seu Caxias e o Joinville, pela Série C 2012. Eu achei meio sem querer, maaaaas realmente foi bonito:

SÉRIE B: Goleiro dá uma voadora no rosto de adversário e é expulso!

19 de setembro de 2012 8

O veterano goleiro Neneca foi expulso no jogo de ontem da Série B entre Bragantino e América-MG, 2×0 para o time da casa. No início do segundo tempo, Neneca deu uma voadora no rosto do atacante Barbosa, que caiu na área. Pênalti e cartão vermelho para Neneca:

Vale ressaltar o comentário absolutamente “non-sense” do comentarista Müller, que diz que Neneca foi expulso por ser o “último homem”. Não, Müller: ele foi expulso por AGRESSÃO a um adversário. Afeee! Na cobrança, Mateus fez 1×0 (obrigado Giovanni Siqueira pela correção!).

Em 2007, o instável goleiro argentino Gastón Sessa, do Vélez Sarsfield, fez lance idêntico no jogo contra o Boca Juniors em La Bombonera, oitavas-de-final da Copa Libertadores. A agressão, feita em Rodrigo Palacios, também gerou cartão vermelho e pênalti:

A pedidos, o golpe de Renan sobre Rodrigo Mendes no Gre-Nal do 1º turno do Campeonato Brasileiro, 1×1 no estádio Olímpico. Renan também foi expulso e igualmente foi pênalti convertido:

BIZARRO - Três gols contra em um só jogo no futebol grego, um deles antológico

18 de setembro de 2012 0

O jogo Panionios 2×1 OFI, válido pela Superliga do futebol grego, ficou marcado por um fato inusitado: os três gols da partida foram contra. O Panionios saiu na frente com um gol contra antológico, do esloveno Mirnes Sisic: ele deu uma rosca na bola, a bola subiu e o goleiro Stefanos Gounaridis enfiou para dentro. Grotesco. Este merece destaque especial:

Não satisfeito, o OFI fez outro gol contra: em cruzamento rasteiro da esquerda, a bola bateu no brasileiro Vando e entrou. Insatisfeito, o Panionios no finalzinho também fez o seu golzinho contra: em cruzamento da esquerda, Efthimios Kouloucheris meteu para dentro, em lance parecido com o gol contra anterior.

Todos os gols contra você vê aqui: 3η Αγ. ΠΑΝΙΩΝΙΟΣ – Ο.Φ.Η 2-1

Atacante finlandês bate pênalti de letra e com os olhos vendados

18 de setembro de 2012 0

Você conhece Pekka Sihvola? Eu também não, mas ele conseguiu uma proeza sensacional. Jogador do MyPa, um dos mais populares times do futebol da Finlândia, o atacante fez um desafio nos treinos do time no último sábado.

Sihvola disse que conseguia fazer um gol batendo pênalti de letra. E com um detalhe: com os olhos vendados! E não é que ele conseguiu? Vejam:

JUSTIÇA: 23 anos depois, tragédia em Hillsborough ainda abala Liverpool

18 de setembro de 2012 3

Uma linda cena marcou a entrada do jogo  Everton 2×2 Newcastle, pelo encerramento 4° rodada do Campeonato Inglês. Uma menina, com camisa azul do Everton, entrou de braços dados com um garoto de camisa vermelha, do Liverpool, arquirrival da região de Merseyside.  Nas camisas de ambos, o número 9 + o número 6, sintetizando a mensagem: “Justiça para os 96“.

Depois de duas décadas acusados de terem causado uma tragédia nos gramados, as vítimas da maior tragédia do futebol europeu enfim foram inocentados de todas as acusações, dando paz para a família das quase cem vítimas fatais, e os 766 feridos daquela tarde de primavera de 1989… É esta história que queremos contar hoje.

Menina e Menino com a mensagem - Justiça para os 96 - Reprodução TV

Na última semana, o futebol inglês e a sociedade britânica enfim mostraram que a Justiça (a entidade, com letra maiúscula no nome) pode demorar. Talvez 23 anos. Ela também pode unir torcedores com uma rivalidade tão grande como Everton e Liverpool, tão diferentes entre si. Mas cientes de seu papel em busca de um esporte, de um país e de uma vida melhor. E que, se ela for incessantemente almejada, um dia será obtida.

O  Primeiro-Ministro britânico David Cameron divulgou os resultados de um relatório independente de mais de 396 páginas no qual o Governo assumiu a responsabilidade na tragédia de Sheffield, na qual 96 torcedores do Liverpool morreram no estádio Hillsborough, em um jogo da Copa da Inglaterra contra o Nottingham Forest pela temporada de 88/89.

As palavras do Primeiro-Ministro são claras: “Em nome do Governo, e consequentemente de toda a nação, eu profundamente peço desculpas por esta dupla injustiça não-corrigida por tanto tempo”.Cameron assim isentava de quaisquer culpa os torcedores, tese defendida desde o início pela Polícia do condado de York, e apoiada por uma infame capa do tablóide The Sun.

Segundo a tese policial, divulgada amplamente pelo jornal de maior circulação no país, a culpa do desastre foi da torcida: torcedores roubaram os mortos e moribundos, bêbados causaram o incidente e mijaram nos policiais, além de espancar os mesmos quando estes estavam fazendo respiração boca-a-boca.

Capa do The Sun em 1989 culpando a torcida e da semana passada pedindo desculpas

No dia 14 de abril de 1989, um estádio superlotado e uma inacreditável sequência de erros das autoridades do jogo e da polícia do condado de York causaram a maior tragédia da história do futebol europeu, uma das piores no futebol mundial. Foi o ápice de décadas de horrores nos estádios ingleses, misturando violência, maus-tratos, estádios decrépitos e uma estrutura em colapso.

A estupidez da ação policial naquele dia, que não abriu os portões do gramado e suspendeu o jogo. Quando uma grade foi derrubada, os policiais foram para cima dos torcedores com cachorros, batendo nos mesmos para “evitar uma invasão” enquanto pessoas lutavam por suas vidas. O goleiro Bruce Grobelaar foi um dos primeiros a perceber que estava tudo errado: “-Pessoas me diziam, esmagadas na grade: Bruce, me salva, estou sufocando. Pedi ajuda para uma policial, que disse que ia chamar seu chefe“.

Menos de 10 minutos e o jogo foi suspenso pelas autoridades. As grades foram abertas, mas só uma ambulância estava dentro do estádio. Do lado de fora, 42 ambulâncias chamadas emergencialmente esperavam porque a informação errada de que havia uma batalha campal no gramado estava sendo divulgada pelas autoridades.

O estudo do Painel Independente apontou as seguintes constatações (em inglês):

  • Os torcedores do Liverpool foram vítimas, não causadores do incidente.
  • Os torcedores, mortos ou feridos, não causaram a tragédia por estarem bêbados.
  • Os torcedores tinham ingressos.
  • A polícia de York alterou 164 documentos e relatórios oficiais para incriminar os torcedores.
  • O relatório original dizia que todas as vítimas morreram antes de 15h15min. Porém neste horário, mais de 41 vítimas estavam vivas.
  • Até 59 vítimas poderiam ter sido salvas se o socorro tivesse sido mais adequado, o jogo cancelado antes mesmo de começar.
  • A polícia foi responsável por não controlar a multidão.
  • A polícia foi responsável por não paralisar o jogo e atender as vítimas que estavam esmagadas e asfixiadas nas grades de proteção, a 1 metro do gramado.

Torcedores sufocados e asfixiados no estádio – Polícia nada fez

  • O estádio não estava de acordo para um jogo de tamanha importância, sua capacidade foi superestimada.
  • Havia ocorrido esmagamento naquele mesmo estádio um ano antes, também em um jogo contra o Liverpool.
  • Não havia um plano para desastre de grandes proporções implementado no estádio pelas autoridades.
  • A  Polícia de South Yorkshire e um membro importante da política local, Irvine Patnick, foram as fontes das matérias sensacionalistas do The Sun, então comandado pelo editor Kelvin MacKenzie.
  • Os policiais alteraram os registros no sistema nacional de identificação colocando referências a teores alcoólicos nos mortos, culpando uma suposta bebedeira.
  • Os policiais fizeram exames de sangue sem consentimento das vítimas fatais. Inclusive das crianças (50% dos mortos eram menores de idade, o mais jovem sendo um garoto de 10 anos, primo da lenda do Liverpool Steven Gerrard).
  • Não houve evidências de que os torcedores planejaram para chegarem atrasados (e forçarem as entradas), tampouco de que roubaram as vítimas.
  • Após as orquestradas matérias do “The Sun”, o Governo fez veladas críticas aos torcedores, assim como dirigentes da UEFA, incluindo seu presidente.
  • A Primeira Ministra Margaret Tatcher se omitiu de uma posição mais firme e deixou claro que um relatório independente culpando a polícia seria um “desastre para a credibilidade da instituição”. Está claro na nota de gabinete do Briefing de sua secretária particular
  • O Governo enviou os resultados para o Promotor-Geral que irá decidir se fará processos, além de autorizar as famílias a buscarem seus direitos na justiça.

O presidente do “Hillsborough Families Support Group” (ONG de apoio às vítimas da tragédia) Trevor Hicks (que perdeu as duas filhas adolescentes na tragédia), exigiu a renúncia de autoridades policiais ligadas à investigação original e ao encobrimento dos fatos. Também não aceitou as desculpas do ex-editor do The Sun, McKenzie. Aliás, expulsou os jornalistas do tablóide da coletiva.

Aliás, o jornal The Sun até hoje é boicotado em Liverpool e condado de Merseyside. O The Sun vendia 200 mil cópias diárias na época e hoje vende apenas 12 mil naquela região. De um total de 3.3 milhões ao dia. McKenzie, até semana passada, se recusava a pedir desculpas para as vítimas. O tablóide, que novamente pediu desculpas semana passada, já havia feito um “mea-culpa” em 2004.

A tragédia fez os ingleses mudarem a relação com o esporte. Por exigência do Governo, foi preparado um estudo através do Barão Taylor de Gosforth, denominado “Relatório Taylor“.

Tudo que você hoje vê no futebol inglês, de estádios confortáveis, torcedores comportados e um espetáculo para a família começou a partir da tragédia de Hillsborough, desta análise profunda no futebol inglês. Já contei esta história:

Peter Taylor, Barão de Gosforth e seu famoso Relatório Taylor - Culpando os responsáveis

Relatório Taylor: como mudar o futebol de um país

Enfim, se encerra o capítulo mais doloroso da história do Liverpool.

A civilidade venceu a violência. A morte.

A corrupção dos valores mais sagrados da humanidade.

Homenagens dos torcedores do Everton para a torcida do Liverpool

O menino com a camisa do Liverpool e a menina com a camisa do Everton só representavam um sentimento que uniu uma cidade em torno de um pensamento: “Podia ter sido conosco. Ocorreu com nossos amigos, nossos parentes”

JUSTIÇA PARA OS 96

LIGA DOS CAMPEÕES - Entrem na Liga do Almanaque Esportivo!

15 de setembro de 2012 0

Pessoal, como faço há muitos anos, entrei no Fantasy Football da Liga dos Campeões da Europa. O site, que pode ser acessado em português, permite que você monte seu time e receba pontuações conforme o desempenho dos atletas e de seus respectivos times.

Você está imaginando: isto parece o Cartola FC. Sim, ele é muito parecido. Com uma diferença:a competição da UEFA é bem mais antiga que a brasileira. E ela também não é original, por sua vez repetiu os antigos Fantasy Football que existem há mais de década no futebol inglês.

O CÓDIGO DA LIGA É: 168547-437567

Meu time da 1° rodada foi montado assim:

Perináceo Football Club, 1° rodada do UEFA Fantasy Football

RAIO-X: Veja o desempenho de Grêmio e Inter nos últimos 2 anos na Série A

10 de setembro de 2012 5

Nos últimos dois anos, o aproveitamento de Grêmio e Internacional no Campeonato Brasileiro está exposto com os dados abaixo. Nenhum dos dois gaúchos liderou o Brasileirão nos últimos dois anos, e tampouco terminaram uma rodada na zona de rebaixamento.

Ano passado, no qual os cinco primeiros do Campeonato Brasileiro se classificaram para a Libertadores, o Internacional ficou apenas três rodadas na zona de classificação. Este ano, quatro rodadas no provável G-4, e mais duas no garantido G-3 (caso o campeão da Sul-Americana seja um Brasileiro e não fique entre os 4 primeiros da Série A).

Em 2011, o Inter ficou absurdas 17 rodadas na sétima colocação, algo já repetido 4 vezes em 2012 (incluindo hoje). As igualmente medianas 6º colocação (10 vezes), 5º (7 vezes) e 8º (6 vezes) foram as mais repetidas.

Já os números do Grêmio são diferentes em perfil. Com ótima campanha em 2012,  já são 16 rodadas no G-4, incluindo 6 no G-3.

No medíocre Brasileirão 2011, o Grêmio ficou 11 rodadas em 12º lugar, e outras 8 rodadas na 9º colocação, além de alguns flertes com a zona de rebaixamento, sem entretanto ‘concretizar o ato’.

Desempenho da dupla Gre-Nal nos últimos 2 anos - Arquivo Pessoal

SETEMBRO NEGRO: 40 anos do massacre nos Jogos Olímpicos de Munique

05 de setembro de 2012 3

Há 40 anos, o dia 05 de setembro de 1972 entrou para a história das Olimpíadas e do esporte mundial. Infelizmente pelo motivo mais sombrio: a morte de onze atletas israelenses em um ação terrorista que, pela primeira vez, capitalizou a mídia como agente de exposição de uma operação

Foi nesta data que oito terroristas palestinos razoavelmente treinados e muito dedicados invadiram a Vila Olímpica de Munique e sequestraram nove atletas israelenses, matando outros dois deles no início do incidente. Na desastrada tentativa de resgate do atletas, todos os sequestrados morreram assim como cinco criminosos e um policial alemão-ocidental.

A vigésima Olimpíada da Era Moderna, conhecida até então pelo slogan “Jogos Felizes” e que marcaria época pelas sete medalhas de ouro de Mark Spitz na natação, se tornava um doloroso drama de 21 horas com um trágico desfecho.

Para entender tudo isto, o Almanaque Esportivo faz uma recuperação de todos os fatos envolvidos neste atentado terrorista que marcou os Jogos Olímpicos de Munique em 1972 na então Alemanha Ocidental. Sem dúvida, a maior tragédia olímpica já ocorrida na Era Moderna.

Munique

Antes, Durante e Depois.

PRÓLOGO

Em setembro de 1970 ocorreu uma frustrada tentativa de golpe de estado na Jordânia contra o Rei Hussein II, comandada pela então terrorista OLP (Organização da Libertação Palestina). Na ocasião, o rei jordaniano iniciou uma campanha contra militantes políticos palestinos no país. Aliás, Hussein II foi o único líder árabe a condenar veementemente a ação terrorista nos Jogos de Munique.

Em resposta à repressão de estado jordaniana, foi criada a organização paramilitar “Setembro Negro“, comandada por membros da Fatah (organização comandada por Yasser Arafat), contando com o apoio de membros da As-Sa’iqa e OLP. O terrorista Mohammed Daoud Oudeh foi o mentor intelectual das ações da organização. De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o “Setembro Negro” era um braço extremista da Fatah, que estava ciente de suas atividades.

Entre seu estabelecimento, em meados de 1971, até o “Massacre de Munique“, como ficou conhecido o incidente nas Olimpíadas, o “Setembro Negro“capitaneou ações como cartas-bomba para autoridades diplomáticas israelenses, sequestro de aviões, tentativas de assassinatos contra oficiais jordanianos e ainda o assassinato do primeiro-ministro jordaniano Wasfi Tel em 1971. Depois do atentado em Munique, outras ações continuaram a ocorrer até seu desmantelamento no final de 1974.

O INCIDENTE

Às 4 horas da madrugada do dia 05 de setembro de 1972, oito terroristas do Setembro Negro entraram na Vila Olímpica vestindo abrigos esportivos e mochilas. Inadvertidamente, dois membros da delegação norte-americana ajudaram os mesmos a escalar os muros da Vila, que não tinha praticamente nenhuma segurança naquele local. Eles pensavam que, assim como eles, eram atletas voltando das festas após o horário previsto de fechamento da Vila Olímpica.

Ao invadirem o apartamento 1 do prédio destinado à delegação de Israel, foram vistos pelo juiz de luta-livre Yossef Gutfreund, que percebeu os atacantes com máscaras e gritou para alertar seus colegas. Além disto, ele usou seu corpanzil de 130kgs para detê-los à porta, o que permitiu a fuga do seu colega Tuvia Sokolovsky.

Subjulgado, Gutfreund foi ferido pelos atacantes, enquanto o também treinador Moshe Weinberg levou um tiro no rosto. Este levou os invasores para o apartamento 3 repleto de lutadores e halterofilistas, pulando o apartamento 2 (o qual também tinha atletas israelenses de atletismo, tiro ao alvo e esgrima), pois provavelmente achou que os primeiros poderiam fisicamente ser mais capazes de deter os terroristas.

Na luta após invadir o apartamento 3, no qual todos os seis atletas dormiam, o halterofilista Yossef Romano foi assassinado ao tentar render um dos atacantes. Weinberg tentou novamente atacar os invasores mas foi metralhado e também morreu. Na confusão, o igualmente halterofilista Gad Tsobari conseguiu fugir pelo estacionamento.

Os nove reféns restantes, incluindo o técnico de esgrima André Spitzer (que tinha acabado de chegar à Vila Olímpica), foram detidos pelos terroristas. Eles exigiam a libertação de 234 prisioneiros da OLP detidos pelo governo israelense além de dois radicais alemães, Andreas Baader e Ulrike Meinhof (do extremista grupo alemão Baader-Meinhof).Não negociamos com terroristas“, foi o retorno da Primeira-Ministra israelense Golda Meir.

A foto abaixo, do fotógrafo Kurt Stumpf, imortalizou o incidente.

Massacre de Munique - 5/09/1972 - KURT STRUMPF/AP reprodução www.thetimes.com

O chefe da delegação egípicia A.D. Touny e membros da Liga Árabe negociaram com os terroristas palestinos, prometendo “muito dinheiro” em troca da libertação dos reféns, algo rejeitado por eles. Em um impasse diplomático, os alemães-ocidentais organizaram uma pífia tentativa de resgate na tarde do dia 05 de setembro.

Quando os policiais, vestidos de abrigo esportivo, estavam quase entrando no prédio, os terroristas avisaram que estavam vendo tudo pela televisão e que qualquer tentativa de invasão resultaria na eliminação imediata dos reféns.

Um novo plano, enfim, foi definido pelos alemães-ocidentais, após as exigências dos palestinos de irem para o Cairo, capital do Egito.  As especializadas forças armadas alemães não podiam intervir, pois a Constituição Federal pós-guerra impedia o uso do Exército contra civis. Sobrou para a Polícia de Munique e o Governo da Baviera resolverem o incidente terrorista.

Era melhor que não tivessem feito, pois foi uma sucessão de equívocos trágicos. Nem de propósito, as autoridades alemãs-ocidentais cometeriam tantos erros graves de planejamento, estratégia e operacionais.

O primeiro passon foi posicionar um Boeing 727 na pista militar de Fürstenfeldbruck. Bizarramente, as autoridades alemãs-ocidentais prepararam uma tentativa de resgate com apenas cinco atiradores mal-treinados e pessimamente equipados, sem rádio e comunicação centralizada, tampouco tropas de assalto. Aliás, nem atiradores de elite os policiais eram: apenas oficiais que estavam em um torneio de tiro naquele final de semana.

Apenas no transporte da vila Olímpica de ônibus para dois helicópteros, se percebeu que, além dos nove reféns haviam mais terroristas do que o inicialmente observado: oito ao invés de cinco. Para piorar, os helicópteros ao descerem em Fürstenfeldbruck ficaram mal posicionados e, sem ângulo de tiro, dois atiradores ficaram impossibilitados de agir.

No Boeing deveriam estar 16 policiais alemães, que iriam atacar os terroristas assim que eles subissem na aeronave. Porém este agentes desistiram da ação sem comunicar o comando central da crise, ao concluírem que a ação não estava bem planejada. O comando central (composto por 2 políticos e 1 chefe de polícia), por sua vez, ‘esqueceu’ de pedir apoio terrestre blindado e, quando o fez, o mesmo ficou preso no tráfego, chegando somente à meia-noite, depois de ter começado o tiroteio.

três terroristas subiram na aeronave, totalmente vazia, e viram que tinham sido enganados. Um tiroteio começou e dois palestinos foram mortos. Logo depois, outro saiu correndo na direção de um dos atiradores e também foi morto, o único tiro disparado por este “sniper” em todo o incidente. No meio do caos, os oficiais israelenses do MOSSAD (serviço de inteligência de israel) tentaram negociar mas levaram tiros em sua direção.

Com a chegada dos blindados, os terroristas se apavoraram e um deles metralhou o helicóptero com quatro reféns, também jogando uma granada que explodiu a aeronave. Morriam Berger, Friedman, Halfin e Springer. Depois, outro terrorista metralhou os reféns do outro helicóptero, matando Gutfreund, Shapira, Shorr, Slavin e Spitzer.

Um dos atiradores alemães e um dos pilotos ficaram feridos por ‘fogo amigo’, já que não conseguiam se comunicar com seus companheiros. O policial alemão Anton Fliegerbauer morreu de bala perdida (ele estava na torre de controle aéreo) e um total de cinco terroristas foram mortos. Um deles tentou fugir e outros três foram presos. O fugitivo acabou morto 40 minutos depois em um combate com as forças de segurança alemãs-ocidentais.

AS VÍTIMAS:

Kehat Shorr, atirador

Yossef Romano, halterofilista

David Berger, halterofilista

Ze’ev Friedman, halterofilista

Jacov Springer, juiz de halterofilismo

Mark Slavin, lutador

Eliezer Halfin, lutador

Moshe Weinberg, técnico de luta

Yossef Gutfreund, juiz de luta

Andre Spitzer, técnico de esgrima

Amitzur Shapira, técnico de atletismo

Anton Fliegerbauer, policial alemão

EPÍLOGO

  • Os jogos só foram interrompidos 12 horas após o início da crise. E continuaram no dia seguinte ao massacre. Um Memorial foi realizado no estádio Olímpico de Munique no dia 7 de setembro, envolvendo três mil atletas e 80 mil espectadores. As bandeiras dos países envolvidos nos Jogos de Munique ficaram a meio-mastro, porém dez nações árabes exigiram que ficassem no topo, o que acabou sendo realizado.
  • Em solidariedade, o restante a delegação israelense deixou Munique, assim como a Argélia, Filipinas e Egito, este sob medo de represálias. Dezenas de atletas de outros países também deixaram a competição, com medo ou em solidariedade aos mortos. Wilma van Gool, corredora holandesa, deixou claro ao abandonar Munique: “Vou embora devido à obscena decisão de continuar com os Jogos”.
  • Pouco mais de um mês após o incidente em Munique, outro avião foi sequestrado pelo “Setembro Negro“, que exigiu a libertação dos três terroristas detidos. Isto acabou sendo feito, para fúria do governo israelense.
  • Em contra-partida, a Primeira-Ministra Golda Meir autorizou secretamente a criação de uma força-tarefa que recebeu a missão de identificar e matar todos os terroristas capazes de atos como estes.
  • A controvertida missão recebeu o nome de “Operação Ira de Deus” e teve muitos dos seus aspectos mostrados no filme “Munique“, de 2006 do diretor Steven Spielberg.
  • Uma sub-missão, chamada de “Operação Primavera da Juventude“, concebeu um assalto e posterior explosão de dois prédios que continham dezenas de terroristas e civis em Beirute. O líder da OLP, Yasser Arafat, e o próprio Hassan Salameh estavam próximos dos prédios bombardeados.
  • Na “Operação Ira de Deus” dezenas de terroristas foram assassinados pelo MOSSAD, assim como contatos comerciais e militantes políticos.
  • Um inocente garçom marroquino confundido com o líder máximo do Setembro Negro, Ahmed Bouchikhi, foi assassinado por tropas do MOSSAD em Lillehammer, na Noruega no ano de 1973. Os agentes envolvidos foram presos pela polícia norueguesa e condenados por homícidio, posteriormente deportados para Israel. Bouchiki era irmão de Chico Bouchikhi, um dos integrantes originais da banda Gipsy Kings.
  • Este epílogo foi um desastre para o MOSSAD na Europa, pois os membros presos colocaram em exposição toda a estrutura da entidade no continente: nomes de agentes, casas seguras de ações, documentos secretos. O Serviço Secreto Israelense demorou muitos anos para se recuperar na Europa.
  • Aliás, o líder Hassan Salameh sofreria mais quatro tentativas de assassinato até ter seu carro explodido em 1979, no Líbano.
  • Imediatamente após a tragédia, causada muito pela incompetência da polícia alemã-ocidental em tratar de ações terroristas,  o criticadíssimo governo alemão do chanceler Willy Brandt organizou a criação do Grenzschutzgruppe 9, conhecido mundialmente com a sigla GSG 9. A tropa de elite foi treinada para ações de contra-terrorismo, e hoje é exemplo mundial de competência.

A cobertura completa pode ser facilmente encontrada no You Tube. Porém selecionei estas imagens, do dia seguinte à tragédia em Munique. Mostram um lado diferente da habitual cobertura do noticiário tradicional:

E que isto nunca mais se repita…

F1: Acidente em Spa reabre discussão sobre segurança da cabeça dos pilotos

05 de setembro de 2012 0

A violenta batida na curva La Source, 1º volta do GP da Bélgica de Fórmula-1, reabre uma antiga discussão a respeito da segurança dos pilotos. Mais uma vez, por pura sorte, um piloto não sofreu uma grave lesão na cabeça ao ser atingido por um carro em alta velocidade. A Lotus do franco-suíço Romain Grosjean passou a centímetros da cabeça do espanhol Fernando Alonso.

Coulthard passando a 3 cm de Wurz, por cima do volante - Reprodução TV

Coulthard passando a 3 cm de Wurz, por cima do volante - Reprodução TV

Vou ser franco com vocês, caros leitores, o problema para mim é um só: o risco sério de uma decapitação. Considero imprescindível que o Instituto FIA intensifique estudos para alternativas protegendo as laterais dos pilotos, sem desvirtuar o esporte. Muitas vezes pensei em uma espécie de cabine, mas o risco disto ficar travado em caso de batida mais incêndio complica bastante a alternativa.

Em 2007, no GP da Austrália, o incidente mais grave: David Coulthard dividiu uma curva com o austríaco Alexander Wurz e decolou. A lâmina do assoalho passou a 3 cm do capacete de Wurz.

A melhor escolha talvez passe pela troca do material em torno das laterais do piloto, e uma melhor proteção daquela área, sem afetar os espelhos retrovisores. Isto evitaria, no GP do Brasil de 1994, a batida na cabeça de Martin Brundle (com a McLaren), atingido na cabeça por Jos Verstappen, que por sua vez havia sido jogado para fora da pista em uma manobra irresponsável do norte-irlandês Eddie Irvine. Sobrou ainda para o francês Eric Comas:

Como a proteção seria ao lado, isto não evitaria o incidente de 1998 entre os norte-americanos Bryan Herta e Alex Barron na F-CART, em Elkhart Lake. Herta rodou sozinho e ficou ao contrário, quando Barron também rodou sozinho e ‘subiu em cima’ de Herta. Vejam:

Riscos são inerentes a este esporte. Mas dá para minimizá-los.

AUTOMOBILISMO: o momento mais engraçado da história

04 de setembro de 2012 0

Esta é antiga mas vale a pena! Ano de 2001, Campeonato Australiano de Supercars V8. Na corrida disputada nas ruas de Canberra, capital do país, o australiano Marcos Ambrose teve um pequeno probleminha…

Vejam ATÉ O FINAL: