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Fim de semana vergonhoso nos gramados brasileiros - ATÉ QUANDO?

01 de outubro de 2012 9

Neste ano de 2012, o futebol brasileiro vive um limiar perigoso. Conceitos estão sendo invertidos, o que sempre foi certo está se tornando de uma tonalidade cinza. Perigosa. E inclusive com apoio das autoridades que regem a categoria em cenário nacional.

Por causa de um calendário imbecil, aliado a um péssimo desempenho, a Seleção Brasileira gera mais antipatia que apoio da população. Ao invés de celebrarmos a permanência de jogadores de alto quilate no país, lamentamos a cada rodada desfalques em seus times. A arbitragem nacional vive um de seus piores momentos, sem comando, critérios técnicos, planejamento a médio e longo prazo.

Se fosse só isto, ok, vá lá. Mas a situação está bem pior. Neste final de semana tivemos quatro lamentáveis incidentes envolvendo o direito do torcedor e a liberdade de expressão. Pessoas que sofreram agressões físicas e/ou morais por expressarem seu universal direito de discordar.

No primeiro, o árbitro gaúcho Leandro Vuaden atrasou em 16 minutos o jogo Náutico x Atlético-GO por causa de uma enorme faixa. Ela ousou afrontar as “OTORIDADES“, com a inaceitável frase: “Não irão nos derrubar no apito“. Um simples protesto contra erros consecutivos prejudicando o time pernambucano nas últimas partidas. O jogo só começou quando a faixa foi abaixada.

Como disse Ivana Albuquerque, a torcedora que levou a faixa: “Está na constituição que eu tenho direito de expressar minha opinião sobre qualquer coisa. Foi uma verdadeira estupidez do árbitro agir dessa forma“.

"Não vão nos derrubar no apito" - Faixa pretensamente ofensiva em Recife - Arquivo Pessoal

E o Vuaden achou que estava certo, como podem ver em entrevista à ZH Esportes. Porém o próprio Estatuto do Torcedor isenta quaisquer responsabilidades, como diz o artigo 13, inciso IV : “não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo“. Favor indicar aonde isto se aplica no caso deste sábado? Obrigado. Ah, e o Náutico poderá pagar multa pelo atraso. Quem atrasou foi o juiz, ora bolas!

No segundo caso, um torcedor escocês do Celtic Glasgow foi convidado a se retirar das Tribunas VIP do Pacaembu no jogo Corinthians x Sport Recife, tudo porque cometeu o crime capital de usar a camisa verde e branca do time, cores do rival Palmeiras. Sem comentários. Deve ser muito bizarro para um torcedor do Celtic, que tem uma secular (sem exagero) rivalidade com os Rangers especialmente no tocante à questão religiosa e social, correr risco de apanhar por causa das cores. Mas sem dúvida a culpa era dele.

O terceiro caso é mais próximo. No estádio Olímpico, meu amigo Fabrício Maraschin foi agredido, ameaçado, intimidado, teve sua carteirinha de sócio do Grêmio estragada (e por isto não viu o jogo Grêmio x Santos!), e teve sua câmera danificada pela Brigada Militar por ter cometido um crime inafiançável: girado a câmera na direção dos policiais.

A BM gaúcha, famosa por sua competência policial e absoluta incompetência em eventos esportivos (nada mais indicativo que as covardes agressões do jogo Internacional x Fluminense pelo Brasileirão de 2005, com centenas de feridos), teve mais um dia “não” nos estádios gaúchos. Dúvidas? Olhem na timeline dele, @finomaravilha, ao longo deste domingo.

Mas nada foi pior do que o ocorrido em Curitiba, no jogo Coritiba x São Paulo e sem dúvida o caso mais grave, uma garota de 13 anos torcedora do Coritiba e seu pai foram agredidos por marginais após receber a camisa de Lucas, jogador do São Paulo. Sob olhar complacente dos policiais (vejam o relato do jornalista, e torcedor do Coritiba, Rodrigo Salvador na ESPN), os dois foram agredidos por meia dúzia de marginais. O pai levou tapas e teve seu óculos roubado, sob o olhar complacente da inoperante polícia militar de Curitiba. Imagens do Globo Esporte aqui.

O Procurador-Geral do STJD, Paulo Schimitt, que considera seu papel levar a julgamento atletas, treinadores e dirigentes por questões mínimas, achou que a polícia etá certa: “Em Curitiba, a polícia agiu da maneira correta. Este tipo de conduta tem de ser considerado. Poderia acontecer tumulto e desordem, mas pela atitude da polícia não estou pensando em avaliar essa questão. O outro caso se refere a uma norma interna é a permanência em área vip, que é uma área específica. Não parece ser da nossa alçada. Fica a cargo do prejudicado, do direito civil“.

Desde quando autoridades policiais tem direito a se omitirem vendo cidadãos indefesos sendo agredidos por uma maioria?

Será que ele não pensa na imagem que a criança, sua família, tem do futebol nesta segunda-feira?
Gente da sua própria ‘torcida’? Que aliás, parece ter esquecido 2009…
Não sei se a Milena torcia mesmo para o Coritiba. Na real, nem importa.
Mas sei que ela deve estar repensando gostar deste esporte.

O futebol brasileiro teve neste final de semana dois dias trágicos. Sem mortes nem feridos graves.
Fisicamente.
Porém precisamos de mais Maracanãs e Morumbi lotados.

E menos escoceses do Celtic. Menos Fabrícios. Menos Ivanas. Menos Milenas.

E muito menos Paulo Schmitts.

A alma de quem ama este esporte apaixonante está ferida.

Comentários (9)

  • Mateus Valduga Bosa diz: 1 de outubro de 2012

    LAMENTÁVEL! LAMENTÁVEL! Um verdadeiro absurdo, principalmente o fato de Curitiba, depois fazem campanhas absurdas para que as famílias vão aso estádios, ridículo. Enquanto pensam em sediar uma Copa do Mundo vemos como será a segurança nos estádios, Policiais são Policias, sejam dentro ou fora de um estadio, um absurdo inexplicável, tão inexplicável quanto a declaração do sem sentido do inútil Procurador-Geral do STJD, Paulo Schimitt! ABSURDO LAMENTÁVEL!

  • Eduardo Dorneles² diz: 1 de outubro de 2012

    Aconteceu mais um erro trágico de arbitragem neste findi. Acho que deve considerar também a expulsão do Neymar.
    Cara, eu sou muito gremista, e ja comemorei muitas vezes expulsões escancaradamente injustas a meu favor, por ser coisa de torcedor, sempre querer se beneficiar pra conquistar uma vitória. Agora o que aconteceu ontem foi muito absurdo. O Neymar grudou a bola no pé e avançou da intermediária santista até quase a grande área gremista na base da pancada, tomou três carrinhos, se esquivou de dois e caiu com o terceiro, até acho que não foi falta porque ele conseguiu evitar o choque, mas uma das entradas foi digna de cartão e foi isso que ele foi reclamar para o juiz, que arrogantemente deu cartão por reclamação. Sabendo que o juiz nada faria contra a virilidade das faltas ele foi pra agressão ao Pará, motivado por tudo isso e pela provocação do Pará que o agrediu também. O juiz arrogante resolveu expulsar o Neymar. Incrível, te juro, eu fiquei indignado, pois é o que vem acontecendo com vários jogadores no campeonato, vide Kleber do gremio, d’alessandro, bernard e tantos outros. Tudo tem limite! Se eu fosse o Neymar iria embora mesmo.

  • Maicon Schmidt diz: 1 de outubro de 2012

    Bravo!!!!!!!

  • Anonimo diz: 2 de outubro de 2012

    e o problema era a bebida nos estádios….. fora q hj em dia as únicas ocorrências são de gente portando maconha, esses meliantes perigosos, de certo eles vao ficar mto quietos durante o jogo ou comer demais até passar mal.
    ainda bem que delitos que afetam os outros não acontecem mais, como brigas, violência da polícia, os carros agora ficam seguros nos arredores dos estádios, não existem mais flanelinhas….
    como é bom ir num estádio no brasil!!

  • Aldo Winchester diz: 2 de outubro de 2012

    Vergonha pra Curitiba! Passou de todos os limites, bater numa criança e no pai dela por causa de uma camisa de futebol é um absurdo!!!

  • Renato diz: 2 de outubro de 2012

    Como eu sempre digo, basta tirar os Schimitts, os Teixeiras, o Zveiter e muitos outros tantos que o futebol brasileiro avança para a frente. Enquanto bestas quadradas dirigirem o futebol brasileiro em benefício próprio – e malefício para o futebol – a tendência é esvaziamento do espetáculo e falência dos clubes. Lamentável o Vuaden, devia se importar mais em treinar para fazer boas arbitragens e menos em retaliar manifestações legítimas contra erros grosseiros de arbitragem. Mas com esta sua ação, com certeza ganhou pontinhos preciosos junto ao seu chefe. Enquanto isto, dentro do campo, os craques apanham a rodo dos pernas-de-pau com a benevolência do Sr. Juiz, que resolve expulsar os craques quando os mesmos reclamam da pancadaria generalizada ou tentam tentam revidar…

  • Alvaro diz: 2 de outubro de 2012

    E quem foi que disse que esses baderneiros (de Curitiba) são torcedores? Quanto ao Vuadem, não o culpo, pois tenho certeza que a ordem vem de cima. No caso do Neymar ele foi acintosamente pra cima do juiz “pedindo” amarelo pros outros, só quem levou foi ele.

  • Diego diz: 3 de outubro de 2012

    Fui em um jogo de rugby fim de semana passada na Argentina, (Arg) Pumas x All Blacks (NZ), fiquei impressionado, os argentinos em geral são conhecidos por serem fanáticos e as vezes violentos quando relacionado ao esporte, mas me deparei com o seguinte quadro:

    Não existe divisão de torcidas no rugby ou seja, torcedores dos mesmos times ficam sentados lado a lado e em nenhum momento vi nenhuma cena de violência, sendo que o estadio vibrava de tanto a torcida cantar.

    Outro ponto é o seguinte, no rugby o juiz utiliza microfone (onde todos sabem o que ele fala) e antes de mais nada, ele conversa com os jogadores e GARANTE que o espetáculo funcione.

    Para quem não acredita, segue os videos:

    Juiz – http://www.youtube.com/watch?v=RXoBNFOxlQM&feature=related
    Torcida – http://www.youtube.com/watch?v=xkjZL8Qzdf4

    Nos falta cultura de respeito, está na hora de mudar as regras do futebol, punir quem deve ser punido e disciplinar os jogadores como exemplo para a sociedade, chega dessa cultura de “malandro” de “impunidade”, uma coisa leva a outra, mal exemplo dentro de campo leva a mal exemplo fora.

  • Paulo diz: 5 de outubro de 2012

    Parabéns Alexandre pelos textos. Você parece ser o único a enxergar o óbvio. Talvez por não estar comprometido integralmente com esse grande cassino chamado futebol.

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