Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Gauchão 2013: a agonia dos estádios vazios em um modelo errado de busca do público

20 de março de 2013 3

Ingressos caros versus nível técnico baixo? O resultado é: estádios vazios, torcidas desinteressadas, pouca repercussão e nenhuma qualidade. Temos aí a fórmula para um dos Campeonatos Estaduais mais medíocres dos últimos anos: o Gauchão 2013.

Levantamento da média de público feito por Wendell Ferreira e publicado esta semana ZH Esportes escancarou a situação vergonhosa nos estádios do Gauchão. A média de público é simplesmente desastrosa, como pode ser vista na planilha a seguir:

Tabela com média de público dos principais estaduais: Gauchão é um fiasco - Arquivo Pessoal

As explicações de Francisco Novelletto dizendo que a falta de cerveja nos estádios, o excesso de jogos transmitidos, e de que as bilheterias não são mais uma grande fonte de renda dos clubes simplesmente não convencem. Primeiro porque os times do interior tem poucos jogos transmitidos. O preço mínimo do Gauchão de 30 reais é totalmente incompatível com estádios velhos, mal-cuidados e jogos de nível técnico baixo.
Existe uma distorção no modelo apresentado por Novelletto: com os preços abusivos, sem promoções, os clubes estão se isolando de suas comunidades. E, para o futebol do interior, isto é o mesmo que morrer e continuar andando por aí. Sem contar os habituais absurdos na montagem da tabela da competição, algo salientado aqui no Almanaque Esportivo anualmente desde 2008, que privam comunidades inteiras de assistir jogos alternados de Grêmio e Internacional.
O importante nesta análise é fazer a qualificação dos dados. Na tabela apresentada, fica escarrado o problema quando analisamos a média sem considerar os jogos dos times grandes. A média em MG e SP é quatro vezes maior que a do Gauchão. MG tem mais que o dobro, enquanto apenas o Rio está em situação pior. Por exemplo, o modestíssimo Camboriú, pior média do Catarinense, teria média de público melhor que sete times do Gauchão.
E as soluções estão dentro do próprio futebol gaúcho. Sem preços mínimos, a Segunda Divisão tem um envolvimento bem maior das comunidades. Promoções, acertos com as empresas locais, horários adequados às realidades das comunidades em jogos não televisionados. É tão fácil, mas é necessário coragem e assumir a responsabilidade dos fatos.
Sobre o calendário inchado: o site Toda Cancha já apresentou uma tentativa de evolução no atual Calendário, publicada aqui no Almanaque: Gauchão pode evoluir: uma proposta de mudança no calendário do estadual.
Em 2000, com oito times na época, o Campeonato Gaúcho foi um impressionante sucesso de público e renda. Com alguns ajustes (talvez 12 times e semifinais e finais em jogo único por turno), o Gauchão poderia se tornar uma competição importante para as comunidades do Interior.

Como disse o amigo tuiteiro Luiz Mosca no Twitter: “-Se o Presidente da FGF entende q o dinheiro do público nao é mais relevante para os clubes do que o da TV, ele esquece o porquê destes clubes existirem”.


Bem longe dos “Congressos Técnicos em Cruzeiros marítimos” da FGF
Dos  OMISSOS dirigentes do futebol do interior.
O futebol gaúcho dos times do interior agoniza cada vez mais…

Comentários (3)

  • LAERT diz: 20 de março de 2013

    Ninguém quer encarar a realidade, mas o povo gaúcho está mostrando que não é mais um fanático por futebol. Ninguém mais paga para não ver mais espetáculo. Sobraram poucos fanáticos que ainda vão aos estádios de futebol porque mantem uma tradiçao vinda de seus pais. Hoje em dia tem muito mais diversões e mesmo opções para se assistir grandes jogos, em casa. Somente em jogos especiais, como finais de campeonato ou jogos internacionais, continuarão tendo público. Isso é real. Não adianta inventar fórmulas. No Rio de Janeiro, um classico entre Flamengo e Vasco colocava mais de 100 mil pessoas no Maracanã. No último clássico teve 11 mil torcedores. Campeonatos regionais vão acabar.

  • ezequiel diz: 21 de março de 2013

    Interessante é que a FGF é uma das federações mais ricas do País.
    e ai vem o Noveletto e fala essas merdas.

    Mas, enfim, os dirigentes não tem direito algum de reclamar da falta de qualidade, público e retorno financeiro desse “campeonato”. Afinal, alguma vez o Noveletto não ganhou a eleição por unanimidade?

    Enfim, eu acho que campeonato estadual tinha que ser a 5ª ou 6ª divisão nacional. a divisão seguinte seria regional, e a partir da 3ª ser nacional.

  • Adriano Grená diz: 21 de março de 2013

    Lamentável a situação do nosso campeonato gaúcho… Pior é que o nosso presidente se acha dizendo que conseguiu muita verba que antes ninguém havia conseguido…. tudo bem, isso merece um parabéns, porém a forma de como é dividido entre os clubes é totalmente errada. Enquanto Gremio e Inter ganham milhões, os clubes do interior ganham migalhas, inclusive aqueles que tentam fazer futebol o ano todo, como Caxias e Ju. Acho que essa questão deveria ser revista com urgência. Discordo quanto aos estádios. Há estádios novos e outros bem cuidados (Centenário, Jaconi, Montanha dos Vinhedos, Alvi-Azul, etc) e poucos são velhos e mau cuidados (minha opinião). Outro causa do publico baixo são os horários dos jogos, por exemplo semana que vem tem Caxias x Lajeadense numa quinta-feira as 17 horas. Fala sério, quem consegue ir num jogo as 17 da tarde em plena quinta, sendo que aqui em Caxias ha muitas indústrias?! FGF é uma VERGONHA!!!

Envie seu Comentário