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Posts de março 2013

Cruzeiro faz história! Primeiro time gaúcho a ganhar no Beira-Rio e também na Arena!

29 de março de 2013 9

“Matador de Gigantes”. Assim podemos chamar o Cruzeiro, tradicionalíssimo time de Porto Alegre que completou 100 anos na última temporada. Ele entrou para a história da Arena do Grêmio ao se tornar o primeiro time brasileiro e gaúcho a vencer o Grêmio em seu novo estádio. O 2×1 desta quinta-feira pelo Campeonato Gaúcho foi a segunda derrota gremista na nova casa, a primeira em uma competição nacional (a outra foi para o Huachipato pela Copa Libertadores em fevereiro).

Só que isto não é uma façanha isolada do time da Zona Norte de Porto Alegre, que está se transferindo para Cachoeirinha. O Esporte Clube Cruzeiro também foi o primeiro time gaúcho a vencer o Internacional no estádio Beira-Rio! Isto ocorreu no dia 1º de maio de 1970, no 16º jogo colorado em seu novo estádio pelo Campeonato Gaúcho e o placar foi de 1×0 para o Cruzeiro.

Cruzeiro foi o 1º gaúcho a ganhar no Beira-Rio e também na Arena! - Foto: Ricardo Duarte, Agência RBS

O mando de campo era do Cruzeiro, mas por questões óbvias de público o jogo foi disputado no Beira-Rio. O Inter jogou inclusive com seu treinador reserva, Marco Eugênio, ao invés do titular Daltro Menezes, e um time bem descaracterizado. Isto porque o time titular estava fazendo uma série de amistoso no Peru, e havia vencido dois dias antes a então fortíssima Seleção Peruana por 2×0 em pleno estádio Nacional de Lima.

A derrota ocorreu na 42º partida do Inter no Beira-Rio. Antes deste jogo, o Inter já havia perdido outras quatro partidas no Beira-Rio, então com 13 meses de existência: para as Seleções da Hungria e Uruguai (em amistosos, obviamente) e para o Flamengo e Portuguesa (ambos no Robertão 1969).

Para garantir a confiabilidade da informação, fiz uma pesquisa bem apurada para isto e utilizei duas fontes diferentes: banco de dados próprio e o site RSSSF Brasil. Correções são bem-vindas!

F-1: Desobediência de acordo entre pilotos ocorreu com Reutemann, Pironi e Senna

25 de março de 2013 4

As manchetes do GP da Malásia de Fórmula-1 deste domingo rodearam um único assunto:  a ultrapassagem entre Sebastien Vettel sobre Mark Webber, seu companheiro na Red Bull Racing. O que seria uma disputa normal de pista causou impacto porque foi a RBR que pediu para ambos reduzirem o ritmo e “levarem os carros para casa”. Aproveitando-se da diminuição de velocidade de Webber, que liderava na reta final da corrida em Sepang, Vettel passou o companheiro em uma ultrapassagem dura, que durou várias curvas.

Isto causou um profundo mal-estar na equipe, visível após a corrida no pódio, na coletiva, em todos os lugares. Este rolo envolvendo pilotos da mesma equipe não é nenhuma novidade. Vamos contar alguns incidentes, em 1981, 1982 e 1989. São casos diferentes do ocorrido em 2010, no famoso “Fernando is faster than you” para o Felipe Massa, porque neste caso o piloto obedeceu ao jogo de equipe (maiores detalhes neste post).

1981 – CARLOS REUTEMANN X ALAN JONES – WILLIAMS – GP DO BRASIL EM JACARÉPAGUÁ

Em 1981, a Williams mandou o argentino Carlos Reutemann reduzir o ritmo e ceder a vitória no GP do Brasil em Jacarépaguá para o companheiro, então campeão mundial, Alan Jones. Porém Reutemann não o fez, a despeito dos sinais dos boxes e venceu a corrida. Jones sequer apareceu no pódio e Reutemann, que foi sistematicamente mais rápido que o companheiro ao longo da temporada, perdeu o título mundial por um ponto para o brasileiro Nélson Piquet.

Argentino Carlos Reutemann: se negou a fazer jogo de equipe em 1981 - Foto: Reprodução jornal Zero Hora

1982 – DIDIER PIRONI X GILLES VILLENEUVE – FERRARI – GP DE SAN MARINO EM ÍMOLA

Em 1982, um incidente semelhante ocorreu na Ferrari envolvendo o francês Didier Pironi e o canadense Gilles Villeneuve. No GP de San Marino em Ímola, a Ferrari pediu para os dois reduzirem o ritmo e conduzirem para uma dobradinha, Villeneuve em 1º e o Pironi em 2º. Porém o francês derespeitou e gerou uma histórica batalha pela vitória, vencida pelo francês. Os dois, que eram grandes amigos, nunca mais se falaram. Duas semanas depois, Villeneuve morreu em um acidente em Zolder, na Bélgica.
Contei esta história em uma mini-série em 2008: 2008 = 1982? Esperamos que não, parte I e 2008 = 1982? Esperamos que não, parte II

Lendário canadense Gilles Villeneuve: viu o companheiro Didier Pironi descumprir ordem da Ferrari - Foto: Divulgação

1989 – AYRTON SENNA X ALAIN PROST – MCLAREN – GP DE SAN MARINO EM ÍMOLA

A história de 1989 envolveu o brasileiro Ayrton Senna e o francês Alain Prost, também na McLaren e coincidentemente na mesma pista de Ímola em San Marino. Na corrida, Prost largou na pole e Senna em segundo e havia um acordo que, depois da largada, nenhum dos dois tentaria uma ultrapassagem nas primeiras voltas, somente quando a corrida já estivesse estabilizada. Mas na segunda volta Gerhard Berger bateu e pegou fogo na Tamburello (sim, a mesma), e a corrida foi interrompida. Na volta, Senna derespeitou o acordo de cavalheiros e ultrapassou Prost. Totalmente desnorteado, o francês fez uma corrida ridícula. Era o início de uma das mais violentas rivalidades da história da Fórmula-1, também dissecada em 2008: Os grandes duelos da F-1: Senna vs. Prost e este de 2007: Os brazucas não são santos… Senna vs. Prost

Senna descumpriu 'acordo de cavalheiros' contra Prost em 1989 - Foto: Marlboro Divulgação

Em estádio histórico, Croácia e Sérvia reabrem feridas de guerra e morte nas Eliminatórias

22 de março de 2013 0

Que seja um jogo de paz. Mas será difícil o ambiente não estar tenso no estádio Maksimir em Zagreb no primeirojogo em Eliminatórias entre as arquirrivais Croácia e Sérvia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014 às 14h desta sexta-feira sob os atentos olhares de 1.500 policiais em 36 mil torcedores croatas. E sérvios. Um jogo que evoca momentos dos mais tristes destes dois países, e ainda muito recentes. Marcas de horror e violência que ainda não foram apagadas. E talvez nunca serão.

Vice-líder do grupo ao lado da Bélgica, o time croata tem 10 pontos e pode virtualmente eliminar os sérvios caso vençam nesta tarde. O time sérvio, que disputou a última Copa do Mundo na África do Sul, vem de uma humilhante derrota em Belgrado para a Bélgica por 3×0, e de um fiasco contra a também rival Macedônia, 1×0 em Skopje.  Já os croatas venceram os últimos dois jogos sobre os macedônios (2×1 fora) e País de Gales (2×0 em Zagreb) e lutam pela classificação automática para o Mundial, garantida ao primeiro colocado de cada chave.

Porém um duelo entre croatas e sérvios, ainda mais neste estádio Maksimir, não envolve apenas o futebol. Unidos politicamente após a Segunda Guerra Mundial, estes dois países entraram em um sangrento conflito nos anos 90, a Guerra Civil da Iugoslávia. Vista como inevitável depois da queda do regime socialista e estava sendo ‘avisada’ em vários incidentes.

Um deles foi no futebol, exatamente no palco de hoje em Zagreb. A história deste jogo foi contada em uma das primeiras Séries do Almanaque Esportivo: “Futebol e Facistas – Uma relação antiga na Europa”, que trava sobre a relação entre facistas e torcidas organizadas na Iugoslávia, na Itália e na Inglaterra.

Em 13 de maio de 1990 um jogo entre o Dinamo Zagreb e o Crvena Zvedza (Estrela Vermelha) não ocorreu. Uma batalha campal no estádio Maksimir envolvendo as torcidas organizadas Bad Blue Boys (croatas) e Delije ( sérvios), braços políticos de movimentos ultranacionalistas de seus países, encerrou a partida.

O jogo ocorreu poucas semanas após uma eleição interna na Croácia que deu maioria no Parlamento a partidos que defendiam a independência. O clima de tensão era evidente. Quando o conflito explodiu no estádio após torcedores sérvios irem para cima dos croatas, uma extremamente permissiva polícia sérvia atacou sobretudo torcedores croatas, teoricamente em maioria no estádio.


No meio da confusão, alguns jogadores do Dínamo permaneceram em campo. Um deles era o craque Zvonimir Boban, capitão do Dínamo Zagreb. Ao ver policiais atacando covardemente um torcedor, Boban partiu para briga. Deu uma voadora no policial (bósnio, muçulmano) Refik Ahmetović. Seus companheiros agiram como guarda-costas protengendo Boban da reação da força policial.

Depois do jogo, Boban foi suspenso pela Federação Iugoslava por seis meses e ficou fora da Copa de 1990 na Itália, além de acusado criminalmente. Ele nunca cumpriu pena alguma e se tornou um ícone nacionalista em seu país. Meses depois, deixou a Croácia e se tornou um dos maiores jogadores do Milan nos anos 90 ao lado de, ironicamente, do sérvio Dejan Savicevic.

Sobre aquela triste tarde em Zagreb, Boban declarou: “Então eu estava lá, uma personalidade pública preparada para arriscar minha vida, carreira e toda a fama que eu havia conseguido. Tudo por um ideal, uma causa: a causa da Croácia”.

Zvonimir Boban - um herói nacional croata

O conflito que gerou centenas de feridos e durou cerca de uma hora, foi o estopim popular para protestos, levantes que culminariam com a declaração de independência da Croácia poucos meses depois. A Liga Iugoslava viu os times croatas e eslovenos desistirem depois daquela temporada.

Um ano depois, dia 18 de maio de 1991, o Dínamo Zagreb recebia de novo o Crvena Zvedza, já campeão, no mesmo estádio Maksimir. Já campeão e na final da Copa dos Campeões da Europa, o Crvenaera o franco favorito em um jogo que nada valia. Mas o presidente da Croácia, Franjo Tudjman estava no estádio e o clima era de extrema hostilidade aos sérvios. O capitão do Crvena, Robert Prosinecki (croata, aliás), reclamou para seu técnico, Ljupko Petrovic, que foi para cima do juiz.

Tempos depois,Petrovic deixou claro que o resultado do jogo foi arranjado: “Aquele jogo perdemos por razões políticas. Não teríamos como ganhar. Estávamos vencendo por 2×0, o juiz macedônio inventou um pênalti absurdo em Davor Suker e logo a seguir outro, gol, terminando 2×2 o primeiro tempo. No intervalo fui para cima do juiz e ele me disse discretamente: este jogo está marcado para uma vitória do Dínamo. O presidente croata está ali e não quer ver um time sérvio ganhando aqui, no meio de Zagreb, bem no momento que ele planeja declarar a independência da Croácia“. O Dínamo venceria por 3×2.

No dia seguinte, um plebiscito apontou 83% dos votos em prol da independência da Croácia. Dia 25 de junho os croatas se declararam independentes da República Federativa da Iugoslávia.

E a pior Guerra Civil em continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial começou.

Senhoras e senhores. O Stadion Maksimir em Zagreb hoje tem uma rica história.

Infelizmente de momentos mais tristes que alegres no futebol.

Que, quando misturado com a política e interesses hostis, sempre sai perdendo.

LEITURA COMPLEMENTAR:

- Iugoslávia: Futebol e fascistas: uma relação antiga na Iugoslávia

Gauchão 2013: a agonia dos estádios vazios em um modelo errado de busca do público

20 de março de 2013 3

Ingressos caros versus nível técnico baixo? O resultado é: estádios vazios, torcidas desinteressadas, pouca repercussão e nenhuma qualidade. Temos aí a fórmula para um dos Campeonatos Estaduais mais medíocres dos últimos anos: o Gauchão 2013.

Levantamento da média de público feito por Wendell Ferreira e publicado esta semana ZH Esportes escancarou a situação vergonhosa nos estádios do Gauchão. A média de público é simplesmente desastrosa, como pode ser vista na planilha a seguir:

Tabela com média de público dos principais estaduais: Gauchão é um fiasco - Arquivo Pessoal

As explicações de Francisco Novelletto dizendo que a falta de cerveja nos estádios, o excesso de jogos transmitidos, e de que as bilheterias não são mais uma grande fonte de renda dos clubes simplesmente não convencem. Primeiro porque os times do interior tem poucos jogos transmitidos. O preço mínimo do Gauchão de 30 reais é totalmente incompatível com estádios velhos, mal-cuidados e jogos de nível técnico baixo.
Existe uma distorção no modelo apresentado por Novelletto: com os preços abusivos, sem promoções, os clubes estão se isolando de suas comunidades. E, para o futebol do interior, isto é o mesmo que morrer e continuar andando por aí. Sem contar os habituais absurdos na montagem da tabela da competição, algo salientado aqui no Almanaque Esportivo anualmente desde 2008, que privam comunidades inteiras de assistir jogos alternados de Grêmio e Internacional.
O importante nesta análise é fazer a qualificação dos dados. Na tabela apresentada, fica escarrado o problema quando analisamos a média sem considerar os jogos dos times grandes. A média em MG e SP é quatro vezes maior que a do Gauchão. MG tem mais que o dobro, enquanto apenas o Rio está em situação pior. Por exemplo, o modestíssimo Camboriú, pior média do Catarinense, teria média de público melhor que sete times do Gauchão.
E as soluções estão dentro do próprio futebol gaúcho. Sem preços mínimos, a Segunda Divisão tem um envolvimento bem maior das comunidades. Promoções, acertos com as empresas locais, horários adequados às realidades das comunidades em jogos não televisionados. É tão fácil, mas é necessário coragem e assumir a responsabilidade dos fatos.
Sobre o calendário inchado: o site Toda Cancha já apresentou uma tentativa de evolução no atual Calendário, publicada aqui no Almanaque: Gauchão pode evoluir: uma proposta de mudança no calendário do estadual.
Em 2000, com oito times na época, o Campeonato Gaúcho foi um impressionante sucesso de público e renda. Com alguns ajustes (talvez 12 times e semifinais e finais em jogo único por turno), o Gauchão poderia se tornar uma competição importante para as comunidades do Interior.

Como disse o amigo tuiteiro Luiz Mosca no Twitter: “-Se o Presidente da FGF entende q o dinheiro do público nao é mais relevante para os clubes do que o da TV, ele esquece o porquê destes clubes existirem”.


Bem longe dos “Congressos Técnicos em Cruzeiros marítimos” da FGF
Dos  OMISSOS dirigentes do futebol do interior.
O futebol gaúcho dos times do interior agoniza cada vez mais…

Geral do Grêmio: Assentos retráteis utilizados na Alemanha podem resolver impasse na Arena

20 de março de 2013 15

Os assentos retráteis, uma solução utilizada em Dusseldorf, na Alemanha, pode resolver o complicado problema envolvendo o Grêmio, a OAS, o Ministério Público RS e o Corpo de Bombeiros. A exigência de cadeiras por parte dos Bombeiros vai de contra o interesse dos administradores da Arena do Grêmio, que querem manter espaços populares e, principalmente, contra a identidade da Geral do Grêmio, um clamor popular pela permanência de locais em pé naquele setor.

Irritado com a falta de diálogo entre as partes envolvidas, pesquisei na internet e achei esta solução, que não foi implementada há muito tempo na Europa, é bem recente. A Espirit Arena em Dusseldorf, casa do Fortuna, tem 51 mil lugares e foi construída para a Copa do Mundo de 2006 e já está utilizando a solução tanto na área “popular” quanto na torcida visitante. Isto porque o assento retraído seria útil para evitar a depredação da torcida visitante, não ficando exposto.

Produzidos em metal, o assento retrátil, chamado de VARIO SEAT, ‘se esconde’ no degrau da arquibancada. Mais importante: atende os padrões da FIFA e UEFA, que exige locais sentados. Ou seja: ele atende o princípio básico do ‘safe-standing’ (torcer em segurança),introduzido no futebol europeu através do Relatório Taylor, na Inglaterra no início dos anos 90 pelo Lorde Taylor of Gosforth. Por exemplo, se isto já estivesse sendo utilizado em um jogo da Libertadores do Grêmio em uma quinta-feira, em poucas horas se tornaria padrão da FIFA para o amistoso da Seleção Brasileira contra a França, que irá ocorrer em junho.

Assento retrátil: ninguém consegue ver que ele existe - http://www.varioseat.com.br/

Aberta a cadeira, atende os padrões da FIFA

O assento retrátil também poderia ser utilizado em outro clamor do RS: na área da Popular do Inter. Prevista em sua totalidade por cadeiras para a Copa do Mundo de 2014, ontem mesmo o presidente Giovanni Luigi falou em buscar alternativas, com preços mais populares, para a torcida Colorada depois do Mundial.

Michael Owen anuncia aposentadoria: aquele que foi sem nunca ter sido

19 de março de 2013 0

O atacante inglês Michael Owen anunciou hoje sua precoce aposentadoria, aos 33 anos,. O garoto-prodígio, que aos 17 anos já era convocado e estrela da Seleção Inglesa, não aguentou a série de lesões que arrasaram com sua carreira especialmente nos últimos 8 anos.  Lenda do Liverpool, Owen estava jogando no Stoke City e vai parar em maio, ao término do Campeonato Inglês.

Pela Inglaterra, Owen marcou 40 gols em 89 jogos, se tornando o 4º maior artilheiro da história do selecionado. Ele disputou as Copas do Mundo de 1998 (quando foi eleito a revelação do torneio), 2002 e 2006, e também as Eurocopas de 2000 e 2004.

Michael Owen, camisa 10, comemorando um dos seus últimos gols pela Inglaterra em 2008 - Foto: Alastair Grant/AP

Michael Owen estreou em maio de 1997, quando tinha apenas 17 anos. Nos dois anos seguintes, foi o artilheiro do Campeonato Inglês pelo Liverpool e se tornou estrela da Copa do Mundo da França com apenas 18 anos, marcando dois gols. Na ocasião, marcou um dos gols mais bonitos da competição, no derradeiro jogo inglês contra a Argentina pelas oitavas-de-final em Nantes:

De volta ao Liverpool, Owen se tornou um dos principais atacantes do planeta. Sua média de gols é das melhores: 297 jogos, 158 gols. Seu grande momento foi em 2001, quando foi campeão da Copa da Inglaterra, da Copa da Liga Inglesa e da Copa da UEFA, em uma antológica final contra o espanhol Alavés:

Depois de sete temporadas, em 2005, Owen se tornou um dos jogadores mais caros do planeta ao se transferir para os “Galáticos” do Real Madrid. Lá, claramente não se adaptou ao clube e teve uma certa má-vontade da torcida e imprensa. Ainda assim marcou 13 gols e se tornou o jogador com melhor relação entre gols e minutos jogados da Liga.

De volta à Inglaterra, se tornou o jogador mais caro da história do Newcastle. Depois de um ano parado por lesão (ocorrida durante o Mundial 2006 e que causou uma surpreendente indenização de 11 milhões de libras para o Newcastle), marcou muitos gols no time de Tyneside antes de começar a sentir lesões recorrentes. Sem contrato renovado, assinou um compromisso de risco e foi para o Manchester United, arquirrival histórico do Liverpool. Jogou eventualmente, as lesões aumentaram e em 2012 foi para o Stoke City aonde tem jogado muito pouco.

Ficamos com o tributo a Michael Owen: aquele que foi sem nunca ter sido:

Totti faz jogadaça de calcanhar e se torna 2º maior artilheiro da história do Italiano

17 de março de 2013 1

O craque italiano Francesco Totti foi o grande protagonista na vitória de 2×0 da Roma sobre o Parma neste domingo pelo Campeonato Italiano. “Il Capitano”, maior jogador da história da Roma, fez uma jogada de cinema no primeiro tempo e ainda marcou, já na etapa complementar, o segundo gol da partida.

Francesco Totti em 2008 comemorando um gol - Foto: Maurizio Brambatti, EFE

Primeiro o lance de pura categoria, usando uma de suas especialidades: o calcanhar. Armando um contra-ataque, Totti fez simplesmente isto:

Há alguns anos, em um treinamento, de brincadeira, Totti fez este ‘gol’ em uma cobrança de pênalti:

Mais do que isto, com o tento assinalado, Totti chegou aos 226 e se tornou o segundo maior artilheiro da história da Série A, atrás apenas da lenda Silvio Piola, que marcou 274 gols nos anos 30 e 40. O falecido sueco Gunnar Nordahl, que jogou também na Roma e ainda no Milan nos anos 50, estava empatado com ele até este gol:

Totti só jogou pela Roma desde que estreou no futebol em 1993, são 20 temporadas. É o jogador que mais atuou pela Roma (668 jogos), maior número de gols (281), capitão do time há quase 15 anos e jogador da Roma que mais foi convocado para a Seleção Italiana. Preciso dizer mais alguma coisa?

Il Capitano!

TÚNEL DO TEMPO: Jogador é consolado por sua filha após ser rebaixado na Holanda

15 de março de 2013 1

O meia holandês Rogier Meijer é jogador do De Graafschap, modesto time da segunda divisão holandesa e protagonizou uma cena tocante com sua filha Saar ano passado. Na temporada passada, o De Graafschap  ficou em 17º lugar na temporada regular do Campeonato Holandês, 1º divisão, e teve que disputar os playoffs contra o rebaixamento.

Meijer sendo consolado por Saar - Foto: www.ad.nl

Após um 0×0 fora de casa contra o Den Bosch e um 1×1 no jogo de volta no estádio De Vijvergberg em Doetinchem, o time foi rebaixado para a Segundona.  Neste dia, Rogier, um atleta que só defendeu profissionalmente os Superboeren, caiu desolado no gramado. Então, Saar entrou em campo, foi para perto de seu pai e esta bela cena aconteceu:

Brasileiros na Libertadores - Confiram os principais recordes

14 de março de 2013 1

Não tem sido lá grandiosa a participação brasileira até o momento na Copa Libertadores 2013. O único invicto é o Atlético-MG, e times como São Paulo e Palmeiras fazem campanhas tenebrosas. Porém historicamente os números são bem melhores.

Selecionei os nove brasileiros campeões da Libertadores (pela ordem de títulos: Santos, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, São Paulo, Vasco, Palmeiras, Internacional e Corinthians) e tirei alguns números interessantes. Vamos à eles (dados atualizados até o início da Libertadores 2013, exclusive)?

O São Paulo, tricampeão e tri-vice campeão, é o recordista em jogos e vitórias, mas cabe ao Palmeiras o maior número de gols pelos brasileiros. O melhor aproveitamento é do Cruzeiro, e o pior é do Vasco da Gama. Campeão invicto, o Corinthians tem a maior sequência sem derrotas: 16 partidas, na última edição. Já o Vasco tem o recorde negativo: 10 jogos sem vencer nas edições de 1985 e 1990, consecutivamente.

Os dados completos estão nesta planilha do Excel, compartilhada no Google Drive

  • Maior número de títulos: São Paulo e Santos, 3 títulos cada
  • Maior número de participações entre os campeões: São Paulo, 15 disputas
  • Menor número de participações entre os campeões: Vasco da Gama, 8 disputas
  • Maior número de jogos: São Paulo, 149 jogos
  • Maior número de vitórias: São Paulo, 77 vitórias
  • Maior número de gols: Palmeiras, 255 gols
  • Melhor aproveitamento entre os brasileiros campeões: Cruzeiro, 65%
  • Pior aproveitamento entre os brasileiros campeões: Vasco da Gama, 51%
  • Maior goleada: Santos 9×1 Cerro Porteño, 1962
  • Pior derrota: Santos 0×5 Flamengo, 1984 e Grêmio 5×0 Palmeiras, 1995

Fiz um levantamento também envolvendo os confrontos nacionais: ou seja contra que países cada time brasileiro campeão da Libertadores já atuou na história. Entraram as 10 Federações da CONMEBOL mais o México, que participa desde 1998.

O Inter jamais enfrentou times chilenos, enquanto o Corinthians nunca jogou contra peruanos. Já o Vasco da Gama não enfrentou times bolivianos. O Grêmio é o único a perder para todos os países. O Inter só se escapa pois nunca perdeu para bolivianos.

Confrontos dos brasileiros campeões versus adversários por países - Arquivo Pessoal

N.C.I.S, 2º Guerra Mundial e Futebol Americano - O que estes universos tem em comum?

13 de março de 2013 2

O seriado criminal N.C.I.S. é líder isolado de audiência nas noites da televisão norte-americana (e uma das minhas séries preferidas hoje em dia). Em sua décima temporada, o grupo de oficiais da Marinha que investiga crimes e protagoniza cenas de ação, arrebata em média 20 milhões de espectadores semanalmente, e já está garantida para o próximo ano. E N.C.I.S. tem muito a ver com futebol americano e a Segunda Guerra Mundial. Mas hein? Esta será a história que vamos contar agora…

Mark Harmon, protagonista do seriado NCIS e ex-quarterback - Foto: www.imdb.org

Buenas, a relação é justamente com seu principal personagem Leroy Jethro Gibbs, papel de Mark Harmon na série. Depois de brilhar no colegial, Harmon foi draftado pela UCLA, a tradicional Universidade da Califórnia, para jogar futebol americano universitário. Pelo UCLA Bruins, Mark jogou por duas temporadas como quarterback titular, com algumas vitórias históricas, sobretudo contra o campeão da NCAA Nebraska em 1972. Seu retrospecto foi de 17 vitórias e apenas 5 derrotas, recebendo ainda prêmios pelo desempenho esportivo ao final dos três anos de universidade. Porém Harmon não se tornou um atleta profissional, se tornando ator após se formar em Comunicação no ano de 1974.

Começou com uma boa carreira nos anos 70, com ótimas participações em seriados e minisséries. Nos anos 80, um filme de relativo sucesso (“Curso de Verão”, uma comédia clássica da “Sessão da Tarde”) e outros papéis de destaque dramático, como o serial-killer Ted Bundy no telefilme “The Deliberate Stranger“, quando foi nominado ao Globo de Ouro como melhor ator.

Nos anos 90, sua carreira estacionou até que foi escolhido para o papel de Leroy Gibbs, primeiro em uma ponta no também popular seriado militar J.A.G.’s e depois como ator principal em N.C.I.S. Desde então é um dos ícones da televisão norte-americana. Mas a história envolvendo o futebol americano não termina aqui...

Isto porque Mark é filho de Tom Harmon, lendário atleta de futebol americano e herói dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Tom Harmon foi o recordista de pontos nas temporadas de 1939 e 1940 jogando como halfback e kicker. Neste ano, foi eleito merecedor do “Heisman Trophy” como o melhor jogador universitário de futebol americano daquela temporada.

No jogo final de sua carreira universitária, uma vitória de 40-0 do Michigan Wolverines sobre o rival Ohio State, Harmon teve uma atuação memorável: dois touchdown aéreos, três touchdowns correndo, três interceptações , quatro pontos extras e três punts (todos de média de 50 jardas). Ao final do jogo, Tom Harmon foi ovacionado pela torcida adversária, algo jamais repetido para um jogador de Michigan.

Tom Harmon, pai de Mark com sua lendária camisa 98 no Michigan Wolverines - Foto: Heisman Trophy

Para vocês terem a idéia do impacto de Tom Harmon, sua camisa 98 no Michigan Wolverines foi aposentada, ninguém nunca mais utilizou a mesma! Além disto, ele foi a escolha número 1 do Draft da NFL, chamado pelo Chicago Bears. Porém Harmon optou por jogar pela AFL, então a liga rival da NFL (ambas seriam fundidas na década de 60 e formariam o que chamamos hoje de NFL, com Super Bowl e tudo o mais), e escolheu atuar pelo New York Americans.

E então ocorreu Pearl Harbor

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, Tom Harmon se alistou na Força Aérea no final de 1941. Logo depois, em 1943, seu avião caiu após uma tempestade e ele foi o único sobrevivente, ficando três dias perdido na selva amazônica, no território da então Guiana Holandesa (hoje Suriname). Resgatado, deixou os bombardeiros e virou piloto de caça,  transferido para o Pacífico. Lutou com extrema bravura contra as tropas japonesas pelo 449º Esquadrão de Caças , recebendo duas condecorações militares: a “Silver Star” e a “Purple Heart” por seus esforços de guerra.

Tom Harmon na Força Aérea dos Estados Unidos - Piloto condecorado

Após o final da Guerra em 1945, Harmon casou com Elyse Knox, atriz famosa da época, e foi jogar no Los Angeles Raiders por duas temporadas na NFL. Porém seus ferimentos de guerra (a medalha “Purple Heart” é concedida a quem morreu ou sofreu ferimentos graves em batalha) impediram sua carreira como era previsto antes da Segunda Guerra Mundial. Precocemente, Tom largou o esporte e se tornou um comunicador.

Tom Harmon, então atleta, era personalidade norte-americana nos tempos de Guerra - Capa da revista Life em novembro de 1943

Como jornalista, Harmon foi comentarista e narrador esportivo. Depois de rapidamente crescer na profissão, narrou jogos do Los Angeles Raiders na NFL por décadas pela CBS, até sua aposentadoria. Em 1990, Tom Harmon morreu de ataque cardíaco aos 70 anos.

Ao contrário do esperado, Mark não se tornou um grande jogador de futebol americano.

Mas sua carreira na televisão chegou a um patamar inesperado.

Não, Harmon não levou um Heisman Trophy, como esperava-se nos anos 70.

Mas certamente, aonde estiver, seu pai deve estar contente com a vida que levou.

O jovem Mark e um já veterano Tom Harmon nos anos 70, citando a possibilidade de um novo Heisman Trophy na família