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Posts de abril 2013

A 'touca' virou: Juventude virou carrasco do Grêmio e freguês do Inter nos últimos 5 anos

29 de abril de 2013 21

A decisão do próximo domingo entre Internacional e Juventude, que vale o título da Taça Farroupilha, também vale o título do Gauchão antecipadamente para o time de Porto Alegre. E talvez consagrar de vez a mudança que ocorreu nos últimos cinco anos, quando o Juventude não assusta mais o Inter e tem atormentado a vida do Grêmio. Mais um capítulo no último sábado, quando o Grêmio foi eliminado do Gauchão pelo time de Caxias do Sul nas penalidades. Uma mudança do que víamos até pouco tempo atrás…

Tudo começou nos anos 90. Qualquer jogo entre Internacional e Juventude era cercado de muita expectativa. O “Juve-Nal” era quase sempre um dos jogos mais importantes. A derrota na final do Gauchão de 1998 e, principalmente, a humilhação na semifinal da Copa do Brasil de 1999, além de outras derrotas nas competições geraram uma rivalidade acirrada. Com o Grêmio, parecia o oposto: além do Juventude ter perdido todas as finais para o Tricolor (Gauchões de 1996, 2001 e 2007), ainda foi eliminado diversas vezes, inclusive de mata-matas do Brasileirão no qual tinha vantagem do mando de campo (2002).

Porém os últimos 5 anos mostram uma mudança significativa nos resultados. Tudo começou com as quartas-de-final do Gauchão daquela temporada. O Grêmio foi eliminado pelo Juventude em pleno Olímpíco, depois de vencer fora de casa no Alfredo Jaconi. Naquele mesmo ano, o Inter enfiou assombrosos 8×1 no mesmo Juventude e foi campeão estadual. Deste momento em diante, o Grêmio tem mais derrotas que vitórias contra o Juventude, e o Inter não perdeu mais. Desde aquela calorenta tarde de domingo em maio, quando o centroavante Mendes arrasou o time treinado por Celso Roth em um Olímpico lotado, esta rivalidade mudou de lado.

Jogo da virada: Grêmio 2×3 Juventude, quartas-de-final Gauchão 2008 – Grêmio eliminado

2009
Grêmio 2×0 Juventude
Grêmio 2×0 Juventude – Juventude eliminado 1º turno
2010
Juventude 1×2 Grêmio
2011
Juventude 3×2 Grêmio
2012
Juventude 2×1 Grêmio
2013
Juventude 2×1 Grêmio
Juventude (5)1×1(4) Grêmio – Grêmio eliminado do 2º turno e do Gauchão.
TOTAL: 8J, 3V Grêmio, 4V Juventude, 1E, 13 gols Grêmio, 12 gols Juventude

No mesmo período, o Internacional brilhou contra o Juventude e acabou com a sina de “touca”. O Colorado vinha de três derrotas seguidas para o Juventude no Gauchão daquele ano: 1×0 no Beira-Rio, 3×0 em Caxias e 1×0 no Alfredo Jaconi, partida de ida das finais do Gauchão daquele ano. Em uma atuação épica, o Colorado enfiou 8×1 no Juventude, 4 gols em cada tempo e com direito a gol do goleiro Clemer no finalzinho da partida. De lá para cá, nenhuma derrota e apenas um único empate. O Juventude foi eliminado em dois mata-matas.

Jogo da virada: Internacional 8×1 Juventude, finalíssima Gauchão 2008 – Inter campeão

2009
Juventude 3×3 Internacional

2010
Internacional 5×0 Juventude
Internacional 2×0 Juventude – Juventude eliminado 1º turno

2011
Internacional 3×1 Juventude
Juventude 1×2 Internacional – Juventude eliminado 2º turno e do Gauchão.

2012
Internacional 7×0 Juventude

2013
Internacional 4×1 Juventude
TOTAL: 9J, 8V Inter, 1E, 34 Gols Inter, 7 gols Juventude

Terceira Divisão Inglesa tem final histórico: pênalti perdido, gol de contra-ataque!

28 de abril de 2013 3

O Doncaster Rovers se sagrou campeão da League One, a Terceira Divisão Inglesa, de maneira inacreditável neste sábado. O time chegou na rodada em segundo lugar, atuando fora de casa contra o Brentford no centenário Griffin Park em Londres. O time do norte da Inglaterra estava na iminência de perder a promoção automática (garantida aos dois primeiros colocados da divisão) em uma cobrança de pênalti contra seu adversário direto. Era só Marcello Trotta converter o pênalti marcado já nos segundos finais da partida.

O jovem atacante italiano, emprestado pelo Fulham e de apenas 20 anos, resolveu assumir uma responsabilidade que não era sua, “se consagrar”. Mas deu tudo errado: Trotta chutou no travessão e, com um gol no contra-ataque do lance,  James Coppinger aproveitou o atônito Brentford e marcou para os Rovers, dando a vitória por 1×0 e o título para o time de Yorkshire.  A sequência, de pouco menos de um minuto, é desesperadora:

Para entender melhor, vejam a situação antes do jogo:

  1. Bournemouth- 82 pontos – Promovido à Segunda Divisão matematicamente
  2. Doncaster Rovers – 81 pontos – Promovido à Segunda Divisão
  3. Brentford  - 79 pontos – Nos playoffs entre o 3º e o 6º colocados, valendo uma vaga na Segunda Divisão

Se a cobrança fosse convertida por Marcelo Trotta:

  1. Bournemouth - 83 pontos  - Promovido à Segunda Divisão
  2. Brentford – 82 pontos – Promovido à Segunda Divisão
  3. Doncaster Rovers – 81 pontos – Nos playoffs entre o 3º e o 6º colocados, valendo uma vaga na Segunda Divisão

Como ficou no final, com o gol no contra-ataque:

  1. Doncaster Rovers – 84 pontos – Campeão e promovido à Segunda Divisão
  2. Bournemouth – 83 pontos – Vice-Campeão e promovido à Segunda Divisão
  3. Brentford – 79 pontos – Nos playoffs entre o 3º e o 6º colocados, valendo uma vaga na Segunda DivisãoIsto obviamente me lembrou os instantes a seguir da cobrança de Ademar defendida por Galatto, até o gol de Anderson que deu o título da Série B para o Grêmio (se o jogo terminasse em empate, o Grêmio subia mas o título iria para o Santa Cruz).

DIA DO GOLEIRO: Parabéns para meus ídolos Taffarel, Schmeichel e Van der Sar

26 de abril de 2013 6

Hoje, 26 de abril é o “Dia do Goleiro” aqui no futebol brasileiro. A data foi escolhida para comemorar o aniversário do histórico goleiro Manga, nascido em 26 de abril de 1937. E o Almanaque Esportivo fará uma homenagem aos seus três ídolos de infância: Taffarel, o dinamarquês Peter Schmeichel e o holandês Edwin van der Sar.

Dia do Goleiro em homenagem à "Manguita Fenômeno" - Foto: Genaro Joner / Agencia RBS

  • TAFFAREL – BRASIL – INTERNACIONAL, PARMA, REGGIANA, ATLÉTICO-MG, GALATASARAY

Difícil falar sobre o jogador mais importante em minha vida como torcedor de futebol. Taffarel é especial para mim. Um goleiro que nunca foi muito alto, mas sempre se posicionou de maneira espetacular, com uma inteligência e firmeza indiscutível.

Depois de se tornar o primeiro goleiro brasileiro com status de estrela no futebol mundial, virou ídolo em quase todos os times que passou. Na Seleção Brasileira é uma lenda. Então, fica minha homenagem com dois vídeos, cenas raras de defesas pouco lembradas:

E as mais clássicas:

  • PETER SCHMEICHEL – DINAMARCA – GLADSAXE-HERO, HVIDOVRE – MANCHESTER UNITED – SPORTING LISBOA – ASTON VILLA – MANCHESTER CITY

Peter Schmeichel me chamou a atenção no inverno de 1992. Com atuações assombrosas pela Dinamarca, me fez procurar saber que time ele atuava e mais detalhes sobre o atleta. Dali iniciou-se uma relação de 20 anos com o Manchester United, mas hoje o assunto é Schmeichel. Gigantesco, o dinamarquês era um líder dentro e fora de campo, mas sua suprema técnica e a explosão muscular eram imbatíveis. Com uma firmeza impressionante, se tornou um dos maiores goleiros da história do futebol mundial. Vejam grandes momentos de Peter, The Dane.

EDWIN VAN DER SAR – AJAX – JUVENTUS – FULHAM – MANCHESTER UNITED

O goleiro Edwin van der Sar é um misto das duas lendas anteriores. Gigante como Schmeichel, ágil como Taffarel. Um goleiro que aos 40 anos estava em plena forma, com atuações espetaculares por um dos maiores times do mundo. Ícone do Ajax, se tornou quase ao final de carreira um dos mais brilhantes jogadores recentes do Manchester United.

Grandes defesas de Van der Sar até chegar ao Manchester United:

E sua fase gloriosa em Old Trafford:

"The Footbonaut": base do Borussia Dortmund usa gramado+robô para treinamentos

24 de abril de 2013 2

Não consigo descrever bem isto o que é o”The Footbonaut”. Uma máquina que está sendo utilizada desde novembro pelo Borussia Dortmund para aperfeiçoamento dos times de base no domínio e conclusão.  O jogador fica no meio de um gramado, cercado por uma parede que “lança bolas” e sinaliza, com cores, aonde o jogador deve chutar.

The Footbonaut - Espetacular equipamento para treinamentos usado pelo B. Dortmund - Divulgação

Em 360° e com 64 possíveis ‘alvos’, o treinamento tem um resultado formidável. E, com os dados recolhidos, a carga de fundamento e treinos é adequado de acordo com as dificuldades do atleta. Eu simplesmente não tenho como descrever melhor, apenas vejam:

LEIA TAMBÉM

  • Revolução Alemã, Parte I: O declínio, as causas e o ‘divisor de águas’ para a retomada
  • Revolução Alemã, Parte II: A revolução técnica nas divisões de base e esquema de jogo
  • Revolução Alemã, Parte III: O modelo comercial de sucesso da Bundesliga, focado na classe média
  • Revolução Alemã, Parte IV: Aonde patinam as Ligas da Inglaterra, Espanha e Itália
  • Revolução Alemã, Parte V: O futuro do futebol alemão e lições a serem aprendidas pelo Brasil
  • Campeão Inglês, Evra lembra desafeto Suarez e "come" um braço de plástico!

    22 de abril de 2013 0

    E tivemos outra cena bizarra hoje no jogo do título do Campeonato Inglês! O Manchester United se sagrou campeão inglês pela 20º vez nesta segunda-feira ao golear o Aston Villa por 3×0, três gols de Robin Van Persie.  Foi o 38º título de Sir Alex Ferguson no comando do time, ele que senta na casamata desde 1986. Foi o 13º título inglês do galês Ryan Giggs, que aos 38 anos iguala o número de troféus do rival Arsenal na competição.

    Mas quem roubou a cena foi o francês Patrice Evra, lateral-esquerdo titular do time.Um torcedor jogou um braço de plástico amputado para o gramado e ele fingiu que estava comendo. Foi uma ironia direta para o atacante uruguaio Luis Suarez, que ontem mordeu o sérvio Branislav Ivanovic no jogo Liverpool 2×2 Chelsea.

    Patrice Evra "comendo" um braço e mandando BEJO para Suarez - Reprodução TV

    O fato é ainda mais significativo em relação à Evra pois ele se envolveu em 2012 em um incidente ainda mais controverso. Evra acusou Suarez de racismo após um jogo contra o Liverpool ainda no primeiro turno da temporada 2011/12. No jogo do returno, depois de panos quentes por parte das duas diretorias, Evra estendeu a mão no protocolar cumprimento antes do jogo e foi esnobado por Suarez, deixando furiosa a diretoria do Liverpool com o polêmico atacante uruguaio, que havia prometido ser cortês com o adversário.

    Por causa do incidente deste domingo, Suarez deve ficar afastado até o final da temporada, perdendo a artilharia do Inglês justamente para o holandês Van Persie, que hoje passou para 24 gols contra 23 do atacante sul-americano.

    Na Ucrânia, Cleiton Xavier faz dois gols sensacionais em uma semana: um deles do meio-campo!

    21 de abril de 2013 0

    Que semana para o meia brasileiro Cleiton Xavier, do Metalist Kharkiv! Em menos de uma semana, o ex-jogador do Internacional, Figueirense e Palmeiras marcou dois golaços no Campeonato Ucraniano. O primeiro foi no último domingo, quando o Metallist venceu o Vorskla Poltava por 4×1. No quarto gol, Cleiton Xavier bateu uma falta, a bola ficou na barreira e, de sem pulo, o brazuca meteu uma patada:

    Bacana, né? Que nada, hoje Cleiton Xavier se superou: o time dele perdia por 1×0 para o Chornomorets Odessa em casa. Ao perceber que o time visitante demorou demais para se posicionar após comemorar o gol, Xavier chutou direto na saída de bola no meio-campo:

    O gol ajudou a manter o Metallist em segundo lugar com 55 pontos no Campeonato Ucraniano, léguas do líder e virtual campeão Shakthar Donetsk, com 70, mas dois à frente do Dínamo Kiev, em 3º lugar. Faltam apenas cinco rodadas para o término da competição.

    Revolução Alemã, Parte V (final): O futuro do futebol alemão e lições a serem aprendidas pelo Brasil

    19 de abril de 2013 8

    Ao longo desta semana, o Almanaque Esportivo fez uma profunda análise de tudo que ocorreu na Alemanha nos últimos quinze anos. De como o futebol alemão chegou ao fundo do poço (para os rigorosos padrões germânicos). E a maneira pela qual conseguiu se reerguer do atoleiro: planejamento, organização, investimentos corretos e disciplina financeira.

    Muitas dos problemas e das soluções apresentadas ao longo desta semana são perfeitamente factíveis de serem implementadas no Brasil, salvo as habituais diferenças culturais e econômicas entre os dois países. Podemos avaliar em três grandes grupos: formação de atletas, alterações estruturais no plano de jogo e modelo financeiro dos clubes.

    • CATEGORIAS DE BASE

    Esta talvez seja a parte mais fácil de ser implementada no futebol brasileiro, mas a que requer mais seriedade e organização. A CBF, federação mais rica e rentável do planeta, tem totais condições financeiras de bancar centros de treinamentos espalhados em todo o Brasil. A questão é a falta de interesse da entidade em reduzir os lucros em prol do desenvolvimento do esporte. Sem contar a falta de transparência da gestão anterior de Ricardo Teixeira e da atual, do ainda mais contestado José Maria Marín.

    Ao contrário da entidade máxima do futebol brasileiro, preocupada apenas em faturar com a Seleção, os clubes estão muito mais avançados na formação de atletas. Muitos times fazem investimentos pesados em categorias de base, com despesas e estruturas de gigantes europeus. É o caso da dupla Gre-Nal, Cruzeiro, Atlético-MG, São Paulo, Santos e o Fluminense.

    O problema é no aspecto técnico dos treinamentos. O foco nas categorias de base é na obtenção de títulos e a parte física é beneficiada por esta avaliação. Jogadores fisicamente privilegiados se destacam contra adversários ainda em formação física. Esquema táticos focados na vitória e não na construção correta do perfil técnico do atleta são priorizados.

    O resultado é bastante insatisfatório porque, excetuando-se os jogadores diferenciados de praxe, os atletas chegam ao profissional com deficiências severas em fundamentos básicos, como passe, cruzamento, conclusões ou cabeceio. Uma reformulação no modelo técnico das categorias de base deve ser estudado, adaptado à realidade brasileira, e executado individualmente pelo menos entre os grandes clubes do país.

    O curioso é que esta interessante fonte de renda para clubes com torcidas tradicionais em mercados consumidores mais restritos, como times de capitais nordestinas ou de estados como Pará e Goiás, investem muito pouco em algo que poderia ser a salvação financeira dos mesmos. O comparativo é válido com clubes portugueses como Porto, Benfica, e holandeses como Ajax e PSV, de mercados bem menores na Europa mas que conseguem equilibrar confrontos muitas vezes com um trabalho de excelência na formação de jogadores e prospecção de talentos.

    • REVISÃO DE CONCEITOS TÁTICOS DO FUTEBOL NACIONAL

    A discussão neste ponto é mais ampla. Há muito tempo não vemos um time brasileiro com uma solução tática original, jogando de um jeito diferente. Existe uma uniformidade de esquemas táticos, e os resultados se baseiam apenas na diferenças individuais dos elencos e no moral (estado anímico) de cada equipe.

    Os clubes brasileiros não possuem uma “filosofia de futebol” alinhada com o histórico de cada equipe, implementado desde as categorias de base. Falta um trabalho de longo prazo, que transcenderia o mandato dos presidentes eleitos das equipes brasileiras e estaria no DNA de cada time.

    A média geral dos treinadores nos grandes times brasileiros ganha muito e está totalmente parada no tempo, repetindo trabalhos insatisfatórios e pulando de um clube para outros. Novos nomes no cenário nacional demoram demais para se afirmar. Com salários dos maiores do mundo, a Série A do Brasileirão hoje expõe treinadores limitados, com soluções táticas ultrapassadas e que habitualmente sofrem em confrontos contra adversários de outros países da América do Sul, com poder econômico bastante inferior ao do Brasil.

    A sistemática de treinos nos grandes clubes brasileiros é uma repetição de movimentações sem maior profundidade, focados em individualidades contra um trabalho em conjunto. A eterna insistência em “definição dos onze titulares”, do “treino alemão” (uma ironia hoje em dia) resulta em um desgaste físico do grupo principal, além da ausência de alternativas táticas.

    Mario Gotze, da nova geração alemã, passa pelo brasileiro Júlio César em amistoso de 2012 – Foto: Michael Probst AP

    Quando pressionados, os principais treinadores “escapam pela direita”, como o multicampeão Muricy Ramalho. Depois de escalar, pela primeira vez no ano, um esquema com três zagueiros justamente contra o Barcelona na final do Mundial, e ser impiedosamente surrado, Muricy ainda teve a audácia de dizer em 2013: “No Barcelona eles não levam muito a sério a parte tática”Oi?

    • REFORMULAÇÃO DA MATRIZ DE RECEITAS DOS CLUBES BRASILEIROS

    Hoje os times brasileiros sobrevivem das cotas de televisionamento. Mesmo que alguns, como Internacional e Grêmio, consigam receitas expressivas em seus quadros sociais, os estádios são fontes de despesas, não de receitas. O futebol brasileiro ainda não está pronto para uma presença de torcedores independentemente da fase do time, como vemos sistematicamente no Newcastle, Sunderland, Southampton e outros times médios. Afinal, o brasileiro só vai ao campo quando seu time está ganhando ou quase sendo rebaixado.

    Sem esta fidelidade ainda impregnada no futebol brasileiro, o preço do espetáculo deve ser proporcional ao interesse do torcedor. Ao nível da competição. Ao poder aquisitivo do mercado envolvido. Para definições como estas, existem dois modelos financeiros: o inglês, com ingressos elitizados e que possuem demanda nos grandes clubes. E o alemão, intensamente discutido na última quarta-feira, focado na ocupação plena dos estádios.

    Em decisões incompreensíveis de dirigentes de clubes e federações, ou atendendo à interesses das redes de TV, os preços mínimos dos jogos dos campeonatos inclusive competições menores como os Estaduais, estão muito acima de qualquer bom senso. É mais barato você assistir Borussia Dortmund x Bayern de Munique pelo Campeonato Alemão que ver Internacional x Esportivo pelo Gauchão. Isto simplesmente é inaceitável!

    Com dezenas de milhões de pessoas entrando na emergente classe média brasileira, os times de futebol do país deveriam estar focando seus esforços neste público-alvo. Fidelizando um número maior de pessoas nos estádios, com uma taxa de ocupação bem superior à atual, aumenta a exibição dos patrocinadores aumenta neste mercado,pois a exposição de mídia da marca em um jogo com casa cheia é infinitamente maior que a de um estádio vazio.

    O consumo no estádio aumenta, o número de famílias presentes aumenta. Um ciclo virtuoso de receitas.

    A torcida é a razão de existir de todo e qualquer clube. Mais do que títulos, ídolos, estádios, dinheiro. Sem ela, o clube perde sua alma.

    O futebol brasileiro precisa recuperar-se. Existem caminhos. E

    O difícil é reconhecer os problemas e passar a trilhar, com paciência, planejamento e determinação.

    Boa sorte, Brasil.

    E parabéns, Alemanha.

    Revolução Alemã, Parte IV: aonde patinam as Ligas da Inglaterra, Espanha e Itália

    18 de abril de 2013 2

    A Liga Alemã já foi o “patinho feio” dos grandes países europeus. Com gramados ruins, estádios piores e poucos craques, a Bundesliga estava muito longe de seus pares ingleses, alemães e espanhóis. Hoje é a segunda liga mais badalada da Europa, com regras atrativas de divisão de cotas de TV e premiações esportivas. O equilíbrio técnico é muito maior que nos gramados espanhóis, a situação técnica e financeira é bem superior à italiana. Por fim, a transparência da origem dos recursos é melhor que a inglesa.

    Se dentro de campo, os grandes craques ainda estão na Inglaterra na milionária Premier League, a distância para a Bundesliga reduziu-se drasticamente. Os mercados consumidores dos países em desenvolvimento já assistem mais o futebol alemão. Vamos avaliar hoje as causas desta mudança radical e a comparação com os demais, sempre traçando um paralelo entre o modelo econômico (já discutido na parte III) e aspectos técnicos/táticos (avaliados na parte II deste estudo).

    • ESPANHA

    O futebol espanhol e sua “La Liga” vivem um momento perigoso. Barcelona e Real Madrid hoje possuem 50% da receita de TV , existindo um profundo abismo entre eles e os demais. O economista espanhol José María Gay de Liébana comentou recentemente que o modelo está fracassado, citando o fato de que em 2011 os times espanhóis gastaram 200 milhões de euros a mais do que arrecadaram. Algo ainda mais dramático avaliando-se a profunda crise econômica do país, que afeta a média de público, a situação financeira dos clubes, patrocinadores e o valor dos direitos de televisionamento.

    Crise econômica na Espanha afeta o futebol – Foto: Andres Kudacki / AP

    Na Espanha os horários de televisão são esdrúxulos (lembra algum lugar?) e os preços mínimos são abusivos: o ingresso mais barato na Espanha é de 25 euros. E isto que o modelo espanhol tem três preços: “normal”, “clássicos locais” e “contra Barcelona e Real Madrid”. Os estádios espanhóis, em sua maioria, são péssimos e incompatíveis com os valores apresentados. E o valor ínfimo do pay-per-view de 15 euros (lembra algum lugar, parte II?) acomoda os torcedores em casa, na TV.

    Barcelona e Real Madrid chegam a receber 10x mais de TV que os times menores, e 5x mais que todos os demais, com quase 50% da audiência. Já fiz um estudo sobre isto em 2012, intitulado “Futebol espanhol: ‘Nossa liga não é só a maior porcaria da Europa, mas do mundo’ “. Vale conferir também o documentário abaixo, em inglês:

    Em compensação a situação das categorias de base da Espanha é melhor que no resto do mundo. Há 20 anos um processo longo de formação de jogadores deixou clara esta evolução, com títulos nas divisões de base e depois com o sucesso total em duas Eurocopas e na última Copa do Mundo, que a “Fúria” é um dos países de elite no esporte. Resta saber se o naufrágio econômico recente e a incompreensível divisão dos direitos de televisionamento possam ter um impacto futuro nesta política de sucesso na formação de jogadores.

    • INGLATERRA

    No país que criou o futebol, o problema é o desequilíbrio financeiro causado por grandes investidores na Premier League, e uma incapacidade de formar novos jogadores. Estamos acostumados a ver magnatas despejando centenas de milhões de euros (em alguns casos, ‘lavando’), buscando a glória rápida, sem planejamento.

    Isto nem sempre promove o sucesso, caso recente do Queens Park Rangers, virtualmente rebaixado com um elenco milionário na atual temporada inglesa. O Portsmouth sofreu um castigo ainda maior: depois de ter sido sucessivamente comprado e vendido por diversos controladores, descumpriu pagamentos, atrasou salários, perdeu pontos. Quase faliu e hoje está próximo da quarta divisão, em uma derrocada fulminante.

    Eventualmente os resultados são positivos, como no Manchester City (campeão inglês) e no Chelsea (campeão europeu), mas a dependência de uma fonte externa de recursos é imensa. O que será do Chelsea no dia que Roman Abramovich resolver parar de “brincar de futebol”? Não temos esta resposta.

    Roman Abramovich gastou 2.2 bilhões no Chelsea até chegar ao título europeu – Foto: CARL COURT / AFP

    Porém o problema também existe nos gramados. O trabalho nas categorias de base, seguindo um modelo implementado em 1997 pelo ex-treinador Howard Wilkinson é terrível. Oss grandes times, quase todos comandados por bilionários, almejam resultados rápidos e investem em grandes estrelas, enfraquecendo o desenvolvimento local.

    Jogadores formados em times como Arsenal e Liverpool acabam rodando em times menores, por falta de oportunidades, e contratados posteriormente pelos mesmos times nos quais iniciaram a carreira. E não é falta de locais de treinamento: existem centros de excelência nas categorias de base, um acesso rápido ao site da Federação Inglesa deixa claro que não é a estrutura e sim o resultado deste trabalho o “xis da questão”

    Decisões radicais como exigir que cinco, seis ingleses devem sempre serem escalados pelas equipes promoveriam uma gradual qualificação do futebol nacional, mas teriam resultados de mídia e financeiros impopulares, com a fuga das grandes estrelas dos principais times. Então, nem a Premier League tampouco os clubes de elite adotam medidas deste porte. Com clubes dependentes de investimentos externos, regras financeiras bastante flexíveis, os débitos se avolumam.

    Os times ingleses ainda estão entre os principais da Europa, mas suas finanças não estão sadias. Um calendário sem parada de inverno deixa os times bastante desgastados, com dificuldades na reta final da temporada. A constatação final fica evidenciada nos resultados ruins do “English Team” nos últimos 15 anos, sempre longe dos favoritos desde o ótimo time de 1998 e com jogadores que ainda não jogam em outros centros, o habitual “anglocentrismo“. Até fora de uma Eurocopa, como em 2008, a Inglaterra já conseguiu. São questões não tão visíveis perante ao charme da Premier League. Mas os problemas existem, e são graves.

    • ITÁLIA

    Se na Espanha os resultados dos gigantes e da Seleção são brilhantes, e na Inglaterra a liga é ainda a melhor do mundo, o “Calcio” sofre problemas generalizados que afetam a saúde de sua histórica “Serie A“. Primeiro, uma situação econômica ruim. Depois, violência desenfreada entre os “ultras” sem uma resposta qualificada das autoridades. Também com estádios decrépitos e uma Liga em franca decadência, minada por escândalos consecutivos de corrupção. Outro problema são ingressos caríssimos nos grandes centros, afastando os jovens dos estádios.

    Terminaram os problemas? Que nada: muitos times em situação financeira delicada, alguns em estado de falência ou falidos. Um modelo de futebol ultrapassado, no qual os presidentes dos clubes mandam demais e planejam de menos. A situação do futebol italiano só não é pior porque encerrou-se em 2006 um ciclo de grandes craques com um titulo mundial. Problemas. Problemas. Problemas.

    Mas os clubes não sabem o caminho do sucesso. Por quase uma década, um contrato de TV que deu dinheiro demais para alguns times deixou a situação parecida com a da Espanha. Em 2011 o contrato foi renegociado em termos muito melhores, diminuindo a discrepância de valores entre os maiores e os menores, mas o resultado ainda não ocorreu de fato nos gramados. Recentemente, a Fiorentina, o Perugia, Piacenza, Ancona e outros tantos clubes menores pediram falência e foram declarados extintos.

    Itália, campeã mundial em 2006, vive momento conturbado fora de campo – AFP PHOTO / GIUSEPPE CACACE

    Nas categorias de base, a preocupação é grande. Repetindo o ocorrido com o futebol alemão na década retrasada, os italianos chegaram ao esgotamento de uma geração talentosa de Alessandro Del Piero, Francesco Totti, Alessandro Nesta, Fabio Cannavaro, Paolo Maldini sem reposição. Poucos times, como a Fiorentina e o Genoa, possuem um trabalho primoroso nas equipes “Primavera“. Recentemente passos foram dados na direção correta, formando novos atletas e organizando as categorias de base. Ainda em um patamar inferior ao do passado, das glórias dos anos 80 e 90. Falta um longo caminho.

    Mas, talvez, o grande problema seja fora dos gramados: a sempre presente corrupção, envolvendo suborno de árbitros e atletas. Três grandes escândalos estouraram na Itália nos últimos 30 anos, 2 deles só na década passada. O problema endêmica em todas as esferas da sociedade italiana, é particularmente profunda no futebol: gigantes como Milan e Juventus já foram rebaixados, e muitos outros foram punidos. Porém viradas de mesa e redução de penas são comuns, o que afeta a credibilidade do esporte nacional.

    Não foi à toa que recentemente os times italianos perderam a quarta vaga na Liga dos Campeões, dada apenas aos três primeiros do ranking da UEFA. Líderes do mesmo há cerca de dez anos, os times da Série A foram ultrapassados primeiro pelos espanhóis, depois pelos ingleses. E agora, adivinhem… Pelos alemães!

    E o Brasil nesta análise? Este será o tema da última parte da análise, a ser publicado amanhã…

    Revolução Alemã, Parte III: O modelo comercial de sucesso da Bundesliga, focado na classe média

    17 de abril de 2013 2

    Para ser dono de um time de futebol na Alemanha basta ser dono de uma vasta fortuna e comprar um time. Certo? Errado! Dos 36 times da primeira e segunda divisão da Alemanha, 34 são controlados por seus torcedores, incluindo o gigantesco Bayern de Munique. Apenas o Bayer Leverkusen (da indústria química Bayer), o Wolfsburg (da montadora Volkswagen) possuem “donos”, e ambos por razões históricas, já que foram fundados e são bancados há mais de 60 anos por estas empresas.

    As regras financeiras são rigorosas e as punições em caso de débitos com clubes e jogadores são inflexíveis. Eventualmente algum magnata pode bancar dinheiro no clube, como Dietmar Hopp (fundador da gigante de tecnologia SAP e mecenas do Hoffenheim), mas o princípio se mantém: 50% +1 das ações do clube devem permanecer com seus sócios-torcedores.

    O resultado é uma competição saudável. Sim, o Bayern de Munique ainda é díspar na questão financeira e tem uma arrecadação maior por ter 10 milhões de torcedores, com um poder de consumo espetacular. Mas também isto é reflexo de 23 anos de superávit financeiro, algo sem igual em nenhum outro grande clube europeu.

    E ainda assim, neste mesmo período desde 1991, ganhou 11 títulos nacionais e apenas uma Liga dos Campeões, exatamente o mesmo número do rival Borussia Dortmund. Um domínio bem menor que os protagonistas de outros países, especialmente na Inglaterra e Espanha. Basta vez que nos últimos 5 anos, três times diferentes foram campeões: o próprio Bayern de Munique, o Borussia Dortmund e o Wolfsburg.

    Impulsionado pelos novos estádios do Mundial de 2006, a média de público alemã foi para a estratosfera. São absurdos 45 mil torcedores por jogo, a melhor do futebol mundial. E na Segunda Divisão é de 17 mil, melhor que quase todos os últimos anos no Brasil. Qual o segredo? A procura pela fidelização da classe média alemã, com ingressos baixos e a aproximação da torcida com o clube.

    Temos um exemplo claro, em Dortmund com o Borussia. Com preço de 11 euros por jogo do Campeonato Alemão, o “paredão amarelo” do Borussia Dortmund no Westfalenstadion está sempre abarrotado, uma imagem marcante ao redor do planeta. São 20 mil torcedores que complementam a absurda média de 80 mil por jogo, a melhor do mundo.

    Com um sistema espetacular de formação de atletas, o time de Dortmund saiu da virtual falência há pouco menos de dez anos para uma solidez financeira impecável. Formando atletas aos montes, prospectando outros em times menores, o time obteve um lucro superior a 45 milhões de euros na última temporada, quando conquistou o bicampeonato nacional. Na Liga dos Campeões, em um grupo duríssimo com Real Madrid, Ajax e Manchester City, ficou em 1º lugar. Agora está nas semifinais da competição.

    Mosaico da torcida do Borussia Dortmund na lendária Südtribüne – Crédito: AFP PHOTO / ODD ANDERSEN

    Todos os clubes alemães fazem pacotes com bons preços e uma variedade de valores capazes de caber no bolso dos alemães. A receita com a venda de ingresso é importante, mas uma eventual renúncia financeira é largamente compensada pelos gastos no estádio no dia de jogos e em visitas ocasionais que se tornam rotineiras.

    Comprova-se isto avaliando os números de receitas dos times da Bundesliga: em média o retorno financeiro do “Match Day Experience” (424 milhões de euros) é bem próximo aos valores obtidos em cotas de televisionamento (594 milhões de euros) e patrocínios (523 milhões de euros). Uma diferença abissal em comparação com outros países, como a Inglaterra, Itália e Espanha, totalmente dependentes das receitas de TV.

    Uma análise comportamental dos torcedores no “Match Day” deixou claro que o consumo e a sensação de felicidade é maior do que em outros países europeus, no qual o torcedor paga mais pelo ingresso mas consome pouco no estádio. O pacote de serviço oferecidos aos torcedores deixa o ambiente tão familiar que o consumo é elevado, como se fosse um shopping center. Imagens da Allianz Arena em Munique:

    Não é à toa que 40% do público nos estádios alemães é composto por mulheres. Elas trazem crianças, que vão perpetuando este vínculo com o time, com a torcida, com o estádio. Com o futebol.

    Esta relação com os demais países da Europa é que iremos estudar nesta quinta-feira, na penúltima parte da série.

    Revolução Alemã, Parte II: A revolução técnica nas divisões de base e esquema de jogo

    16 de abril de 2013 6

    No início da década passada, a Alemanha sofria com uma forte carência de novos talentos. Apenas Michael Ballack era considerado um jogador de talento inquestionável no futebol europeu e com anos à frente em alto nível. Percebendo isto, a Federação Alemã estudou suas opções e promoveu uma modificação radical na estrutura do país:  focou na formação de jogadores.

    O modelo foi apresentado em 1999 por Franz Beckenbauer, presidente do Bayern de Munique, Dietrich Weise, diretor de categorias de base da Federação Alemã, e Rainer Calmund, diretor-executivo do Bayer Leverkusen. O resultado é extraordinário e iremos apresentá-los neste artigo.

    Foram criados 121 centros nacionais de treinamento por todo o país. Crianças de 09 a 17 anos começaram a desenvolver seus talentos perto de casa, sem vinculação com clubes, aprimorando-se técnica e psicologicamente. Todos os times da Primeira e Segunda Divisão deveriam ter escolinhas com treinadores em tempo integral. O modelo é seguido até hoje: atualmente são 366 centros nacionais, a um custo de 13 milhões de euros e englobando 25 mil meninos e meninas de 9 a 17 anos.

    Os alemães perceberam que a técnica estava sendo colocada em segundo plano e resolveu alterar esta concepção, diferenciando-se inclusive do histórico do futebol alemão, baseado na força física e na imposição tática. O modelo de trabalho segue estas instruções: o trabalho nas categorias de base começa aos nove anos, em times com apenas 4 jogadores e campo reduzido para desenvolvimento de habilidades individuais. Somente aos 13 anos de idade, os times passam a ter 11 jogadores em cada lado e tamanho total do gramado.



    Todavia, este esforço não surtiu muito efeito até a temporada 2002/03, quando quase 60% dos jogadores eram estrangeiros e de um nível técnico deficiente. Afinal, com dinheiro fácil, os times alemães contratavam jogadores nos centros menores da Europa, sobretudo no Leste e a Bundesliga repetia seus pares com débitos imensos e gastos inexplicáveis.

    Porém neste ano, o conglomerado de mídia Kirch TV faliu e o dinheiro da TV Digital sumiu. Os clubes se livraram de salários imensos e voltaram as suas atenções para os times de base, aproveitando de fato a estrutura que havia sido montada a partir de 1999. Ou seja, foi necessário um fator externo para forçar os clubes a buscar soluções de médio e longo prazo, mais baratas.

    Um exemplo claro ocorreu com o Stuttgart. Praticamente falido, o time tradicional não comprou nenhum jogador por um ano e meio. Sendo assim, talentos da base, formados nas escolinhas, começaram a receber chances no time principal como Kevin Kuranyi, Timo Hildebrand e Andreas Hinkel. Em 2007, o VfB Stuttgart se sagrou surpreendentemente campeão alemão. O número de jogadores estrangeiros já havia baixado,para 44%.

    A Liga criou fortes restrições orçamentárias, reduziu o endividamento dos clubes e tornou compulsório o investimento em categorias de base. Este é o segredo do trabalho. Hoje os times alemães investem em média 100 milhões de euros no desenvolvimento de atletas. Se tornou mais rentável formar jogadores e depois vendê-los a preços altos do que simplesmente comprar e vender jogadores já prontos.

    Com maior identificação com os clubes, os atletas de base trouxeram uma ligação muito forte com a comunidade. Na atual temporada 62% dos atletas em campo na Bundesliga são passíveis de convocação pela Alemanha, o melhor índice da Europa.

    O resultado é visível: triunfos no Europeu sub-17, sub-19 e Sub-21. 100% dos jogadores da Alemanha na Copa do Mundo de 2010 foram formados nestas escolinhas. Quinze atletas regularmente convocados pela Alemanha tem no máximo 24 anos de idade. Portanto, estarão tranquilamente disponíveis para competições internacionais até 2020, no mínimo.

    Esta mudança também passou para concepções táticas alemãs, que estão reinventando o jeito moderno de se jogar futebol. Até 2002, a Alemanha utilizava o totalmente ultrapassado esquema com um líbero (Lottar Matthäus e depois Mathias Sammer). Depois, o técnico Jürgen Klinsmann adotou um classico 442 inglês, com linhas de 4 e sem flexibilidade: ao se marcar os meias abertos do time alemão, a equipe perdia profundidade.

    Thomas Muller comemora golaço contra a Inglaterra em 2010 na Copa – Foto: AFP

    Joachim Löw, auxiliar de Klinsmann e atual técnico da Alemanha, mudou o sistema para um 4-2-3-1 bastante ousado, especialmente com a afirmação do talento de Mesut Ozil. Sem centroavante fixo, com meias extremamente agressivos e um futebol dos mais velozes que vi, a Alemanha sem dúvida foi o time que jogou mais bonito nos últimos anos. Mais até que a Espanha e seu “tiki-taka” catalão.Vejam um exemplo no contra-ataque que sacramentou o 4×1 na Inglaterra em 2010:

    Um esquema copiado por times de todo o planeta, em todos os continentes.

    A Alemanha tem capitulado em decisões continentais e nas Copa do Mundo, onde a diferença entre a glória máxima e o quase é muito pequena.

    Mas tem chegado sistematicamente. Uma hora, acerta…

    Tudo isto é respaldado por uma base financeira formidável. É sobre isto que falaremos amanhã…