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Posts na categoria "Futebol no Mundo"

David Beckham anuncia aposentadoria: confira grandes lances do astro inglês

16 de maio de 2013 0

O meia inglês David Beckham, um dos ícones do futebol mundial nas últimas duas décadas, anunciou hoje sua aposentadoria ao final da temporada. Jogador do Paris Saint-Germain, aos 38 anos o ex-astro do Manchester United, Real Madrid, Milan, Los Angeles Galaxy termina sua participação no Campeonato Francês e vai curtir as benesses de um ex-jogador milionário, símbolo sexual e que marcou uma mudança na visão dos jogadores perante o mercado publicitário.

David Beckham, em seu último time, o PSG. E agora oficialmente aposentado - Franck Fife/AFP

Talvez o jogador mais bem pago do futebol mundial em todos os tempos ao longo de sua carreira, Beckham também foi um grande jogador. Começou sua carreira como um clássico winger inglês, pela direita. Detentor de um chute e um cruzamento fora do normal, com uma ótima velocidade, Beckham é um especialista em bolas paradas.

Depois de ser multicampeão no Manchester United, foi para o Real Madrid no projeto "Galácticos" do presidente Florentino Pérez. Em Madrid, se tornou um meio-campista central aonde se destacou pela precisão nos passes, apesar de ter tido sua faixa preferencial ocupada por outro "galáctico", o português Luís Figo, mas só obteve conquistas nacionais, não obtendo sucesso na Liga dos Campeões.

Fora dos gramados, se tornou garoto propaganda de diversas multinacionais, desde ternos de luxo, passando por carro, refrigerantes, lâminas de barbear, etc. Sua receita com publicidade superava e muito os já espetaculares salários, e 'Becks' sempre foi um dos 3 jogadores com camisas mais vendidas, em quaisquer dos times que defendeu.

Fora de campo, casado com a ex-Spice Girl Victoria Adams, era figurinha carimbada nas notas sociais, grandes eventos, envolvido em diversas polêmicas de "affairs" extra-conjugais, mas nada comprovado e nunca em um escândalo digamos, mais "pesado". Até por sua fortíssima imagem de marketing era necessário uma exibição quase sempre positiva. Não à toa, sua chegada ao futebol norte-americano aumentou consideravelmente o público e o interesse dos EUA na Major League Soccer, a Liga Norte-Americana de futebol.

Beckham virou garoto-propaganda da MLS, a Liga norte-americana - Foto: Saul-Loeb-AFP

Ficamos aqui com alguns tributos a um dos mais técnicos jogadores que eu vi atuar. Gols antológicos ou decisivos.

PRINCIPAIS TÍTULOS

Manchester United

  • Supercopa Inglesa (4)
  • Campeonato Inglês (6)
  • Copa da Inglaterra (2)
  • Liga dos Campeões (1)
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Real Madrid

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  • Supercopa Espanhola (1)

Los Angeles Galaxy

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Paris Saint-Germain

  • Campeonato Francês (1)

Golaço de Forlán em Caxias lembra gols nas Copas de 2002 e 2010

04 de março de 2013 1

O golaço de canhota do uruguaio Diego Forlán, na vitória de 2x0 do Internacional sobre o Esportivo, me fez lembrar gols magistrais do atacante em Copas do Mundo. Ambidestro, Forlán sempre marcou muitos gols de fora da área, mas ainda não havia concluído assim no Internacional. Até este domingo, quando marcou duas vezes desta maneira.

Diego Forlán comemora o primeiro dos dois golaços contra o Esportivo - Foto: Mauro Vieira, RBS

O primeiro gol que me veio a mente foi no empate de 3x3 do Senegal com o Uruguai, Copa de 2002. Forlán marcou o primeiro na "remontada" da Celeste, insuficiente para a classificação mas mostrando um talento inegável:

Já em 2010 o gol foi tão bonito quanto. Na semifinal contra a Holanda, Forlán empatou o jogo com este chutaço, em jogo que os sul-americanos perderiam por 3x2:

POR TODA A VIDA: jogadores ainda em atividade que só jogaram em um time!

19 de fevereiro de 2013 8

Ontem contei a história dos doze jogadores brasileiros que atuaram por um só time ao longo de toda a carreira e por mais de dez anos. Hoje vamos citar os principais jogadores (das maiores ligas sul-americanas e européias) que atuaram por um só time por dez ou mais anos e que ainda estão em atividade.

Esta história é repleta de craques, muitos deles conhecidos de todos nós, e outros jogadores surpreendentes. Mas, repetindo: só valem atletas que jamais defenderam dois times como profissionais, valendo empréstimos, times no início ou final de carreira.

Interessante ressaltar que o jogador que ficou mais tempo em um só clube e por toda a sua carreira é o supremo defensor italiano Paolo Maldini, que jogou por assombrosos 25 anos pelo Milan. Ainda em atividade, o galês Ryan Giggs é o recordista. Ele está há 23 temporadas no Manchester United.

Ryan Giggs, recordista com 23 anos no Manchester United - Foto: Andrew Yates / AFP

Apenas um time tem quatro atletas na lista: o Barcelona, que novidade né? Xavi, Iniesta, Puyol e Victor Valdés (que sairá desta lista pois vai trocar de clube em 2014). Com três atletas o Manchester United (Darren Fletcher, Ryan Giggs e Paul Scholes), o japonês Kashima Antlers (Masashi Motoyama, Hitoshi Sogahata e Takeshi Aoki).

Com dois jogadores: o escocês Kilmarnock (Garry Hay e James Fowler), o inglês Liverpool (Jamie Carragher e Steven Gerrard), a italiana Roma (Francesco Totti e Daniele de Rossi) e o russo Zenit (Vyacheslav Malafeev e Igor Denisov).

Ainda vou ressaltar alguns nomes e seus respectivos times: Gianpaolo Bellini (Atalanta-ITA), Gastón Turus (Belgrano-ARG), Carlos Gurpegi (Athletic Bilbao-ESP), Bastian Schweinsteiger (Bayern de Munique-ALE), Marc Planus (Bordeaux-FRA), Oka Nikolov (Eintracht Frankfurt-ALE), Héctor Reynoso (Chivas Guadalajara-MÉX), Tony Hibbert (Everton-ING), Steven Cherundolo (Hannover 96-ALE), Sabri Sarioglu (Galatasaray-TUR) e Iker Casillas (Real Madrid-ESP)

FUTEBOL PELO MUNDO: Histórias de verdadeiro "fair-play" em gols e pênaltis

30 de outubro de 2012 0

A discussão sobre o gol ilegal de Hernán Barcos com a mão contra o Internacional e a falta de "fair-play" do jogador argentino do Palmeiras remeteram ao lance ocorrido com o alemão Miroslav Klose, da Lazio, que também fez gol com a mão mas se acusou e o lance foi invalidado. Vejam o lance do alemão:

Ao longo dos anos, criei a convicção que este "fair-play" imposto à força pela FIFA e pela UEFA são totalmente contrários ao bem do futebol. Jogadores fingem lesões para parar o jogo, o tempo de jogo em andamento é reduzido, fora o inevitável "mimimi". Sendo assim, resolvi homenagear alguns lances de verdadeiros momentos de "fair-play":

  • ROBBIE FOWLER, ARSENAL X LIVERPOOL - 1997 - CAMPEONATO INGLÊS

O temperamental e talentoso atacante inglês Robbie Fowler, uma lenda dos torcedores do Liverpool, protagonizou um dos mais memoráveis lances que eu vi de puro "jogo limpo". Em uma partida duríssima contra o rival Arsenal em Highbury Park peloCampeonato Inglês em 1997, Fowler caiu na área após toque com David Seaman, goleiro do Arsenal.

Imediatamente, o juiz Gerald Ashby marcou pênalti. Então a surpresa: Fowler categoricamente acenou e falou que não foi pênalti, mas o juiz não voltou atrás. Batedor-oficial, Fowler acabou batendo mal (não errou de propósito segundo ele), Seaman pegou mas no rebote Jason McAteer tocou para as redes:

  • VITTORIO ESPOSITO, U.S. TERMOLI X TORRES - COPPA ITALIA DILLETANI 2012

Em jogo válido pela Copa da Itália amadora, a "Coppa Italia Dilletani", o U.S. Termoli vencia o Torres por 1x0 e já se classificava. Quase no final da partida, Vittorio Esposito caiu na área e o juiz deu pênalti, mesmo com o jogador dizendo que não foi e para desespero do Torres. Em protesto, o goleiro não se mexeria na cobrança, de braços cruzados. Porém Esposito fez questão de errar o pênalti, chutando propositadamente para fora, em um momento de grandeza:

  • MORTEN WIEGHORST - DINAMARCA X IRÃ - TORNEIO AMISTOSO CARLSBERG CUP 2003

O capitão dinamarquês Morten Wieghorst também agiu de maneira admirável em um torneio amistoso de 2003. Quase no final do primeiro tempo de um jogo contra o Irã, válido pela competição amistosa Carlsberg Cup em Copenhague, o defensor iraniano Alireza Nikbakht Vahdi pegou a bola com a mão na grande área após ouvir o apito final do juiz. Porém o apito havia vindo da arquibancada, confundindo o atleta, que acabou tendo uma penalidade contra si marcada pelo árbitro Albert Chiu Sin Chuen, que não tinha outra escolha.

Após consultar o técnico Morten Olsen, Wieghorst propositadamente bateu o pênalti para fora por considerar injusta esta vantagem. Deste lance, não tenho imagens mas pesquisei que a partida encerrou-se em 1x0 para os iranianos. Sobre isto, um dirigente iraniano disse: "Os dinamarqueses não ganharam o jogo. Mas ganharam a nossa admiração".

Outras histórias eu já contei aqui no Almanaque, vou resumir nos links abaixo:

Batalha campal no futebol mexicano termina com NOVE expulsos

24 de outubro de 2012 0

O jogo Tecos Estudiantes 2x1 Dorados, válido pela Segunda Divisão do futebol mexicano, terminou com uma histórica batalha campal. Nada menos que cinco jogadores do Tecos e 4 do Dourados foram expulsos, sendo seis em campo e mais 3 reservas. A dica do post foi do leitor Fernando Zawacki Johann

Italiano comemora antes da hora e perde corrida: confira outras histórias semelhantes!

12 de julho de 2012 0

O motociclista italiano Ricardo Russo se superou neste último final de semana e jogou fora uma vitória provável no Campeonato Italiano de Velocidade. No GP de Mugello, categoria Superbikes até 600cc, Russo vencia no início da última volta de forma apertada. Achando que era a bandeirada final, diminuiu a velocidade e passou a comemorar efusivamente a "conquista".

Porém a corrida não havia se encerrado! Ele demorou quase toda a volta para perceber, voltar a acelerar. Russo acabou na deprimente 14º colocação. Vejam o vídeo:

  • Outros casos históricos me vieram na cabeça. O primeiro foi do piloto sueco Bjorn Wirdheim, que em 2008 perdeu a 2º bateria da GP2 em Mônaco por comemorar antes da linha de chegada, vencida pelo dinamarquês Nicolas Kiesa. Leiam o que escrevi em 2008: Oie, eu sou muito burro e perdi a corrida!!!
  • Temos ainda a célebre última vitória de Nélson Piquet na Fórmula-1, GP do Canadá de 1991 em Montreal. O inglês Nigel Mansell comemorava, acenava para a torcida e isto aconteceu: GP do Canadá: a última vitória de Nélson Piquet
  • Khalid Askri, goleiro do FAR Rabat, foi eliminado da Copa do Marrocos por comemorar um pênalti antes da hora. Também comentei isto aqui no Almanaque: Pênalti inacreditável: goleirão achou que tinha defendido, mas...
  • Bem semelhante à anterior, em um campeonato amador de futebol da Itália, o goleiro Angeli saiu comemorando uma defesa. Mas a bola não tinha parado ainda... MONDO BIZARRO: Pênaltis inacreditáveis na Itália e na Islândia!
  • Outra história que eu lembrei ocorreu nos Jogos Olímpicos de Inverno em 2006, na cidade italiana de Turim. A norte-americana Lindsey Jacobellis vencia com folga a competição de snowboarder. No último salto, foi fazer pose e acabou se desequilibrando e caindo. A suíça Tanja Frieden, que estava muito longe, acabou levando o ouro, e Jacobellis ficou com a prata. Vejam o vídeo ao vivo do erro patético da snowboarder:
  • A mais estúpida de todos foi a derrota do colombiano Alex Kuyavian no Campeonato Mundial de Patinação, prova dos 10 km de velocidade. Ele vencia com larga vantagem quando passou a comemorar com uma reta de antecipação. Se desconcentrou e desacelerou de tal maneira que acabou ultrapassado pelo sul-coreano Lee Sang Cheol. Vejam o vídeo:

Nike lança novo vídeo sensacional, repleto de extras escondidos!

18 de maio de 2012 5

Magnífica a nova campanha da gigante multinacional de material esportivo Nike, com a participação de dezenas de craques do futebol mundial (obviamente todos patrocinados pela empresa).

Um pretenso jogo entre França e Holanda serve como pano de fundo da história. A partida é invadida por dezenas de outros jogadores, que se espalham por todo o campo e causam uma divertida confusão, em um verdadeiro clima 'non-sense'. A idéia é mostrar que não só as grandes estrelas, mas que você (o cliente da Nike), também pode chegar longe.

Dois brasileiros aparecem: Neymar, do Santos, e Alexandre Pato, do Milan. Nas imagens também consegui identificar: Cristiano Ronaldo, Javier Hernandez, Mesut Ozil, Mario Gotze, Andrés Iniesta, Gerard Piqué, Hugo Lloris, Franck Ribéry, Wesley Sneijder, Yann M'Vila, Rafael Van der Vaart. Confiram:

Intitulada "NIKE FOOTBALL: MY TIME IS NOW", o vídeo de três minutos é apenas o ponto de partida de uma série de "Easter Eggs", prêmios ocultos para os internautas que navegarem pelo canal https://www.youtube.com/nikefootball, incluindo histórias paralelas. São nove caminhos diferentes, túneis escondidos, que completam a diversão.

Autor de gol histórico na Copa de 1994, nigeriano Yekini morre aos 48 anos

04 de maio de 2012 3

Rashid Yekini, autor do primeiro gol da Nigéria na história das Copas do Mundo, morreu hoje na cidade de Iraa aos 48 anos. Ele sofria de uma doença rara não-informada e estava recluso há alguns anos, desde que encerrou sua carreira em 2005. Yekini foi protagonista de uma das cenas mais belas do Mundial dos Estados Unidos: ao marcar, chorou copiosamente agarrado às redes.

Yekini surgiu com brilho no modesto Vitória de Setúbal, mas não teve um grande sucesso em sua carreira de clubes, à exceção da temporada 1993-94, quando foi o melhor jogador africano (o primeiro em seu país), e artilheiro do Campeonato Português.

Porém sua história se confunde com o futebol da Seleção Nigeriana, aonde fez 38 gosl em 58 jogos, o maior artilheiro de todos os tempos. Em sua primeira Copa do Mundo, em 1994 nos Estados Unidos, o time foi bem e passou para a segunda fase, mesmo caindo em um grupo difícil com a magnífica Argentina de Maradona, a forte Bulgária de Stoichkov e a também novata Grécia.

Na ocasião com 31 anos, Yekini vivia seu auge e recebeu um lindo cruzamento de Finidi George (ídolo no Ajax), para apenas escorar e marcar.

Rashid Yekini - autor do 1º gol da Nigéria - Reprodução site FIFA

E entrar para a história...

Yekini, Rashid - 1963-2012

Políticas de futebol? Utopia no Brasil, mas realidade na Europa, parte II

23 de abril de 2012 0

Ontem analisamos as políticas de futebol dos grandes clubes brasileiros. Ou seria melhor dizer: a ausência das mesmas. Está claro que este problema depende de muitas coisas: profissionalização dos clubes, estabilidade política, projeção de resultados a médio-longo prazo, consistência financeira. Hoje vamos estudar quatro exemplos, totalmente diferentes entre si, e que reforçam a idéia da política de futebol: Barcelona, Ajax, Stoke City e Swansea City.

No Barcelona, desde 1988 o time joga no 4-3-3, em todas as divisões. O "tiki-taka", método de passes curtos, movimentação intensa e jogadas em aproximação, foi adotado por Johan Crujff, Louis Van Gaal, Frank Rikjaard e agora Josep Guardiola. Isto aliado a um fortíssimo trabalho de categorias de base fez o clube se tornar tricampeão europeu em menos de 10 anos com mais da metade do time formado em suas "canterias". É claro que o sucesso estrondoso das últimas 4 temporadas está aliado a fatores como ter 3 jogadores acima da média ao mesmo tempo: Iniesta, Xavi e Lionel Messi, o melhor do mundo.

A filosofia de futebol está lá: o técnico Guardiola, também formado no clube e ídolo por mais de uma década do time, já decretou que prefere improvisar volantes se não trouxer um zagueiro do estilo que ele quer: que saiba sair jogando. O contra-ponto ocorre em algumas contratações inexplicáveis, como a do excepcional sueco Zlatan Ibrahimovic, que teve uma temporada horrenda no Barça. Mesmo muito técnico e exímio goleador, seu estilo de jogo não 'casou' com o Barça e acabou relegado a um papel secundário. Vejam a diferença no jogo Chelsea 1x0 Barcelona da semana passada:

Chelsea 1x0 Barcelona - Fourfourtwo.com

Passes no ataque de Chelsea 1x0 Barcelona - FourFourtwo.com

No Ajax há quase 40 anos se joga, com alguns intervalos, no 3-4-3, com um losango no meio-campo, jogando em velocidade pelos flancos. Aliás, o time holandês é a fonte de inspiração do Barça, que recebeu a lenda holandesa Johan Crujff nos anos 70 como jogador e anos 80 e 90 como treinador e depois dirigente. Vale lembrar do time campeão europeu e mundial de 1995: oito jogadores foram formados no clube. Isto não é por acaso: o clube tem mais de 60 times de categorias de base e a melhor rede de olheiros do planeta.

Ajax no célebre 3-4-3 dos anos 80 - this11.com

Mesmo times menores temos exemplos de sucesso. O Stoke City é um antiquíssimo clube que completa 150 anos no ano que vem. Tradicionalmente na Segunda Divisão, sem títulos relevantes. Adquirido por um consórcio islandês, subiu para a Primeira Divisão em 2008. Por anos sua meta sempre foi escapar do rebaixamento e o clube adotou uma política radical: um estilo defensivo, direto, baseado no contato físico, bola aérea e velocidade. Posse de bola e passes laterais? Esquece. Bola longa, sempre. Vejam os gráficos do Chelsea contra o Barcelona, tirem toda a qualidade técnica do time londrino e, pronto: está feito o Stoke City.

O moderno Britannia Stadium tem as dimensões mínimas: 100 x 64, para facilitar a de. As jogadas de cobrança de lateral de Rory Delap já se tornaram lendárias, com inúmeros gols marcados assim. Os treinadores são contratados seguindo esta filosofia, e o atual Tony Pulis tem tido ótimos resultados em Copas Inglesas e garantindo, pelo segundo ano seguido, vaga na UEFA Europa League.

O estilo de jogo do Stoke City. A posição do centroavante depende do vento... - Fonte: http://www.holtamania.com

Seus torcedores cantam: "“We’re Stoke City, we’ll play how we want” ("nós somos o Stoke City, e nós jogamos como quisermos") . E o mais legal é  que eles jogam mesmo! Vejam abaixo o compacto de um jogo que define a maneira de jogar da equipe de Stoke-on-Trent:

Do mesmo porte, mas seguindo uma filosofia totalmente diferente, temos o galês Swansea City. Em dez anos, saiu da zona de rebaixamento para a quinta divisão para a divisão de elite do futebol inglês. Desde 2007 o clube segue uma abordagem latina, em especial o futebol de influência catalã da Espanha. Trazida pelo técnico Roberto Martinez, ex-jogador do próprio time, os Swans seguem a filosofia do Barcelona, de passes curtos e triangulações, que foi mantida por seu sucessor técnico Paulo Bento e pelo atual, o elogiadíssimo Brendan Rodgers.

O time sempre sai com a bola jogando e é recordista de passes na Premier League. Abaixo imagens da troca de passes na derrota de 2x0 para o Newcastle. O que deixa claro que, ganhando ou perdendo o time joga sempre igual:

O "Swanselona" de Brendan Rodgers - Fonte: fourfourtwo.com

E imagens amadoras de um jogo do time reserva contra o Liverpool. Isto deixa bem claro que não é só o time titular e sim todo o clube com este comprometimento:

O fato é que equipes muito modestas, como o Stoke e o Swansea, conseguem permanecer com folga na Primeira Divisão Inglesa, enquanto times tradicionais como Southampton, Newcastle, Sunderland e Leeds United foram rebaixados recentemente. Com poucos recursos, estes times buscaram aprimorar idéias, mesmo que radicalmente diferentes entre si.

Barcelona, Ajax, Stoke e Swansea acharam uma identidade.
Uma maneira de jogar.
O sucesso é consequência.

Políticas de futebol? Utopia no Brasil, realidade na Europa, parte I

22 de abril de 2012 0

A espetacular fase do Barcelona nos últimos anos acabou gerando menos discussões do que gostaria na imprensa esportiva. Imaginava uma enxurrada de polêmicas sobre a fórmula do sucesso, que inclui a Espanha, atual campeã européia e mundial de seleções. Previa comparativos com o que tem sido feito no país, mas esta perspectiva pouco ocorreu.

Nem mesmo a humilhante derrota de 4x0 do Santos na final do último Mundial de Clubes mudou esta perspectiva, de buscar discutir o futuro do futebol brasileiro. Os pífios resultados da Seleção Brasileira, aliados à uma inexistência de "maneira de jogador" de todos os grandes clubes do país são frutos da falta de continuidade. Sejam das pessoas, sejam das idéias.

Espanha contra a Suíça na última Copa - Fonte: Arquivo Pessoal

As lamentáveis declarações de Andrés Sánchez, Diretor de Seleções da CBF e ex-presidente do Corinthians, de que o time espanhol passa por uma fase e teve a "sorte" de uma geração de ouro que não vai mais repetir, apenas deixam claro de que o Brasil não discute este assunto com a profundidade que deveria: a ausência de políticas de futebol no cenário nacional.

Não há uma linha de trabalho nas categorias de base do futebol brasileiro focada na formação de atletas e uniformidade da maneira de jogar. Cada clube tem suas características históricas: times como Corinthians e Grêmio basearam-se em marcação forte aliada à qualidade, enquanto equipes como o Santos e o Flamengo quase sempre tiveram sucesso com um futebol mais ofensivo. Isto não importa nesta questão. É irrelevante.

Pois o que devemos observar nos clubes, sejam potências nacionais, forças regionais ou equipes de pequeno porte, é que inexiste um trabalho profundo, buscando formar atletas e unificar linhas de trabalho até chegar ao elenco profissional. Pela volatilidade das questões políticas, afinal pouquíssimos clubes tem permanência de um mesmo presidente ou grupo de conselheiros por um longo tempo, há uma clara deficiência de planejamento dentro do futebol.

Os treinadores chegam e trazem reforços indicados, sem contar indicações 'casadas' com seus empresários, muitas vezes sem critério algum. Como o círculo vicioso não termina, a pressão imediata por resultados é muito grande e estes treinadores são demitidos. E o que fazer com os atletas indicados por eles? Recentemente vimos o problema no Grêmio com Silas: indicou Uendel, Ferdinando, Ozéia e William, todos ex-comandados no Avaí. Silas caiu em agosto e o Grêmio ficou com jogadores fora dos planos até o final do ano (Uendel foi pior, ainda tem contrato!).

Outro fator que enxergo como nefasto nesta carência de idéias é a supervalorização dos treinadores. No Brasil se pagam salários superiores à potências européias como Alemanha e Itália. Nomes com poucos títulos nacionais em muitos anos de carreira rodam pelos grandes clubes com salários em uma ascendente, independente dos resultados.

Massimiliano Allegri, ascendente treinador campeão italiano pelo gigante Milan, tem o maior salário do futebol italiano: cerca de 400 mil reais mensais. Isto o deixa em patamar abaixo de Dorival Júnior, Tite, Muricy Ramalho, Cuca, Celso Roth, sem contar os multicampeões Muricy Ramalho, Wanderley Luxemburgo e Felipão. O problema é que Celso Roth ganha salários de 100 mil reais para cima há 10 anos, e só foi ganhar algo de expressão em 2010. Cuca desde 2004 está na rota dos grandes e tem apenas dois estaduais. A relação entre títulos e nível salarial não existe.

Pelas deficiências dos clubes, os técnicos brasileiros são vistos como um "departamento de futebol ambulante". Que contratam, vendem jogadores como se tivessem o tempo que possuem os managers ingleses. Mas na prática, possuem a instabilidade no cargo de treinadores italianos, que apenas assistem seus presidentes contratarem ou dispensarem atletas.

O que defendo é a adoção de uma política de futebol nos clubes, independente dos dirigentes. Políticas definidas nos planejamentos estratégicos dos clubes, baseadas em critérios científicos e na tradição do clube. Gerando uma identificação das torcidas com seus respectivos times.

Temos 'cases' de sucesso na Europa em times gigantescos, como o espanhol Barcelona, grandes potências regionais, como o holandês Ajax. E até mesmo em times pequenos, como o inglês Stoke City e o galês Swansea City.
Isto veremos amanhã...