Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Futebol no Mundo"

Políticas de futebol? Utopia no Brasil, mas realidade na Europa, parte II

23 de abril de 2012 0

Ontem analisamos as políticas de futebol dos grandes clubes brasileiros. Ou seria melhor dizer: a ausência das mesmas. Está claro que este problema depende de muitas coisas: profissionalização dos clubes, estabilidade política, projeção de resultados a médio-longo prazo, consistência financeira. Hoje vamos estudar quatro exemplos, totalmente diferentes entre si, e que reforçam a idéia da política de futebol: Barcelona, Ajax, Stoke City e Swansea City.

No Barcelona, desde 1988 o time joga no 4-3-3, em todas as divisões. O “tiki-taka“, método de passes curtos, movimentação intensa e jogadas em aproximação, foi adotado por Johan Crujff, Louis Van Gaal, Frank Rikjaard e agora Josep Guardiola. Isto aliado a um fortíssimo trabalho de categorias de base fez o clube se tornar tricampeão europeu em menos de 10 anos com mais da metade do time formado em suas “canterias”. É claro que o sucesso estrondoso das últimas 4 temporadas está aliado a fatores como ter 3 jogadores acima da média ao mesmo tempo: Iniesta, Xavi e Lionel Messi, o melhor do mundo.

A filosofia de futebol está lá: o técnico Guardiola, também formado no clube e ídolo por mais de uma década do time, já decretou que prefere improvisar volantes se não trouxer um zagueiro do estilo que ele quer: que saiba sair jogando. O contra-ponto ocorre em algumas contratações inexplicáveis, como a do excepcional sueco Zlatan Ibrahimovic, que teve uma temporada horrenda no Barça. Mesmo muito técnico e exímio goleador, seu estilo de jogo não ‘casou’ com o Barça e acabou relegado a um papel secundário. Vejam a diferença no jogo Chelsea 1×0 Barcelona da semana passada:

Chelsea 1x0 Barcelona - Fourfourtwo.com

Passes no ataque de Chelsea 1x0 Barcelona - FourFourtwo.com

No Ajax há quase 40 anos se joga, com alguns intervalos, no 3-4-3, com um losango no meio-campo, jogando em velocidade pelos flancos. Aliás, o time holandês é a fonte de inspiração do Barça, que recebeu a lenda holandesa Johan Crujff nos anos 70 como jogador e anos 80 e 90 como treinador e depois dirigente. Vale lembrar do time campeão europeu e mundial de 1995: oito jogadores foram formados no clube. Isto não é por acaso: o clube tem mais de 60 times de categorias de base e a melhor rede de olheiros do planeta.

Ajax no célebre 3-4-3 dos anos 80 - this11.com

Mesmo times menores temos exemplos de sucesso. O Stoke City é um antiquíssimo clube que completa 150 anos no ano que vem. Tradicionalmente na Segunda Divisão, sem títulos relevantes. Adquirido por um consórcio islandês, subiu para a Primeira Divisão em 2008. Por anos sua meta sempre foi escapar do rebaixamento e o clube adotou uma política radical: um estilo defensivo, direto, baseado no contato físico, bola aérea e velocidade. Posse de bola e passes laterais? Esquece. Bola longa, sempre. Vejam os gráficos do Chelsea contra o Barcelona, tirem toda a qualidade técnica do time londrino e, pronto: está feito o Stoke City.

O moderno Britannia Stadium tem as dimensões mínimas: 100 x 64, para facilitar a de. As jogadas de cobrança de lateral de Rory Delap já se tornaram lendárias, com inúmeros gols marcados assim. Os treinadores são contratados seguindo esta filosofia, e o atual Tony Pulis tem tido ótimos resultados em Copas Inglesas e garantindo, pelo segundo ano seguido, vaga na UEFA Europa League.

O estilo de jogo do Stoke City. A posição do centroavante depende do vento... - Fonte: http://www.holtamania.com

Seus torcedores cantam: ““We’re Stoke City, we’ll play how we want” (“nós somos o Stoke City, e nós jogamos como quisermos”) . E o mais legal é  que eles jogam mesmo! Vejam abaixo o compacto de um jogo que define a maneira de jogar da equipe de Stoke-on-Trent:

Do mesmo porte, mas seguindo uma filosofia totalmente diferente, temos o galês Swansea City. Em dez anos, saiu da zona de rebaixamento para a quinta divisão para a divisão de elite do futebol inglês. Desde 2007 o clube segue uma abordagem latina, em especial o futebol de influência catalã da Espanha. Trazida pelo técnico Roberto Martinez, ex-jogador do próprio time, os Swans seguem a filosofia do Barcelona, de passes curtos e triangulações, que foi mantida por seu sucessor técnico Paulo Bento e pelo atual, o elogiadíssimo Brendan Rodgers.

O time sempre sai com a bola jogando e é recordista de passes na Premier League. Abaixo imagens da troca de passes na derrota de 2×0 para o Newcastle. O que deixa claro que, ganhando ou perdendo o time joga sempre igual:

O "Swanselona" de Brendan Rodgers - Fonte: fourfourtwo.com

E imagens amadoras de um jogo do time reserva contra o Liverpool. Isto deixa bem claro que não é só o time titular e sim todo o clube com este comprometimento:

O fato é que equipes muito modestas, como o Stoke e o Swansea, conseguem permanecer com folga na Primeira Divisão Inglesa, enquanto times tradicionais como Southampton, Newcastle, Sunderland e Leeds United foram rebaixados recentemente. Com poucos recursos, estes times buscaram aprimorar idéias, mesmo que radicalmente diferentes entre si.

Barcelona, Ajax, Stoke e Swansea acharam uma identidade.
Uma maneira de jogar.
O sucesso é consequência.

Políticas de futebol? Utopia no Brasil, realidade na Europa, parte I

22 de abril de 2012 0

A espetacular fase do Barcelona nos últimos anos acabou gerando menos discussões do que gostaria na imprensa esportiva. Imaginava uma enxurrada de polêmicas sobre a fórmula do sucesso, que inclui a Espanha, atual campeã européia e mundial de seleções. Previa comparativos com o que tem sido feito no país, mas esta perspectiva pouco ocorreu.

Nem mesmo a humilhante derrota de 4×0 do Santos na final do último Mundial de Clubes mudou esta perspectiva, de buscar discutir o futuro do futebol brasileiro. Os pífios resultados da Seleção Brasileira, aliados à uma inexistência de “maneira de jogador” de todos os grandes clubes do país são frutos da falta de continuidade. Sejam das pessoas, sejam das idéias.

Espanha contra a Suíça na última Copa - Fonte: Arquivo Pessoal

As lamentáveis declarações de Andrés Sánchez, Diretor de Seleções da CBF e ex-presidente do Corinthians, de que o time espanhol passa por uma fase e teve a “sorte” de uma geração de ouro que não vai mais repetir, apenas deixam claro de que o Brasil não discute este assunto com a profundidade que deveria: a ausência de políticas de futebol no cenário nacional.

Não há uma linha de trabalho nas categorias de base do futebol brasileiro focada na formação de atletas e uniformidade da maneira de jogar. Cada clube tem suas características históricas: times como Corinthians e Grêmio basearam-se em marcação forte aliada à qualidade, enquanto equipes como o Santos e o Flamengo quase sempre tiveram sucesso com um futebol mais ofensivo. Isto não importa nesta questão. É irrelevante.

Pois o que devemos observar nos clubes, sejam potências nacionais, forças regionais ou equipes de pequeno porte, é que inexiste um trabalho profundo, buscando formar atletas e unificar linhas de trabalho até chegar ao elenco profissional. Pela volatilidade das questões políticas, afinal pouquíssimos clubes tem permanência de um mesmo presidente ou grupo de conselheiros por um longo tempo, há uma clara deficiência de planejamento dentro do futebol.

Os treinadores chegam e trazem reforços indicados, sem contar indicações ‘casadas’ com seus empresários, muitas vezes sem critério algum. Como o círculo vicioso não termina, a pressão imediata por resultados é muito grande e estes treinadores são demitidos. E o que fazer com os atletas indicados por eles? Recentemente vimos o problema no Grêmio com Silas: indicou Uendel, Ferdinando, Ozéia e William, todos ex-comandados no Avaí. Silas caiu em agosto e o Grêmio ficou com jogadores fora dos planos até o final do ano (Uendel foi pior, ainda tem contrato!).

Outro fator que enxergo como nefasto nesta carência de idéias é a supervalorização dos treinadores. No Brasil se pagam salários superiores à potências européias como Alemanha e Itália. Nomes com poucos títulos nacionais em muitos anos de carreira rodam pelos grandes clubes com salários em uma ascendente, independente dos resultados.

Massimiliano Allegri, ascendente treinador campeão italiano pelo gigante Milan, tem o maior salário do futebol italiano: cerca de 400 mil reais mensais. Isto o deixa em patamar abaixo de Dorival Júnior, Tite, Muricy Ramalho, Cuca, Celso Roth, sem contar os multicampeões Muricy Ramalho, Wanderley Luxemburgo e Felipão. O problema é que Celso Roth ganha salários de 100 mil reais para cima há 10 anos, e só foi ganhar algo de expressão em 2010. Cuca desde 2004 está na rota dos grandes e tem apenas dois estaduais. A relação entre títulos e nível salarial não existe.

Pelas deficiências dos clubes, os técnicos brasileiros são vistos como um “departamento de futebol ambulante“. Que contratam, vendem jogadores como se tivessem o tempo que possuem os managers ingleses. Mas na prática, possuem a instabilidade no cargo de treinadores italianos, que apenas assistem seus presidentes contratarem ou dispensarem atletas.

O que defendo é a adoção de uma política de futebol nos clubes, independente dos dirigentes. Políticas definidas nos planejamentos estratégicos dos clubes, baseadas em critérios científicos e na tradição do clube. Gerando uma identificação das torcidas com seus respectivos times.

Temos ‘cases’ de sucesso na Europa em times gigantescos, como o espanhol Barcelona, grandes potências regionais, como o holandês Ajax. E até mesmo em times pequenos, como o inglês Stoke City e o galês Swansea City.
Isto veremos amanhã…

Os melhores blogs de Esportes: "Carta na Manga"

03 de abril de 2012 2

Há cerca de um ano conheci o blog Carta na Manga através do Twitter. Desde então passei a ser um fiel seguidor do @cartanamanga e principalmente das postagens frequentes no blog, repletas de opiniões fortes e coerentes. Escrito pelo Vicente Fonseca, o Carta na Manga tem dois veículos principais: o blog em si e também o podcast, que conta com a participação de amigos e eventuais participações especiais.

São milhares de posts desde 2006, sendo um dos veículos de opinião esportiva mais antigos ainda em atividade na internet do Brasil. O Carta na Manga me chama a atenção pelo fato de o Vicente não esconde sua preferência clubística (ele é gremista), e ainda assim não perde a isenção nas opiniões sobre o clube e sobre o rival. Isto sem contar um profundo conhecimento sobre o futebol brasileiro, sul-americano e mundial.

Carta na Manga - Opinião Esportiva - Foto: Reprodução

Vamos às perguntas?

Almanaque: Olá, Vicente! Seja bem vindo ao Almanaque Esportivo. Poderia nos resumir como surgiu a ideia de escrever o blog, nos idos de 2006? Sei o quanto é difícil manter um site por tanto tempo com afinco, afinal já estou na internet há 16 anos…

Carta na Manga: a ideia surgiu em 2006, quando eu estava no penúltimo semestre do curso de jornalismo. Foi mais ou menos um mês após a Copa do Mundo. Foi a primeira Copa em que os blogs de colunistas participaram ativamente da cobertura. Lembro que li bastante o do Juca Kfouri, e passei a pensar em ter o meu espaço também. O legal na internet é justamente possibilitar ao estudante de jornalismo fazer jornalismo opinativo sem precisar necessariamente estar empregado em um veículo há muitos anos, como ocorre com a maioria dos colunistas. Como durante a Copa tive excelentes debates sobre os jogos com colegas meus de faculdade, pensei em unir a possibilidade de fazer um jornalismo opinativo e reunir este pessoal que debatia comigo em um espaço só, na internet. Nunca pensei em lucros, audiência ou qualquer coisa neste sentido. A vontade era falar sobre futebol e comentar o que eu via nos jogos.

Almanaque: Neste longo período, surgiram oportunidades de publicar o blog em algum veículo de maior expressão, ou tu preferes manter a independência?

Carta na Manga: nos primeiros anos, tratei o blog como um projeto paralelo, sem intenção de fixar o conteúdo dele a um veículo. A questão da independência pesou bastante. Em 2010, estabelecemos uma parceria com o Sul21, que publica alguns textos do Carta na Manga de vez em quando.

Almanaque: É possível obter algum lucro com as visitações, ou o blog serve como uma atividade complementar prazeirosa mas pouco lucrativa? Qual sua ocupação principal?

Carta na Manga: por muitos anos, mantive o blog paralelamente a meus estudos e ao meu trabalho. Desde o ano passado, estamos procurando profissionalizar o Carta na Manga. Nossa ideia é abrir uma agência de conteúdo em jornalismo esportivo, não apenas de textos, mas também em áudio – nosso podcast, Carta na Mesa, é um produto que temos há quatro anos e pode perfeitamente ser incluído na programação de emissoras de rádio. Atualmente, sou jornalista freelancer, e a busca pela profissionalização do trabalho do blog é o principal desafio das nossas carreiras neste momento. O Igor Natusch e o Felipe Prestes, que são colaboradores do blog, trabalham no Sul21, e estão trabalhando comigo neste desafio.

Almanaque: Nestes quase seis anos, já te envolvestes em alguma grande polêmica, ou algum texto recebeu críticas que tu não imaginavas?

Carta na Manga: críticas fazem parte no jornalismo de internet, que é interativo por excelência. Mas nada de muito grave. Felizmente, o debate no Carta com os leitores foi sempre em altíssimo nível. Acabamos formando uma comunidade que comenta o blog e discute futebol nele. Fiz até amigos pelo blog, é uma experiência muito gratificante. Em uma ou outra oportunidade viram textos meus como uma flauta ao Internacional, pelo fato de eu ser gremista, mas foram fatos muito isolados. Considerando que temos mais de 3,5 mil postagens em quase seis anos de trabalho, é um número insignificante.

Almanaque: E o PodCast? Faz tempo que começou, o pessoal é todo vinculado à FABICO? Ele me chama a atenção pela qualidade das informações, aliadas à uma informalidade que se torna um bate-papo divertido, como não poderia deixar de ser em alunos desta lendária Faculdade de Comunicação…

Carta na Manga: assim como o blog, o Carta na Mesa surgiu da ideia de debater futebol, e também inspirada em um produto em veículo da grande imprensa – no caso, o PodCast da Placar, que eu conheci em 2008. Como sou radialista também e um apaixonado por rádio, sempre tive o sonho de participar de uma mesa redonda esportiva, mas não sabia como viabilizá-la. Como ex-alunos da Fabico, conversamos com a coordenação do Estúdio de Rádio da faculdade, que nos cedeu o horário após às aulas, ao meio dia, para gravarmos o programa. É claro que a ideia de profissionalizar o podcast e o blog vão nos forçar a sair da Fabico em breve e procurar um estúdio particular para tocar o programa e poder comercializá-lo, o que é impossível num estúdio público como o da Fabico. Nossa ideia no programa é debater os principais acontecimentos do futebol de forma descontraída, mas sem cair no piadismo ou nas flautas. Todos têm seu time, o assumem, mas analisamos jornalisticamente o que ocorre. O pessoal entendeu a proposta e curte bastante. Temos uma audiência bastante fiel.
Almanaque: Algum plano especial para o futuro do Carta na Manga? Ou estás satisfeito com o formato atual, sem maiores responsabilidades a não ser com a qualidade das postagens?

Carta na Manga: a ideia é profissionalizarmos o trabalho a partir de uma agência de conteúdo em jornalismo esportivo escrito e de rádio. Quanto ao blog em si, pretendemos mantê-lo do jeito que tem funcionado, mas abertos a oportunidades que porventura venham a surgir.

Almanaque: Apesar de já imaginar a resposta, gostaria que tu formalizasse tuas ideias sobre a mudança radical do jornalismo esportivo no Brasil, o estilo “descontraído” de Tiago Leifert versus o tecnicamente sisudo de Léo Batista/ESPN?

Carta na Manga: não tenho nada contra o jornalismo esportivo que faz piada das furadas dos jogadores. Só acho que ele não pode se tornar o único modo de fezer jornalismo esportivo no nosso país. O Léo Batista, que tu citaste, é tecnicamente perfeito, mas não deixa de ser descontraído também, quando convém. Agora, quando tu deixa de passar os gols da rodada para ficar só falando do nome engraçado de um jogador ou ridicularizando um gol perdido por um centroavante e tornando-o o fato principal de um jogo importante, ou perguntando em entrevista coletiva se um jogador se acha parecido com o Zé Ramalho, o jornalismo esportivo se empobrece. E o público que gosta mesmo de esporte, e não é pequeno, sente falta. É um estilo legal para complementar um jornalismo esportivo mais informativo, mas não pode ser o único estilo de jornalismo esportivo no nosso país, ou mesmo o principal modo de tratarmos o esporte.Almanaque: Finalizando.. e a temporada 2012? Projeções para Libertadores, Eurocopa e Copa do Brasil (post a ser favoritado, hehe!)

Carta na Manga: É sempre muito complicado brincar de adivinhações em futebol. Vejo a Dupla Gre-Nal com boas perspectivas, mas competições como Libertadores e Copa do Brasil, de mata-mata, reservam surpresas. Vejo o Santos, o Fluminense e o Corinthians como rivais importantes do Inter na Libertadores, e Palmeiras e São Paulo como os possíveis estraga-festas do Grêmio na Copa do Brasil. Quanto à Euro, a Alemanha é o melhor time, e acho que somente a Espanha e talvez a Holanda realmente rivalizam em termos de qualidade. Itália e França, ao contrário da Copa do Mundo de 2010, vêm com bons times desta vez, mas estão alguns degraus abaixo.

E assim encerramos mais uma história para contar.

Na próxima semana, será a vez do Continental Circus, do grande português Paulo Alexandre Teixeira. Aguardem!

Post do Leitor: Equipe Inglesa goleia por 58x0 em torneio amador

30 de março de 2012 0

Imagina seu time vencer por 58×0? Foi isto que vimos em uma liga amadora da Inglaterra, vitória do Wheel Power FC de 58×0 sobre o Nova 2010 FC, pela Torban Sunday League no condado de Devon. O leitor Marcio Victoria mandou a notícia para mim e resolvi postar no Almanaque Esportivo.  Superou o 55×0 do Llogan sobre o Madron, em 2010.

O Nova, vice-lanterna da Torban Sunday League com 4 vitórias e 14 derrotas, 38 gols a favor e 227 gols contra, chegou dizimado à partida. Só cinco jogadores apareceram, e de última hora mais quatro foram obtidos. Com dois a menos o jogo inteiro, sem entrosamento, o desastre foi evidente.

Algumas curiosidades do jogo:

  • No primeiro tempo já foi 20×0. Mais 38×0 no 2º tempo.
  • Stuart e Robbie Bowker, irmãos, fizeram 28 gols (18 por Robbie e 10 Stuart).
  • Quando o placar ficou em 50×0, os jogadores queriam encerrar a partida, mas o árbitro ameaçou os mesmos de serem multados se não fossem até o final do jogo.
  • O Nova só deu um chute a gol, do meio-campo, de uma saída de gol.
  • Um gol a cada 90 segundos, praticamente.
  • Ao final do jogo, envergonhados, os derrotados nem confraternizaram e foram imediatamente para casa.

O Wheel Power já havia goleado o Applebys, lanterna da competição, por 30×0 e 27×0. Já o Nova FC 2010 deu uma melhoradinha na rodada seguinte, perdendo “apenas” de 28×1 do Spartans no último domingo.

Foto do time vencedor:

Wheel Power FC, venceu por 58x0 em liga amadora - Reprodução DailyMail: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2118755/Wheel-Power-FC-wins-58-0-Devon-Sunday-league-team-Nova-2010-FC-sets-unwanted-record.html

Os melhores blogs de Esportes: Futebol História

16 de março de 2012 0

Inaugurando uma seção que será fixa em todas as sextas-feiras, vamos falar neste espaço de blogs e sites que eu considero sensacionais e que valem a pena o registro. O primeiro será o do meu amigão Carlos Henrique Oliveira, torcedor do Flamengo e também do CRB-AL. Ele escreve, já há alguns anos, o “Futebol História”, que está hospedado aqui: http://futebolhistoria.blogspot.com.br/

Conheço o CH das listas de discussão de futebol desde 2000, 2001. Fora nossa ETERNA discussão sobre Lúcio (sim, o zagueiraço da Seleção Brasileira), normalmente concordamos em quase tudo. O seu blog, Futebol História, já está há cinco anos abrilhantando o conhecimento sobre o futebol em português. Sobre a história do esporte.

Futebol: uma história para contar - http://futebolhistoria.blogspot.com.br/

Vamos às perguntas?

ALMANAQUE: O que te fez escrever o blog, tão diferente de tua ocupação profissional?

R: Sou funcionário público, trabalho em banco numa área totalmente diferente. Mas sou formando em Comunicação Social e tenho paixão pela crônica esportiva, sobretudo pela história do futebol. Como percebi que pouquíssimas pessoas no país tratam desse assunto tão importante resolvi fazê-lo. Aliando o preenchimento de uma lacuna com o prazer em escrever e pesquisar sobre isso.

ALMANAQUE: Como é a preparação para cada assunto?

R: Primeiramente eu procuro focar em algum assunto em destaque no momento, como alguns recordes batidos, times poucos conhecidos que estão surpreendendo, acontecimento (bons ou ruins) ligados ao futebol, personalidades do mundo da bola, etc. Depois eu faço uma extensa pesquisa apenas em SITES e DOCUMENTOS OFICIAIS, certifico-me das informações com as fontes, quando possível, escolho as fotos na internet (com os devidos créditos, se tiver proprietário) e preparo os textos.

ALMANAQUE: Conheceu pessoas por causa do blog, que geraram amizades depois?

R: Conheci algumas pessoas interessadas no assunto e que compartilham informações. Gerou sim amizade e acabmos nos tornando fontes uns dos outros. As mídias sociais têm esse enorme poder de aproximar as pessoas em um país como o nosso, de dimensões continentais.

ALMANAQUE: Qual post foi o mais polêmico, o que gerou mais comentários?

R: O post mais polêmico é, sem dúvida, a respeito do clube de futebol mais antigo do Brasil ( http://tinyurl.com/7x4owd2). Eu citei o SPAC (São Paulo Athletic Club) e os devidos motivos, mas muitos discordam afirmando ser diversos clubes (Rio Grande/RS, Ponte Preta/SP, entre outros). Gerou muitos comentários, inclusive – e infelizmente – alguns ofensivos que foram devidamente excluídos.

ALMANAQUE:  Que assunto tu ainda não abordou e está na pauta?

R: A história do futebol é muito vasta e vários assuntos importantes ainda não foram tratados no blog. Um que está na pauta, mas não tenho ainda previsão de publicá-lo é um balanço geral da Liga Europa/Copa da UEFA/Taça das Feiras, visto que já fiz isso para a Liga dos Campeões da Europa.

ALMANAQUE: E, para fechar, qual foi o post que mais te deu prazer de escrever?

O fato de apenas escrever no blog me dá muito prazer, apesar do tempo exíguo que tenho fora do meu trabalho. Mas um eu gostei em especial, sobre a polêmica envolvendo São Paulo, Flamengo, Sport e CBF na famigerada Copa União de 1987 e a taça das bolinhas. Como eu entendo que um blog é um espaço de OPINIÕES, não só de informações (isso se deixa para os portais de notícias), comentei sobre o assunto que tanto é repercutido. Publiquei o que realmente aconteceu à época (como várias pessoas já o fizeram) e dei minha opinião, pois achei um absurdo aquilo tudo por trás dos panos. Inclusive porque a esmagadora maioria das pessoas que contestam o título flamenguista de 1987 são torcedores de times rivais, do São Paulo e do Sport. Por motivos meramente clubísticos.

Carlos Henrique Oliveira lá no Santiago Bernabeu - Foto: Arquivo Pessoal

HISTÓRIA DO FUTEBOL - Dois sites sensacionais com imagens históricas

28 de fevereiro de 2012 1

Para os fãs da história do futebol mundial, e que gostam de imagens esportivas, eu vou deixar recomendados dois sites. Um eu já conhecia, o The Football Archivist, já bastante divulgado em abril de 2011 neste espaço. O site tem fotografias raras, momentos históricos e com um foco no futebol britânico.




O outro eu conheci hoje, por indicação do sempre amigo Márcio Gomes. É o I Got Cider in My Ear, focado na Internazionale  e no futebol italiano. Mas já fiz várias pesquisas e achei raridades no mesmo. Realmente vale muito a pena!

I Got Cider in My Ear - Reprodução site: http://interleaning.tumblr.com/

FGF e sua infinita incapacidade de fazer uma tabela de jogos coerente

16 de fevereiro de 2012 4

A Federação Gaúcha de Futebol se supera, ano após ano. Com um campeonato de todos contra todos em turno único, é extremamente tranquilo fazer a tabela de jogos. E, claro, variar as partidas, alternando o mando de campo dos times: em um ano o confronto entre times A e B é na cidade A, no ano seguinte na cidade B. Para times que chegam da segunda divisão, basta metade jogar em casa, metade fora.

Pois bem. Nada disto eles conseguem. A última pérola foi marcar dois jogos para Porto Alegre na última rodada do primeiro turno, e ambos envolvendo a dupla Gre-Nal. Em uma data que  os jogos são simultâneos, por nivelamento técnico. É tão fácil evitar condições assim, mas a FGF é incapaz de perceber que Internacional, Grêmio e São José não poderiam jogar no mesmo dia.

E nem vou considerar o fato de que a rodada é em um sábado de carnaval e a previsão de temperatura para o jogo, no horário solar de 15h20min, é de temperaturas próximas aos 40º celsius

2008 a 2011 – Inter joga seis vezes em Porto Alegre contra times de Santa Cruz do Sul consecutivamente. Às vezes mais de uma vez no mesmo ano (contra o Santa Cruz e Avenida). Enquanto isto, o Grêmio jogava fora de casa contra os mesmos times. Isto foi relatado DUAS VEZES aqui no Almanaque Esportivo, a última em 2010.

2008, 2009 e 2011 – Inter joga sempre contra o São José no Passo D’Areia, enquanto o Grêmio pegava o mesmo time no Olímpico. Detalhe: o Inter já tinha jogado com o Zequinha em 2006 e 2007 no Passo D’Areia.

2009 a 2012 – FGF não consegue colocar a dupla Gre-Nal com número equilibrado de jogos em casa: às vezes um time joga 10 em POA e o outro 7. Bizarro. Isto foi levantado pelo blog Grêmio 1983 na época.

2010 a 2012 – Internacional enfrenta o Pelotas pela 3º vez consecutiva em Porto Alegre, enquanto o Grêmio joga sempre em Pelotas. Ridículo.

2009 a 2012 – Grêmio joga 3 vezes contra o Ypiranga em Erechim e só 1 em POA. Inter tem o mando invertido.

2011 – Ciente de que o Grêmio teria que jogar a pré-Libertadores e o Inter teria folga estendida após o Mundial, a FGF mantém data do Gre-Nal em Rivera para final de janeiro. Resultado: o Tricolor jogou com reservas, e o Colorado com seu time Sub-23. 4 mil pessoas no jogo, absolutamente ridículo.

EDITADO: dica do leitor Luís Bianchi, mais uma da FGF: o Veranópolis pega sempre Juventude e Caxias em casa, e isto se repete há anos.

2009 a 2012 – Regulamento confuso premia times com mais pontos, independente do grupo

VEJA TAMBÉM

Sábado, 31 de maio de 2008
Regulamentos idiotas, parte I – O jogo que o time fez gol contra de propósito

Terça-feira, 03 de junho de 2008
Regulamentos Idiotas, parte II – O dia que o Grêmio jogou para perder

Quarta-feira, 04 de junho de 2008
Regulamentos idiotas, parte III – O dia que o Náutico jogou para perder

Sexta-feira, 29 de maio de 2009
Regulamentos idiotas, IV: Série D 2009, ou ‘como comparar laranjas com melancias’

... e Zâmbia, após frustração e dor, chega ao momento de glória quase 20 anos depois!

13 de fevereiro de 2012 0

Nesta segunda-feira comecei a contar a sensacional história da seleção de futebol de Zâmbia. Que de surpresa dos Jogos Olímpicos de 1988 em Seul passou a vítima da maior tragédia esportiva reunindo uma Seleção apenas cinco anos depois. Agora irei contar o que ocorreu entre o 27 de abril de 1993, quando o avião da Força Aérea Zambiana caiu e matou todos à bordo (incluindo 18 jogadores), e o dia 12 de fevereiro de 2012, quando conquistou o título da Copa Africana de Nações nas penalidades, superando a favorita Costa do Marfim.

Único titular que não estava no trágico vôo, o ídolo nacional Kalusha Bwalya puxou para si a tarefa de reerguer o futebol nacional de Zâmbia, abalado pelo desastre. Liderando uma equipe de jovens inexperientes, Bwalya levou seus comandados até a última rodada das Eliminatórias. Um empate classificaria os zambianos contra o experiente Marrocos, em Casablanca no dia 10 de outubro de 1993, menos de seis meses após o acidente. Em um jogo dramático, os marroquinos venceram por 1×0 e se classificaram. O sonho de uma Copa do Mundo ficava adiado…



Zâmbia ainda causou furor na Copa Africana de Nações do ano seguinte, 1994. Com o mesmo time do ano anterior, heroicamente chegou à decisão contra a Nigéria. Muito mais experiente, o time nigeriano venceu por 2×1 e foi campeão africano pela segunda vez. A vontade de ver Zâmbia no topo estava novamente postergado. Comovidos com o esforço do time, os vice-campeões foram recebidos como heróis em Lusaka por centenas de milhares de torcedores.  Melhores momentos da final:

Os anos se passaram, e depois de um 3º lugar na Copa Africana de 1996, os resultados sumiram. Então, nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, Kalusha Bwalya acumulava o posto de treinador e jogador. No segundo tempo de um modorrento 0×0 contra a Libéria, Bwalya entrou em campo no dia 5 de setembro de 2004, aos 41 anos em seu 147º jogo por seu país. Com um golaço de falta, marcou seu 100º gol por Zâmbia e decretou a vitória por 1×0. Depois, os zambianos não conseguiram a classificação naquele Mundial, tampouco em 2010. Bwalya hoje é dirigente da CAF (Confederação Africana de Futebol) e presidente da Federação Nacional de Futebol.

E chegamos, após quase duas décadas de sofrimento, ao ano de 2012. Zâmbia chegou à Copa Africana de Nações, sediada em Guiné Equatorial e no Gabão (sim, o mesmo país da tragédia de 1993), como uma das forças mas sem favoritismo destacado, que era compartilhado por Costa do Marfim e Gana. Venceu Senegal (2×1), empatou com a Líbia (2×2) e superou a anfitriã Guiné Equatorial por 1×0. Nas quartas-de-finais, 3×0 no Sudão e uma emocionante viagem para Libreville, Gabão.

Com uma campanha sólida, o time de Hervé Renard estava nas semifinais, contra Gana. Venceu por 1×0, com direito a outro pênalti cobrado pelo ganês Gyan Asamoah, e defendido pelo goleiro zambiano Kennedy Mweene. Zâmbia, repetindo 1994, estava na final! Depois do jogo, a delegação foi à praia em Libreville e fez uma sensível homenagem aos 30 mortos daquele abril de 1993:

Neste domingo, também em Libreville no Gabão, o sonho adiado por 19 anos foi concretizado. Em uma atuação heróica, contra os favoritos de Costa do Marfim, Zâmbia venceu nos pênaltis por 8×7 depois de um 0×0 no tempo normal e prorrogação. Um jogo com tons de drama, incluindo pênalti desperdiçado pelo centroavante marfinense Didier Drogba aos 25 do 2º tempo.

O time zambiano fez ótimo jogo e, com exceção da penalidade já citada, teve as melhores chances da partida. Sobretudo com Chris Katongo, melhor jogador da final e do torneio, que obrigou o goleiro marfinense Barry a um milagre no primeiro tempo da prorrogação.

Depois de sete cobranças perfeitas para cada lado, o veterano Kolo Touré errou para Costa do Marfim. Rainford Kalaba teve a chance do título para Zâmbia, mas isolou. O pesadelo ressurgia?

Não desta vez: a estrela Gervinho, do Arsenal, bateu mal e para fora a cobrança seguinte de sua equipe.
Com toda a pressão de 19 anos de dor e frustrações,  Stophira Sunzu foi para a cobrança derradeira.

Ele bateu e marcou.

Zâmbia 8×7.

Enfim, campeão africano!

Doze milhões de pessoas entraram em catarse coletiva.

E uma nação deixou seus mortos descansarem em paz…

Parabéns Kalusha Bwalya!

Parabéns Zâmbia!

MELHORES MOMENTOS DE ZÂMBIA 0X0 COSTA DO MARFIM

DISPUTA DE PÊNALTIS, ZÂMBIA 8X7 COSTA DO MARFIM

CONTO DE FADAS DE ZÂMBIA

Parte I: Jogos Olímpicos de 1988 e a tragédia aérea em 1993

Parte II: Os anos perdidos (1993, 1994, 2006) e a glória na Copa Africana de Nações em 2012

O "conto de fadas" se completa e Zâmbia é campeã africana após décadas de dor

13 de fevereiro de 2012 0

A Seleção de Zâmbia é campeã africana pela primeira vez em sua história. Conquistou o título contra a favorita Costa do Marfim nas penalidades por 8×7 , após um 0×0 no tempo normal e prorrogação. Só que esta não foi uma conquista especial por ser inédita, por ser o ponto máximo de toda a seleção da África.

Zâmbia é campeã africana de nações - Foto: Issouf Sanogo, AFP

Ela evidencia a redenção de uma nação, que enfim poderá homenagear seus mortos com uma conquista inesquecível. O jogo de ontem reuniu elementos de alegria, dor, frustração e uma saudade daqueles que se foram antes da hora… E nada mais singular, mais emblemático, mais significativo do que a decisão ter sido disputada em Libreville, no Gabão. Justamente o local da maior tragédia do esporte naquele país.

Era uma vez um time jovem, que pela primeira vez se classificou para os Jogos Olímpicos. O ano era 1988, Olímpiadas de Seul. Este time, classificado ao lado de Tunísia e Nigéria, caiu em um grupo que tinha Iraque, Guatemala e a favoritaça Itália. No dia que este que vos escreve completava nove anos de idade (19 de setembro de 1988), os italianos de Mauro Tassotti, Ciro Ferrara, Steffano Tacconi, Andrea Carnevale foram impiedosamente goleados por 4×0. Três gols de Kalusha Bwalya. Guardem este nome…

Líder da primeira fase, Zâmbia foi superado nas quartas-de-final pela forte  Alemanha Ocidental (de um tal Jurgen Klinsmann…) por 4×0 e ali se encerrava a primeira participação zambiana em uma competição de alto nível. E uma ótima impressão. Cinco anos se passaram e Zâmbia era a sensação do futebol africano. Com um futebol ofensivo, liderava seu grupo nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Passaram da primeira fase e estavam no triangular final com o favorito Marrocos e mais o Senegal. O craque do time, Kalusha Bwalya, jogava no holandês PSV Eindhoven e chegaria direto à Dakar, no Senegal.

Antes do primeiro jogo, no dia 27 de abril, um avião da Força Aérea de Zâmbia levava a delegação, com 18 atletas e o treinador Godfrey Chitalu. O avião teve problemas no motor detectado na escala em Libreville, Gabão (isso, o local da conquista de ontem). Mesmo assim decolou, para cair no mar 500 metros depois da costa. Todos morreram, incluindo cinco jogadores que disputaram as Olimpíadas: Derby Makinka, Eston Mulenga, Richard Mwanza, Samuel Chomba e Wisdom “Mumba” Chansa. Apenas Bwalya , que ainda estava na Holanda antes de se reunir com a delegação, e Charles Musonda, lesionado e que estava na Bélgica, sobreviveram entre todos os 11 titulares.

Era o momento mais trágico do esporte na jovem nação.

Zâmbia chorou por seus mortos.

O capitão e ídolo Bwalya levantou-se da dor e comandou uma revolução.

O mundo da bola seguiu…

Isto veremos ainda hoje, aqui no Almanaque Esportivo.

CONTO DE FADAS DE ZÂMBIA

Parte I: Jogos Olímpicos de 1988 e a tragédia aérea em 1993

Parte II: Os anos perdidos (1993, 1994, 2006) e a glória na Copa Africana de Nações em 2012

Lendas do futebol egípcio se aposentam após tragédia em Port Said

02 de fevereiro de 2012 0

A tragédia causada pela violência ontem em Port Said, no Egito, faz mais vítimas. Além dos 74 mortos confirmados e mais de mil feridos no conflito após o jogo Al-Masry 3×1 Al-Ahly, jogadores pediram aposentadoria dos gramados, incluindo lendas do futebol nacional.As estrelas Mohamed Abou-Treika (33 anos), Emad Meteab (28 anos) e o técnico português Manuel José (65 anos) se aposentaram do futebol.  Já Mohamed Barakat (35 anos) pediu um tempo longe dos gramados.

Os casos mais emblemáticos são do técnico português Manuel José e do astro Abou-Treika, eleito o melhor jogador africano várias vezes. Os dois são ícones do futebol local, tricampeões africanos de clubes pelo mesmo Al-Ahly, clube mais popular do continente. Em 2006, ficaram em terceiro lugar no Mundial de Clubes da FIFA, perdendo para o Internacional nas semifinais e vencendo a disputa contra o América do México pelo 3º lugar.

As causas dos incidentes ainda estão sendo investigadas. Dirigentes da Federação Egípcia de Futebol e o Governador da Província de Port Said já deixaram seus cargos. A polícia é acusada de omissão, e fortes indícios apontam para conflitos políticos que estouraram no futebol. A Irmandade Muçulmana acusa simpatizantes do ex-ditador Hosni Mubarak de terem orquestrado o conflito, que se iniciou instantes após o término da partida.

Nesta quinta-feira, protestos eclodiram em grande parte do país, sobretudo na capital Cairo.