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Posts com a tag "futebol inglês"

FUTEBOL PELO MUNDO: Histórias de verdadeiro "fair-play" em gols e pênaltis

30 de outubro de 2012 0

A discussão sobre o gol ilegal de Hernán Barcos com a mão contra o Internacional e a falta de “fair-play” do jogador argentino do Palmeiras remeteram ao lance ocorrido com o alemão Miroslav Klose, da Lazio, que também fez gol com a mão mas se acusou e o lance foi invalidado. Vejam o lance do alemão:

Ao longo dos anos, criei a convicção que este “fair-play” imposto à força pela FIFA e pela UEFA são totalmente contrários ao bem do futebol. Jogadores fingem lesões para parar o jogo, o tempo de jogo em andamento é reduzido, fora o inevitável “mimimi”. Sendo assim, resolvi homenagear alguns lances de verdadeiros momentos de “fair-play”:

  • ROBBIE FOWLER, ARSENAL X LIVERPOOL – 1997 – CAMPEONATO INGLÊS

O temperamental e talentoso atacante inglês Robbie Fowler, uma lenda dos torcedores do Liverpool, protagonizou um dos mais memoráveis lances que eu vi de puro “jogo limpo”. Em uma partida duríssima contra o rival Arsenal em Highbury Park peloCampeonato Inglês em 1997, Fowler caiu na área após toque com David Seaman, goleiro do Arsenal.

Imediatamente, o juiz Gerald Ashby marcou pênalti. Então a surpresa: Fowler categoricamente acenou e falou que não foi pênalti, mas o juiz não voltou atrás. Batedor-oficial, Fowler acabou batendo mal (não errou de propósito segundo ele), Seaman pegou mas no rebote Jason McAteer tocou para as redes:

  • VITTORIO ESPOSITO, U.S. TERMOLI X TORRES – COPPA ITALIA DILLETANI 2012

Em jogo válido pela Copa da Itália amadora, a “Coppa Italia Dilletani”, o U.S. Termoli vencia o Torres por 1×0 e já se classificava. Quase no final da partida, Vittorio Esposito caiu na área e o juiz deu pênalti, mesmo com o jogador dizendo que não foi e para desespero do Torres. Em protesto, o goleiro não se mexeria na cobrança, de braços cruzados. Porém Esposito fez questão de errar o pênalti, chutando propositadamente para fora, em um momento de grandeza:

  • MORTEN WIEGHORST – DINAMARCA X IRÃ – TORNEIO AMISTOSO CARLSBERG CUP 2003

O capitão dinamarquês Morten Wieghorst também agiu de maneira admirável em um torneio amistoso de 2003. Quase no final do primeiro tempo de um jogo contra o Irã, válido pela competição amistosa Carlsberg Cup em Copenhague, o defensor iraniano Alireza Nikbakht Vahdi pegou a bola com a mão na grande área após ouvir o apito final do juiz. Porém o apito havia vindo da arquibancada, confundindo o atleta, que acabou tendo uma penalidade contra si marcada pelo árbitro Albert Chiu Sin Chuen, que não tinha outra escolha.

Após consultar o técnico Morten Olsen, Wieghorst propositadamente bateu o pênalti para fora por considerar injusta esta vantagem. Deste lance, não tenho imagens mas pesquisei que a partida encerrou-se em 1×0 para os iranianos. Sobre isto, um dirigente iraniano disse: “Os dinamarqueses não ganharam o jogo. Mas ganharam a nossa admiração”.

Outras histórias eu já contei aqui no Almanaque, vou resumir nos links abaixo:

URGENTE: Torcedor invade campo e agride goleiro em jogo na Inglaterra

19 de outubro de 2012 1

O goleiro Chris Kirkland, do Sheffield Wednesday, foi covardemente agredido no empate de 1×1 contra o Leeds United, partida terminada há poucos instantes pela Segunda Divisão Inglesa.

No estádio de Hillsborough, de triste lembrança para todos, um torcedor não identificado e que voltou para a arquibancada invadiu o gramado logo após o empate do Leeds, aos 31 minutos do segundo tempo e derrubou Kirkland, que foi surpreendido com um empurrão no rosto com as duas mãos?

O jogo terminou 1×1, gols de Bothroyd para o time da casa e Tonge para o Leeds.

Hooligan agressor na arquibancada - Fonte: Video Caption

JUSTIÇA: 23 anos depois, tragédia em Hillsborough ainda abala Liverpool

18 de setembro de 2012 3

Uma linda cena marcou a entrada do jogo  Everton 2×2 Newcastle, pelo encerramento 4° rodada do Campeonato Inglês. Uma menina, com camisa azul do Everton, entrou de braços dados com um garoto de camisa vermelha, do Liverpool, arquirrival da região de Merseyside.  Nas camisas de ambos, o número 9 + o número 6, sintetizando a mensagem: “Justiça para os 96“.

Depois de duas décadas acusados de terem causado uma tragédia nos gramados, as vítimas da maior tragédia do futebol europeu enfim foram inocentados de todas as acusações, dando paz para a família das quase cem vítimas fatais, e os 766 feridos daquela tarde de primavera de 1989… É esta história que queremos contar hoje.

Menina e Menino com a mensagem - Justiça para os 96 - Reprodução TV

Na última semana, o futebol inglês e a sociedade britânica enfim mostraram que a Justiça (a entidade, com letra maiúscula no nome) pode demorar. Talvez 23 anos. Ela também pode unir torcedores com uma rivalidade tão grande como Everton e Liverpool, tão diferentes entre si. Mas cientes de seu papel em busca de um esporte, de um país e de uma vida melhor. E que, se ela for incessantemente almejada, um dia será obtida.

O  Primeiro-Ministro britânico David Cameron divulgou os resultados de um relatório independente de mais de 396 páginas no qual o Governo assumiu a responsabilidade na tragédia de Sheffield, na qual 96 torcedores do Liverpool morreram no estádio Hillsborough, em um jogo da Copa da Inglaterra contra o Nottingham Forest pela temporada de 88/89.

As palavras do Primeiro-Ministro são claras: “Em nome do Governo, e consequentemente de toda a nação, eu profundamente peço desculpas por esta dupla injustiça não-corrigida por tanto tempo”.Cameron assim isentava de quaisquer culpa os torcedores, tese defendida desde o início pela Polícia do condado de York, e apoiada por uma infame capa do tablóide The Sun.

Segundo a tese policial, divulgada amplamente pelo jornal de maior circulação no país, a culpa do desastre foi da torcida: torcedores roubaram os mortos e moribundos, bêbados causaram o incidente e mijaram nos policiais, além de espancar os mesmos quando estes estavam fazendo respiração boca-a-boca.

Capa do The Sun em 1989 culpando a torcida e da semana passada pedindo desculpas

No dia 14 de abril de 1989, um estádio superlotado e uma inacreditável sequência de erros das autoridades do jogo e da polícia do condado de York causaram a maior tragédia da história do futebol europeu, uma das piores no futebol mundial. Foi o ápice de décadas de horrores nos estádios ingleses, misturando violência, maus-tratos, estádios decrépitos e uma estrutura em colapso.

A estupidez da ação policial naquele dia, que não abriu os portões do gramado e suspendeu o jogo. Quando uma grade foi derrubada, os policiais foram para cima dos torcedores com cachorros, batendo nos mesmos para “evitar uma invasão” enquanto pessoas lutavam por suas vidas. O goleiro Bruce Grobelaar foi um dos primeiros a perceber que estava tudo errado: “-Pessoas me diziam, esmagadas na grade: Bruce, me salva, estou sufocando. Pedi ajuda para uma policial, que disse que ia chamar seu chefe“.

Menos de 10 minutos e o jogo foi suspenso pelas autoridades. As grades foram abertas, mas só uma ambulância estava dentro do estádio. Do lado de fora, 42 ambulâncias chamadas emergencialmente esperavam porque a informação errada de que havia uma batalha campal no gramado estava sendo divulgada pelas autoridades.

O estudo do Painel Independente apontou as seguintes constatações (em inglês):

  • Os torcedores do Liverpool foram vítimas, não causadores do incidente.
  • Os torcedores, mortos ou feridos, não causaram a tragédia por estarem bêbados.
  • Os torcedores tinham ingressos.
  • A polícia de York alterou 164 documentos e relatórios oficiais para incriminar os torcedores.
  • O relatório original dizia que todas as vítimas morreram antes de 15h15min. Porém neste horário, mais de 41 vítimas estavam vivas.
  • Até 59 vítimas poderiam ter sido salvas se o socorro tivesse sido mais adequado, o jogo cancelado antes mesmo de começar.
  • A polícia foi responsável por não controlar a multidão.
  • A polícia foi responsável por não paralisar o jogo e atender as vítimas que estavam esmagadas e asfixiadas nas grades de proteção, a 1 metro do gramado.

Torcedores sufocados e asfixiados no estádio – Polícia nada fez

  • O estádio não estava de acordo para um jogo de tamanha importância, sua capacidade foi superestimada.
  • Havia ocorrido esmagamento naquele mesmo estádio um ano antes, também em um jogo contra o Liverpool.
  • Não havia um plano para desastre de grandes proporções implementado no estádio pelas autoridades.
  • A  Polícia de South Yorkshire e um membro importante da política local, Irvine Patnick, foram as fontes das matérias sensacionalistas do The Sun, então comandado pelo editor Kelvin MacKenzie.
  • Os policiais alteraram os registros no sistema nacional de identificação colocando referências a teores alcoólicos nos mortos, culpando uma suposta bebedeira.
  • Os policiais fizeram exames de sangue sem consentimento das vítimas fatais. Inclusive das crianças (50% dos mortos eram menores de idade, o mais jovem sendo um garoto de 10 anos, primo da lenda do Liverpool Steven Gerrard).
  • Não houve evidências de que os torcedores planejaram para chegarem atrasados (e forçarem as entradas), tampouco de que roubaram as vítimas.
  • Após as orquestradas matérias do “The Sun”, o Governo fez veladas críticas aos torcedores, assim como dirigentes da UEFA, incluindo seu presidente.
  • A Primeira Ministra Margaret Tatcher se omitiu de uma posição mais firme e deixou claro que um relatório independente culpando a polícia seria um “desastre para a credibilidade da instituição”. Está claro na nota de gabinete do Briefing de sua secretária particular
  • O Governo enviou os resultados para o Promotor-Geral que irá decidir se fará processos, além de autorizar as famílias a buscarem seus direitos na justiça.

O presidente do “Hillsborough Families Support Group” (ONG de apoio às vítimas da tragédia) Trevor Hicks (que perdeu as duas filhas adolescentes na tragédia), exigiu a renúncia de autoridades policiais ligadas à investigação original e ao encobrimento dos fatos. Também não aceitou as desculpas do ex-editor do The Sun, McKenzie. Aliás, expulsou os jornalistas do tablóide da coletiva.

Aliás, o jornal The Sun até hoje é boicotado em Liverpool e condado de Merseyside. O The Sun vendia 200 mil cópias diárias na época e hoje vende apenas 12 mil naquela região. De um total de 3.3 milhões ao dia. McKenzie, até semana passada, se recusava a pedir desculpas para as vítimas. O tablóide, que novamente pediu desculpas semana passada, já havia feito um “mea-culpa” em 2004.

A tragédia fez os ingleses mudarem a relação com o esporte. Por exigência do Governo, foi preparado um estudo através do Barão Taylor de Gosforth, denominado “Relatório Taylor“.

Tudo que você hoje vê no futebol inglês, de estádios confortáveis, torcedores comportados e um espetáculo para a família começou a partir da tragédia de Hillsborough, desta análise profunda no futebol inglês. Já contei esta história:

Peter Taylor, Barão de Gosforth e seu famoso Relatório Taylor - Culpando os responsáveis

Relatório Taylor: como mudar o futebol de um país

Enfim, se encerra o capítulo mais doloroso da história do Liverpool.

A civilidade venceu a violência. A morte.

A corrupção dos valores mais sagrados da humanidade.

Homenagens dos torcedores do Everton para a torcida do Liverpool

O menino com a camisa do Liverpool e a menina com a camisa do Everton só representavam um sentimento que uniu uma cidade em torno de um pensamento: “Podia ter sido conosco. Ocorreu com nossos amigos, nossos parentes”

JUSTIÇA PARA OS 96

O Fascismo no futebol europeu - Série Especial no Almanaque Esportivo

04 de agosto de 2012 0

Em 2007, escrevi uma série no Almanaque Esportivo sobre grupos de ultra-direita envolvidos no futebol. Não só englobavam torcedores violentos, como também tinham posicionamentos políticos radicais. Em resumo, essencialmente grupos racistas, xenófobos e violentos.

The Muckers - Torcida neonazista do modesto inglês Blackpool

E violência é inimiga do futebol. Isto não combina, não faz sentido. Não existe.

Para lutar contra um inimigo, temos que conhecê-lo o máximo possível. Esta foi a intenção da série de posts sobre grupos de ultra-direita inseridos no futebol. Espero que tenham gostado.

O FASCISMO NO FUTEBOL EUROPEU

Postado por Alexandre Perin

Gol antológico de senegalês deixa Newcastle muito perto da Liga dos Campeões

02 de maio de 2012 1

Um golaço do senegalês Papiss Demba Cissé selou a vitória de 2×0 do Newcastle United sobre o Chelsea em pleno estádio de Stamford Bridge e chamou a atenção do mundo da bola. Cissé, já nos acréscimos, desferiu um petardo em curva sem chances para o paredão tcheco Petr Cech. Cissé é a contratação de 2012 na Inglaterra: custou 15 milhões de dólares junto ao Freiburg e já fez impressionantes 13 gols em 12 jogos, inclusive os dois de hoje. Vejam a pintura do segundo gol:

O ótimo resultado deixou o Newcastle com 65 pontos, empatado com o Tottenham em 5º lugar e apenas 1 ponto atrás do Arsenal, 3º colocado. Faltam apenas duas rodadas para o término do Campeonato Inglês.

Políticas de futebol? Utopia no Brasil, mas realidade na Europa, parte II

23 de abril de 2012 0

Ontem analisamos as políticas de futebol dos grandes clubes brasileiros. Ou seria melhor dizer: a ausência das mesmas. Está claro que este problema depende de muitas coisas: profissionalização dos clubes, estabilidade política, projeção de resultados a médio-longo prazo, consistência financeira. Hoje vamos estudar quatro exemplos, totalmente diferentes entre si, e que reforçam a idéia da política de futebol: Barcelona, Ajax, Stoke City e Swansea City.

No Barcelona, desde 1988 o time joga no 4-3-3, em todas as divisões. O “tiki-taka“, método de passes curtos, movimentação intensa e jogadas em aproximação, foi adotado por Johan Crujff, Louis Van Gaal, Frank Rikjaard e agora Josep Guardiola. Isto aliado a um fortíssimo trabalho de categorias de base fez o clube se tornar tricampeão europeu em menos de 10 anos com mais da metade do time formado em suas “canterias”. É claro que o sucesso estrondoso das últimas 4 temporadas está aliado a fatores como ter 3 jogadores acima da média ao mesmo tempo: Iniesta, Xavi e Lionel Messi, o melhor do mundo.

A filosofia de futebol está lá: o técnico Guardiola, também formado no clube e ídolo por mais de uma década do time, já decretou que prefere improvisar volantes se não trouxer um zagueiro do estilo que ele quer: que saiba sair jogando. O contra-ponto ocorre em algumas contratações inexplicáveis, como a do excepcional sueco Zlatan Ibrahimovic, que teve uma temporada horrenda no Barça. Mesmo muito técnico e exímio goleador, seu estilo de jogo não ‘casou’ com o Barça e acabou relegado a um papel secundário. Vejam a diferença no jogo Chelsea 1×0 Barcelona da semana passada:

Chelsea 1x0 Barcelona - Fourfourtwo.com

Passes no ataque de Chelsea 1x0 Barcelona - FourFourtwo.com

No Ajax há quase 40 anos se joga, com alguns intervalos, no 3-4-3, com um losango no meio-campo, jogando em velocidade pelos flancos. Aliás, o time holandês é a fonte de inspiração do Barça, que recebeu a lenda holandesa Johan Crujff nos anos 70 como jogador e anos 80 e 90 como treinador e depois dirigente. Vale lembrar do time campeão europeu e mundial de 1995: oito jogadores foram formados no clube. Isto não é por acaso: o clube tem mais de 60 times de categorias de base e a melhor rede de olheiros do planeta.

Ajax no célebre 3-4-3 dos anos 80 - this11.com

Mesmo times menores temos exemplos de sucesso. O Stoke City é um antiquíssimo clube que completa 150 anos no ano que vem. Tradicionalmente na Segunda Divisão, sem títulos relevantes. Adquirido por um consórcio islandês, subiu para a Primeira Divisão em 2008. Por anos sua meta sempre foi escapar do rebaixamento e o clube adotou uma política radical: um estilo defensivo, direto, baseado no contato físico, bola aérea e velocidade. Posse de bola e passes laterais? Esquece. Bola longa, sempre. Vejam os gráficos do Chelsea contra o Barcelona, tirem toda a qualidade técnica do time londrino e, pronto: está feito o Stoke City.

O moderno Britannia Stadium tem as dimensões mínimas: 100 x 64, para facilitar a de. As jogadas de cobrança de lateral de Rory Delap já se tornaram lendárias, com inúmeros gols marcados assim. Os treinadores são contratados seguindo esta filosofia, e o atual Tony Pulis tem tido ótimos resultados em Copas Inglesas e garantindo, pelo segundo ano seguido, vaga na UEFA Europa League.

O estilo de jogo do Stoke City. A posição do centroavante depende do vento... - Fonte: http://www.holtamania.com

Seus torcedores cantam: ““We’re Stoke City, we’ll play how we want” (“nós somos o Stoke City, e nós jogamos como quisermos”) . E o mais legal é  que eles jogam mesmo! Vejam abaixo o compacto de um jogo que define a maneira de jogar da equipe de Stoke-on-Trent:

Do mesmo porte, mas seguindo uma filosofia totalmente diferente, temos o galês Swansea City. Em dez anos, saiu da zona de rebaixamento para a quinta divisão para a divisão de elite do futebol inglês. Desde 2007 o clube segue uma abordagem latina, em especial o futebol de influência catalã da Espanha. Trazida pelo técnico Roberto Martinez, ex-jogador do próprio time, os Swans seguem a filosofia do Barcelona, de passes curtos e triangulações, que foi mantida por seu sucessor técnico Paulo Bento e pelo atual, o elogiadíssimo Brendan Rodgers.

O time sempre sai com a bola jogando e é recordista de passes na Premier League. Abaixo imagens da troca de passes na derrota de 2×0 para o Newcastle. O que deixa claro que, ganhando ou perdendo o time joga sempre igual:

O "Swanselona" de Brendan Rodgers - Fonte: fourfourtwo.com

E imagens amadoras de um jogo do time reserva contra o Liverpool. Isto deixa bem claro que não é só o time titular e sim todo o clube com este comprometimento:

O fato é que equipes muito modestas, como o Stoke e o Swansea, conseguem permanecer com folga na Primeira Divisão Inglesa, enquanto times tradicionais como Southampton, Newcastle, Sunderland e Leeds United foram rebaixados recentemente. Com poucos recursos, estes times buscaram aprimorar idéias, mesmo que radicalmente diferentes entre si.

Barcelona, Ajax, Stoke e Swansea acharam uma identidade.
Uma maneira de jogar.
O sucesso é consequência.

Post do Leitor: Equipe Inglesa goleia por 58x0 em torneio amador

30 de março de 2012 0

Imagina seu time vencer por 58×0? Foi isto que vimos em uma liga amadora da Inglaterra, vitória do Wheel Power FC de 58×0 sobre o Nova 2010 FC, pela Torban Sunday League no condado de Devon. O leitor Marcio Victoria mandou a notícia para mim e resolvi postar no Almanaque Esportivo.  Superou o 55×0 do Llogan sobre o Madron, em 2010.

O Nova, vice-lanterna da Torban Sunday League com 4 vitórias e 14 derrotas, 38 gols a favor e 227 gols contra, chegou dizimado à partida. Só cinco jogadores apareceram, e de última hora mais quatro foram obtidos. Com dois a menos o jogo inteiro, sem entrosamento, o desastre foi evidente.

Algumas curiosidades do jogo:

  • No primeiro tempo já foi 20×0. Mais 38×0 no 2º tempo.
  • Stuart e Robbie Bowker, irmãos, fizeram 28 gols (18 por Robbie e 10 Stuart).
  • Quando o placar ficou em 50×0, os jogadores queriam encerrar a partida, mas o árbitro ameaçou os mesmos de serem multados se não fossem até o final do jogo.
  • O Nova só deu um chute a gol, do meio-campo, de uma saída de gol.
  • Um gol a cada 90 segundos, praticamente.
  • Ao final do jogo, envergonhados, os derrotados nem confraternizaram e foram imediatamente para casa.

O Wheel Power já havia goleado o Applebys, lanterna da competição, por 30×0 e 27×0. Já o Nova FC 2010 deu uma melhoradinha na rodada seguinte, perdendo “apenas” de 28×1 do Spartans no último domingo.

Foto do time vencedor:

Wheel Power FC, venceu por 58x0 em liga amadora - Reprodução DailyMail: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2118755/Wheel-Power-FC-wins-58-0-Devon-Sunday-league-team-Nova-2010-FC-sets-unwanted-record.html

HISTÓRIA DO FUTEBOL - Dois sites sensacionais com imagens históricas

28 de fevereiro de 2012 1

Para os fãs da história do futebol mundial, e que gostam de imagens esportivas, eu vou deixar recomendados dois sites. Um eu já conhecia, o The Football Archivist, já bastante divulgado em abril de 2011 neste espaço. O site tem fotografias raras, momentos históricos e com um foco no futebol britânico.




O outro eu conheci hoje, por indicação do sempre amigo Márcio Gomes. É o I Got Cider in My Ear, focado na Internazionale  e no futebol italiano. Mas já fiz várias pesquisas e achei raridades no mesmo. Realmente vale muito a pena!

I Got Cider in My Ear - Reprodução site: http://interleaning.tumblr.com/

Suicídio de treinador abala futebol europeu: veja outros casos

27 de novembro de 2011 1

Gary Speed, ídolo do Leeds United e Newcastle United e atualmente treinador de País de Gales, se suicidou neste domingo. Um dos recordistas de jogos da história da Primeira Divisão Inglesa, Speed se enforcou em casa em um incidente que chocou o futebol europeu neste final de semana. Não existem ainda informações sobre um período depressivo do treinador, que vinha fazendo um ótimo trabalho recentemente pela seleção de seu país. De 42 anos, Speed deixa mulher e dois filhos.

Vejam o emocionante ‘minuto de silêncio’ no jogo Swansea City x Aston Villa, curiosamente um jogo em solo galês, no qual os torcedores, ao invés do magnífico silêncio sepulcral, cantaram “There is only one Gary Speed“: http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/15910765.stm

Este lamentável fato nos faz lembrar outros casos famosos, todos muito ligados à depressão clínica. No futebol brasileiro, o mais famoso é do goleiro Carlos Castilho, lenda do Fluminense e que se matou em 1987. A Alemanha ficou chocada com o suicídio do goleiro Robert Enke, da Seleção Alemã e do Hannover, que se atirou na frente de um trem em 2009.

O futebol latino-americano lamentos as perdas de Raimundo Tupper (Seleção do Chile, Universidad Catolica), Lester Morgan (Seleção da Costa Rica) e de Ramiro Castillo (Seleção da Bolívia, Bolívar). Também vale ressaltar o espanhol Joan Gamper, o catalão jogou e que fundou três times: os suíços Basel e Zurich, e o gigantesco espanhol Barcelona.

A própria Inglaterra lembra-se dolorosamente do suicídio do atacante nigeriano Justin Fashanu (Norwich City, Notts County e Nottingham Forest), o primeiro jogador gay publicamente assumido enquanto atleta, que se suicidou após ser acusado (sem provas concretas) de ter cometido estupro em um menor, além de Dave Clement (Seleção da Inglaterra e Queens Park Rangers). Os escoceses Hughie Gallacher (Seleção da Escócia, Airdrie, Newcastle United ) e Erich Schaedler (Seleção da Escócia, Hibernians); e o italiano Agostino di Bartolomei (Roma e Milan) são outras trágicas lembranças.

Um tributo ao ótimo Gary Speed:

Nottingham Forest joga mal, perde clássico e tira a esperança dos torcedores

17 de setembro de 2011 0

Este texto inaugura o espaço dos colaboradores aqui no Almanaque Esportivo. O primeiro texto é do amigo Luís Felipe dos Santos, sobre o clássico  Nottinham Forest 1×2 Derby County, pela Segunda Divisão Inglesa. A idéia é ter visões diferentes do esporte, e vamos começar pela cativante segundona inglesa, no qual praticamente todos os jogos os times jogam em um ritmo alucinante, buscando sempre a vitória. Confiram:

“Nottingham Forest joga mal, perde clássico e tira a esperança dos torcedores”

No início do campeonato da segunda divisão, o Forest era candidato à chegar na Premier League. Na prévia do Guardian (http://www.guardian.co.uk/football/2011/jul/31/championship-predictions-new-season), o Forest não estava entre os quatro favoritos à promoção, mas era considerado forte candidato.  Porém, em sete jogos, o time que leva duas Copas dos Campeões no currículo tem apenas uma vitória, e a realidade do campo não dá qualquer esperança de volta aos tempos de glória. A derrota no clássico contra o Derby County em casa (1-2) é definitiva.

Derby com 10 bate Forest fora de casa - Reprodução site Derby County: http://www.dcfc.co.uk/page/Home

Claro que a Championship é um campeonato longo, são 46 jogos, há muita água por rolar. As primeiras impressões do time de Steve McClaren, porém, são desastrosas. O técnico (campeão da League Cup com o Middlesbrough em 2004, ex-técnico da Seleção Inglesa, demitido por não conseguir classificação para a Euro 2008) viu no Nottingham Forest uma chance de retomar sua carreira na terra da Rainha, mas logo teve as asas cortadas pela modéstia do clube nos investimentos. O Forest investiu pesado na temporada 09/10, falhou nos playoffs da promoção por dois anos seguidos, e ainda está pagando dívidas desse período. Por isso, os principais reforços não passaram do meia Andy Reid (bem acima do peso), Ishmael Miller (centroavante tosco) e Matt Derbyshire (que tenta retomar a carreira depois de jogar na Grécia).

Talvez a falta de investimentos tenha desmotivado McClaren, que não consegue repetir no Forest uma das suas principais qualidades – organizar times medianos. O Forest, nesse sábado, conseguiu uma vantagem logo ao primeiro minuto de jogo, quando o goleiro do Derby Fielding saiu mal, fez pênalti em Miller e ainda foi expulso. Com 1×0 a favor, em casa, no clássico, era esperado que o Forest dominasse a partida. O Forest dominou apenas a posse de bola: faltava habilidade no meio, organização para tentar os ataques. O time vermelho se limitava a chutões e trombadas dentro da área.

O belíssimo gol de Ward, que deu um toque no meio das pernas de Gunter e finalizou quase sem ângulo, empatou o jogo para o Derby e colocou uma bigorna de pressão na cabeça do Forest. Incapaz de articular uma jogada ofensiva, o time foi vaiado na ida ao vestiário. Com o segundo tempo praticamente igual, o técnico do Derby Nigel Clough foi inteligente: colocou Nathan Tyson e aumentou o poder ofensivo da sua equipe. Deu certo: Shackell perdeu um gol feito aos 20 minutos, pouco depois Jeff Hendrick aproveitou um rebote na entrada da área e fez um belo gol, decretando a vitória por 2-1 no clássico.

O Forest é uma equipe com pouco equilíbrio emocional. Somando isso à baixa capacidade técnica dos seus jogadores de meio campo e ataque, a vantagem de 1-0, que daria tranquilidade, tornou-se um transtorno. O Forest entrou na zona de rebaixamento, com assustadores 5 pontos em 7 jogos (22º lugar), enquanto o Derby é 3º (15 pontos em 7 jogos).

Com o mau futebol apresentado, é bem provável que os fãs desse glorioso vira-lata do futebol inglês esperem pelo menos mais uma temporada para vê-lo entre os grandes.