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Posts com a tag "futebol italiano"

TÚNEL DO TEMPO: Há 12 anos, Grêmio e Roma conquistavam títulos históricos

17 de junho de 2013 5

17 de junho de 2001. Grêmio e Roma há doze anos conquistaram seus últimos títulos de imensa repercussão e trouxeram uma alegria inconteste aos seus torcedores. E curiosamente pelo mesmo marcador: 3×1.

Na ocasião, a Roma bateu  em um estádio Olímpico lotado e conquistou seu terceiro e último “scudetto“. Já o Tricolor gaúcho, do estádio Olímpico (curiosamente) contrariou as expectativas e simplesmente obliterou o Corinthians em um Morumbi lotado, 3×1 fora o baile e levantou sua quarta conquista da Copa do Brasil. E esta serão as histórias contadas agora…

ROMA

A Roma, treinada pelo multicampeão Fabio Capello, chegou à ultima rodada liderando por dois pontos na frente da Juventus, então comandada por Carlo Ancelotti: 72 a 70. A arquirrival Lazio tinha 69 pontos, com chances remotas (precisaria ganhar e torcer para a Roma perder e a Juve ao menos empatar). O jogo chave havia sido no começo de maio, um 2×2 heróico em Turim com a Roma saindo perdendo por 2×0.

Roma, campeã italiana em 2001 - Reprodução: capa Gazzetta dello Sport -> http://www.gazzetta.it

Era uma temporada mágica para os giallorossos, com contratações de muito impacto gerando a espinha dorsal do time, em todos os setores : o zagueiro Walter Samuel (Boca Juniors), o meia Émerson (Bayer Leverkusen) e anida matador Gabriel Batistuta (Fiorentina) . O time-base foi (3-5-2, um dos melhores que eu vi): Francesco Antonioli; Antônio Carlos, Walter Samuel e Jonathan Zebina; Cafu, Émerson, Damiano Tommasi e Vincent Candela; Francesco Totti; Vincenzo Montella e Gabriel Batistuta. Como reservas importantes: Aldair, Marcos Assunção, Cristian Zanetti Hidetoshi Nakata, Marco Delvecchio, Abel Balbo

Na rodada final, a Juventus virou sobre a Atalanta por 2×1, enquanto a Lazio levou 2×1 do Lecce fora. Porém isto nada significou já que a Roma passeava sobre o Parma no Olímpico (jogo completo): Francesco Totti aos 19, Vincenzo Montella aos 39 e Gabriel Batistuta aos 33 do segundo tempo (Marco Di Vaio descontou pros visitantes aos 37 do segundo tempo).  Fim do jejum de 18 anos sem títulos. Escutem na emocionada narração italiana:

A Roma ainda conquistaria a Copa da Itália em 2006 e 2007, mas por lá a repercussão destas conquistas não é a mesma.

O último scudetto ninguém esquece.

Grazie, Roma!

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GRÊMIO

Algumas horas depois, outro campeonato se decidia em outro país, hemisfério e continente. Treinado por Tite, um técnico jovem e com idéias arrojadas, o Grêmio chegava à sua sétima final de Copa do Brasil em busca de seu quarto título. Seu adversário era o Corinthians, algoz em 1995 na decisão deste mesmo torneio. Treinado por Luxemburgo, o Corinthians havia reduzido seus investimentos mas ainda assim era um time com jogadores de alto quilate, como Marcelinho Carioca, Muller, Ewerthon e Kléber.

Elenco do Grêmio campeão da Copa do Brasil 2001 - Reprodução: clicrbs.com.br

Foi um primeiro semestre tumultuadíssimo no Grêmio: o início da Lei Pelé, a traumática saída de Ronaldinho para o Paris Saint-Germain e a quebra da parceira ISL, deixando o time sem grandes reforços ao contrário do ano anterior. Muitos fiascos de 2000 saíram do clube, como Astrada, Amato e Paulo Nunes, e só um novo jogador indiscutível chegou: Marcelinho Paraíba. Caberia a ele se tornar o símbolo da conquista tricolor, com atuações históricas  (e duas expulsões, inclusive ficando fora do primeiro jogo da final).

O time base foi, sempre jogando em um envolvente 3-5-2: Danrlei; Marinho, Mauro Galvão e Anderson Polga; Anderson Lima, Eduardo Costa, Tinga, Zinho e Rubens Cardoso; Rodrigo Mendes(Luís Mário) e Marcelinho Paraíba. NaAlguns reservas na final jogaram bastante nas fases anteriores: Roger, Itaqui, Fábio Baiano, Cláudio Pitbull e Warley.

Antes de levantar a taça no Morumbi, o Grêmio atropelou o Coritiba nas semifinais, passou com dificuldades sobre o Fluminense e, em suas melhores atuações (além da decisão), venceu o São Paulo 2x, em casa e no Morumbi em um sensacional 4×3.  No jogo de ida da finalíssima, o Grêmio perdia por 2×0 no segundo tempo mas em uma reação fulminante, Luís Mário fez dois gols e empatou o jogo em 2×2.

Na finalíssima, o Grêmio marcou pressão avançado, sem dar espaço para a habilidade de jogadores como Marcelinho Carioca e Muller. Acuado, o Corinthians deu muitos balões e errou passes. A categoria de Zinho decidiu a partida: deu o passe pro gol de Marinho, no final do primeiro tempo.  Fez o segundo, no início do segundo tempo. E um passe magistral na jogada do terceiro gol, desta vez de Marcelinho Paraíba.

O Grêmio atropelou o Corinthians e levantou o título. Jogo completo aqui Vejam a reportagem do massacre:

CORINTHIANS 1×3 GRÊMIO
Estádio: Morumbi (São Paulo, SP)
Data: 17 de junho de 2001
Público: Não divulgado
Gols: 45’/1ºT – COR 0×1 GRE (Marinho), 02’/2ºT – COR 0×2 GRE (Zinho), 30’/2ºT – COR 1×2 GRE (Éwerthon) e
42’/2ºT – COR 1×3 GRE (Marcelinho Paraíba)
Corinthians: Maurício; Rogério (Andrezinho), Scheidt, João Carlos e Kléber; Otacílio, M. Senna (Pereira), Marcelinho e Ricardinho; Müller (Gil) e Éwerthon. Técnico: W. Luxemburgo.

Grêmio: Danrlei; Ânderson Lima (Itaqui), Marinho, Mauro Galvão (Alex Xavier) e Rubens Cardoso; Roger, Ânderson Polga, Tinga e Zinho; Luís Mário (Fábio Baiano) e Marcelinho Paraíba. Técnico: Tite.

Árbitro: Antônio Pereira (GO/FIFA).
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Primeira fase

14/03/2001 Villa Nova-MG 3 x 2 Grêmio Ânderson Lima (2)
21/03/2001 Grêmio 4 x 1 Villa Nova-MG Luiz Mário (2), Zinho e Rubens Cardoso
Segunda fase
18/04/2001 Santa Cruz 1 x 0 Grêmio
26/04/2001 Grêmio 3 x 1 Santa Cruz Eduardo Costa e Rodrigo Mendes (2)
Oitavas-de-final
02/05/2001 Grêmio 1 x 0 Fluminense Marcelinho Paraíba
09/05/2001 Fluminense 0 x 0 Grêmio
Quartas-de-final
16/05/2001 Grêmio 2 x 1 São Paulo Warley (2)
23/05/2001 São Paulo 3 x 4 Grêmio Marcelinho Paraíba (3) e Zinho
Semifinais
30/05/2001 Grêmio 3 x 1 Coritiba Warley, Zinho e Ânderson Lima
06/05/2001 Coritiba 0 x 1 Grêmio Zinho
Finais
10/06/2001 Grêmio 2 x 2 Corinthians Luiz Mário (2)
17/06/2001 Corinthians 1 x 3 Grêmio Marinho, Zinho e Marcelinho Paraíba

David Beckham anuncia aposentadoria: confira grandes lances do astro inglês

16 de maio de 2013 0

O meia inglês David Beckham, um dos ícones do futebol mundial nas últimas duas décadas, anunciou hoje sua aposentadoria ao final da temporada. Jogador do Paris Saint-Germain, aos 38 anos o ex-astro do Manchester United, Real Madrid, Milan, Los Angeles Galaxy termina sua participação no Campeonato Francês e vai curtir as benesses de um ex-jogador milionário, símbolo sexual e que marcou uma mudança na visão dos jogadores perante o mercado publicitário.

David Beckham, em seu último time, o PSG. E agora oficialmente aposentado - Franck Fife/AFP

Talvez o jogador mais bem pago do futebol mundial em todos os tempos ao longo de sua carreira, Beckham também foi um grande jogador. Começou sua carreira como um clássico winger inglês, pela direita. Detentor de um chute e um cruzamento fora do normal, com uma ótima velocidade, Beckham é um especialista em bolas paradas.

Depois de ser multicampeão no Manchester United, foi para o Real Madrid no projeto “Galácticos” do presidente Florentino Pérez. Em Madrid, se tornou um meio-campista central aonde se destacou pela precisão nos passes, apesar de ter tido sua faixa preferencial ocupada por outro “galáctico“, o português Luís Figo, mas só obteve conquistas nacionais, não obtendo sucesso na Liga dos Campeões.

Fora dos gramados, se tornou garoto propaganda de diversas multinacionais, desde ternos de luxo, passando por carro, refrigerantes, lâminas de barbear, etc. Sua receita com publicidade superava e muito os já espetaculares salários, e ‘Becks’ sempre foi um dos 3 jogadores com camisas mais vendidas, em quaisquer dos times que defendeu.

Fora de campo, casado com a ex-Spice Girl Victoria Adams, era figurinha carimbada nas notas sociais, grandes eventos, envolvido em diversas polêmicas de “affairs” extra-conjugais, mas nada comprovado e nunca em um escândalo digamos, mais “pesado”. Até por sua fortíssima imagem de marketing era necessário uma exibição quase sempre positiva. Não à toa, sua chegada ao futebol norte-americano aumentou consideravelmente o público e o interesse dos EUA na Major League Soccer, a Liga Norte-Americana de futebol.

Beckham virou garoto-propaganda da MLS, a Liga norte-americana - Foto: Saul-Loeb-AFP

Ficamos aqui com alguns tributos a um dos mais técnicos jogadores que eu vi atuar. Gols antológicos ou decisivos.

PRINCIPAIS TÍTULOS

Manchester United

  • Supercopa Inglesa (4)
  • Campeonato Inglês (6)
  • Copa da Inglaterra (2)
  • Liga dos Campeões (1)
  • Copa Intercontinental (1)

Real Madrid

  • Campeonato Espanhol (1)
  • Supercopa Espanhola (1)

Los Angeles Galaxy

  • Campeonato Norte-Americano (MLS Cup) (2)

Paris Saint-Germain

  • Campeonato Francês (1)

Revolução Alemã, Parte IV: aonde patinam as Ligas da Inglaterra, Espanha e Itália

18 de abril de 2013 2

A Liga Alemã já foi o “patinho feio” dos grandes países europeus. Com gramados ruins, estádios piores e poucos craques, a Bundesliga estava muito longe de seus pares ingleses, alemães e espanhóis. Hoje é a segunda liga mais badalada da Europa, com regras atrativas de divisão de cotas de TV e premiações esportivas. O equilíbrio técnico é muito maior que nos gramados espanhóis, a situação técnica e financeira é bem superior à italiana. Por fim, a transparência da origem dos recursos é melhor que a inglesa.

Se dentro de campo, os grandes craques ainda estão na Inglaterra na milionária Premier League, a distância para a Bundesliga reduziu-se drasticamente. Os mercados consumidores dos países em desenvolvimento já assistem mais o futebol alemão. Vamos avaliar hoje as causas desta mudança radical e a comparação com os demais, sempre traçando um paralelo entre o modelo econômico (já discutido na parte III) e aspectos técnicos/táticos (avaliados na parte II deste estudo).

  • ESPANHA

O futebol espanhol e sua “La Liga” vivem um momento perigoso. Barcelona e Real Madrid hoje possuem 50% da receita de TV , existindo um profundo abismo entre eles e os demais. O economista espanhol José María Gay de Liébana comentou recentemente que o modelo está fracassado, citando o fato de que em 2011 os times espanhóis gastaram 200 milhões de euros a mais do que arrecadaram. Algo ainda mais dramático avaliando-se a profunda crise econômica do país, que afeta a média de público, a situação financeira dos clubes, patrocinadores e o valor dos direitos de televisionamento.

Crise econômica na Espanha afeta o futebol – Foto: Andres Kudacki / AP

Na Espanha os horários de televisão são esdrúxulos (lembra algum lugar?) e os preços mínimos são abusivos: o ingresso mais barato na Espanha é de 25 euros. E isto que o modelo espanhol tem três preços: “normal”, “clássicos locais” e “contra Barcelona e Real Madrid”. Os estádios espanhóis, em sua maioria, são péssimos e incompatíveis com os valores apresentados. E o valor ínfimo do pay-per-view de 15 euros (lembra algum lugar, parte II?) acomoda os torcedores em casa, na TV.

Barcelona e Real Madrid chegam a receber 10x mais de TV que os times menores, e 5x mais que todos os demais, com quase 50% da audiência. Já fiz um estudo sobre isto em 2012, intitulado “Futebol espanhol: ‘Nossa liga não é só a maior porcaria da Europa, mas do mundo’ “. Vale conferir também o documentário abaixo, em inglês:

Em compensação a situação das categorias de base da Espanha é melhor que no resto do mundo. Há 20 anos um processo longo de formação de jogadores deixou clara esta evolução, com títulos nas divisões de base e depois com o sucesso total em duas Eurocopas e na última Copa do Mundo, que a “Fúria” é um dos países de elite no esporte. Resta saber se o naufrágio econômico recente e a incompreensível divisão dos direitos de televisionamento possam ter um impacto futuro nesta política de sucesso na formação de jogadores.

  • INGLATERRA

No país que criou o futebol, o problema é o desequilíbrio financeiro causado por grandes investidores na Premier League, e uma incapacidade de formar novos jogadores. Estamos acostumados a ver magnatas despejando centenas de milhões de euros (em alguns casos, ‘lavando’), buscando a glória rápida, sem planejamento.

Isto nem sempre promove o sucesso, caso recente do Queens Park Rangers, virtualmente rebaixado com um elenco milionário na atual temporada inglesa. O Portsmouth sofreu um castigo ainda maior: depois de ter sido sucessivamente comprado e vendido por diversos controladores, descumpriu pagamentos, atrasou salários, perdeu pontos. Quase faliu e hoje está próximo da quarta divisão, em uma derrocada fulminante.

Eventualmente os resultados são positivos, como no Manchester City (campeão inglês) e no Chelsea (campeão europeu), mas a dependência de uma fonte externa de recursos é imensa. O que será do Chelsea no dia que Roman Abramovich resolver parar de “brincar de futebol”? Não temos esta resposta.

Roman Abramovich gastou 2.2 bilhões no Chelsea até chegar ao título europeu – Foto: CARL COURT / AFP

Porém o problema também existe nos gramados. O trabalho nas categorias de base, seguindo um modelo implementado em 1997 pelo ex-treinador Howard Wilkinson é terrível. Oss grandes times, quase todos comandados por bilionários, almejam resultados rápidos e investem em grandes estrelas, enfraquecendo o desenvolvimento local.

Jogadores formados em times como Arsenal e Liverpool acabam rodando em times menores, por falta de oportunidades, e contratados posteriormente pelos mesmos times nos quais iniciaram a carreira. E não é falta de locais de treinamento: existem centros de excelência nas categorias de base, um acesso rápido ao site da Federação Inglesa deixa claro que não é a estrutura e sim o resultado deste trabalho o “xis da questão”

Decisões radicais como exigir que cinco, seis ingleses devem sempre serem escalados pelas equipes promoveriam uma gradual qualificação do futebol nacional, mas teriam resultados de mídia e financeiros impopulares, com a fuga das grandes estrelas dos principais times. Então, nem a Premier League tampouco os clubes de elite adotam medidas deste porte. Com clubes dependentes de investimentos externos, regras financeiras bastante flexíveis, os débitos se avolumam.

Os times ingleses ainda estão entre os principais da Europa, mas suas finanças não estão sadias. Um calendário sem parada de inverno deixa os times bastante desgastados, com dificuldades na reta final da temporada. A constatação final fica evidenciada nos resultados ruins do “English Team” nos últimos 15 anos, sempre longe dos favoritos desde o ótimo time de 1998 e com jogadores que ainda não jogam em outros centros, o habitual “anglocentrismo“. Até fora de uma Eurocopa, como em 2008, a Inglaterra já conseguiu. São questões não tão visíveis perante ao charme da Premier League. Mas os problemas existem, e são graves.

  • ITÁLIA

Se na Espanha os resultados dos gigantes e da Seleção são brilhantes, e na Inglaterra a liga é ainda a melhor do mundo, o “Calcio” sofre problemas generalizados que afetam a saúde de sua histórica “Serie A“. Primeiro, uma situação econômica ruim. Depois, violência desenfreada entre os “ultras” sem uma resposta qualificada das autoridades. Também com estádios decrépitos e uma Liga em franca decadência, minada por escândalos consecutivos de corrupção. Outro problema são ingressos caríssimos nos grandes centros, afastando os jovens dos estádios.

Terminaram os problemas? Que nada: muitos times em situação financeira delicada, alguns em estado de falência ou falidos. Um modelo de futebol ultrapassado, no qual os presidentes dos clubes mandam demais e planejam de menos. A situação do futebol italiano só não é pior porque encerrou-se em 2006 um ciclo de grandes craques com um titulo mundial. Problemas. Problemas. Problemas.

Mas os clubes não sabem o caminho do sucesso. Por quase uma década, um contrato de TV que deu dinheiro demais para alguns times deixou a situação parecida com a da Espanha. Em 2011 o contrato foi renegociado em termos muito melhores, diminuindo a discrepância de valores entre os maiores e os menores, mas o resultado ainda não ocorreu de fato nos gramados. Recentemente, a Fiorentina, o Perugia, Piacenza, Ancona e outros tantos clubes menores pediram falência e foram declarados extintos.

Itália, campeã mundial em 2006, vive momento conturbado fora de campo – AFP PHOTO / GIUSEPPE CACACE

Nas categorias de base, a preocupação é grande. Repetindo o ocorrido com o futebol alemão na década retrasada, os italianos chegaram ao esgotamento de uma geração talentosa de Alessandro Del Piero, Francesco Totti, Alessandro Nesta, Fabio Cannavaro, Paolo Maldini sem reposição. Poucos times, como a Fiorentina e o Genoa, possuem um trabalho primoroso nas equipes “Primavera“. Recentemente passos foram dados na direção correta, formando novos atletas e organizando as categorias de base. Ainda em um patamar inferior ao do passado, das glórias dos anos 80 e 90. Falta um longo caminho.

Mas, talvez, o grande problema seja fora dos gramados: a sempre presente corrupção, envolvendo suborno de árbitros e atletas. Três grandes escândalos estouraram na Itália nos últimos 30 anos, 2 deles só na década passada. O problema endêmica em todas as esferas da sociedade italiana, é particularmente profunda no futebol: gigantes como Milan e Juventus já foram rebaixados, e muitos outros foram punidos. Porém viradas de mesa e redução de penas são comuns, o que afeta a credibilidade do esporte nacional.

Não foi à toa que recentemente os times italianos perderam a quarta vaga na Liga dos Campeões, dada apenas aos três primeiros do ranking da UEFA. Líderes do mesmo há cerca de dez anos, os times da Série A foram ultrapassados primeiro pelos espanhóis, depois pelos ingleses. E agora, adivinhem… Pelos alemães!

E o Brasil nesta análise? Este será o tema da última parte da análise, a ser publicado amanhã…

Totti faz jogadaça de calcanhar e se torna 2º maior artilheiro da história do Italiano

17 de março de 2013 1

O craque italiano Francesco Totti foi o grande protagonista na vitória de 2×0 da Roma sobre o Parma neste domingo pelo Campeonato Italiano. “Il Capitano”, maior jogador da história da Roma, fez uma jogada de cinema no primeiro tempo e ainda marcou, já na etapa complementar, o segundo gol da partida.

Francesco Totti em 2008 comemorando um gol - Foto: Maurizio Brambatti, EFE

Primeiro o lance de pura categoria, usando uma de suas especialidades: o calcanhar. Armando um contra-ataque, Totti fez simplesmente isto:

Há alguns anos, em um treinamento, de brincadeira, Totti fez este ‘gol’ em uma cobrança de pênalti:

Mais do que isto, com o tento assinalado, Totti chegou aos 226 e se tornou o segundo maior artilheiro da história da Série A, atrás apenas da lenda Silvio Piola, que marcou 274 gols nos anos 30 e 40. O falecido sueco Gunnar Nordahl, que jogou também na Roma e ainda no Milan nos anos 50, estava empatado com ele até este gol:

Totti só jogou pela Roma desde que estreou no futebol em 1993, são 20 temporadas. É o jogador que mais atuou pela Roma (668 jogos), maior número de gols (281), capitão do time há quase 15 anos e jogador da Roma que mais foi convocado para a Seleção Italiana. Preciso dizer mais alguma coisa?

Il Capitano!

Goleiro italiano tem atuação antológica e faz 15 defesas contra a Fiorentina!

07 de janeiro de 2013 1

O goleiro Mattia Perin (tá, não sei se é parente) teve uma atuação simplesmente antológica na vitória de 2×0 do seu pequeno Pescara sobre a tradicional Fiorentina, em pleno estádio Artemio Franchi em Florença. Foi um show de defesas que garantiu a vitória e manteve o Pescara fora da zona de rebaixamento. Duas delas, ainda no primeiro tempo, são simplesmente espetaculares. Confira os melhores momentos da surpreendente vitória.

De acordo com o jornalista Braitner Moreira, Perin bateu o recorde na atual temporada européia em um mesmo jogo, considerando-se as cinco grandes ligas: 15 defesas. A atuação de Perin não é nenhuma novidade.

O jovem arqueiro de 20 anos, formado pelo Genoa, já foi inclusive convocado para a Seleção Principal da Itália, em agosto para o amistoso contra a Inglaterra. Está emprestado ao Pescara, mas já está sob o olhar de gigantes que estão com problemas no gol, como Milan e Internazionale.

RACISMO: Revoltado com insultos, Boateng sai de campo em amistoso do Milan

03 de janeiro de 2013 1

Uma nova página vergonhosa foi escrita no futebol italiano. O atacante ganês Kevin-Prince Boateng, do Milan, saiu de campo após ser repetidamente ofendido em um amistoso de inter-temporada contra o Pro Pátria, da Segunda Divisão italiana. Ao receber a bola e tentar um drible, Boateng foi ofendido.

Kevin Prince Boateng revoltado com o incidente de racismo - Foto de Alberto Lingria/AFP

Irritado, o jogador chutou a bola em direção aos torcedores e, após argumentar com o juiz, saiu de campo. Em solidariedade, os jogadores do Milan também abandonaram o amistoso. Grande parte do estádio aplaudiu a iniciativa do jogador e vaiou os ofensores. Vejam as imagens:

FUTEBOL PELO MUNDO: Histórias de verdadeiro "fair-play" em gols e pênaltis

30 de outubro de 2012 0

A discussão sobre o gol ilegal de Hernán Barcos com a mão contra o Internacional e a falta de “fair-play” do jogador argentino do Palmeiras remeteram ao lance ocorrido com o alemão Miroslav Klose, da Lazio, que também fez gol com a mão mas se acusou e o lance foi invalidado. Vejam o lance do alemão:

Ao longo dos anos, criei a convicção que este “fair-play” imposto à força pela FIFA e pela UEFA são totalmente contrários ao bem do futebol. Jogadores fingem lesões para parar o jogo, o tempo de jogo em andamento é reduzido, fora o inevitável “mimimi”. Sendo assim, resolvi homenagear alguns lances de verdadeiros momentos de “fair-play”:

  • ROBBIE FOWLER, ARSENAL X LIVERPOOL – 1997 – CAMPEONATO INGLÊS

O temperamental e talentoso atacante inglês Robbie Fowler, uma lenda dos torcedores do Liverpool, protagonizou um dos mais memoráveis lances que eu vi de puro “jogo limpo”. Em uma partida duríssima contra o rival Arsenal em Highbury Park peloCampeonato Inglês em 1997, Fowler caiu na área após toque com David Seaman, goleiro do Arsenal.

Imediatamente, o juiz Gerald Ashby marcou pênalti. Então a surpresa: Fowler categoricamente acenou e falou que não foi pênalti, mas o juiz não voltou atrás. Batedor-oficial, Fowler acabou batendo mal (não errou de propósito segundo ele), Seaman pegou mas no rebote Jason McAteer tocou para as redes:

  • VITTORIO ESPOSITO, U.S. TERMOLI X TORRES – COPPA ITALIA DILLETANI 2012

Em jogo válido pela Copa da Itália amadora, a “Coppa Italia Dilletani”, o U.S. Termoli vencia o Torres por 1×0 e já se classificava. Quase no final da partida, Vittorio Esposito caiu na área e o juiz deu pênalti, mesmo com o jogador dizendo que não foi e para desespero do Torres. Em protesto, o goleiro não se mexeria na cobrança, de braços cruzados. Porém Esposito fez questão de errar o pênalti, chutando propositadamente para fora, em um momento de grandeza:

  • MORTEN WIEGHORST – DINAMARCA X IRÃ – TORNEIO AMISTOSO CARLSBERG CUP 2003

O capitão dinamarquês Morten Wieghorst também agiu de maneira admirável em um torneio amistoso de 2003. Quase no final do primeiro tempo de um jogo contra o Irã, válido pela competição amistosa Carlsberg Cup em Copenhague, o defensor iraniano Alireza Nikbakht Vahdi pegou a bola com a mão na grande área após ouvir o apito final do juiz. Porém o apito havia vindo da arquibancada, confundindo o atleta, que acabou tendo uma penalidade contra si marcada pelo árbitro Albert Chiu Sin Chuen, que não tinha outra escolha.

Após consultar o técnico Morten Olsen, Wieghorst propositadamente bateu o pênalti para fora por considerar injusta esta vantagem. Deste lance, não tenho imagens mas pesquisei que a partida encerrou-se em 1×0 para os iranianos. Sobre isto, um dirigente iraniano disse: “Os dinamarqueses não ganharam o jogo. Mas ganharam a nossa admiração”.

Outras histórias eu já contei aqui no Almanaque, vou resumir nos links abaixo:

Brasileiro Maicosuel inventa, erra pênalti e elimina Udinese da Liga dos Campeões

28 de agosto de 2012 1

O brasileiro Maicosuel, ex-Botafogo e Palmeiras, foi protagonista da rodada de hoje no futebol europeu. Infelizmente pelo lado negativo. sUA Udinese foi eliminada nesta terça-feira da Liga dos Campeões da Europa pelo Braga, na terceira e última fase classificação para a rentável etapa de grupos.

O time italiano, jogando em pleno estádio Friuli, empatou em 1×1 com o adversário português, gols de Pablo Armero (também ex-Palmeiras) para a Udinese e Rúben Micael para o Braga. Como foi o mesmo resultado da partida de ida, a decisão foi para as penalidades, vencida pelos visitantes por 5×4.

O único a não converter sua cobrança foi Maicosuel. Na terceira série, o meia-atacante tentou bater de cavadinha, aquela mesma inventada pelo tcheco Antonín Panenka em 1976, e o goleiro Beto pegou no meio do gol, em pé e sem fazer esforço. Vejam o replay da bobagem:

Cada um dos 32 participantes da primeira fase tem 8 milhões de euros garantidos, mais premiações variáveis de 870 mil euros por vitória e 472 mil euros por empate. Isto sem contar patrocínios eventuais por jogo e as polpudas bilheterias dos times com grandes estádios, como Manchester United, Barcelona, Real Madrid, Borussia Dortmund ou Arsenal. Para piorar, a Itália agora pode perder a 4º posição no ranking da UEFA justamente para Portugal, além da 5º posição para os franceses.

Perceberam o tamanho do prejuízo que a falta de noção de um jogador recém-contratado causou ao seu novo clube?

E o mais bizarro é que não foi a 1º vez. Na Copa do Brasil de 2009, o Botafogo foi eliminado pelo Americano nos pênaltis e Maicosuel também foi o único a errar a cobrança: fingiu uma paradinha e chutou na trave, revejam:

Depois não sabem porque o jogador brasileiro sempre vale menos que o argentino quando é comprado diretamente aqui da América do Sul…

VEJA TAMBÉM

O Fascismo no futebol europeu - Série Especial no Almanaque Esportivo

04 de agosto de 2012 0

Em 2007, escrevi uma série no Almanaque Esportivo sobre grupos de ultra-direita envolvidos no futebol. Não só englobavam torcedores violentos, como também tinham posicionamentos políticos radicais. Em resumo, essencialmente grupos racistas, xenófobos e violentos.

The Muckers - Torcida neonazista do modesto inglês Blackpool

E violência é inimiga do futebol. Isto não combina, não faz sentido. Não existe.

Para lutar contra um inimigo, temos que conhecê-lo o máximo possível. Esta foi a intenção da série de posts sobre grupos de ultra-direita inseridos no futebol. Espero que tenham gostado.

O FASCISMO NO FUTEBOL EUROPEU

Postado por Alexandre Perin

Deivid fazendo escola: promessa italiana perde gol inacreditável na Série B

02 de maio de 2012 0

Pelo jeito, a temporada dos gols perdidos de maneira bizarra segue com força no futebol mundial. Lorenzo Insigne, do Pescara, errou um gol incrível na vitória de 2×0 sobre o Gubbio no último sábado, dia 28 pela Série B do Campeonato Italiano. Lembrou muito o já célebre gol perdido pelo centroavante flamenguista Deivid no clássico contra o Vasco. Vejam o lance ocorrido no calcio:

Mas não se enganem: o garoto Insigne, de apenas 1.63m de altura, é um dos mais promissores talentos de seu país. Emprestado pelo Napoli, é peça fundamental na ótima campanha do Pescara, vice-líder e a uma vitória de subir para a Primeira Divisão.

Neste mesmo jogo contra o Gubbio, Insigne fez o segundo gol que sacramentou a vitória por 2×0. Chamado de “Lionel Messi do Adriático”, tem excelentes 14 gols em 31 partidas. Vejam o gol que ele fez, mostrando categoria no final da partida