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HQs: Heróis x Heróis

25 de outubro de 2011 3

Como filhos que precisam se libertar da tutela dos pais para atingir a maturidade e se afirmar, países como o Brasil, que foi colônia a maior parte do tempo de sua existência, também vivem o drama de encontrar sua própria identidade para, libertando-se de jugos inconvenientes, descobrir seus valores e vocação.

No final da década de 1950 e no início dos anos 1960, a cultura nacional atravessava um desses momentos de grandes questionamentos. Uma área popular em que o conflito era evidente envolvia a publicação de histórias em quadrinhos.



Ler (e comprar) gibis em grande quantidade era um costume do qual nenhum adolescente ou jovem escapava. Todo mundo se interessava, colecionava e levava uma pilha deles para trocar na porta dos cinemas, antes de assistir à matinê.

Como acontece hoje com os videogames, os mais velhos, preocupados, discutiam que tipo de mensagem estava sendo consumida pela garotada, e quem lucrava com isso.

Foi nessa época que, para enfrentar a massa de informações vindas de fora, surgiram algumas publicações com temas brasileiros e produzidas aqui por artistas nacionais.

Foi batalha desigual e perdida (de certa forma como a travada pelo cinema), mas que deixou frutos e sinalizações importantes. No Rio Grande do Sul, em 1961, chegou a ser fundada uma cooperativa de desenhistas para enaltecer personagens da terra – como Sepé Tiaraju ou os Aba Larga, regimento de polícia montada da Brigada Militar – e transformá-los em super-heróis.



A Turma do Pererê (1962), de Ziraldo, foi outra iniciativa neste sentido: histórias do Saci e de seus amigos, tendo o Brasil como pano de fundo.


Hoje, história em quadrinhos é coisa de adulto. No mundo globalizado da informação, não cabe mais xenofobia nem ingenuidade. A maturidade só chega quando identificamos as influências e aprendemos que os mocinhos, a quem tanto devemos, também erram.

Veja mais capas de gibis:













As imagens que ilustram este post pertencem aos arquivos particulares dos leitores Jorge Silva, Almir Gomes e Cid Magdar Marinho.

E você, colecionava ou coleciona gibis? Comente ou envie imagens para o e-mail almanaque@zerohora.com.br.

Comentários (3)

  • Jorge diz: 25 de outubro de 2011

    Excelente. Nota 10.

  • Cid M. Marinho diz: 25 de outubro de 2011

    Sensacional! Muito obrigado, Ricardo Chaves e Luís Bissigo!
    Eu gostaria de conhecer outros colecionadores de “Gibís” e “Álbuns de Figurinhas”, para fazer intercâmbio!
    Atenciosamente,
    Cid.

  • Luiz Gonzaga Lisboa Duarte diz: 23 de maio de 2012

    Todos esses personagens e estórias fizeram parte de uma inesquecível quadra da minha vida. Parabéns pela postagem. Parabéns aos colecionadores e colaboradores que com paciência e perseverança (e sabe-se lá com que dificuldade?) guardaram a memória de uma risonha e colorida época. A preocupação em preservar os elementos que compõem a história é de todo louvável. É sempre um contra-ponto aos que desprezam e destroem peças de valor tão elevado que somente os que possuem elevados ideais poderão alcançar. Abraços. Luiz Gonzaga

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