Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de outubro 2011

Hora marcada

31 de outubro de 2011 9

Talvez seja difícil, para um garoto de hoje, imaginar que um dia, em Porto Alegre, existiu um único canal de televisão. Tudo bem. Sou da época em que nem TV existia. Assisti aos primeiros testes e ficava horas diante da TV vendo a imagem fixa de um gráfico padrão de ajuste (para brilho e contraste) na expectativa de que algo em movimento aparecesse.

Foto: reprodução

Mesmo depois da inauguração, em 1959, na TV Piratini a programação só começava no fim da tarde. Pouca gente tinha aparelho de TV em casa e muitos conviviam com a presença dos "televizinhos" que chegavam e ficavam, sem fazer cerimônia.

Para a criançada, a programação se encerrava às 21h, quando o comercial dos cobertores Parahyba anunciava: "Já é hora de dormir, não espere mamãe mandar. Um bom sono pra você e um alegre despertar". Veja aqui o vídeo:

A meninada caía exausta depois de uma tarde brincando na calçada. Naquele início, não havia mães preocupadas com filhos submetidos a uma overdose de TV. Agora, além da TV, há os computadores. Com mais de 150 canais, programação ininterrupta, e outras alternativas, as crianças de hoje não veem motivos para o sono. Dormir para quê? No mínimo, tem desenho animado noite adentro.

Você lembra do comercial dos cobertores Parahyba e da hora certa para dormir? Comente.

Encontros de família

29 de outubro de 2011 7

Os Paim

É hoje mesmo, em Porto Alegre, a reunião da família Paim, que tem origens na Grã-Bretanha e no arquipélago dos Açores. Na foto acima, feita em 1933, Antonio Paim de Andrade e a esposa Almedorina Alves Paim comemoram Bodas de Prata com os 15 filhos e dois netos. O contato para informações é o e-mail ilzamargo@hotmail.com.

Os Travi

Vindos da Itália, os Travi se concentraram especialmente na região das Hortênsias. É justamente em Canela que os descendentes de Basílio e Luiza Travi (na foto acima), casados em 1906, se reúnem hoje. Para mais informações, a fonte é este site.

Os Bonamigo

O oitavo encontro da família Bonamigo tem programação hoje e amanhã, em Caxias do Sul. Para mais detalhes, o contato é o e-mail jussara.heck@terra.com.br.

Os D'Arrigo

Amanhã, em Porto Alegre, a família D'Arrigo promove seu oitavo encontro, lembrando a trajetória de Luigi D'Arrigo e Beatrice Alegretti, italianos que se casaram no Brasil - em Conde D'Eu, atual Garibaldi -, voltaram à Itália por razões políticas e depois retornaram ao Brasil, em 1901. Ambos aparecem na foto acima no dia de seu casamento, em 1880. Mais informações pelo telefone (51) 3331-7960.

Os Sperotto

Será em Ajuricaba, neste domingo (dia 30), a reunião da família Sperotto - organizada pelos descendentes de Francisco e Zaira Sperotto. É a 40ª edição do evento.

Os Grezzana

Vinda da Itália e estabelecida em Antônio Prado em 1893, a família Grezzana tornou-se uma das mais importantes da região. Entre os filhos ilustres, estão Luiz Marcantônio Grezzana, vereador da cidade por quatro mandatos consecutivos, entre os anos de 1947 e 1963. Os descendentes dele e de outros Grezzana estarão reunidos em Antônio Prado no próximo final de semana, dias 5 e 6 (sábado e domingo). Para mais informações sobre o evento, o contato é o e-mail leonardoronchetti@hotmail.com.

Os Schio

Vindo da Itália em 1882, o casal Giuseppe Schio e Angela De Boni deu origem ao ramo da família Schio que se reúne no próximo dia 6, em Caxias do Sul. Na foto acima, Angela aparece com o neto José e o bisneto Francelino. Mais detalhes pelo e-mail aaschio@terra.com.br.

Os Arend

Diferentes ramos da família Arend vieram da Alemanha ao longo do século 19, muitos deles com destino à região onde hoje está o município de Linha Nova. É lá que se realiza o segundo encontro dos Arend, no próximo dia 6. O evento comemora especificamente os 164 anos da chegada de Daniel Arend e Maria Magdalena Theobald, com seus filhos, ao Rio Grande do Sul. Mas a proposta da família é apurar mais informações sobre outros ramos dos Arend que se estabeleceram em áreas como Lajeado, Santa Cruz do Sul, São Pedro do Sul e Faxinal do Soturno. Mais detalhes pelo e-mail rubenarend@cpovo.net.

Os Vencato

Espalhada por diferentes regiões do Brasil, a família Vencato marcou para o próximo dia 6, domingo, seu oitavo encontro, em Cerro Grande do Sul. Estão convidados os descendentes de Giovane Geochino Vencato _ nascido em 1840, na província italiana de Vicenza, ele veio para o Brasil em 1884 e, depois de chegar a Porto Alegre, seguiu a pé até Montenegro. Os filhos Joaquim e Antônio, nascidos na Itália, também foram a pé, abrindo caminho no mato, até Sertão Santana. Na foto acima, o moinho da família.

Para lembrar essas e outras histórias, o contato é pvencato@terra.com.br.

Você vai participar de um desses encontros? Comente.

Professor Spalding

28 de outubro de 2011 1

Foto: Roberto Manera, BD, 06/08/1969

Hoje se completam 110 anos do nascimento do professor Walter Spalding.

Historiador, escritor, poeta e jornalista, foi diretor do Arquivo e Biblioteca Pública de Porto Alegre da década de 1930 até o ano de 1963, quando se aposentou. Na grande exposição comemorativa ao Centenário Farroupilha, em 1935, ele foi o responsável pela organização do pavilhão cultural.

Muito do que se sabe sobre a história do Rio Grande do Sul e da Capital se deve às pesquisas do professor Spalding. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, e também da Academia Rio-Grandense de Letras, ele foi homenageado (in memoriam) como patrono da Feira do Livro de 1978. Faleceu em 5 de julho de 1976.

Longa vida à cervejaria

28 de outubro de 2011 2

Nesta sexta-feira, um dos prédios mais bonitos e emblemáticos da cidade está fazendo cem anos. Agora ali está instalado o Shopping Total – mas, quando foi inaugurado no dia 28 de outubro de 1911, era a Cervejaria e Fábrica de Gêlo Bopp e Irmãos.

Foto: arquivo pessoal

Carlos, Arthur e Alberto eram os filhos de Carlos Bopp (1847 – 1911), o fundador da empresa, e foram eles que encomendaram ao arquiteto Theodor Wiederspahn a magnífica construção. Wiederspahn, aliás, foi quem deu "cara" à Capital. Também são projetos dele os edifícios do Margs e do Memorial do Rio grande do Sul (ambos na Praça da Alfândega), entre outros.

Carlos Bopp gostava de dizer que "quem toma cerveja fica forte como um elefante". Elefante, aliás, foi um dos rótulos da cerveja ali produzida.

Foto: Sílvio Ávila, BD

Também por isso, no alto da fachada, cheia de detalhes sofisticados, sobressai-se a escultura de um dominador paquiderme.

Foto: Adriana Franciosi, BD

Em 1924 a cervejaria passou a se chamar Continental. Mais tarde, na década de 1940, foi comprada pela Brahma. Desde 2003, o lugar é ocupado pelo Shopping Total. Veja mais detalhes arquitetônicos do prédio:

Fotos: Júlio Cordeiro, BD, 09/04/2003


Você lembra dos tempos das cervejarias Bopp e Continental? Comente.

(Colaborou Nelson Bopp)

A volta da doca

28 de outubro de 2011 21

Antes de Porto Alegre ser apartada do seu querido - porém maltratado - Guaíba pelo muro da Avenida Mauá, a doca do armazém B3 era muito frequentada e fazia parte do dia a dia dos moradores da Capital - e também dos que habitavam as cidades que ficam às margens dos rios que compõem o delta do Jacuí.

A doca do armazém B3 nos anos 1960. Foto: José Abraham, acervo de Alfonso Abraham.

Era dali que saíam os barcos de passeio e excursões. Era ali que chegavam as embarcações repletas de laranjas e bergamotas vindas da região do Taquari. Quem comprava em quantidade conseguia preços vantajosos, e muitos cruzavam a cidade para adquirir as frutas.

A doca por outro ângulo, com o antigo prédio da Secretaria da Educação em destaque. Foto: José Abraham, acervo de Alfonso Abraham.

Um faquir chamado Silk, certa feita, fez da doca o palco de demonstração da sua habilidade. Mergulhou acorrentado dentro de um saco e, minutos depois, veio à tona para alívio geral dos espectadores.

A partir de hoje, com a inauguração da linha de catamarãs entre Guaíba e Porto Alegre, a doca do armazém B3, onde fica o terminal, poderá reviver, quem sabe, seus movimentados dias do passado.

Você frequentava a doca para passeios ou compras? Comente.

China Gorda

27 de outubro de 2011 2

Ele era um gozador. Figura escrachada. Grande cozinheiro. Inteligente e dado a tiradas espirituosas que cativavam quem dele se aproximasse. Debochado, brincava com o machismo gaúcho e com sua condição de gay assumido. Foi responsável pelo bar da Rádio Farroupilha nos anos de 1960. Conheceu cantores, atores e atrizes de radionovelas, intelectuais e boêmios. Teve seus próprios restaurantes, como o Ao Walter (na Demétrio Ribeiro) e o Cantinho do Molho Pardo (no bairro Petrópolis).

Walter das Neves, o China Gorda (D) era figura folclórica na Capital. Num chalé de madeira do Menino Deus, onde morava, servia a boa comida caseira. Quem provou sua famosa galinha ao molho pardo viveu uma época.

Você viveu essa época? Deixe seu comentário.

Telefone: um auxiliar muito eficiente

27 de outubro de 2011 2

São cada vez mais raras as pessoas que não possuem pelo menos um aparelho de telefone – seja um celular no bolso, seja um aparelho fixo na mesinha da sala.

Foto: reprodução.

Ao que parece, ninguém precisa ser convencido das vantagens da comunicação da voz – diferentemente do que acontecia em 1953, época do anúncio acima, publicado na Revista do Globo. O reclame apregoava as vantagens do equipamento ("Evitando delongas, o interfone acelera a marcha dos serviços e poupa um tempo preciosíssimo!") e convidava os empresários a conhecer o equipamento ("Sem compromisso, peça uma demonstração destes aparelhos").

Foto: Renato Bairros, BD

Vinte anos depois, o americano Martin Cooper inaugurou um novo capítulo nessa história ao realizar a primeira ligação via telefone celular na história. O aparelho era pesado e só se tornou popular duas décadas e meia depois – mas acelerou a marcha de muitos serviços por aí.

Foto: Eric Risberg, AP, BD, 02/04/2003.

Às vésperas de completar 83 anos, Cooper foi vice-presidente da Motorola e hoje comanda a ArrayComm, empresa também voltada à tecnologia sem fio. Bem-humorado e humilde, o empresário contou, em entrevistas recentes, que seu primeiro modelo de telefone celular custaria hoje algo em torno de US$ 1 milhão e tinha bateria para 20 minutos de conversa.

Assista a uma entrevista com o inventor do telefone celular, exibida nos Estados Unidos em março de 2010.

Você lembra de como funcionavam os primeiros aparelhos de telefone celular? Comente.

Do orgulho à encrenca

26 de outubro de 2011 28

A ponte do Guaíba foi a solução para um baita problema. Hoje ela é um baita problema que aguarda solução.

Imagens da construção da ponte do Guaíba. Fotos: José Abraham/Acervo de Alfonso Abraham.

Nos anos 1950, as estradas que ligavam o resto do país à capital do Estado esbarravam no quase intransponível Delta do Jacuí para ir ao sul, e mesmo ao oeste. A ligação era feita por barcas do Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem) que saíam da Vila Assunção, levando veículos e passageiros numa viagem de 20 minutos – mais outros 40 minutos para embarque e desembarque.

Em 1953, quando o movimento era de 600 veículos e mais de mil passageiros por dia, o sistema exigia alternativas. Cinco anos depois, em 28 de dezembro de 1958, foi inaugurado o complexo de quatro pontes da sonhada travessia rodoviária, que foi denominada Régis Bittencourt, em homenagem ao primeiro diretor do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem). Em 1962, o governador Leonel Brizola mudou o nome da ponte do Guaíba para Travessia Getúlio Vargas, mas o nome não foi reconhecido pelo governo federal.

A parte mais vistosa e complexa da obra foi a construção do vão móvel, que se tornou um dos cartões-postais da cidade. Sustentado por quatro torres de 43m de altura, um trecho de 58m de extensão – que pesa 400 toneladas – pode ser elevado mecanicamente a 24m, permitindo a passagem de embarcações de médio porte.

O que já foi tecnologia de ponta e orgulho gaúcho agora causa a inconveniente interrupção do fluxo de 40 mil veículos por dia e se revela uma grande encrenca.

Pane no sistema de freios do vão móvel paralisa o trânsito de veículos na ponte do Guaíba. Foto: Fernando Gomes, BD, 01/10/2010.

Os engenheiros alemães autores do projeto previram que poderíamos ter problemas 35 anos depois da inauguração. Como a ponte tem 53 anos e nada foi feito, aí estão eles. Estamos 18 anos atrasados. Dá para entender? (Colaborou Alfonso Abraham)

Foto: Jefferson Botega, BD, 30/05/2008.

Você lembra da construção da ponte do Guaíba? Comente.

Encontros de família

25 de outubro de 2011 2

O Almanaque Gaúcho recebeu informações sobre oito encontros de família agendados para o próximo final de semana. Quatro deles foram noticiados no último sábado (leia aqui). Os outros quatro são os seguintes:

- Os Travi vão se reunir neste sábado, dia 29, em Canela. Os detalhes sobre a festa estão neste site.

- Também no sábado, a família Paim estará reunida em Porto Alegre. Para mais informações, o contato é o e-mail ilzamargo@hotmail.com.

- Sábado e domingo, os Bonamigo promovem seu oitavo encontro, em Caxias do Sul. Mais detalhes pelo e-mail jussara.heck@terra.com.br.

- No domingo, quem se reúne são os D'Arrigo, na Serra. Contatos pelo e-mail mknet@terra.com.br.

Você vai participar de um desses encontros? O blog do Almanaque Gaúcho convida os leitores a deixar comentários sobre os eventos e também enviar fotos ao e-mail almanaque@zerohora.com.br.

Foi o que fez a família D'Agustini, que enviou uma foto tirada durante o encontro realizado em setembro. Veja:

HQs: Heróis x Heróis

25 de outubro de 2011 3

Como filhos que precisam se libertar da tutela dos pais para atingir a maturidade e se afirmar, países como o Brasil, que foi colônia a maior parte do tempo de sua existência, também vivem o drama de encontrar sua própria identidade para, libertando-se de jugos inconvenientes, descobrir seus valores e vocação.

No final da década de 1950 e no início dos anos 1960, a cultura nacional atravessava um desses momentos de grandes questionamentos. Uma área popular em que o conflito era evidente envolvia a publicação de histórias em quadrinhos.



Ler (e comprar) gibis em grande quantidade era um costume do qual nenhum adolescente ou jovem escapava. Todo mundo se interessava, colecionava e levava uma pilha deles para trocar na porta dos cinemas, antes de assistir à matinê.

Como acontece hoje com os videogames, os mais velhos, preocupados, discutiam que tipo de mensagem estava sendo consumida pela garotada, e quem lucrava com isso.

Foi nessa época que, para enfrentar a massa de informações vindas de fora, surgiram algumas publicações com temas brasileiros e produzidas aqui por artistas nacionais.

Foi batalha desigual e perdida (de certa forma como a travada pelo cinema), mas que deixou frutos e sinalizações importantes. No Rio Grande do Sul, em 1961, chegou a ser fundada uma cooperativa de desenhistas para enaltecer personagens da terra – como Sepé Tiaraju ou os Aba Larga, regimento de polícia montada da Brigada Militar – e transformá-los em super-heróis.



A Turma do Pererê (1962), de Ziraldo, foi outra iniciativa neste sentido: histórias do Saci e de seus amigos, tendo o Brasil como pano de fundo.


Hoje, história em quadrinhos é coisa de adulto. No mundo globalizado da informação, não cabe mais xenofobia nem ingenuidade. A maturidade só chega quando identificamos as influências e aprendemos que os mocinhos, a quem tanto devemos, também erram.

Veja mais capas de gibis:













As imagens que ilustram este post pertencem aos arquivos particulares dos leitores Jorge Silva, Almir Gomes e Cid Magdar Marinho.

E você, colecionava ou coleciona gibis? Comente ou envie imagens para o e-mail almanaque@zerohora.com.br.