Na foto acima, Chico Buarque está no terminal antigo do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, em 1966. Às suas costas, um boneco curioso, que fez muito sucesso naquela década: o Mug.
Foto: Ricardo Chaves
O brinquedo surgiu como mascote de uma marca de roupas. Logo foi adotado por artistas como Mauricio de Sousa - que o retratou em quadrinhos - e o próprio Chico, que chegou a dar queixa na polícia quando seu Mug foi furtado.
O cantor Wilson Simonal criou, em parceria com José Guimarães, uma canção para o boneco: Samba do Mug.
Embora seja este um espaço de memória, também nós não sabemos como isso tudo começou. Nossa tarefa aqui é, diariamente, buscar pistas e vestígios do que aconteceu no passado para tentar entender como as coisas chegaram ao ponto em que hoje estão. Muita gente colabora e nos ajuda a reconstruir nosso passado e a história do nosso país. Assim, juntando os cacos que ficam pelo caminho, podemos fazer a arqueologia possível e tirar algumas conclusões.
Retratos em branco e preto resgatam valiosas lembranças e, por isso, somos tão gratos aos fotógrafos e à fotografia. Também aos poetas devemos gratidão. O que fazem eles senão retratos da alma? Porta-vozes dos nossos sentimentos, traduzem o que nossa sensibilidade acusa, mas nossa falta de talento impede de expressar.
Chico Buarque há tempo faz isso como ninguém – e talvez por isso Chronos seja tão camarada com ele. Mesmo que seja impossível saber como as coisas começaram, as fotos deste post dizem alguma coisa. Este senhor de 67 anos que fica conosco até o show de sexta-feira no teatro da Feevale é o mesmo guri que gosta de futebol, fala de gente humilde e sabe o que elas querem ouvir.
A paixão de Chico pelo futebol é notória - tanto que ele faz questão de jogar nas cidades onde se apresenta. As imagens abaixo são de um jogo realizado no campus central da UFRGS em 1973.
Foto: Vitor Teixeira, BD, 13/09/1973
Foto: Ricardo Chaves, arquivo pessoal
Chico também jogou bola com o jamaicano Bob Marley durante uma visita do autor de One Love ao Brasil, em 1980:
Foto: reprodução
Em 2007, Chico repetiu a dose em Porto Alegre, contra um selecionado de jornalistas e artistas gaúchos.
Foto: Marcos Nagelstein, BD, 27/03/2007
Leia a letra da canção Almanaque:
Ô menina vai ver nesse almanaque como é que isso tudo começou
Diz quem é que marcava o tique-taque e a ampulheta do tempo disparou
Se mamava de sabe lá que teta o primeiro bezerro que berrou
Me responde, por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou
Me diz, me diz
Quem tapava esse sol com a peneira e quem foi que a peneira esfuracou
Quem pintou a bandeira brasileira que tinha tanto lápis de cor
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Quem é que sabe o signo do capeta, o ascendente de Deus Nosso Senhor
Quem não fez a patente da espoleta explodir na gaveta do inventor
Quem tava no volante do planeta que o meu continente capotou
Me responde por favor
Pra onde vai o meu amor
Quando o amor acaba
Vê se tem no almanaque, essa menina, como é que termina um grande amor
Se adianta tomar uma aspirina ou se bate na quina aquela dor
Se é chover o ano inteiro chuva fina ou se é como cair o elevador
Me responde por favor
Pra que tudo começou
Quando tudo acaba
Ouça a interpretação de Oswaldo Montenegro para a canção:
Muitas famílias enviam mensagens para o Almanaque Gaúcho para divulgar a realização de seus encontros. Outras enviam imagens depois que as reuniões são realizadas. É o caso dos Pankowski, que no último domingo reuniram 65 pessoas de mais de três gerações, em um evento em Camaquã. Veja:
Fotos: arquivo pessoal
Já os primos da família Leão Mota, de São Sepé, costumam realizar encontros para comemorar os respectivos aniversários. O mais recente desses eventos foi em outubro, entre os dias 28 e 30. Veja a foto:
O encontro foi tema também de um poema, escrito por uma das tias da família, Cleone:
50 anos de Nenê (Pancho)
Primeiríssimo dos quatorze netos
de minha mãe e meu pai
veio comemorar os cinquenta!
É pra São Sepé que a gente vai!
Com ele a família linda!
além de linda querida:
Marcia, Cinthya e Felipe
preciosidades de uma vida!
Lá estava Valter: pai orgulhoso!
Seus dois irmãos bem presentes!
O fraterno que os une
é palpável, evidente.
Eu, tia mais idosa.
queria mesmo ser a mais amorosa!
Dada a concorrência geral,
assumo a perda de titulação tão honrosa...
Nós todos muito o amamos!
Ele nos conquistou.
Assumir o sentimento,
espontaneamente brotou.
Luis Carlos e Voninha
as portas da casa franquearam.
E com todos que lá entraram
ao aniversariante brindaram.
Elisa e Nato buscaram
potencializar a homenagem.
Tomara o guapo gaúcho
perceba a "baita" camaradagem.
Camarada é igual a amigo.
Amigo é alguém que amamos.
Foi pra externar este amor
que ali nos encontramos.
Veio gente de Tapera,
de Porto Alegre e Dom Pedrito,
de Erechim e Santa Cruz
pra prestigiar alguém tão bonito!
Segunda, terceira, quarta e até quinta geração.
Com muito amor no coração!
Afeto, carinho em profusão !
Meu Deus! Linda, linda emoção!!!
Você participou de um desses encontros? Deixe seu comentário.
Estamos vivendo um período que a crônica esportiva chama de Semana Gre-Nal - ou seja, os dias que antecedem o maior clássico do futebol gaúcho. Grêmio e Internacional voltam a se enfrentar no próximo domingo, encerrando suas participações no Campeonato Brasileiro deste ano.
Fotos: arquivo pessoal de Almir Gomes, reprodução
Em homenagem à 389ª edição do clássico, o Almanaque Gaúcho reproduz aqui a embalagem dos cigarros Grenal, da Cia. de Cigarros Sinimbu, de Santa Cruz do Sul.
A empresa também produziu marcas como Hudson, Monroe e Presidente e foi comprada por um grupo alemão na década de 1970.
No final dos anos 1950 e início dos 60, era um programão dar um passeio pelo porto da Capital. Pelo menos para um garoto que acompanhava a mãe em incursões ao centro da cidade, sempre na esperança de convencê-la a atravessar a Avenida Mauá e cruzar sob o majestoso pórtico central.
Dona Nilce era professora e todos os meses ia ao Tesouro do Estado (bela forma de chamar a Secretaria da Fazenda) para receber seus vencimentos (demorei para entender que esse termo significava salário). Quando saíamos, pela pequena porta ao lado da grande escadaria, era a hora do bote. O pedido/convite era atendido com amorosa resignação maternal e, sem muro nem burocracia, com o grande portão de ferro aberto a todos, ingressávamos de mãos dadas no cais. Munidos apenas da cautela necessária para evitar acidentes.
Uma paisagem única e dinâmica aguardava por nós. Navios enormes (percebi, mais tarde, que não eram tão grandes) eram carregados pela força dos estivadores e pelo incessante movimentos dos guindastes. Bonito de ver. Depois veio o golpe fatal: decretado como Área de Segurança Nacional e isolado pelo muro, o cais tornou-se inacessível.
Agora, dizem, a revitalização sai. Já não era sem tempo. Não será como aquele que conheci, mas acredito que possa voltar a ser, uma vez mais, um porto alegre e movimentado.
Você também lembra do movimento de antigamente no cais de Porto Alegre? Comente.
Deve ser coincidência, ou não, mas quando Fred Flintstone jogava boliche na TV eu e minha turma também jogávamos. Quase sempre num que havia, se não me engano, na Rua Giordano Bruno, bairro Rio Branco, e, mais raramente, num mais chique, o Bowling Center da Avenida Carlos Gomes. Era o esporte da moda em 1965 aqui em Porto Alegre. Uma verdadeira "coqueluche".
Para os mais jovens lerem: coqueluche era uma doença infecto-contagiosa que provocava uma tosse forte, principalmente, nas crianças, e se espalhava como epidemia antes de surgir a vacina. Então, uma coisa que "pegava", virava moda, era chamada de coqueluche. Moraram?
Bem, eu falava do boliche. Antes dele aparecer, por aqui, só havia o bolão, praticado intensamente pelos imigrantes alemães. São modalidades parecidas de esporte, só que no boliche, fundamentalmente, a pista por onde se rola a bola é bem mais larga. Tem mais de um metro de largura (contra 34 centímetros do bolão) e é mais curta também. Tem diferenças ainda nos tamanhos e pesos da bolas de arremesso e no número de pinos.
A edição da Zero Hora de 29/09/1965 convocava 150 homens e 50 mulheres para que se inscrevessem no Primeiro Campeonato Gaúcho de Boliche, e reprisassem aqui o sucesso que o novo esporte estava fazendo entre "cariocas e paulistas". Informava ainda que o Príncipe Rainier, e o armador grego Aristóteles Onassis eram sócios-proprietários de um boliche em Mônaco, frequentado por gente como a princesa Grace Kelly e a imperatriz Farah Diba. Frank Sinatra e Bing Crosby seriam outros praticantes. Enfim, não era só o personagem do Stúdio Hanna Barbera, eu e minha turma, que gostávamos de jogar boliche na idade da pedra. Todo mundo jogava.
A família Pretto se reúne no próximo sábado para comemorar o aniversário de cem anos João Francisco Pretto. A festa será realizada em Jacarezinho-Encantado, localidade em que nasceu e mora até hoje, às 18h30min. Informações pelo telefone (51) 3752-0034, (54) 3462-1226 ou pelos e-mails joapretto@yahoo.com.br e odetevanda@ig.com.br.
A história de quase 150 anos da família Cardoso será comemorada amanhã, na sede da AABB, em Gramado. Laurindo Inácio Cardoso casou-se com Carlota Candido dos Reis, dando início ao clã. Informações: or.cardoso@terra.com.br ou pelo telefone (54) 3286-1490.
Outra ramificação da família Cardoso se reunirá amanhã. Os descendentes de Francisco Manoel Cardoso e Domingas Cardoso, um dos casais de açorianos que fundaram Porto Alegre, se encontrarão na cidade de Taquari. Informações fabiodeazevedo@hotmail.com ou pelo telefone (51) 8545-3536.
A primeira viagem de trem partindo de São Leopoldo até Porto Alegre ocorreu há 137 anos. Naquela época e por muito tempo, famílias inteiras viajavam de trem como lazer.
A responsável pela construção dos 33.756 metros de extensão foi uma empresa britânica, que trouxe o prédio de madeira pré-fabricado da Inglaterra, chegando a São Leopoldo pelo Rio dos Sinos. Experiências anteriores com índios americanos, que atacavam as cargas dos navios com flechas incendiárias, fez com que a empresa temesse a receptividade e cobrisse as paredes da estrutura com uma capa de zinco.
Para preservar a memória da ferrovia, há 35 anos, nasceu o Museu do Trem, em São Leopoldo. Com ele, surgiu um espaço para abrigar um catálogo de 13 mil itens, entre objetos, documentos, mobiliário, mapas e fotografias dos Departamentos da Viação Férrea do Rio Grande do Sul e da Rede Ferroviária Federal S.A. Lá, é possível visitar locomotivas do passado,, como a Maria Fumaça, de 1884 e a movida à diesel, de 1954.
Em comemoração às três décadas e meia de existência, hoje , às 10h, ocorrerá o Aniversário de 35 anos do Museu do Trem, na Rua Lindolfo Collor, 40, no centro de São Leopoldo. Informações: (51) 3591-8853 ou museudotrem@saoleopoldo.rs.gov.br.
Sobre o Museu
O museu foi criado pela idealização de três homens. Após a inauguração, em 26 de novembro de 1976, o Museu Histórico Visconde São Leopoldo passou para os cuidados do Museu do Trem. Em 1985, a Refe Ferroviária criou a Preserve, transformando o Museu do Trem em Centro de Preservação da História Ferroviária do Rio Grande do Sul.
Estação no ano em que foi inaugurado o Museu do Trem, em 1976
Estação do Trem de Ferro, em São Leopoldo, logo após a inauguração, no final do século 19
Chegada dos vagões e carros de passageiros no Museu do Trem, na década de 1980
A Petrobrás anunciou a descoberta de uma jazida de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, nesta mesma data, há 37 anos. Perfurada pela primeira vez em 1976, ela possui aproximadamente 100 mil quilômetros quadrados, se estendendo até o Espírito Santo.
A exploração comercial iniciou um ano depois, com o campo de Enchova, com uma produção de 10 mil barris por dia em uma plataforma flutuante. Mais informações sobre o petróleo no Brasil em www.petrobras.com.br.
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