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De Tchaikovsky a Mutantes

28 de dezembro de 2011 16

No próximo mês de março, quando Porto Alegre faz aniversário, o presente que está prometido para a cidade é a entrega do Auditório Araújo Vianna totalmente reformado e pronto. Essa nova vida que se iniciará com a conclusão das obras é, na verdade, a continuidade de uma existência que sempre foi muito relevante para a capital dos gaúchos.

Quando, em 1927, foi inaugurado o antigo auditório, que ocupava o terreno da Praça da Matriz onde hoje está o prédio da Assembleia Legislativa, a população ganhou, além de um lugar para ouvir boa música, um aprazível recanto para seu lazer.

Fotos: Léo Guerreiro, arquivo pessoal

Quase 40 anos depois, em 1964, o Legislativo se redimia pela ocupação, desde 1960, do nobre espaço do Araújo, entregando o atual auditório no Parque Farroupilha.

Foto: reprodução

Lembro que foi uma bela festa. Eu estava com meu pai – Hamilton Chaves, na época Secretário Municipal de Educação e Cultura – quando ele, no dia 12 de março de 1964, ao lado de Cândido Norberto, então presidente da Assembleia, participou da solenidade de inauguração. Tchaikovsky: Abertura 1812, com sinos, tiros de canhão e fogos de artifício.

Hamilton, o garoto Ricardo e Cândido Norberto na festa do Araújo em 1964. Foto: arquivo pessoal

Fotos: reprodução

Tão inesquecível quanto, anos depois (em março de 1971), ouvir (e fotografar), lá mesmo, os Mutantes e outros artistas, no show Som Livre Exportação.

Fotos: Ricardo Chaves, BD, 27/3/1971

Esse auditório sempre fez parte da vida dos porto-alegrenses. A foto de minha irmã Maria Teresa, aos dois anos de idade, em 1952, num dos bancos do Araújo antigo – e as fotos que a leitora Margarete Machado nos enviou, também ela, com dois aninhos em 1964, nos bancos do novo e então recém-inaugurado auditório – são a prova disso.

Maria Teresa no Araújo antigo. Foto: arquivo pessoal

Margarete com a mãe, Norma, no Araújo da Redenção. Fotos: arquivo pessoal.

Você também frequentou o Araújo Vianna na Praça da Matriz e na Redenção? Deixe seu comentário.

Comentários (16)

  • Marcelo Xavier diz: 28 de dezembro de 2011

    O antigo Araújo foi projetado pelo Armando Boni, que foi um dos introdutores do concreto armado no Brasil (usopu a mesma técnica para erguer o cemitério São Miguel e Almas). A técnica era ligeiramente desconhecida aqui, tanto que muita gente achava que a concha fosse ruir quando tirassem as vigas de sustentação da estrutura, depois de pronta. Sem contar com as belíssimas cadeiras de argamassa, cobertas por pérgolas, era bonito demais para resistir à “ação do tempo”.

    Vivi apenas o tempo do Araújo Vianna do Carlos Fayet, onde vi vários shows de rock e a apresentação do João Gilberto, em 1996.

    Tem uma história curiosa sobre essa apresentação da Abertura 1812: de que, no ápice, no fim, quando tocam os sinos e as salvas de canhões – emolduradas pelo hino czarista se sobrepujando à Marselhesa, teve gente na rua da Praia que, ao ouvir os tiros entrou em pânico, achando que era mais uma revolução…

    Só não entendi o programa da Ospa, dizendo que ia utilizar metralhadoras na abertura. Metralhadoras em 1812?

    Já a primeira apresentação no novo Araújo (salvo engano) foi a Aída, do Verdi.

  • DIEGÃO diz: 28 de dezembro de 2011

    Nossa Porto Alegre é muito bela mesmo, espero que um dia possamos ver todas as praças, monumentos, prédios, etc… reformados embelezando ainda mais nossa capital.
    Referente ao que o amigo, Marcelo Xavier, colocou achei muito interessante, mas relativo a utilizar metralhadoras na inauguração foi referente ao ano de 1964, ano da inauguração e não 1812, data referente a musica e não ao ano da inauguração Tchaikovsky: Abertura 1812.

  • Pato diz: 28 de dezembro de 2011

    Na verdade, com a inclusão de metralhadoras na execução da obra, Porto Alegre assistiu à primeira versão remix da Abertura 1812… NOT

  • Bertrand Kolecza diz: 28 de dezembro de 2011

    Considero um de tantos atentados contra a paisagem construída desta cidade terem demolido a concha e o antigo auditório, para dar lugar aquele monstrengo modernista, o novo prédio do Legislativo, que, ao pregar que povo sem parlamento é povo escravo, no mais, submete-se às vontades do Executivo. Mas deixemos tal amargura democrática para lá. O curioso é notar que os bancos do auditório original sobreviveram em praças e parques pela cidade. Foi uma das conseqüências inevitáveis da rapina. Quanto ao novo, ali assisti tantas apresentações, como também me apresentei, nos tempos do rock dos anos 80, em dois shows individuais – vejam só – do grupo Valhala, no qual era o baterista. O primeiro em abril de 1984 e o segundo em novembro. Tivemos mais de três mil pagantes em cada um. Para uma banda local, sem disco gravado, que tocava suas demos em uma rádio FM local (Ipanema)? Mas bah! Longa vida ao Araújo Vianna. Que desta vez, a engenharia e a arquitetura não nos faltem, como na última.

  • Rogério diz: 28 de dezembro de 2011

    Pois é, só assisti a um show no atual, Nenhum de Nós, após a cobertura, rasgada e remendada depois de um temporal. A acústica é horrivel, não deu para definir o palco sonoro dos instrumentos.
    Meu mestre, amigo e vizinho, trabalhou com o Carlos Fayet na época, e o projeto do lonão já estava esboçado.
    Se o projeto não privilegiar a acústica perfeita, o Araújo Viana continuará sendo um buraco envolto de grama, projetando lembranças apenas para nostálgicos quarentões.

  • Sergio Leal Severo diz: 28 de dezembro de 2011

    Neste Som Livre Exportaçao, eu estava lá. No incio um DJ chamado Ademir(famoso na época, da Boate Le batô ), gritou LSD. Vi que todos nós olhamos pra cima. Era onde estavam centenas de soldados do exercito e aeronautica, ridiculamente armados até os dentes em volta emcima do teatro, me sentia num campo de concentraçao.
    Era a época de chumbo, não sei o que aconteceu com ele após.
    Neste dia estavam alem dos Mutantes, Elis, Ivan Lins e outros que nao me lembro.Sei que cheguei a 1 hora da tarde , e o show foi a noite…

  • Claudia diz: 28 de dezembro de 2011

    Nossa, que legal a história do Araújo. Vou sempre na praça do Dmae e sento naqueles bancos de concreto para contemplar o jardim, mas jamais imaginei que eles um dia pertenceram ao auditório.

    NOSSA PORTO ALEGRE É DEMAIS!

  • Dilma Guimaraes diz: 28 de dezembro de 2011

    Que coisa boa,saber da historia da nossa cidade, e triste é saber que é foi tão bonita e hj se encontra abandonada.Os bancos do antigo auditório estao pelas praças…naquela na independencia saindo da ramiro em direçao ao Hosp.moinhos,na redençao e em um condominio na ipiranga,quase bourbon.podiam resgatar os chafarizes da nossa cidade.

  • Dilmão diz: 28 de dezembro de 2011

    Concordo com o leitor acima. Destruíram a bela concha acústica pra colocar aquele templo da roubalheira. Mas a moda continua. Espaços nobres ocupados a pretexto de servir de abrigo a arte…o teatro da Ospa vai tragar mais um grande espaço do harmonia…o iberê camargo desfigurou o morro do cristal com aquele prédio horroroso, que só quem gosta são os colegas arquitetos. Os bancos do antigo araújo foram espalhados pelas praças da cidade…tivessem sido concentrados só na redenção, por exemplo…a gente olha as fotos antigas de porto alegre e fica com um nó no peito..vários quarteiroes com preédios históricos e antigos poedriam ser preservados…uma arquietetura bela e uniforme…hoje em dia os prédios são todos dee qualquer jeito…o centro de porto alegre é um lixão a céu aberto…os prédios carcomidos e horríveis…poderiam demolir alguns pra deixar o centro mais respirável…sei, isso tudo é um devaneio…menos mal que estão restaurando a alfaandega e entornos…por pouco tempo, pois logo estarão tomados de vagabundos, ladrões, mendigos e prostitutas.

  • Karla Alves diz: 28 de dezembro de 2011

    Uma vez (nem lembro quando…) me disseram que visto de cima, o Araújo Viana lembrava em seu formato, uma foice e um martelo. Alguém sabe se isso é verdade?

  • Gerson de Oliveira diz: 28 de dezembro de 2011

    Não tinha noção da história do Araujo.
    Passam-se as décadas e as fotos ficam ali, eternizando estes momentos mágicos.
    Fotografar Mutantes no auge deve ter sido uma experiência simplesmente incrível.

    Abraço

  • Waldir Gauer diz: 28 de dezembro de 2011

    Cheguei a conhecer o antigo Auditório. Foi em 1959,quando ainda residia em Soledade. Em 1964 eu era funcionário da Assembléia Legislativa e assisti a inauguração do novo Araújo Viana. Foi emocionante a execução da Sinfonia 1812 pela OSPA e Banda Militar da Aeoronáutica.
    Hoje, distante de Pôrto Alegre, lembro com saudades daquela noite e dos anos que vivi na Capital Gaúcha.

  • Marcelo Xavier diz: 29 de dezembro de 2011

    Parece que a história da “foice e martelo” procede. Tem a história de que o Fayet foi perseguido pela Ditadura.

    O DJ Ademir, se for aquele que era do tempo do Big Boy, ele faleceu há bastante tempo.

  • Jorge diz: 29 de dezembro de 2011

    Conheci, quando era um garotinho, nos anos 50, o Araújo Viana da praça da Matriz, onde assisti um programa de carnaval transmitido por uma emissora de rádio. E estive na inauguração do Araújo da Redenção, em 1964 e pretendo estar na reinauguração, em março de 2012. Agora, realmente, o auditório da Praça da Matriz era o mais bonito de todos. Concordo com o leitor que diz que não preservamos nossa memória arquitetônica. A especulação imobiliária derruba o belo para instalar monstengos com vidro fumé… Bem, pelo menos a conscientização coletiva vem mudando e temos conseguido salvar alguns prédios históricos.

  • Gilberto Rodrigues de Oliveira diz: 29 de dezembro de 2011

    Sou porto-alegrense,criado em Cachoeira do Sul,mas quando retornamos a Porto Alegre,por diversas vezes tive a oportunidade de assistir alguns “shows” no Araujo e graças a Deus antes da lona.Hoje,por motivos profissionais,moro no Nordeste mas sempre que possível,acesso ao Almanaque para relembrar o velho e amado Rio Grande.Obrigado por manter nossa memória.A propósito,na foto de reinauguração ao lado de seu saudoso pai,tu parece demais o Arnaldo Antunes dos dias atuais. Abraços

  • José Salúcio diz: 20 de setembro de 2012

    Absolutamente ninguém comentou sobre o show dos Incríveis,no auge da carreira,
    sem playback,sonoplastia(esta enganosa eletronica de hoje),ao vivo mesmo. aquilo é que
    foi show. Também em dezembro de 1982,show com gente de quilate(Nei Lisboa,Nelson
    Coelho de Castro,Giba e outros,cada um melhor que o outro!).

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