Quem curtia automobilismo na década de 1950 sempre ouvia o nome dele entre os vencedores. Era a época das carreteiras e dos circuitos em ruas ou estradas. Tempo de feras como Catarino Andreatta, Diogo Ellwanger e Aristides Bertuol, que competiam em carros possantes de "força livre".
Gabriel Cucchiarelli. Fotos: arquivo pessoal
Gabriel Cucchiarelli (1920 - 1985) competia numa categoria inferior (até 1.300 cc). Talvez por isso, tenhamos a falsa ideia de que suas vitórias seriam menos importantes ou que seu nome tenha sido menos vezes pronunciado. Engano. Em carros menores que a classe média usava para passear - como o britânico Austin A-40 (meu pai teve um desses) ou um pequeno Simca francês -, devidamente "envenenados" pelo seu fiel mecânico italiano Antonio Fontebasso, ele levava o número 12 ao alto do pódio.
Acima, o Austin. Abaixo, o Simca

Foi campeão estadual em 1955. No início dos anos 1960, quando nasceu a filha Graziela (ele já tinha os filhos Túlio, Gabriel Filho e Rogério), o piloto cedeu aos apelos da esposa, Dona Doracy, e abandonou as corridas. Numa das suas últimas provas, as 12 Horas de Porto Alegre em 1962, foi parceiro de Raul Fernandes e levou - heroicamente, contrariando as orientações de parar - seu DKW, sem as portas do lado do carona, que tinham caído após uma batida, até a bandeirada final. Não ganhou, mas fez história. Chegou a participar, com o parceiro Flavio Del Mese, de uma edição das Mil Milhas Brasileiras, em São Paulo, em 1957.
Veja outras imagens de Cucchiarelli em ação:





Ele ajudou, também, na criação do Autódromo de Tarumã. A foto abaixo, por exemplo, mostra uma reunião no Palácio Piratini para tratar do assunto. Aparecem, da esquerda para a direita, Normélio Dapoian (do Automóvel Clube), o então governador Ildo Meneghetti, Cucchiarelli (em pé), José Asmuz e Catarino Andreatta.

Embora competisse com carros menores, gostava mesmo era de um "banheirão". Teve Hudson, Pontiac e Dodge Charger. Trabalhando para a concessionária Ford Ribeiro Jung, foi grande vendedor do modelo de luxo Landau. Em sua loja, Gabrielauto, na Rua Ramiro Barcelos, foi atingido por um infarto fulminante. Morreu cercado por uma das suas maiores paixões: automóveis.
Veja recortes de jornais sobre a trajetória de Cucchiarelli:
Fotos: reprodução




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