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Impenetrabilidade

23 de março de 2012 7

Na metafísica, impenetrabilidade é o nome dado à qualidade da matéria pela qual dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Essa lei, que os físicos contemporâneos questionam, será definitivamente abolida, pelo menos no coração dos gaúchos, nesta segunda-feira – quando as Lojas Renner passarem a ocupar o espaço da Livraria do Globo na Rua da Praia.

Foto: Mauro Vieira, BD, 20/10/2011

São duas grifes tão caras aos habitantes destas paragens que são verdadeiros símbolos comerciais do nosso Estado. Em 1917 – ano em que Laudelino Pinheiro de Barcelos, fundador da livraria, morreu, deixando-a para os herdeiros e para seu sócio José Bertaso -, Antônio Jacob Renner fundava a empresa A. J. Renner & Cia. O começo fora numa pequena tecelagem no Interior. Fazendo com sucesso capas de pura lã capazes de resistir ao frio e à chuva do Sul, Renner iniciava uma trajetória que consagrou-o como um dos principais empresários do Rio Grande.

Anúncio das capas Renner. Foto: reprodução

Até um importante time de futebol teve origem em sua fábrica: o Grêmio Esportivo Renner foi fundado em 1931 por funcionários da firma.

Foto: reprodução

A equipe do Renner foi campeã gaúcha em 1954 e, durante 44 anos, foi a única a quebrar a hegemonia de Grêmio e Internacional. Acabou em 1959, quando a companhia desistiu de bancar as despesas.

Foto: Paulo Franken, BD, 19/3/2002

Em 1920, sob o slogan “a boa roupa, ponto por ponto”, a Renner fabricava trajes masculinos. Em 1945, inaugurou a loja de departamentos na Avenida Otávio Rocha.

Fotos: reprodução

Em 2005, a empresa passou ao controle de investidores pulverizados do mercado financeiro. Segunda-feira ocupará um templo na Rua dos Andradas.

Você lembra de diferentes fases da Renner e da Livraria do Globo? Deixe seu comentário.

Comentários (7)

  • Marcelo Xavier diz: 23 de março de 2012

    Vale registrar a história da Globo, de como uma editora do extremo sul do Brasil se tornou num polo cultural que abrigou talentos tanto em escritores e intelectuais ou jornalistas. Inclusive, na figura escultórica do menino segurando um globo, lê-se a inscrição Urbi et Orbi”, à cidade e ao mundo. Prédio, aliás, idealizado e construído pelo Armando Boni, o introdutor do concreto armado no estado. O prédio foi inaugurado em 1924. O Erico dizia, em suas memórias, que escreveu O Resto é Silêncio na sala dele (nos fundos do prédio), tendo que suportar o blend de peixe frito que vinha da cozinha do restaurante Dona Maria, que ficava na José Montaury…

  • Vitoldo Haber diz: 23 de março de 2012

    É uma pena. Uma sai e outra entra, mas a vida é assim. Ainda bem que existem pessoas que publicam essas matérias que fazem o tempo voltar.
    Minha tia trabalhou até se aposentar na fabrica Renner. A minha mãe trabalhou numa fabrica de confecções, que ficava nas imediações da av. Plinio Brasil Milano, perto da av. Assis Brasil, depois se mudou para a cel. Bordini.
    Se alguem souber o nome, agradeço, pois não me lembro o seu nome.

  • almir gomes diz: 23 de março de 2012

    Boas lembranças e, pra mim, uma coincid., tive, ainda redator jr. como dupla, no RJ, anos 80, um veterano e talentoso dir. de arte que começou na Livr. do Globo, anos 40, Armando Kuwer q, inclusive, criou 1 das capas de E. Verissimo e a Renner, junto c/Samrig e Ipiranga, foi umas empresas-clientes que propiciaram o surgimento, em 57, daquela que seria, nas déc. 70/80, a maior ag. de propaganda do Brasil: MPM, na qual trabalhei, unid. Rio.

  • João Carlos Campão diz: 23 de março de 2012

    É bom lembrar: o Gremio Esportivo Renner, além da façanha de vencer o Campeonato de 1954, possuia também seu estádio. Ficava ali na esquina da Farrapos com a Sertório.
    Aliás, todos os clubes de Futebol em Porto Alegre tinham seus próprios estádios. Nacional, onde está, me parece, um supermercado, na José de Alencar; o Força e Luz, ali próximo do quartel Central dos Bombeiros; o Cruzeiro, onde hoje está o Cemitério Joao XXX. Além, é claro, dos estádios do internacional, nos Eucalíptos e o do Grêmio, na baixada e depois no Olimpico.

  • João Carlos Campão diz: 23 de março de 2012

    Sei que o assunto central da matéria é o prédio da Livraria do Globo e as Lojas Renner. Mas, já que foi publicada a foto da equipe do G.E. Renner, quando Campeão de 54, no estádio Tradentes, gostaria de observar que entre os integrantes da equipe está BRENO MELLO, atleta que depois foi jogar no Rio de Janeiro e lá, como ator, integrou o elenco do filme ORFEU DO CARNAVAL, EM 1959. Esse filme foi premiado com o Oscar de melhor filme em Língua estrangeira. Ganhou ainda a Palma de Ouro no ‘Festival de Cannes, na França e também o Golden Globe, aqui nos USA.

  • Carlos A diz: 2 de abril de 2012

    Nos Anos 60, quando frequentava o antigo Primário, meus pais compraram uma capa de chuva, azul-marinho, com aberturas laterais, etiqueta Renner: não havia chuva prá ela, mas após, era uma sauna só, e carregá-la no braço… uma tortura (sem esquecer as indefectíveis galochas). Quanto a Livraria do Globo, lá em Santa Maria, foi inaugurada bem no início do século XX (1901 ou 1903). Havia toda uma magia no ambiente: o barulho ficava lá fora, odor, cores, personagens, assoalho de tábuas. Assim, nasceu meu amor aos livros.

  • Leila Manssour Dipp Bassani diz: 10 de dezembro de 2012

    O memorial é simplesmente emocionante. Dois pólos econômico, social e cultural do RS, Renner e Livraria do Globo. Minha mãe fez parte do quadro da Editora Livraria do Globo e não esquece jamais desse período.

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