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Poemas para as mães

13 de maio de 2012 1

Leitores e colaboradores do Almanaque Gaúcho dedicaram generosos versos ao Dia das Mães. Reproduzimos aqui alguns poemas recebidos nos últimos dias.

Mãe

Jaime Vaz Brasil

Mãe.

Nossa Senhora do Ventre.

Do parto, do colo, dos braços,

do seio, do beijo e do abraço.

Mãe.

Nossa Senhora do Berço.

Do choro e das noites em claro,

das cantigas e dos amparos.

Mãe.

Nossa Senhora dos Passos.

Dos andares e dos tropeços,

das quedas e do recomeço.

Mãe.

Nossa Senhora da Escola.

Do bom conselho, da merenda

e do joelho que se remenda.

Mãe.

Nossa Senhora da Espera.

Da hora que se ancora à sala,

da noite que se alonga e cala.

Mãe.

Nossa Senhora do Adeus

e do prato fundo que a vida

sempre aquece, nas despedidas.

Só as mães são felizes

Suzana Soriano Corrêa

Por que só as mães são felizes?

Simplesmente,

porque são mães.

Alegram-se sempre,

às vezes, sem motivo;

elogiam sempre,

às vezes, sem razão,

e acarinham,

nos momentos de solidão,

os sonhos não vividos,

ou vividos

de serem mães.

Mãe

Nelly Todeschini Cantele

No cotidiano, tuas batalhas

tuas conquistras,

momentos de desilusão

e de alegria,

projetos de amor todos os dias,

na busca da mais certa das verdades.

E assim tu seguirás,

sendo caminho onde os passos passam

e desaparecem

mas os sonhos se aninham e permanecem,

com nuances de passados

e futuros.

E tu seguirás sendo alegria

e as mesmas horas seguirão contigo,

entre alegres risos e despertat ansioso,

pelos risos, pelas lágrimas

e pelo tempo.

E tu seguirás sendo tristeza,

no entardecer de uma beleza triste,

que se transforma em noite

e volta a ser o sonho,

enquanto a madrugada

te detém desperta

e faz do teu sonho

a claridade incerta,

que espera pela luz

do acontecer.

E tu seguirás sendo esperança,

enquanto teus olhos cativarem

as visões de um infinito,

onde as estrelas acenam como gritos,

ao encontro das respostas

que procuras.

E tu seguirás sendo VIDA,

seguirás sendo retornos e partidas,

seguirás sendo saudade na distância,

até a distância te fazer ETERNIDADE!

Dois homens

Adersen Chrestani

Eles vêm da solidão do tempo

Do plano infinito, do astro água.

Dois homens cavalgando sem parar

Nas entranhas do corpo máter.

Eles vêm da vida célula,

Já atravessaram o estágio vidro

E se perfectibilizam no ventre ninho.

Dois homens e muitos destinos.

Quais deuses adorarão?

Quais símbolos haverão de seguir?

Dois homens que se alimentam do

Sangue pulso de uma menina mulher,

Que lhes dará a luz

E o seio farto do colo MÃE…

E o amor sublime que só ela tem.

Mãe

José Nedel

Ser mãe é distender-se em muitos afazeres,

Sem lamentar-se a si, por lágrimas ou dó.

É como ensina um mestre, rico de saberes:

“Também existem muitas mães em uma só”*.

(*José Outeiral)

Mãe

Suzana Soriano Corrêa

Mãe, símbolo de abnegação.

Aconchego de todas as horas.

Uma embarcação segura,

rumo ao porto da esperança.

Uma história contada em contos,

crônicas, romances, biografias,

enfim, em um contexto

sempre presente nas leituras da vida.

Um feitiço que enlaça,

em prosa e verso,

um amor perpetuado pelos tempos.

Mãe,

autora de uma obra de amor.

Filhos, devotai às suas mães

um amor incondicional!

Mães, devotai aos seus filhos

um carinho especial!

Mães de Bagé

Roselaine Funari

saudades do útero verde

caminhos que não percorri

saudades dos Pampas meu vô

histórias que não vivi

saudades de manhãs e lares

colares que não conheci

saudades guardadas no tacho

doces que não servi

saudades são mães de Bagé

Alziras Corinas Albertinas

prendas que nunca vi

e capeando este poema

nem sei se é mesmo minha

a saudade que sinto de ti

Mãe! Uma canção de amor

Pedro Porcher Neto

Ao longe o cantarolado

luz de um céu azulado

o suor no vestido floriado

um suspiro de dor!

O caminhar apressado

um tesouro bem guardado

a prontidão do cuidado

o perfume da flor!

A ternura do beijo molhado

consolo imaculado

o olhar iluminado

uma cançaõ de ninar!

Belezura do rosto rosado

o doce colo ganhado

estrela guia do sonhado

a missão de amar!

O eterno berço aleitado

alimento infinitado

o canto entoado

um sorriso de alegria!

O buquê ornamentado

um coração consolado

o verso inspirado

o rimar da poesia!

O grande amor incondicionado

refúgio do xale dourado

o sonho do céu estrelado

uma doçura no explendor!

O cheiro da bravura no canto acarinhado

perfume na esperança do caminho ilustrado

a saudade no cantarolar lagrimado

Mãe! Uma canção de amor…!

Mãe

Maira Vicenzi Knop

Obrigada mãe por me deixar vir

por estar comigo enquanto crescia

por apoiar planos e trajetórias

por me incentivar

na descoberta de novos caminhos

obrigada mãe

por repartir comigo tua ternura

teus sorrisos

teu dia-a-dia

me ensinaste com teu amor

a ser grande e crescer como pessoa

hoje não sou mais quem fui ontem

sou ainda melhor

pois perto do teu coração

me espelhei desde cedo

e ao longo de minha vida

te tenho como recompensa

enquanto a premiada

serei sempre eu

Mãe

Alexandre Ruszczyk Neto

enquanto viveres eu sonharei

se me faltares, só terei a noite

és o melhor que a vida me trouxe

o olhar mais puro, o sorriso mais doce

contigo, tenho um pé no chão

e outro pé na primavera do homem

a vida nas árvores agarrado na tua pele

o fruto maduro sagrado

na tua ausência, serei só lembrança, vento

Imortalidade
Jaime Katz
Minha mãe viajou dia dois
deste ano de dois mil e cinco
Não levou roupas nem malas
Não levou sequer seus brincos
Foi passear entre as estrelas
De ninguém se despediu
pra brincar nos meteoros
de mãos dadas com meus tios
Minha mãe era tão boa
e também era tão linda
como poucos são ainda
neste mundo não gentil
Não vos quero entristecer
ao falar desta senhora
Já não era assim tão moça
mas que falta faz agora
Pela mãe que Ele deu
de presente para mim
e que afinal recolheu
para enfeitar o seu jardim
Desconfio, minha gente
mesmo sendo irreverente
que o Senhor onipotente
tinha ciúmes de mim
Quando se adora uma mãe
com a mais pura devoção
ela não morre, sesteia
e para sempre passeia
na alma do coração
Mãezinha
Neida Rocha
Tua Metade adormeceu!
Tua voz calou!
Teu braço caiu!
Tua perna parou!
Estás incompleta!
Estás pela metade!
No entanto,
teu coração está vivo
e a metade que funciona
é justamente
onde está teu coração.
Agradeço
por poder te dedicar
uma parcela do amor,
que tanto me dedicaste.
Sei que tudo isso é passageiro
e que tua garra e tua vontade
te levantarão mais cedo
do que todos pensam.
E sem ter que provar
nada, a ninguém,
breve estarás “inteira”.
E quero ainda dizer-te,
que mesmo estando incompleta,
és mais completa do que muitas
“perfeitas”!
(homenagem da autora à própria mãe, que sofreu um derrame e perdeu os movimentos do lado direito do corpo)
Milagre da vida
Francisca de Carvalho Messa
Depois de uma noite de amor
Pode acontecer a concepção
A natureza tal uma flor
Abrirá a corola é a benção
A futura mãe vai gerar o embrião
Alguns meses essa mulher
Nutrirá o fruto dessa união
Até chegar o dia de nascer
O esperar desse filho amado
É prazeroso  cheio de expectativa
Seu corpo fica por Deus dignificado
A postura da futura mãe é receptiva
A alma cheia de ternura e docilidade
Feliz de quem  realiza esse sonho
A mulher fica plena com a maternidade
Foi atingida pelo Milagre da Vida

Outros leitores preferiram enviar versos escritos por outros autores. Confira:

Ao que deve chegar

Regina Gregory Brunet

Como uma nuvem,

como um perfume…

Música que se pressente,

brisa que foge,

vaga forma de sonho –

– era como estavas em mim.

E agora já palpitas

em teu claustro misterioso

e te debates,

como pequenino pássaro aprisionado

Sofres a saudade

dos anjos com que brincavas,

– ou é a esperança

do mundo que te chama?

Já te cansa o teu retiro, talvez…

– queres distender-te, respirar…

e eu quisera guardar-te, ainda,

poupar-te ao impacto

desse aqui-fora que se imporá a ti,

e te receberá,

fazendo-te chorar…

Mas…é tempo de acordar:

– de pisar as estradas ásperas,

de tocar os espinhos agudos.

Mas é tempo, também,

de expandir-se ao sol

e deliciar-se com os belos frutos.

Porém mais que tudo,

– é tempo de aprender

a conciliar esses opostos,

de construir um mundo novo,

– meu filho, –

ser um homem.

(Poema de 1956, enviado pelo filho da autora, Júlio Brunet)

Embalos no colo da mãe

Dilan Camargo

Me embala, mãe

me embala

bem juntinho do teu colo

que me enrolo

que me enrolo

sou um novelo no teu colo.

Me embala, mãe

me embala

no quentinho do teu colo.

Faz um bolo

faz um bolo

que depois não te amolo.

Me embala, mãe

me embala

me dá um beijo e uma bala.

Me embala, mãe

me embala

é só um pouquinho de balda.

Pai e Mãe

Dilan Camargo

Só pai leva ao futebol?

Só mãe arruma o lençol?

Só pai faz um pão com queijo?

Só a mãe é que dá beijos?

Pai só leva a tiracolo?

Só a mãe leva no colo?

Pai só faz coceira na barriga?

Só a mãe canta uma doce cantiga?

Só o pai paga e salda?

Só a mãe que troca fraldas?

Só o pai assa salsicha?

Só a mãe é que cochicha?

Pai só se arruma?

Só mãe se perfuma?

Só o pai faz mágica?

Só a mãe é trágica?

Só o pai trabalha?

Mãe só limpa tralha?

Pai e mãe! Quantas perguntas

pra respostas que andam juntas!

(Poemas enviados por Magda Brito)

E três textos enviados pela leitora Natália Setúbal:

Já mocinha, olhava minha mãe limpar um frango,

estava calma e doce. Descansou a faca na mesa, pôs

a mão na minha cabeça e me falou ensinando como boa mãe: olha aqui, Pia,

um frango bem picado, contando com os pés e a cabeça, dá vinte e um pedaços.

Achei que éramos especiais, pois sendo então uma família de sete pessoas,

cabiam a cada um três pedaços exatos. Minha mãe me quer.

(Adélia Prado)

De fato, és bem filha de tua mãe (Ezequiel, 16:45)

O amor de mãe

por seu filho é

diferente de qualquer outra coisa no mundo.

Ele não obedece lei ou piedade,

ele ousa todas as coisas

e extermina sem remorso

tudo o que ficar em seu caminho.

(Agatha Christie)

Comentários (1)

  • Adersen Chrestani diz: 30 de maio de 2012

    Fiquei lisonjeado ao encontrar meu poema “Dois Homens” neste Blog.
    Muito obrigado.
    Adersen.

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