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Ao Belchior

15 de maio de 2012 19

Quando ele morreu, aos 100 anos, em 12 de maio de 1995 (portanto, 17 anos atrás), Porto Alegre perdeu um personagem marcante. Seu nome: Joaquim da Cunha. Sua profissão: belchior.

Foto: Valdir Friolin, BD, 11/10/1986

Mercador de objetos velhos e usados, diz o verbete do Dicionário Aurélio para definir essa palavra. De acordo com as inscrições na fachada da loja com esse nome, que Joaquim manteve por 50 anos na Rua da Praia, próximo ao antigo Cine Cacique, ele era mais que isso. Lá estava escrito: “Compra de tudo / Vende de tudo”.

Foto:  arquivo pessoal de Jorge Leão

Foto: reprodução

Joaquim era português nascido em Souselas, próximo a Coimbra. Chegou ao Brasil em 1911, em 1927 veio para a Capital e, em 1930, fundou o mais incrível brique que a cidade já teve. No primeiro endereço ficou até 1980, quando mudou-se para a Marechal Floriano, 750/754.

Foto: arquivo pessoal de Jorge Leão

Quem conheceu a casa de comércio de Joaquim, especialmente a da Rua dos Andradas, jamais se esquecerá dela. Além das vitrinas – abarrotadas dos mais inusitados objetos, que só poderiam ser retirados dali com enorme esforço –, um odor característico misturava mofo, poeira e ferrugem com o aroma dos tempos idos.

Foto: Valdir Friolin, BD, 11/10/1986

Um trompete, uma bússola, pregos oxidados (usados e tortos), um sino, escova, moedas, leque, quadros, lampião, louça, serrote, câmara fotográfica, ovo de madeira para coser meias…

Foto: Dulce Helfer, BD, 19/11/1992

(colaborou Jorge Leão)

Você lembra da loja Ao Belchior? Deixe seu comentário.

Comentários (19)

  • Marcelo Xavier diz: 15 de maio de 2012

    Seu Joaqum é uma parte da história da Rua da Praia e de Porto Alegre. Sou do tempo do Belchior só ali na Marechal Floriano.

    Me lembro de uma história do Oddone Greco que catou u ma hélice que “sobrou” na queda de um monomotor, no antigo Aeroporto São João. Ele ligava ao Belchior quase todo dia disfarçando a voz e se dizendo ser um colecionador de objetos de aviação. Depois de incontáveis ligações, o Odone resolveu pôr a hélice debaixo do braço e passar “distraidamente” na frente da vitrine da loja do seu Joaquim. Este, ao ver a peça, comprou-a no ato.

    Durante muitos anos a hélice ficou na loja, a espera do tal comprador que, como se sabe, nunca apareceu…

  • salomao jacob golandski diz: 15 de maio de 2012

    AO belchior foi o percursor dos brick de antiguidades de hoje
    sempre que passo pela rua da praia me lembro do AO BELCHIOR

  • luiz carlos pinheiro diz: 15 de maio de 2012

    Morei na Rua da Praia até o fim dos anos 80. Bem em frente Ao Belchior. Conheci o seu Joaquim, costumava ir até lá só para olhar as bugigangas e sentir aquele cheiro tão peculiar. São boas lembranças que ficaram muito marcadas, para sempre…..

  • Henrique Menezes Avancini diz: 15 de maio de 2012

    Mas bah, sou do tempo do belchior na rua da praia sempre passava por la com meu pai e meu irmão para comprar tinta para minha caneta tinteiro e folha para o mata borrão que usavamos na escola.Quanta lembrança boa

  • Mario Roitman diz: 17 de maio de 2012

    Genial lembrança. Lindas fotos. Lembro muito bem deste lugar( o da Rua da Praia).
    Comprei muita quinquilharia lá. Era um tipo de “Marché aux Puces”, da Porte de Glignacourt, quando ainda nem sabiamos da existencia dele. Nasci em POA, em 1942.
    Logo comheci por muito tempo e frequentei este lugar, até como sendo um “passeio”.
    Depois vim para SP( em 1966) e muitas vezes nas minhas passeadas por POA, ainda dava uma olhada. Programa no Cine Cacique, tinha quase sempre uma olhadinha no Belchior. Pra mim, durante um tempo, Belchior, eu achava que era o nome dele.

  • claudio fagundes diz: 17 de maio de 2012

    Morava próximo ao Belchior(na varzinha,atual Demétrio Ribeiro)e costuma ir corriqueiramente lá,pois como o texto não informou,lá também se conseguia empréstimos mediante a penhora de algum bem.Era jogador costumaz e o Belchior minha Caixa Economica.

  • Ayrton Luiz Balsemão diz: 22 de maio de 2012

    Nossa! Que saudade desse lugar… Fui muitas vezes ao Belchior bisbilhotar alguma coisa. Remexer em objetos antigos e sentir aquele cheiro característico é uma das coisas que sempre gostei de fazer. Lembro dessa fase da Rua da Praia, perto do Cine Cacique. Bela lembrança da nossa Porto Alegre antiga…

  • Jorge Leão diz: 27 de maio de 2012

    Infelizmente acabei conhecendo o antiquário Ao Belchior este ano, queria muito ter conhecido o antiquário nos outros endereços também, mas, antes tarde do que nunca, agora, reaberto na Marechal Floriano, posso dizer que ele está em boas mãos,um bom atendimento e mantendo a tradição,isto é, tendo de tudo.Adquiri câmeras fotográficas raras que procurava já a um bom tempo…ao entrar na loja, tive a sorte de encontrá-las.

  • Fernando Muller diz: 22 de junho de 2012

    Sou contemporâneo do Belchior da Rua da Praia. O cheiro caracterísco do lugar não havia em lugar nenhum. Lá comprei dentre tantas coisas, um isqueiro de pederneira. Em festas e reuniões (quando podíamos fumar sem dor na consciência) fazia o maior sucesso. Moedas, selos, ah! faltou o famoso fogareiro Primo. Era bom.

  • Mauro Tonon diz: 23 de setembro de 2012

    Vendo na tv o programa Trato Feito me lembrei da loja O Belchior e me veio na lembrança aquele cheiro característico, bem descrito no site. A loja era algo incrível e quando parava em frente à vitrine fazia uma viagem ao passado e ficava imaginando o que aqueles objetos representavam. Muito legal excelentes lembranças.

  • Carmen Baldassari diz: 30 de março de 2013

    Gostaria de informar aos admiradores da loja Ao Belchior nosso endereço:Marechal floriano 724 Caminho dos Antiquários.Nosso atendimento continua o mesmo,com pouco espaço físico,mas com muitas lembranças e estórias de vida que com certeza adoramos rever e compartilhar com nossos clientes.
    Aguardamos sua visita

  • Gustavo Sampaio Ludecke diz: 18 de abril de 2013

    Tive o prazer de frequentar este brique nos anos 70 e 80. Realmente, disputava-se o lugar com muitos ácaros e um cheiro característico de BHC (pózinho para matar insetos com nome comercial de neocid). Entre as centenas de tralhas e bugigangas, lembro-me de caixinhas de agulhas para gramofone, penas de caneta tinteiro, panelas, rádios, ferramentas… Certamente feriu a imaginação de várias gerações. Bom saber que ainda existe em outro endereço…

  • Marcelo diz: 11 de agosto de 2013

    Certa ocasião fui comprar lampadas para lanterna, tinha uma caixa cheia, muito bonitas de vários formatos cores, fui testar uma com uma pilha acabei queimado os dedos pois era uma flash, gostava do casal sempre tinham historias para contar! Comprei também muitas moedas do tempo dom pedro! Estabilizador manual, um cano de chumbo que derreti para fazer peso de papel! Dava para ficar horas olhando de tanta coisa que tinha!

  • JULIO diz: 11 de setembro de 2013

    Quando garoto e estudava no colégio Nossa Senhora das Dores, passava todos os dias na frente do Ao Belchior, aquele cheiro característico exalava lá de dentro. No entanto, poucas vezes tive a oportunidade de entrar… lamentavelmente.

  • Ricardo diz: 7 de outubro de 2013

    Quando criança, morando próximo, na Rua da Praia e estudando nas “Dores”, foram inúmeras as vezes em que entrei na Ao Belchior. Incontáveis itens e sempre com um cheiro que nunca mais senti em nenhum lugar. Povoará para sempre minhas lembranças infantis.

  • Artur Piccoli Jr. diz: 27 de novembro de 2013

    Comecei a freqüentar O Belchior no final da década de 80 e. início de 90. Comprei muita coisa antiga lá . Já. ficava na. Marechal Floriano. Gostava de conversar com o seu Joaquim e sua. fiel. secretaria. Seguido levava meu filho. Luciano na época com 6 anos, para que. ele ainda mesmo criança , pudesse conhecer está parte importante da história passada de Porto Alegre

  • Márcio diz: 25 de junho de 2014

    Seu Joaquim cunha falceu com 100 anos, completou está idade em um sabado e morreu no sabado seguinte, na foto esta o Ione tellitu que cuidou dele ate morrer.

  • Nelson diz: 29 de junho de 2014

    Vim trabalhar na SSP em dezembro de 1961, quem não conheceu o Belchior….Eu comprei alguma coisa que precisava e não encontrava no mercado. Meu Pai e meu tio tinham Victrolas 78 RPM movidas a mola, e moravam em Ijui…no interior…Não se encontravam mais agulhas para essas Victrolas antigas…Mas encontrei no Belchior e levei umas caixinhas…Comprei outras coisas mas não me recordo mais…Tinha até arma antiga e naquele tempo não eram proibidas de se vender….

  • Daniéli Baldassari diz: 30 de setembro de 2015

    O antiquário Ao Belchior continua de portas abertas! Só que hoje aos cuidados da Carmen, que trabalhou junto ao Seu Joaquim e a Dona Yonne. A Carmen continua atendendo clientes antigos e novos com o mesmo carinho e dedicação destas duas figuras ilustres da historia de Porto Alegre e fica no mesmo local: Rua Marechal Floriano Peixoto, Loja 721, onde Compõem o conjunto do querido Caminho dos Antiquários, que acontece todos os sábados no centro Histórico de Porto Alegre!

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