Bob Dylan cantando em Porto Alegre em 1998. Foto: Adriana Franciosi, BD, 7/4/1998
Bob Dylan é daqueles artistas cuja mitologia é quase tão grandiosa quanto sua própria obra. Seu nome figura, com justiça, em qualquer lista de grandes compositores populares das últimas cinco décadas. Mais do que isso, ele soube como poucos aplicar seu talento poético em formato de canção, aliando qualidade melódica e lírica para contar histórias, defender causas ou simplesmente expor sua complexa visão de mundo - e assim elevar a música popular a um patamar artístico até então inédito.
Nascido em uma família judia do interior americano, Dylan destacou-se, a princípio, como cantor de protesto e herdeiro da tradição folk de seu país _ são os tempos de Blowin' in the Wind, música lançada em 1963, cuja letra inclui os versos "Quantas vezes deverão as balas de canhão voar / Antes de serem banidas para sempre?", reproduzidos no Almanaque Gaúcho desta quinta-feira (ouça clicando abaixo).
Com o tempo, Dylan mostrou que tinha mais a oferecer, tanto musical como liricamente. Sua música flui entre blues, folk, country, rock e outros gêneros. Entre suas canções mais famosas, também estão Like a Rolling Stone, Hurricane, Lay Lady Lay, Knockin' on Heaven's Door e Mr. Tambourine Man. Para conhecer a página oficial do cantor, clique aqui.


Dylan foi um artista controverso ao abandonar o protesto em defesa dos direitos civis, numa época em que o movimento folk era, em sua maioria, formado por militantes de esquerda, para apontar absurdos na indústria de massa e na política norte-americana numa linguagem beatnik e surrealista e trocar o violão pela guitarra elétrica, essa mesma Fender Stratocaster Sunburst aí da foto.
Em Subterranean Homesick Blues, do seu primeiro disco "elétrico" (Bringing All Back Home, de 1965), ele diz:
"You don't need a weather man
To know which way the wind blows".