Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Bonde sem mistério

31 de maio de 2012 18

O leitor Regis Zigue esclareceu a história da foto do bonde na praia, publicada ontem aqui no Almanaque Gaúcho.

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

Explica ele, por e-mail, que sua família adquiriu o veículo da Cia. Carris para transformá-lo em bar e lancheria nas areias de Tramandaí. O estabelecimento funcionou por cerca de quatro anos, a partir do verão de 1970 para 1971. Veja trechos da mensagem de Regis:

“Aquele bonde foi comprado da Cia. Carris por meus pais Augusto Lautério Zigue e Zeny do Nascimento Zigue, e colocado nas areias da praia de Tramandaí. A localização era a seguinte: seguindo pela rua da Igreja, ao chegar na praia, cerca de 500 metros à esquerda.

Os bonde nº 2 da Carris foi transformado em um bar e lancheria, onde trabalhei com meus pais e irmãos por alguns anos durante os verões. A foto é realmente do ano de 1970, antes de o bar ficar pronto e entrar em funcionamento no verão de 1970 para 1971.

Lembro, porém, que o bonde não ficou muito tempo em atividade, no máximo quatro anos. Era inviável financeiramente, porque na época Tramandaí não tinha uma população residente como existe hoje, e isso impossibilitou o funcionamento do bar o ano todo. Os adultos tinham empregos fixos em Porto Alegre durante o ano e no verão se tornava difícil a permanência deles na praia, a não ser que estivessem em férias. Às vezes, apesar de bem jovem (14 anos), eu passava a semana inteira atendendo sozinho no bar. Esses problemas de “operacionalização” imagino que também tenham sido preponderantes para que a ideia do bonde fosse abandonada, infelizmente.

O bonde foi vendido depois e, se não me falha a memória, os compradores tinham a intenção de colocá-lo no pátio de algum colégio. O município onde estaria localizado aquele colégio, infelizmente, não me recordo.”

O trajeto do bonde até o Litoral foi um episódio à parte. O veículo foi levado na carroceria de um caminhão pela RS-030, já que ainda não havia freeway. Regis lembra que não foram feitas fotos da viagem, mas conta a história pelos relatos de seu irmão mais velho, Loeci Antônio Zigue, já falecido:

“Meu irmão Loeci acompanhava o transporte em um Ford 1949, que já era velho naquele ano de 1970. O carro teve problemas mecânicos em Gravataí e ele perdeu de vista o caminhão e sua preciosa carga. Feitos os reparos necessários no Ford, ele se encaminhou o mais rápido possível para tentar alcançar o caminhão e o bonde. Foi tão rápido que acabou ficando em dúvida se já não havia ultrapassado o caminhão, caso o motorista tivesse parado para descansar em algum posto de gasolina ou restaurante.

Em Santo Antônio da Patrulha, às margens da rodovia, havia um posto da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) _ onde, naturalmente, sempre havia algum engarrafamento pela velocidade reduzida dos veículos ao passar pela PRE.

Já nervoso e em dúvida sobre a localização do bonde, Loeci colocou quase todo o corpo para fora da janela do carro e perguntou bem alto para o policial que estava dentro do posto:

- Tu viu se passou algum bonde por aqui?

Talvez vocês possam imaginar a expressão das pessoas que escutaram pergunta e as risadas que seguiram, mas talvez ninguém possa imaginar a reação das pessoas quando o policial, lá de dentro do posto, respondeu, em voz mais alta ainda:

- O bonde? Acabou de passar. Se te apressares, poderás encontrá-lo logo ali, talvez antes de Osório.”

Agradecemos ao Regis pelo relato, esclarecendo o mistério do bonde da praia.

Comentários (18)

  • salomão jacob golandski diz: 31 de maio de 2012

    a cia carris teve um outro tipo de pintura em seus bondes
    este como é o numero 2 teve esta pintura diferente
    era vermelho e branco , patrocinado por uma industria de
    refrigerantes

  • Alfredo Perroni Valle diz: 31 de maio de 2012

    Gostaria de propor como matéria do blog, um acidente aéreo que aconteceu nos anos 60 nas areias de Tramandaí. Me recordo que estavámos na praia mas neste dia ficamos em casa. O avião caiu nas proximidades do Ed. Quebra Mar, houveram vitimas fatais e, naquela época foi um corre-corre na cidade. Comento isto com muita gente e todos dizem que deve ter sido um sonho, mas sei que aconteceu. Aguardo a matéria. Abraços…

  • paulo ricardo diz: 9 de junho de 2012

    Prezado Regis, navegando na net, me deparei com este Post a respeito do destino deste saudoso Bonde, na decada de 70 ( sou Gaucho de Porto Alegre, mas tem + de quinze anos q sai da terrinha ), tinha +ou- dez anos de idade e estudei em uma escola, lembro o nome da mesma Mariz e Barros(vou pesquisar na net pra lembrar se é Estadual ou Municipal) pronto pesquisei , Escola Estadual de Ensino Médio Mariz e Barros, localizada na Vila Safira, e tinha um Bonde q era usado como biblioteca, o mesmo estava localizado na parte de tras da escola, qdo professora nos levava para pesquisar algo, era a maior festa, pq não era normal ter um Bonde como biblioteca, ele foi todo reformado, era pintado de amarelo e tinha o simbolo da Carris, imagino q era o mesmo, pq vc disse q foi instalado em uma escola e com certeza foi nesta q tive o privilegio de estuadar e pesquisar as materias em um Bonde biblioteca em plena decada de 70…..

  • Karen diz: 28 de julho de 2012

    Gostaria de comentar o que escreveu o Sr. Alfredo, sobre esse acidente em Tramandaí. Também tenho muita curiosidade a respeito, pois minha mãe já me contou sobre uma moça que estava na praia e morreu devido a queda de um avião, exatamente nessa época. Essa moça, que parece que se chamava Helena, era adolescente na época e tinha um “affair” com meu tio, também muito jovem. Ela foi para a praia com a família, mas tinha marcado no cinema, na semana seguinte, com meu tio e obviamente não apareceu. Ele foi saber do acidente através de jornais. Pesquisei na internet e não encontrei nada a respeito, a não ser o comentário do Sr. Alfredo.

  • José Luiz dos Santos Braga diz: 20 de outubro de 2012

    Sobre o acidente aéreo em Tramandaí ocorrido no início dos anos 60. Era um avião de pequeno porte, um teco-teco, o local da queda foi bem na altura do Edifício Paulo Hoffmaister, nas proximidades onde mais tarde foi colocado o bonde da reportagem acima. O acidente teve muitas vítimas que estavam a beira mar, os ocupantes do avião também foram vitimados, pois o avião pegou fogo. Lembro que na época muitas fotos foram tiradas pelos fotógrafos de beira mar.

  • Carin Maria Schmitt diz: 29 de janeiro de 2013

    Gostaria muito de saber sobre o acidente aéreo na parai de Tramandaí nos anos 1960. Todo o veraneio se fala disso e não encontro informações na internet. falam que foi capa do jornal Zero Hora. Obrigada.

  • Diorley diz: 5 de fevereiro de 2013

    Também tenho muita curiosidade sobre este acidente aéreo uma vez que tenho conhecido que perderam parentes nesse acidente mas não encontro nada a respeito.

  • Alfredo Perroni Valle diz: 31 de maio de 2013

    Hoje faz um ano que fiz o post sobre o acidente aéreo em Tramandai. Vi que várias pessoas manifestaram interesse pela matéria, para mim já é um alivio, pois não foi um “sonho” nem tão pouco uma “alucinação” da minha infancia. Pena que até hoje nada tenha sido publicado. Continuo com o interesse e no aguardo pela matéria. Obrigado.

  • José P.Russo diz: 5 de outubro de 2013

    Perroni !

    Não foi sonho não ! Realmente aconteceu o acidente , só que a memória da maioria das pessoas é curta…Lembro dos jornais da época , talvez Correio ou Diario de Noticias ! A Zero creio eu ainda não existia…E eu lembro tambem de outro acidente aqui em P.Alegre no bairro Vila Floresta ou seja na cabeceira da pista….este foi com aeronave um pouco maior…

  • Silvio diz: 9 de março de 2014

    Lembro muito bem do acidente com o avião em Tramandai.
    A noticia saiu nos jornais da época.
    A veranista (uma menina)(moradora de Esteio, RS), foi atropelada pelo avião em queda.
    Éla foi minha colega de escola (colégio Bernardo Vieira de Mello)e se chamava Maria Helena Casagrande.

  • rosangela guerra diz: 18 de março de 2014

    tem um bonde no pátio do colégio anchieta em porto alegre!!

  • victor hugo bunicoski diz: 13 de setembro de 2014

    foi a primeira vez que quase morri das muitas durante a vida. estava visitando parentes no sul e fomos a tramandai tinha 6 anos lembro bem . era um lindo dia de sol. por um instante me perdi dos familiares .a minutos de ter sido encontado, exatamente no local aonde eu estava, houve a queda. matando e decepando membro de de que estava a sua frente. não lembro de te-lo visto explodir ou pegar fogo…

  • Carlos Mariosan Silveira diz: 2 de julho de 2015

    Eu estava bem próximo ao local do acidente. O avião caiu num local entre a Barra e o Panorâmico e caiu a uns 300 metros de onde eu estava. Uma grande coincidência foi que a queda do avião se deu durante um mergulho meu e ouvi o estrondo embaixo da água, algo como um tiro! Quando tirei a cabeça da água, deu pra sentir o calor do fogo do avião incendiado e muitos gritos! Corremos em direção aos cômoros e só paramos ao chegar na Colônia de Férias da UFRGS! Nunca esquecí desse momento!

  • Marcos (São Paulo) diz: 19 de agosto de 2015

    A todos os interessados no acidente com avião em Tramandaí, ocorreu sim no dia 07/02/1967, perdi um tio (sargento da FAB) que estava neste avião, foi uma enorme tragédia, me parece que conservaram o que restou do avião durante algum tempo na praia onde caiu, realmente um acidente horrível.

  • Rafael Ritzel diz: 29 de abril de 2016

    Meu pai contou sobre este acidente que ocorreu em Tramandaí (Fevereiro de 1967), ele tinha 14 anos na época, estava há uns 100 metros do local do acidente. Ao se aproximar ele viu uma pessoa morta que foi atingida na queda, depois viu um tripulante do avião ainda vivo tentando sair, porém morreu queimado.

    Achei um artigo de jornal (Correio da Manhã – RJ) que relata o acidente. Segue detalhes da notícia:

    “AVIÃO MATA 9 NA QUEDA E DEIXA 2 EM ESTADO GRAVE. 09/02/1967
    PORTO ALETRE (TRP-CM) – Duas das pessoas atingidas pelo avião PT-CLO, do Aeroclube de São Paulo, que caiu sobre a praia de Tramandaí, estão em estado desesperador, enquanto os cinco outros feridos vão reagindo bem. O aparelho decolou de São Paulo no domingo, pilotado pelo sargento da FAB Francisco Ferreira Filho, conduzindo o seu proprietário e o sr. Jorge Gusmão Duarte, chocando-se contra a praia às 10h30min, depois de realizar várias evoluções perigosas a baixa altura. Na queda e na explosão do aparelho, morreram Maria Lúcia Albino, Guilhermina Goetz Schaen, Raquel Goetz Silva, Isabel Maria Alves e Ameri Farina Abruzzi, ficando feridas Helena Casagrande, Neusa Alves Molina, Dione Casagrande, Maria Elisa Schen, Marli Schaen, Marli Schneider e Liseli Waischmann.”

  • Rafael Ritzel diz: 2 de maio de 2016

    Meu pai contou sobre este acidente que ocorreu em Tramandaí (Fevereiro de 1967), ele tinha 14 anos na época, estava há uns 100 metros do local. Ao se aproximar ele viu uma pessoa morta que foi atingida na queda, depois viu um tripulante do avião desesperado e envolto em chamas tentando sair, porém sem sucesso.

    Achei um artigo de jornal (Correio da Manhã – RJ) que relata o acidente. Segue detalhes da notícia:

    “AVIÃO MATA 9 NA QUEDA E DEIXA 2 EM ESTADO GRAVE. 09/02/1967
    PORTO ALETRE (TRP-CM) – Duas das pessoas atingidas pelo avião PT-CLO, do Aeroclube de São Paulo, que caiu sobre a praia de Tramandaí, estão em estado desesperador, enquanto os cinco outros feridos vão reagindo bem. O aparelho decolou de São Paulo no domingo, pilotado pelo sargento da FAB Francisco Ferreira Filho, conduzindo o seu proprietário e o sr. Jorge Gusmão Duarte, chocando-se contra a praia às 10h30min, depois de realizar várias evoluções perigosas a baixa altura. Na queda e na explosão do aparelho, morreram Maria Lúcia Albino, Guilhermina Goetz Schaen, Raquel Goetz Silva, Isabel Maria Alves e Ameri Farina Abruzzi, ficando feridas Helena Casagrande, Neusa Alves Molina, Dione Casagrande, Maria Elisa Schen, Marli Schaen, Marli Schneider e Liseli Waischmann.”

  • Rafael Ritzel diz: 6 de maio de 2016

    Meu pai contou sobre este acidente que ocorreu em Tramandaí (Fevereiro de 1967), ele tinha 14 anos na época, estava há uns 100 metros do local. Ao se aproximar ele viu uma pessoa morta que foi atingida na queda, depois viu um tripulante do avião desesperado e envolto a chamas tentando sair, porém sem sucesso.

    Achei um artigo de jornal (Correio da Manhã – RJ) que relata o acidente. Segue detalhes da notícia:

    “AVIÃO MATA 9 NA QUEDA E DEIXA 2 EM ESTADO GRAVE. 09/02/1967
    PORTO ALETRE (TRP-CM) – Duas das pessoas atingidas pelo avião PT-CLO, do Aeroclube de São Paulo, que caiu sobre a praia de Tramandaí, estão em estado desesperador, enquanto os cinco outros feridos vão reagindo bem. O aparelho decolou de São Paulo no domingo, pilotado pelo sargento da FAB Francisco Ferreira Filho, conduzindo o seu proprietário e o sr. Jorge Gusmão Duarte, chocando-se contra a praia às 10h30min, depois de realizar várias evoluções perigosas a baixa altura. Na queda e na explosão do aparelho, morreram Maria Lúcia Albino, Guilhermina Goetz Schaen, Raquel Goetz Silva, Isabel Maria Alves e Ameri Farina Abruzzi, ficando feridas Helena Casagrande, Neusa Alves Molina, Dione Casagrande, Maria Elisa Schen, Marli Schaen, Marli Schneider e Liseli Waischmann.”

  • Alfredo Perroni Valle diz: 22 de agosto de 2016

    Quero agradecer as pessoas que responderam a minha publicação e que trouxeram informações sobre o acidente aéreo de Tramandaí. Fiquei muito feliz por ter trazido um fato que despertou a curiosidade e o interesse de várias pessoas. Os relatos dos que perderam entes queridos me intristeceram, tive muita sorte em não ter ido a praia naquele dia.

Envie seu Comentário