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Posts de maio 2012

Sim ou Não?

31 de maio de 2012 0

Em 26 de agosto de 1963, apenas quatro dias após desembarcar em Porto Alegre como a mulher mais bonita do universo - episódio narrado aqui no Almanaque Gaúcho em outubro do ano passado (clique aqui para ver) -, a jovem de 18 anos Ieda Maria Vargas foi aos estúdios da TV Gaúcha, no morro Santa Teresa, para participar do Sim ou Não, um dos programas de televisão de maior sucesso na época.

Fotos: BD, 26/8/1963

Apresentada por Salimen Jr. e patrocinado pela Ibraco - uma tradicional loja de móveis e eletrodomésticos que, na década de 1970, seria comprada pela rede Imcosul -, essa atração televisiva consistia em propor aos participantes, que ficavam isolados numa cabine, a troca de um produto por outro.

Os convidados (ou pessoas sorteadas para participar do programa), sem saber o que seria mais vantajoso, aceitavam ou não. Quando a lâmpada acendia, um dos botões tinha de ser pressionado. Ieda já tinha se dado bem, muito bem, antes mesmo de entrar na cabine.

Você lembra do programa Sim ou Não? Deixe seu comentário.

Bonde sem mistério

31 de maio de 2012 7

O leitor Regis Zigue esclareceu a história da foto do bonde na praia, publicada ontem aqui no Almanaque Gaúcho.

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

Explica ele, por e-mail, que sua família adquiriu o veículo da Cia. Carris para transformá-lo em bar e lancheria nas areias de Tramandaí. O estabelecimento funcionou por cerca de quatro anos, a partir do verão de 1970 para 1971. Veja trechos da mensagem de Regis:

"Aquele bonde foi comprado da Cia. Carris por meus pais Augusto Lautério Zigue e Zeny do Nascimento Zigue, e colocado nas areias da praia de Tramandaí. A localização era a seguinte: seguindo pela rua da Igreja, ao chegar na praia, cerca de 500 metros à esquerda.

Os bonde nº 2 da Carris foi transformado em um bar e lancheria, onde trabalhei com meus pais e irmãos por alguns anos durante os verões. A foto é realmente do ano de 1970, antes de o bar ficar pronto e entrar em funcionamento no verão de 1970 para 1971.

Lembro, porém, que o bonde não ficou muito tempo em atividade, no máximo quatro anos. Era inviável financeiramente, porque na época Tramandaí não tinha uma população residente como existe hoje, e isso impossibilitou o funcionamento do bar o ano todo. Os adultos tinham empregos fixos em Porto Alegre durante o ano e no verão se tornava difícil a permanência deles na praia, a não ser que estivessem em férias. Às vezes, apesar de bem jovem (14 anos), eu passava a semana inteira atendendo sozinho no bar. Esses problemas de "operacionalização" imagino que também tenham sido preponderantes para que a ideia do bonde fosse abandonada, infelizmente.

O bonde foi vendido depois e, se não me falha a memória, os compradores tinham a intenção de colocá-lo no pátio de algum colégio. O município onde estaria localizado aquele colégio, infelizmente, não me recordo."

O trajeto do bonde até o Litoral foi um episódio à parte. O veículo foi levado na carroceria de um caminhão pela RS-030, já que ainda não havia freeway. Regis lembra que não foram feitas fotos da viagem, mas conta a história pelos relatos de seu irmão mais velho, Loeci Antônio Zigue, já falecido:

"Meu irmão Loeci acompanhava o transporte em um Ford 1949, que já era velho naquele ano de 1970. O carro teve problemas mecânicos em Gravataí e ele perdeu de vista o caminhão e sua preciosa carga. Feitos os reparos necessários no Ford, ele se encaminhou o mais rápido possível para tentar alcançar o caminhão e o bonde. Foi tão rápido que acabou ficando em dúvida se já não havia ultrapassado o caminhão, caso o motorista tivesse parado para descansar em algum posto de gasolina ou restaurante.

Em Santo Antônio da Patrulha, às margens da rodovia, havia um posto da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) _ onde, naturalmente, sempre havia algum engarrafamento pela velocidade reduzida dos veículos ao passar pela PRE.

Já nervoso e em dúvida sobre a localização do bonde, Loeci colocou quase todo o corpo para fora da janela do carro e perguntou bem alto para o policial que estava dentro do posto:

- Tu viu se passou algum bonde por aqui?

Talvez vocês possam imaginar a expressão das pessoas que escutaram pergunta e as risadas que seguiram, mas talvez ninguém possa imaginar a reação das pessoas quando o policial, lá de dentro do posto, respondeu, em voz mais alta ainda:

- O bonde? Acabou de passar. Se te apressares, poderás encontrá-lo logo ali, talvez antes de Osório."

Agradecemos ao Regis pelo relato, esclarecendo o mistério do bonde da praia.

Frase do dia: Clint Eastwood

31 de maio de 2012 0

O homem sem nome dos filmes de faroeste e o detetive Dirty Harry de San Francisco são dois dos personagens mais marcantes da extensa trajetória de Clint Eastwood. Ator e diretor, ele é certamente um dos rostos mais conhecidos do cinema americano, e não só do século passado. Um de seus maiores filmes, em que dirige e atua, é Menina de Ouro (2004), contemplado com dois troféus no Oscar: Melhor Direção e Melhor Filme - distinções também conquistadas por outro grande filme de Eastwood, Os Imperdoáveis (1992).

O ator começou sua trajetória ainda nos anos 1950 - seu primeiro trabalho de destaque foi no elenco da série de TV western Rawhide. Logo surgiram mais papéis no cinema, e o estrelato veio em 1971, ano em que estrelou duas produções de sucesso - O Estranho Que Nós Amamos e Perseguidor Implacável, começando a série de Dirty Harry - e dirigiu seu primeiro filme, Perversa Paixão. Mais papéis marcantes ainda viriam, como o fotógrafo de As Pontes de Madison (1995) e o aposentado de Gran Torino (2008).

A frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quinta-feira ("Odeio a ideia de tendências. Reverencio a individualidade") reflete e a particular visão de mundo de Eastwood, que completa 82 anos hoje.

O fim do mistério do bonde na praia

30 de maio de 2012 0

Os leitores do Almanaque Gaúcho atenderam ao chamado da coluna desta quarta-feira e explicaram a insólita cena do bonde na beira da praia - retratada no post "Sem rodas nem trilhos". No post, o leitor Jorge Karkling deixou comentário lembrando que a imagem foi feita em Tramandaí. Regis Fernando Zigue explicou que o bonde tinha sido comprado por sua família para ser usado como bar na praia (leia aqui).

Por e-mail, outros dois leitores enviaram mensagens sobre o tema. Uma é de Daniel Heuser, de Guaíba:

"Esse bonde estava na praia em Tramandaí, ou então um igualzinho. Creio que funcionou como barzinho na época do veraneio. Eu costumava passar os finais de semana na casa da praia, no inverno inclusive. Convém lembrar que, nessa época, Tramandaí virava cidade-fantasma exatamente em 28 de fevereiro - depois, até o verão, nem jornais tinha. Também convém lembrar que, naquela época, as casas não precisavam ser engaioladas como hoje.

Creio que foi no inverno de 1972. Do bonde, existia apenas a carcaça abandonada e invadida pelo mar. Tenho ainda hoje um fecho daquela portinhola onde ficava o letreiro do destino do bonde, e também um levantador de janela que retirei dos pedaços do bonde (veja fotos reproduzidas abaixo).

Fotos: arquivo pessoal

A localização exata, creio, era no prolongamento da Ubatuba de Farias. Acredito que o mar deve ter levado o que sobrou dele.

Diminuindo a foto da ferragem da janela dá para ver que era um bonde Bradley . Pelo que li, foram construídos em 1912."

Outra mensagem foi enviada por Paul Tornquist:

"No verão de 1971, veraneamos em Tramandaí (a casa ficava de frente ao mar, perto da foz do rio, mas eu não saberia dizer exatamente onde, só passei um verão lá). Pois bem, na praia havia um bonde desativado que tinha sido convertido em lanchonete. Deve ser esse aí. Os bondes de Porto Alegre haviam saído de linha no ano anterior, e as 'sucatas' foram espalhadas pelo Estado. Da mesma época, deve ser o bonde posicionado perto da entrada do Parque Zoológico em Sapucaia, lembrança que guardo muito viva de uma excursão de escola (será que ainda está lá? Nunca mais fui ao zoológico...)."

Agradecemos aos leitores que contribuíram para explicar a presença do bonde na praia.

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

Linha mista

30 de maio de 2012 0

Antigamente, tomar um ônibus – especialmente se fosse no Interior – podia ser uma pequena grande aventura. Os buracos das estradas de chão batido eram apenas parte dos percalços das viagens, que podiam durar quase um dia inteiro. Um detalhe importante: não era raro os coletivos levarem mais do que passageiros, sentados ou em pé. Mercadorias – de sacos de grãos como milho e feijão até animais mesmo – também eram companheiras de viagem das chamadas linhas mistas.

Foto: arquivo pessoal

Esse é o tempo retratado na foto acima. O caminhão pertencia a Johannes Wartschow, do distrito de Rio Pequeno – região que pertenceu a Santa Cruz do Sul e hoje faz parte do município de Sinimbu. Nos anos 1930, o veículo servia a uma linha mista que ligava Rio Pequeno a Santa Cruz – percurso que, meio século depois, era atendido por ônibus de passageiros com pelo menos quatro horários por dia.

A imagem mostra amigos e parentes de Johannes reunidos para começar uma viagem, prontos para qualquer desafio que o percurso viesse a oferecer.

(colaborou Edvino Claas)

Sem rodas nem trilhos

30 de maio de 2012 2

Foto: Roni Paganella, BD, 20/12/1970

São comuns nossas incursões ao arquivo fotográfico de Zero Hora em busca de imagens para o Almanaque Gaúcho. As fotos nas pastas e os envelopes contendo negativos, guardados nas gavetas dos armários de aço, podem ser contados aos milhões – além, é claro, do material já digitalizado que podemos acessar no computador. Também é comum buscar uma coisa e, no caminho, encontrar outra tão ou mais interessante. É o caso da insólita cena acima.

A data é 20 de dezembro de 1970. O local, o litoral gaúcho, provavelmente Pinhal ou Cidreira. Você viu, ao vivo, o bonde na areia? Deixe seu comentário. Queremos detalhes perdidos no tempo.

Frase do dia: Howard Hawks

30 de maio de 2012 0

Howard Hawks (E) na filmagem de "Uma Aventura na Martinica" (1944), com Humphrey Bogart, Dolores Moran e Walter Brennan. Foto: Floyd McCarty, MPTV, reprodução

Um bom número de filmes famosos do século 20 - de Levada da Breca (1938) a Os Homens Preferem as Loiras (1953), de Rio Vermelho (1948) a Onde Começa o Inferno (1959) - leva a assinatura de Howard Hawks. Dono de uma carreira tão prolífica como relevante, com 46 filmes entre 1926 e 1970, o diretor é considerado um dos maiores cineastas de Hollywood em todos os tempos - ao lado, por exemplo, do John Ford de Vinhas da Ira (1940) e do Orson Welles de Cidadão Kane (1941).

A lista inclui histórias de faroeste, ficção científica, comédia e mistério. Uma trajetória que, curiosamente, não foi tão valorizada pela Academia de Hollywood - Hawks só foi indicado ao Oscar uma vez, e acabou recebendo um único prêmio, de forma honorária, em 1975. Sua visão de cinema era bastante simples. Ele gostava de dizer que um bom diretor "é aquele que não te incomoda", e resumiu o que é preciso para um bom resultado na sala de exibição com estas palavras: "Um bom filme são três cenas boas e nenhuma cena ruim" - frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quarta-feira.

Árvores na avenida

29 de maio de 2012 2

Visão da Avenida Senador Salgado Filho. Foto: Arivaldo Chaves, BD, 2/2/2006

Sobre a foto da Avenida Senador Salgado (antiga Dez de Novembro) publicada nesta terça-feira no Almanaque Gaúcho, a leitora Renata Rizzotto envia mensagem esclarecedora sobre a arborização daquela via. Seguem trechos:

"No canteiro central, exitem arbustos podados em formato retangular, segundo técnica conhecida como topiaria (...).

Ela foi bastante utilizada em Porto Alegre podendo ser observada em fotos antigas das Praças da Alfândega e Otávio Rocha, cujo plantio deve ter ocorrido na mesma época. Na Alfândega, formava sebes que envolviam o centro da Praça, e, na Otávio Rocha, emoldurava o monumento.

Esta espécie de ficus, Ficus microcarpa, é exótica de origem asiática, sendo que no Brasil se encontra bem adaptada, de crescimento vigoroso e agressivo, apresentando sementes viáveis, segundo BACKES & IRGANG (2004).

Também tem a característica de germinar em qualquer lugar, lançando raízes adventícias (que crescem verticalmente para baixo em busca de substrato, que aumentam seu metabolismo) e emitindo várias raízes que acabam por se fundirem umas as outras estrangulando o suporte inicial (vegetal ou edificação) e se transformando em uma única grande árvore.

Existe uma recomendação do setor de Patrimônio Natural do IPHAN para expurgar estas figueiras da vizinhança de sítios ou edificações históricas. A arborização da Avenida Salgado Filho se apresenta fora do padrão normal, pois não existem muitas raízes aflorando e levantando o passeio. Já ouvi dizer que poderia ser por haver rochas sob a avenida que não permitiriam o desenvolvimento normal.

Infelizmente, nas duas praças citadas, foi necessária a remoção (das árvores), pois estavam ocasionando danos irreversíveis nos dois lugares, sendo que na Otávio Rocha os muros e o monumento estavam todos rachados e inclinados.

Abraços,

Renata Rizzotto"

Estado Novo, nova avenida

29 de maio de 2012 1

A atual Avenida Senador Salgado Filho começou a ser aberta entre o final da década de 1930 e o início dos anos 40. A Rua Andrade Neves, que antigamente era chamada de Rua Nova, ia da ladeira da Rua General Câmara até a Rua Marechal Floriano (Rua de Bragança). Da Vigário José Inácio até a Rua Annes Dias (ex-Rua da Misericórdia, por motivo da Santa Casa) existia a Rua Dois de Fevereiro – que, antes desse nome, era conhecida como Beco ou Travessa da Cadeia.

A Dois de Fevereiro e uma parte da Rua Nova deram lugar à moderna e larga Avenida 10 de Novembro.

Foto: Foto Amador, reprodução

Sim, foi esse o primeiro nome da via recém-aberta, numa alusão à criação do Estado Novo, em 1937, por Getúlio Vargas. Em 1951, o nome da Avenida 10 de Novembro (politicamente incorreto) foi mudado para Avenida Senador Salgado Filho, que permanece até hoje.

Duas coisas se destacam na foto: o grande prédio do Preto Hotel (à esquerda) e a ausência das árvores no canteiro central, responsáveis pela agradável sombra desfrutada hoje pelos pedestres que por ali transitam (veja abaixo).

Foto: Michele Silva, BD, 10/7/2006

O que é bom para a tosse

29 de maio de 2012 0

Foto: Revista do Globo, reprodução

Este curioso anúncio do xarope Figatosse foi publicado na Revista do Globo, em julho de 1952. Mais curioso ainda é saber que seu autor, o cearense Luiz Sá (1907 – 1979), foi um dos grandes caricaturistas, cartunistas e quadrinistas do país.

Luiz Sá. Foto: reprodução

Em 1931, por exemplo, ele criou os personagens Reco-Reco, Bolão e Azeitona, que fizeram sucesso na revista O Tico-Tico.

Foto: reprodução

O arredondado Bolão inclusive estrelou uma coleção de figurinhas lançada pelo chiclete Ping Pong no início dos anos 1960. Abaixo, uma dessas figurinhas.

Foto: reprodução

Você lembra das histórias de Bolão, Reco-Reco e Azeitona? Deixe seu comentário.