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O faquir de São Francisco de Paula

28 de junho de 2012 1

Não sei por que, mas acho que faquir é uma daquelas coisas que ninguém mais vê ou fala. Antigamente, era comum haver menção a eles em cartuns, e até mesmo encontrar um deles ao vivo em exibição pública. Durante um período do ano de 1949, em Porto Alegre, não se falava em outra coisa.

Fotos: Zygmunt Haar, Revista do Globo, reprodução

Naquela época, um faquir chamado Silki desafiou a incredulidade da população da Capital. Ficou exposto numa casa pré-fabricada em plena Avenida Borges de Medeiros, dentro de uma urna de vidro lacrada, deitado em sua desconfortável cama de pregos _ e ainda por cima manteve um jejum de 20 dias e 20 noites. Um daqueles alto-falantes em forma de corneta convidava os passantes a vê-lo em troca de um troco.

Ao fim da exitosa jornada de abstinência, ele ainda se submeteu a uma severa prova adicional. Diante da plateia, teve seu abdômen trespassado por uma espada. Foi um desastre. Por inabilidade do auxiliar, o intestino de Silki foi atingido, e ele, vítima de violenta hemorragia, saiu numa ambulância direto para o Pronto Socorro.

Ele sobreviveu ao acidente de trabalho para contar ao repórter da Revista do Globo, Ivar Feijó, sua trajetória. Filho de pai português – que casou em Goa, na Índia, com sua mãe -, Silki nasceu em São Francisco de Paula, quando o casal veio para o Brasil. Batizado como Avelino João da Silva, aprendeu, no país da mãe, quando esta levou-o para lá, os mistérios do “domínio da vontade sobre o corpo e a dor”.

Depois de sair da Índia, peregrinou pela Europa fazendo demonstrações das suas novas habilidades. A crise provocada pela II Guerra trouxe-o de volta ao Brasil. Tinha sido um tempo danado. “Lá, não ganhava o suficiente nem para comer” revelou o jejuador.

Comentários (1)

  • Marcello Campos diz: 29 de junho de 2012

    Cadão e Bíssigo: na terceira foto, onde o Silki aparece de pé, perfurado pela faca, o jovem negro que o ampara é o cantor e ex-puglista Orlando “Johnson” Silva, da turma do Lupicínio Rodrigues e que estou biografando para um livro, em breve.
    Abraço,
    Marcello Campos

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