Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de junho 2012

As caras da bola

30 de junho de 2012 0

O futebol é sempre surpreendente. Paulo Roberto Falcão, grande ídolo da torcida colorada, será amanhã o adversário do Internacional. Como treinador do Bahia, ele enfrenta seu antigo clube neste domingo, em partida do Brasileirão.

Foto: reprodução

Se a partida em Salvador será um momento paradoxal para ele e para os torcedores, não será o único. Há 30 anos, quando Falcão era um dos destaques da Seleção Brasileira na Copa da Mundo da Espanha, ele foi garoto-propaganda do curioso anúncio reproduzido acima. Publicada na Revista Placar em junho daquele ano, a propaganda exalta a coleção de camisetas lançada pela Hering, mostrando uma fotomontagem em que o então atleta do Roma enverga os uniformes dos principais times de Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre – inclusive do rival Grêmio.

Antes de se dedicar exclusivamente à função de técnico, Falcão teve sua fase de colunista e comentarista esportivo aqui na RBS. Outro que transitou do esporte para a comunicação foi o garoto que aparece na foto abaixo, reproduzida de uma Revista do Grêmio de 1958 e enviada à coluna pelo colega Claudio Dienstmann.

Foto: reprodução

Já adulto, ele não ficou conhecido exatamente por ser um craque com a bola nos pés. Você saberia identificá-lo? Faça um esforço. Se não conseguir, leia o nome dele no final deste post.

O garoto da foto é Cacalo, ou Luiz Carlos Silveira Martins, colunista do jornal Diário Gaúcho, integrante do programa Sala de Redação (da Rádio Gaúcha) e ex-presidente do Grêmio.

Encontros de família - os Kirst

30 de junho de 2012 4

De origem alemã, a família Kirst veio para o Brasil em dois momentos distintos. Um ramo, o do imigrante Adam Kirst, chegou ao Estado em 1846 e fixou residência em Picada Café. Outro, de Johann e Antonio Kirst, estabeleceu-se em Santa Cruz do Sul em 1861.

Descendentes dessas duas imigrações vão se reunir no próximo dia 8 de julho, em Linha Pinheiral, Santa Cruz do Sul. Para mais informações, o contato pode ser feito pelos e-mails cleokirst@ibest.com.brkirstadvocacia@ig.com.br e alcido@unisc.br.

Abaixo, duas versões do brasão da família.

Fotos: reprodução

Uma chama mantida acesa

29 de junho de 2012 1

Existe algo de muito profundo quando funcionários de uma empresa, mesmo os aposentados há bastante tempo, continuam se encontrando para confraternizar – como vai acontecer no próximo domingo, dia 1º de julho, no Sítio Conquista (de sugestivo nome), em Taquara. Eles ajudaram a construir a Cia. Brasileira de Petróleos Ipiranga S.A. e têm motivos para se orgulhar disso.

No sítio, poderá estar, e certamente teria muito para recordar, Amelito Barbosa, 93 anos, que viu pingar diante do seu entusiasmo as primeiras gotas de gasolina refinada pela Ipiranga. Em forma e inteiramente lúcido, apesar da idade avançada, ele contribuiu com importante depoimento para o livro O Pescador, do jornalista Willy Cesar Ferreira, que conta a trajetória do engenheiro Francisco Martins Bastos, fundador da empresa.

Amelito Barbosa (ao centro). Foto: arquivo pessoal

Carteira funcional de Amelito. Foto: reprodução

Amelito era um jovem de 18 anos recém-saído da Escola Técnica Parobé quando foi recrutado, com mais alguns poucos colegas, para ajudar “Chico Bastos” na difícil empreitada. Bastos fora para a cidade de Rio Grande, vindo de Uruguaiana, e Amelito apanhou um navio em Porto Alegre rumo a uma amizade que durou até a morte do engenheiro empreendedor.

Francisco Martins Bastos em 1970. Foto: banco de dados

No dia 7 de setembro de 1937, a Ipiranga foi inaugurada. Amelito já trabalhava lá desde o mês anterior, e lá ficou até se aposentar, em 1970. Além de colegas, os colaboradores da Ipiranga foram parceiros de um sonho.

Para informações sobre o encontro deste domingo, o contato é o e-mail baptista@primeiralinha.net.

Frase do dia: Exupéry

29 de junho de 2012 2

Fotos: reprodução

O francês Antoine de Saint-Exupéry (1900 - 1944) sempre terá seu nome associado a O Pequeno Príncipe. O livro, publicado em 1943, tornou-se um dos mais famosos do século 20, talvez por unir reflexão profunda e leveza narrativa como poucos textos de seu tempo. Mas a história do menino perdido no deserto e vindo de outro planeta, traduzida para dezenas de idiomas, veio ao mundo quando seu autor já era um escritor reconhecido.

Filho de família aristocrática, Exupéry foi um dos primeiros aviadores da França, trabalhando para o serviço postal. Escreveu sobre essas vivências em livros premiados como Voo Noturno (1931) e Terra dos Homens (1939) - no qual está a frase publicada no Almanaque Gaúcho desta sexta-feira ("A máquina não nos isola dos grandes problemas da natureza, mas nos mergulha mais fundo neles").

A experiência decisiva para o piloto autor se deu em 1935 - uma queda de avião em pleno deserto do Saara. Exupéry e o navegador André Prévot milagrosamente sobreviveram ao acidente e a três dias de desidratação, vagando entre dunas e miragens, até serem resgatados por um beduíno. O episódio teve reflexos em Terra dos Homens e no próprio O Pequeno Príncipe.

Em 1944, Exupéry literalmente desapareceu no ar, depois de decolar para uma missão de reconhecimento de guerra, no Mediterrâneo. Vestígios de seus emblemas e de seu avião foram encontrados nos anos seguintes, contribuindo para que ele se tornasse - por sua obra e sua trajetória - um mito internacional.

O faquir de São Francisco de Paula

28 de junho de 2012 1

Não sei por que, mas acho que faquir é uma daquelas coisas que ninguém mais vê ou fala. Antigamente, era comum haver menção a eles em cartuns, e até mesmo encontrar um deles ao vivo em exibição pública. Durante um período do ano de 1949, em Porto Alegre, não se falava em outra coisa.

Fotos: Zygmunt Haar, Revista do Globo, reprodução

Naquela época, um faquir chamado Silki desafiou a incredulidade da população da Capital. Ficou exposto numa casa pré-fabricada em plena Avenida Borges de Medeiros, dentro de uma urna de vidro lacrada, deitado em sua desconfortável cama de pregos _ e ainda por cima manteve um jejum de 20 dias e 20 noites. Um daqueles alto-falantes em forma de corneta convidava os passantes a vê-lo em troca de um troco.

Ao fim da exitosa jornada de abstinência, ele ainda se submeteu a uma severa prova adicional. Diante da plateia, teve seu abdômen trespassado por uma espada. Foi um desastre. Por inabilidade do auxiliar, o intestino de Silki foi atingido, e ele, vítima de violenta hemorragia, saiu numa ambulância direto para o Pronto Socorro.

Ele sobreviveu ao acidente de trabalho para contar ao repórter da Revista do Globo, Ivar Feijó, sua trajetória. Filho de pai português - que casou em Goa, na Índia, com sua mãe -, Silki nasceu em São Francisco de Paula, quando o casal veio para o Brasil. Batizado como Avelino João da Silva, aprendeu, no país da mãe, quando esta levou-o para lá, os mistérios do "domínio da vontade sobre o corpo e a dor".

Depois de sair da Índia, peregrinou pela Europa fazendo demonstrações das suas novas habilidades. A crise provocada pela II Guerra trouxe-o de volta ao Brasil. Tinha sido um tempo danado. "Lá, não ganhava o suficiente nem para comer" revelou o jejuador.

Frase do dia: Rousseau

28 de junho de 2012 0

Foto: reprodução

Quando se fala em grandes pensadores da história da humanidade, não se pode deixar de mencionar Rousseau. O personagem se impõe: um suíço que se tornou herói nacional na França, um filósofo que teve sucesso como compositor, um escritor que deixou sua marca na ficção e na reflexão.

No estudo da política e das ciências sociais, ele sempre será lembrado por Discurso Sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre Homens (1754) e Do Contrato Social (1762), obras em que reflete sobre a construção da sociedade e defende a premissa de que o ser humano é naturalmente bom, sendo corrompido pelas circunstâncias ao redor. Tais ideais tornaram-se determinantes na Revolução Francesa do final do século 18.

Na literatura, textos como os autobiográficos Confissões (1782 - 1789) e o inacabado Os Devaneios de um Caminhante Solitário (1776 - 1778) e o romance Julia, ou A Nova Heloísa (1761) influenciaram de românticos a modernos. E Emílio, ou Da Educação (1762) trata da formação do indivíduo como um cidadão pleno - é desse texto a frase "A consciência é a voz da alma. As paixões são a voz do corpo", reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quinta-feira.

Na música, Rousseau contribuiu muito para o desenvolvimento da ópera cômica francesa, criando peças como Le Devin du Village (1752) e Pigmaleão (1762 - 1770), além de canções e sinfonias.

Aniversário de Sarandi

27 de junho de 2012 0

Fotos: arquivo pessoal

Na época da foto acima, feita no início dos anos 1950, Sarandi - nome de uma flor encontrada às margens de um riacho da região - era um dos municípios mais jovens do Estado. A emancipação tinha se dado pouco mais de 10 anos antes, em 27 de junho de 1939 - duas décadas depois do tempo em que a área da cidade, no norte do Rio Grande do Sul, tinha começado a ser colonizada de fato, especialmente por imigrantes vindos da Alemanha e da Itália.

Em destaque na imagem, aparece um dos pontos de referência da cidade até hoje: a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, construída por engenheiros italianos. O belo prédio que está à esquerda da igreja, ainda em construção, é o do Ginásio, atualmente chamado Escola Sarandi. A elevação à direita é o local onde, mais tarde, foi construído o Hospital Comunitário. Uma curiosidade é ver que já havia residências feitas em alvenaria, mas predominavam as casas de madeira de lei.

Visão panorâmica recente de Sarandi

(colaborou Claudio Frederico Vogt)

Encontros de família - os Chassot

27 de junho de 2012 2

Será no próximo domingo, em Bom Princípio, o 11º encontro da família Chassot. A proposta é reunir descendentes do casal Affonso e Anna Veit Chassot, radicado no Morro do Tico-Tico, interior do município. As origens da família estão no norte da França, de onde os antepassados vieram para o Brasil juntamente com imigrantes alemães.

Foto: arquivo pessoal

Na foto acima, de 1927, Affonso e Anna aparecem com 11 de seus 13 filhos. Para mais informações sobre o evento, o contato pode ser feito pelos e-mails ana.ledur@hotmail.com e pauloaschneider@terra.com.br.

Poema para Neruda

27 de junho de 2012 0

Aqui está a íntegra do poema publicado nesta quarta-feira no Almanaque Gaúcho, de autoria de Alvina Tzovenos. A homenagem a Pablo Neruda é dividida em quatro partes. Confira:

Meu preito de gratidão a Pablo Neruda

Alvina Tzovenos

I

Conheço-te entre ideais

assim, dentro do labirinto de teus poemas

são como sinos de capelas, evocando

uma tempestade de justiça e um derrame de amor.

Tua poesia é como vinho ardente e embriagador

me torna serena e com pruridos de imortalidade.

Beijo teus versos

rasgando oceanos em fúria e apedrejando impotências

abro as celas de todos os cárceres

abrindo janelas de par em par aos gritos de justiça

pelas flores que nascem mortas.

Sinto que és irmão do homem sem pão

que tua bandeira é universal

porque te debateste por ela

te feriste na batalha da igualdade sem engolir o sangue das derrotas.

II

Aqui te reencontro quando

com tua candeia me despertas para a dor das guerras suicidas.

Quando de tua voz abraças-me para um nascer entre amigos

visto-me do orvalho cheiroso de tuas palavras.

Almejaste um rebanho sem ovelhas negras

e como médico de teu povo

teus versos curaram tantas feridas...

Falaste ainda da miséria esquecida, como

flor que se pusesse a machucar nos caminhos...

E, triste, coordenaste horizontes, esmagados por botas de ferro.

Mas soubeste ainda sorrir, porque como poeta

conheceste as paralelas desiguais da vida.

Deslumbro teu vulto, sóbrio dentro das esquinas de teus versos

onde os homens espelham vidas, onde se divide o pão.

III

Os que não te amaram são os errados de seus poderios.

Então tua poesia foi guerra

e como ave liberta empreendeste voos.

Como numa taça de champanha

estou a sorver teus versos sedutores

brindando pela eloquência de teu destino.

Mas como tu nasceste

para espalhar vida e amor

apalpo as veias de teus versos sedutores

e bebo deles um sangue de céu anilado

um burburinho de abismos

que se abre como crateras de luz branca.

IV

... versos descortinando consciências

sem grilhões aos esperançados de horizontes.

Tuas flores têm a cor da liberdade e da paz

e em tua sepultura jamais elas fenecem

porque teus versos são glórias do amor entre fuzis

do amor sem fronteiras ou espinhos

de palavras arco-íris que não perdem a cor

de ventos que repetem ecos

e de sóis que se aquecem

resguardando-te até a eternidade.

Frase do dia: Guimarães Rosa

27 de junho de 2012 0

Guimarães Rosa, sua segunda esposa, Aracy de Carvalho, e os gatos do casal. Foto: reprodução

Ler um texto do mineiro João Guimarães Rosa (1908 - 1967) é viajar por um Brasil delirante, no qual as alucinações podem inclusive ganhar a forma de palavras desconhecidas criadas pelo próprio escritor. O autor de Grande Sertão: Veredas acumula méritos: a inovação da linguagem, a maestria narrativa e a riqueza simbólica de suas histórias, ambientadas no meio regional mas permeadas de riqueza estética universal. Uma fusão entre a erudição e o popular sonhada por muitos outros - como o paraibano Ariano Suassuna, tema deste blog há poucos dias - mas realizada com tal qualidade por poucos.

Grande Sertão: Veredas, romance publicado em 1956, foi inspirado por uma viagem do autor - diplomata que então já havia trabalhado em países como Alemanha, Colômbia e França - pelo interior do Mato Grosso. Tornou-se sua grande obra e um dos textos mais importantes da literatura brasileira, combinando realidade, ficção e mito. É do livro a frase reproduzida no Almanaque Gaúcho desta quarta-feira ("O sertão está em toda parte").

Foto: reprodução

A obra foi adaptada para a televisão pela Globo em 1985, com Tony Ramos e Bruna Lombardi nos papéis principais. Veja um trecho abaixo: