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Agosto de 1954

27 de agosto de 2012 5

O país estava mergulhado numa crise política, agravada pelo atentado sofrido pelo governador Carlos Lacerda, no Rio de Janeiro, em que morreu o major Vaz. Acossado, o presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, apanhou uma caneta e escreveu: “…o ódio, as infâmias, a calúnia, não abateram meu ânimo. Vos dei minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”. Colocou o ponto final nessa carta-testamento, apanhou um revólver e deu um tiro no peito.

Com o gesto surpreendente, Getúlio reverteu o rumo dos acontecimentos. Aqueles que o atacavam violentamente – políticos e órgãos da imprensa, por exemplo -, pressionados pela reação popular desencadeada pelo suicídio, foram atingidos ou passaram rapidamente à defensiva.

Cenas da reação popular em Porto Alegre ao suicídio de Getúlio Vargas. Fotos: Revista do Globo, reprodução


Porto Alegre viveu um dia de cão. Quando as coisas se acalmaram, o balanço registrava 3 mortos e mais de 30 feridos. Prédios destruídos e incendiados, especialmente os dos Diários Associados de Assis Chateaubriand. O consulado dos Estados Unidos e algumas empresas não foram poupadas.

Quando aqueles que não simpatizavam com as políticas de Vargas conseguiram tomar fôlego, atribuíram as ações à “turba, mais desordeira que sinceramente enlutada”.

Você lembra do dia seguinte ao suicídio de Getúlio Vargas? Deixe seu comentário.

Comentários (5)

  • Celso Gonzaga Porto diz: 27 de agosto de 2012

    Eu tinha 8 anos e fazia o 2º ano primário no Colégio São Luiz, que na época era junto à Praça Guia Lopes, ao lado da Igreja N.S.da Saúde em Teresópolis. Quando as Freiras souberam do noticiário, as aulas foram interrompidas e nós ficamos em sala de aula aguardando a presença de um responsável para nos levar para casa. Meu pai, que trabalhava na Cia.Carris, deixou o trabalho no centro da cidade (Av. João Pessoa) e deslocou-se até o colégio. A não liberação dos alunos se dava à preocupação com o “quebra-quebra” que se desencadeou pela cidade.

  • Adélia Malinowski Salles diz: 27 de agosto de 2012

    Eu estava na 4ª serie primaria e estava muito feliz pois seria o primeiro ano que iria desfilar na Av.Farrapos. Infelizmente logo depois do primeiro sinal de recreio fomos todos para o pátio d Escola Particular D.Pedro II onde a diretora D.Teresinha Schwartz nos comunicou que não haveria ensaio pois o país estava de luto. Dispensou à todos e cada grupo foi acompanhado por uma professora no trajeto de casa. Só em casa é que ficamos sabendo que o Presidente Getulio Vargas havia se suicidado!

  • Assys Rondan Fernandes diz: 27 de agosto de 2012

    Nesta época eu tinha 14 anos. Estudava no JULINHO (Colégio Júlio de Castilhos) como a escola tivesse incendiado, as aulas ocorriam no Arquivo Público. Lembro-me bem.Subíamos a escada para irmos à aula quando a notícia correu. Fomos autorizados a voltarmos para casa. Assim, desci para o abrigo. Antes de pegar o bonde, lembro-m-e de ter comprado e comido um bolinho de bacalhau em Dona Maria.

  • salomao jacob golandski diz: 30 de agosto de 2012

    eu me lembro perfeitamente do prédio incendiado da radio farroupilha que ficava da rua Duque de Caxias esq, com o viaduto da Borges de Medeiros

  • Fernando Joner diz: 4 de fevereiro de 2014

    Nasci em 1980, mas meu pai conta uma história interessante. Naquela manhã (1954) havia um homem concertando o telhado na casa do meu avô, em Novo Hamburgo. No rádio o Reporter Esso anunciou o suicídio do presidente Getúlio Varga, ao que o homem atirou seu chapéu lá de cima e disse “e já foi tarde”. “Então pode descer e parar de trabalhar…” respondeu meu avô, getulista.

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