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Johnson, o boxeur-cantor

28 de agosto de 2012 2

Ainda hoje lembrado como amigo inseparável e intérprete predileto de Lupicínio Rodrigues, Orlando “Jonhson” Silva (1910 – 1995) foi uma das mais queridas e constantes figuras da noite porto-alegrense entre as décadas de 1930 e 1980.

O terceiro dos cinco filhos de um carroceiro e de uma lavadeira cresceu nas imediações da Cervejaria Continental, cujo prédio hoje abriga o Shopping Total. Por volta dos 20 anos, quando já soltava a voz nas rodas boêmias e defendia uns trocados em bicos braçais no Mercado Público, ingressou no pugilismo. Jack Johnson, o herói negro dos ringues americanos, inspirou-lhe o nome de guerra que o acompanharia também na carreira musical, iniciada profissionalmente nessa mesma época, como crooner de grupos como o Jazz Cruzeiro e a Orquestra de Paulo Coelho.

Foto: reprodução

A sua trajetória nos microfones teria como auge as ondas da pioneira Rádio Sociedade Gaúcha, onde atuou com sucesso de 1933 a 1937. Com o título de “A Voz Morena da Cidade”, Johnson se notabilizou na PRC-2 pelo estilo elegante e pelo repertório que valorizava compositores locais como o jovem Lupicínio. A amizade entre ambos seria tão marcante que ficariam conhecidos, pelas quatro décadas seguintes, como “a corda e a caçamba”. Para saber onde um estava, bastava procurar pelo outro – inclusive na Ilhota, onde Orlando era uma espécie de 22º filho do casal Rodrigues.

Lourdes Rodrigues, Johnson e Lupi. Foto: Acervo Lupicínio Rodrigues Filho

Encurralado entre os prazeres boêmios e as preocupações da mãe com um esporte arriscado e então sem muito futuro na capital gaúcha, o peso-médio de 1m67cm acabou pendurando as luvas no final da década de 1930. A atividade como cantor profissional também iria para o córner em 1945, quando Johnson passou a trabalhar simultaneamente como fiscal da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música (Sbacem, cujo escritório gaúcho era encabeçado por Lupicínio) e como funcionário da Secretaria Estadual da Educação, pela qual se aposentaria anos depois.

O grande nocaute em sua vida foi a morte do melhor amigo e compadre, em 27 de agosto de 1974. Dali em diante, solteiro convicto e responsável pela criação de um casal de sobrinhos, seguiria frequentando os principais pontos de encontro da boemia na Capital, mas a noite nunca mais foi a mesma para Johnson, que faleceria em junho de 1995, vítima de complicações do Mal de Alzheimer, deixando saudade entre a turma que gosta de dormir tarde.

Uma biografia de Johnson está em preparação. Informações, depoimentos e imagens podem ser enviados para o e-mail jornal26@gmail.com.

(colaborou Marcello Campos)

Você também conheceu o cantor Johnson? Deixe seu comentário.

Abaixo, ouça uma das gravações de Johnson: Na Minha Idade (também conhecida como Meu Barraco), composição de Lupicínio Rodrigues e Leduvy de Pina e um dos carros-chefes das performances do Johnson, incluída no LP coletivo Por-do-Sol, de 1973.

Na Minha Idade (Lupicínio Rodrigues e Leduvy de Pina)

Comentários (2)

  • Gilberto Stone Braga diz: 28 de agosto de 2012

    Conheci Johnson nos encontros musicais cujo agregador era o Jorge Machado.
    O Johnson era uma pessoa muito educada e gentil. Tinha um timbre de voz muito suave e era um intérprete notável das músicas do Lupicínio.

  • Dilma guimaraes diz: 29 de agosto de 2012

    bela Lembrança,
    momentos de uma Porto Alegre festiva! diferente desta mesmice de hoje.
    obrigada pelo momento

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