Durante o longo tempo em que a navegação fluvial foi a via principal de transporte de cargas, mercadorias e passageiros no Litoral Norte gaúcho, muitos acidentes aconteceram. Dois deles foram marcantes na história regional. O primeiro, ocorrido em junho de 1894, vitimou Gustavo Voges, filho da proprietária do barco naufragado, o Itapeva, e mais oito pessoas.
O mais marcante naufrágio, no entanto, ocorreu justamente em um 20 de setembro, em 1947. Por ironia do destino, o barco, que transportava 20 pessoas naquela data, principalmente políticos udenistas que se dirigiam a um comício em Maquiné, chamava-se Bento Gonçalves.
O barco Bento Gonçalves no trapiche da Lacustre, nas margens da Lagoa do Marcelino, em Osório, nos anos 1940. Fotos: Arquivo Histórico Antônio Stenzel Filho
O pequeno rebocador de 14,8 x 2,85m, com uma caldeira abastecida a lenha e um motor de 44 HP que atingia 12 quilômetros por hora, deixou o porto de Osório às 11h20min daquele sábado de setembro. Depois de cruzar as lagoas do Marcelino e do Peixoto, entrou na Lagoa da Pinguela sob forte vento minuano. O Bento Gonçalves, que estava em atividade no Serviço de Transporte entre Palmares do Sul a Torres (STPT) desde janeiro de 1929, era comandado por Luís Serafim Machado, o Luís Candita. Por volta das 12h30min, uma rajada de vento adernou o barco.
Dezoito pessoas, entre passageiros e tripulantes, perderam a vida. Entre eles, Osvaldo Bastos, deputado constituinte de 1946, e Cândido Osório da Rosa, prefeito de Osório entre 1937 e 1942 e candidato a prefeito na ocasião.
Apenas dois passageiros salvaram-se: o músico, pescador e juiz distrital João da Costa Vilar, o João Clemente, e o sapateiro Alzemiro Viana Negreiros. O primeiro nadou até a margem apoiado em destroços, e o segundo ficou dentro da chaminé do barco.
Retirado do meio da lagoa da Pinguela, o velho Bento Gonçalves continuou a prestar serviços e, em 1984, quase quarenta anos depois, ainda se encontrava na ativa, no Guaíba.
A embarcação no Guaíba, em 1984
A cidade de Osório nunca esqueceu a tragédia do "Bento". Muitos artigos já foram escritos a respeito, inclusive um livro, O Naufrágio do Bento Gonçalves, de Therezinha Cacilda, publicado em 1985. Nele há, inclusive, os 94 versos rimados escritos por Vilar, um dos dois sobreviventes.
(colaborou Rodrigo Trespach)
Leia aqui os trechos finais do texto escrito por Vilar e publicado no livro O Naufrágio do Bento Gonçalves:


Luís e Ricardo!
Que coincidência incrível encontrar esta matéria! Sou autora do romance sobre os Koseritz (Carola) e estou escrevendo sua continuidade. Meu novo livro terminará justamente neste naufrágio, onde faleceu meu bisavô, Darcy Feijó, pai de ALCEU FEIJÓ!
Mais uma vez, o ALMANAQUE GAÚCHO presta um grande serviço à sociedade e particularmente, à mim. Obrigada!
Abração!
Olá Silvia.
Tudo bem?
Tenho parentes antigos que moram em Terra de Areia e sabem detalhes deste naufrágio. Eles sempre comentam deste naufrágio.
Se eu puder ajudar em algo é só falar.
NOTA dez o post.
Abraços
Nossa, Gerson, seria ótimo! Meu romance está apenas no começo, mas quando chegar nesta parte, poderíamos conversar. Como entro em contato contigo?
AbraçoS
Silvia
Me manda um email: gersondeoliveira@gmail.com
Abraço
aqui em tramandaí tem a filha de joão clemente. pode ter mais detalhes.
Obrigada Anderson.