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Antes da era digital

23 de novembro de 2012 0

A história da fotografia é muito antiga. Muito mais antiga do que a maioria das pessoas acredita. Já na Antiguidade, os gregos conheciam a “câmara escura”, que consistia num quarto escuro com um pequeno buraco que projetava uma imagem externa na parede interna. Ao longo dos séculos, químicos, físicos e até professores de medicina – como o alemão Johann Heinrich Schulze, que descobriu a influência da luz no nitrato de prata – contribuíram no desenvolvimento do que viria a ser, já no século 19, a fotografia como era conhecida até bem pouco tempo.

Schulze. Foto: reprodução

Coube a Joseph Nicéphore Niépce a primazia de fixar uma imagem, após oito horas de exposição, em uma chapa metálica. O ano era 1826, e a fotografia, a mais antiga conhecida e ainda conservada, mostrava a imagem vista da janela do quarto do francês. Mas foi Louis Jacques Mandé Daguerre, colega de Niépce na pesquisa, quem registrou o que se chamou de daguerreótipo, nome dado ao primeiro processo fotográfico, patenteado em 1835. A pintura havia ganhado uma concorrente.

Niépce (acima) e Daguerre (abaixo). Fotos: reprodução

Ao longo das décadas seguintes, a fotografia se popularizou, principalmente por meio da companhia norte-americana Kodak – cujo fundador, George Eastman, tinha como objetivo tornar a fotografia acessível a todos. Em 1888, ele criou a primeira câmara portátil e de fácil manuseio. Durante muito tempo o lema da companhia era “Você aperta um botão, nós fazemos o resto”.

Eastman. Foto: reprodução

Pouco mais de cem anos depois, a fotografia entrou no período de sua maior transformação desde Niépce e Daguerre, a era da fotografia digital. A nova tecnologia – que aboliu o filme e, por tabela, os processos químicos de revelação da imagem – apareceu na virada do segundo milênio. A partir daí, a fotografia ganhou um novo parceiro, o computador. E, com ele, o mais conhecido programa de edição de imagens, o Photoshop, desenvolvido por Thomas Knoll em 1987 e lançado pela Adobe Systems em 1990.

Arlindo Valter Trespach em fotomontagem da década de 1970. Foto: Ildo Trespach, Arquivo Foto Arte Trespach

Antes do Photoshop, a manipulação de imagens e arquivos fotográficos podia levar horas, até mesmo dias. Montagens de fotos, como as que vemos neste post (acima e abaixo), eram processos complicados e exigiam técnica e paciência em ambientes insalubres. E eram realizadas apenas por profissionais ou entusiastas da fotografia.

O Imperador Pedro II, em 1867. Foto: Carneiro & Gaspar. Coleção de fotografias avulsas, Arquivo Nacional

Hoje, o fotógrafo pode corrigir problemas, eliminar da imagem objetos indesejados – e até mesmo pessoas indesejadas – com a facilidade e a rapidez de um clique. A popularização dos editores de imagens permitiu que elas pudessem ser alteradas por qualquer pessoa com conhecimento básico de informática. O estreito vínculo da fotografia com o real – uma virtude sempre enfatizada, especialmente no fotojornalismo – tornou-se um conceito cada vez mais relativo.

(colaborou Rodrigo Trespach)

Polifoto de Ildo Trespach, década de 1970. Arquivo pessoal

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