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A plateia do poeta

17 de dezembro de 2012 1

Hoje o poeta Silvio Duncan (1922 – 1999) ganha um auditório. Quando for inaugurada, às 10h, na Rua Sete de Setembro, 703, a nova sede da Associação dos Servidores do Tribunal de Contas (ASTC), o seu fundador e ex-presidente, auditor de contas públicas, advogado e professor universitário será lembrado também pela sua poesia. Além de um memorial, seu nome vai batizar a sala de palestras e apresentações.

Os poetas Silvio Duncan (D) e Carlos Nejar na Feira do Livro de 1983.  Foto: Lisette Guerra, BD

Silvio Gomes Wallace Duncan nasceu em Santiago. Filho de um juiz e desembargador, formou-se em Direito em 1946. Antes, em 1945, lançou o livro Paisagem Xucra, e deu início às articulações que resultariam no Grupo Quixote, voltado à literatura, que reuniu em seus primórdios Heitor Saldanha, Raymundo Faoro, Wilson Chagas, Vicente Moliterno, Fernando João Schneider e Paulo Hecker Filho. Em 1947, saiu o primeiro número da revista Quixote. Entre 1947 e 1952, foram publicadas seis edições.

Capas de edições da revista Quixote. Fotos: reprodução

O professor Duncan foi fundador e diretor da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS. Figura sensível, fazia belos desenhos para ilustrar seus próprios poemas (abaixo) e tinha grande prazer em estimular nos jovens a arte do verso.

Fotos: reprodução

Comentários (1)

  • IALMAR PIO SCHNEIDER diz: 19 de dezembro de 2012

    Prezados leitores:
    No intuito de acrescentar este artigo a respeito do Grupo Quixote, comento com a crônica abaixo:

    “E HÁ POETAS QUE SÃO ARTISTAS”

    IALMAR PIO SCHNEIDER

    Ocorre-me escrever a respeito de um poeta-artista que conheci na praia do Pinhal em fevereiro de 1984, quando veraneávamos por lá, no Hotel Cassino que havia sido inaugurado naquele ano. Quero falar da mostra Pedro Geraldo Escosteguy – Poéticas Visuais, no MARGS, entre 15 de julho e 14 de setembro de 2003, sendo a primeira retrospectiva e uma homenagem a um dos maiores artistas plásticos do Rio Grande do Sul.
    Estava sentado no alpendre do citado hotel do Balneário Pinhal e acabava de compor o seguinte soneto: À Beira-Mar – As árvores se agitam levemente…/(como são verdes estas casuarinas !) -/ dir-se-ia que respiram como a gente/ sob os raios solares e neblinas…// Às suas sombras passam as meninas/ que vão à praia, nesta tarde quente,/ refrescar-se nas águas cristalinas/ e deitar-se na areia reluzente.// Passam as horas, vai-se enfim o dia,/ a noite chega, aos poucos, de mansinho…/ e as moças voltam lânguidas, inquietas,/ enchendo todo o ambiente de poesia;/ depois andando ao longo do caminho/ vão pedalando em suas bicicletas.—(Praia do Pinhal, 14-2-84). Depois de entabularmos conversa, o Dr. Pedro Geraldo Escosteguy, disse-me que era médico e poeta e que participara como mentor do Grupo Quixote, do qual foi ativista cultural responsável por muitos eventos acontecidos em Porto Alegre e no Estado nos anos 1950. Depois já de volta a Canoas, escrevi um soneto que lhe dediquei e enviei e que diz assim: Soneto Quixotesco – É preciso escrever, eu quero um mote;/ pois assim desenvolvo meu talento/ e a investir contra os moinhos de vento/ serei o personagem Dom Quixote.// NO Rocinante vou seguindo a trote/ e o Sancho Pança me acompanha lento,/ porém p’ra terminar o meu tormento/ desejo Dulcinéia com seu dote.// Minha luta começa todo o dia/ e por sempre manter a fidalguia/ jamais irei parar à meia viagem.// P’ra tanto tenho força de vontade/ e embora encontre tanta adversidade,/ não me faltam bravura nem coragem.” – Canoas, 22.2.84. Não demorou muito recebi a resposta de minha carta e vinha como sói acontecer a poetas, de sua autoria: “Soneto Seguinte – Não te faltam bravura nem coragem,/ nem Dulcinéas para o teu tormento,/ mas o verso, – levado pelo vento,/ perdeu alento para tanta imagem.// Talvez o Rocinante, nesse evento/ sofreu o mesmo trauma da miragem,/ confundindo a leveza da bagagem/ ante a adversidade do momento.// Fora disso, fundiu-se metro e mote,/ rendendo o investimento no Quixote/ versos de relevante fidalguia.// Essa que louvo e que lembrar prometo/ se, – como o faz – , elaborar um dia/ no rastro bilaqueano do soneto.—Pedro Geraldo Escosteguy.- P.Alegre, 9 de março de 1984”. Respondo-lhe então, com estas palavras a sua gentil missiva, em 13 de março de 1984: Chega-me às mãos sua carta de 9 do corrente, e acompanhando-a o volante Quixote 1 – 1960 e a folha Adágio com a linda poesia Visita de Juana de América, pelo que sensibilizado lhe agradeço, justamente quando leio (e em parte releio) nosso imortal Castro Alves, cujo nascimento se comemora no dia 14 deste mês(…). Lendo-lhe os versos não resisto à tentação de “fazer outra barbaridade”, ou seja, aventurar-me, por assim dizer, a dirigir-lhe um dos meus inglórios sonetos, que transcrevo: Soneto a Castro Alves – Lírico das “Espumas Flutuantes”,/ tribuno de “Os Escravos”; defensor/ da liberdade, em ímpetos gigantes/ alçaste as asas qual feroz condor !…// Na “A Cachoeira de Paulo Afonso”, estuantes/ as águas rolam: “brado atroador”…/ Também de Eugênia Câmara, inconstantes/ ouviste as juras de violento amor…// À tua voz há de ficar clamando/ por justiça no mundo e lealdade,/ num tom impávido ou suspiro brando…// Passam os anos mas é sempre novo/ o teu legado p’ra posteridade,/ dizendo: “A praça ! A praça é do povo…”.
    Por último, lembro que a Exposição continua até 14 de setembro no Margs. Vale a pena uma visita.
    Poeta e cronista
    Publicado em 20 de agosto de 2003 – no Diário de Canoas.

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