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A praia dos pedestres

26 de março de 2013 2

O dia 8 de novembro de 1974 marcou uma mudança significativa na vida da cidade de Porto Alegre. Ao final da tarde, com pompa e circunstância, foi inaugurado o primeiro trecho do calçadão da Rua da Praia, entre a Rua General Câmara e Avenida Borges de Medeiros.

A inauguração do calçadão. Foto: Galeno Rodrigues, BD, 8/11/1974

O prefeito Jaime Lerner, de Curitiba, tinha inaugurado, em maio de 1972, a Rua das Flores, um pedaço central da Rua XV de Novembro – primeiro segmento de rua, no país, dedicado exclusivamente ao trânsito de pedestres. Aqui, na esquina da Andradas com a Rua Uruguai, foi armado um palanque. Teve música e, naturalmente, discurso de Telmo Thompson Flores, o prefeito nomeado de então.

O primeiro dia do calçadão. Foto: Hipólito Pereira, BD, 9/11/1974

Banir os carros e entregar as artérias centrais à população que se deslocava a pé era projeto a ser implementado. No calçadão, foram instalados orelhões de acrílico (o acrílico tinha que ser usado em tudo que fosse moderno), floreiras e bancas de jornais modernosas e, estranhamente, esféricas.

Uma das bancas esféricas. Foto: Nene, BD, 16/4/1976

Quando, em 1975, começou a obra do outro trecho do calçadão, da Borges para cima – e o lindo calçamento de paralelepípedos (com grafia e duas cores) começou a ser removido –, houve quem percebesse a violência histórica que estava sendo cometida. E o calçadão foi interrompido na esquina da Rua Marechal Floriano. Decisão acertada, ao que parece.

A retirada dos paralelepípedos em frente à Livraria do Globo. Foto: Carlos Rodrigues, BD, 24/2/1975

Comentários (2)

  • Marcelo Xavier diz: 26 de março de 2013

    O trecho remanescente da Andradas inclusive foi tombado pelo IPHAN. Ele aparece na capa da edição original do livro Rua da Praia, do Nilo Ruschel.

  • IALMAR PIO SCHNEIDER diz: 26 de março de 2013

    CRÔNICA PARA PORTO ALEGRE

    IALMAR PIO SCHNEIDER

    Pelo transcurso dos 241 anos do aniversário da Capital Gaúcha, ocorre-me escrever algo sobre o evento de 26 de março de 1772. Mas por não me aprofundar no assunto, inicialmente, quero dizer que Porto Alegre não se descreve, se vive. Foram tantos os historiadores, poetas, literatos, enfim, que perscrutaram sobre sua história, que desnecessário se faz repetir aqui. Todavia, como disse o poeta, Casimiro de Abreu, em seus inspirados versos de Minha Terra: “Todos cantam sua terra,/ Também vou cantar a minha,/ Nas débeis cordas da lira/ Hei de fazê-la rainha;/ – Hei de dar-lhe a realeza/ Nesse trono de beleza/ Em que a mão da natureza/ Esmerou-se em quanto tinha.”.(…)
    Diga-se, de passagem, que a cidade fundada às margens do lago ou rio Guaíba (ainda está em discussão a correta denominação), sobressai como uma das mais lindas do Universo, e o seu pôr-do-sol, dizem é o mais fantástico do Mundo. Assim também senti quando compus-lhe o seguinte soneto: Ao pôr-do-sol… Pedes-me que eu defina brevemente/ o que seja emoção e fantasia,/ quando nos encontramos de repente/ num happy hour ao final do dia.// Mas eu que vivo longe, indiferente,/ trazendo no meu peito a rebeldia/ de alguém que acreditava, hoje descrente,/ não consigo dizer-te o que seria…// Apenas fico cada vez mais triste/ e já me vês então transfigurado/ olhando o sol que afunda no Guaíba.// Poesia enfim é tudo quanto existe/ nessas horas em que sonho acordado/ e sinto que a saudade me derriba…
    Com estes versos quero prestar uma modesta homenagem à cidade aniversariante que acolhe a todos os que aqui aportam, tanto rio-grandenses, quanto de outros Estados, como é o caso de um dos grandes escritores, como o foi, o ínclito literato Guilhermino Cesar, que era mineiro e de tantos outros com que poderia preencher páginas e páginas. Isto é a prova provada de que é uma metrópole cosmopolita sem preconceitos.
    Contudo, o ponto máximo de amor à cidade de Porto Alegre, está no poema de nosso poeta maior, a meu ver, Príncipe dos poetas, Mário Quintana, cuja obra celebrou-a como ninguém: “O mapa – Olho o mapa da cidade/ Como quem examinasse/ A anatomia de um corpo…// (É nem que fosse o meu corpo !)// Sinto uma dor infinita/ Das ruas de Porto Alegre/ Onde jamais passarei…// Há tanta esquina esquisita,/ Tanta nuança nas paredes,/ Há tanta moça bonita/ Nas ruas que não andei/ (E há uma rua encantada/ Que nem em sonhos sonhei…)// Quando eu for, um dia desses,/ Poeira ou folha levada/ No vento da madrugada,/ Serei um pouco do nada/ Invisível, delicioso// Que faz com que o teu ar/ Pareça mais um olhar,/ Suave mistério amoroso,/ Cidade de meu andar/ (Deste já tão longo andar !)/ E talvez do meu repouso…”
    Nem é preciso dizer que vindo do Alegrete, o poeta aqui se integrou e viveu ao longo de sua existência, sempre escrevendo poemas sobre esta cidade acolhedora que ele adotou de coração. Seus maravilhosos sonetos falam da Rua dos cata-ventos, hoje uma travessa na Casa de Cultura que leva seu nome e que é um centro turístico de nossa capital.
    Escusa-me não haver citado tantos outros autores: poetas, cronistas, romancistas, ensaístas, filósofos, e principalmente, o amigo Nelson Fachinelli, poeta de sua bem-amada cidade, pois aqui nasceu e viveu, bem como o insuperável poeta-músico, Lupicínio Rodrigues, cujas composições conquistaram a todos que as ouvem até hoje. Faltou muita gente, mas paciência, pois serão sempre lembrados por mim. Até mais.

    Poeta e cronista – E-mail: menestrel.lobo@terra.com.br

    http://ialmarpioschneider.blogspot.com/

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