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Fogo amigo

25 de abril de 2013 2

O patrono da cadeira número 33 da Academia Rio-Grandense de Letras, João César de Castro, tem uma curiosa biografia. Gaúcho de Porto Alegre, nascido em 8 de fevereiro de 1884, estudou na Escola Preparatória de Rio Pardo, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, e voltou ao Sul para concluir seu curso militar, em 1908, na Escola de Guerra da Capital. No curso do Estado Maior do Exército, obteve o grau de Engenheiro Geógrafo, e em seguida fez aperfeiçoamento no Exército. Em 1925, formou-se pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Além de militar e médico, dedicava-se também às letras. Era escritor, poeta da escola simbolista, prosador e cronista.

João César de Castro. Foto: arquivo pessoal

Quando eclodiu a Revolução de 1930, ele servia ao Exército, como major e subcomandante do 23º Batalhão, na cidade paraibana de Sousa. Seu chefe e comandante era o tenente-coronel cearense Pedro Ângelo Correia. Como se sabe, o assassinato do Presidente da Paraíba, João Pessoa, no Recife, em 26 de julho de 1930, foi o estopim para a articulação da revolução que já se prenunciava. No dia 3 de outubro, o movimento armado se iniciou, ganhando as ruas, aqui em Porto Alegre. Foi a véspera da morte do militar-doutor e poeta gaúcho, ocorrida no distante estado nordestino onde ele servia.

Na casa do posto de comando, Pedro Ângelo, seu sub João Cesar e alguns poucos subordinados de sua guarda pessoal recebem voz de prisão dos colegas revolucionários rebelados. O comandante não acata a insubordinação, bate a porta e se entrincheira, trocando tiros com os revoltosos. Diante da situação, com o grupo encurralado, o sub insiste para que o chefe se renda. Ângelo, decidido a resistir e desesperado, atira no subordinado, e também num soldado da guarda que tenta acudi-lo. Finalmente, abre a porta e sai gritando que não morrerá “como um cão enfurnado”. Alvejado, morre. João César de Castro não resiste ao ferimento provocado pela arma do seu comandante e também morre.

Ele deixou mais de uma dúzia de obras literárias publicadas, como Esperança Morta, de 1908.

(Colaboraram Renata Carrion e Nety Maria Heleres Carrion)

Comentários (2)

  • Marcelo Xavier diz: 25 de abril de 2013

    Uma cena semelhante aparece na terceira parte do Arquipélago, na Santa Fé do Erico Verissimo, durante os eventos de 1930.

  • Nety Maria Heleres Carrion diz: 26 de abril de 2013

    Fogo amigo. Perfeito, Senhor Ricardo! Os familiares, emocionados, agradecem aos Senhores, pela belíssima publicação.

    Obrigada

    Nety

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