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O teatro morto foi sepultado

14 de junho de 2013 0

Que o Teatro Leopoldina já tinha morrido, faz tempo, todo mundo sabe. Mesmo para aqueles que já o conheceram como Teatro da Ospa, também não é novidade que a casa de espetáculos já estava, há muito, fechada. Apesar disso, para quem tantas vezes cruzou pelas largas portas de vidro, atravessando o amplo saguão, para viver momentos inesquecíveis no número 925 da Avenida Independência, é chocante ver sua fachada sepultada por uma parede de tijolos que nos aparta, definitivamente, das nossas mais gratas memórias culturais.

A fachada do teatro na tarde desta quinta-feira. Foto: Ricardo Chaves

O Teatro Leopoldina, com seus 1.230 lugares, foi inaugurado no dia 24 de outubro de 1963. Em abril de 1964, recebeu o musical My Fair Lady, com Bibi Ferreira e Paulo Autran. Os tempos se tornariam bicudos e a peça Liberdade, Liberdade, com Paulo Autran e Tereza Rachel, chegou a ganhar o palco do Leopoldina antes de ser proibida pela ditadura. Em 1968, a peça Roda Viva, de Chico Buarque, teve dois atores sequestrados e espancados por forças de direita, que picharam a fachada do teatro e provocaram a interrupção da temporada.

Pichações na fachada durante a temporada de Roda Viva. Foto: Lahire Guerra, BD, 4/10/1968

Os anos 1970 trouxeram ao Leopoldina a peça Hair e as cantoras Ella Fitzgerald e Elis Regina, entre outras atrações. Depois de fechado por um período, o Teatro Leopoldina reabriu, em março de 1984, como Teatro da Ospa. Nos anos 1990, fracassaram as tentativas de compra da casa, pelo governo estadual.

No dia 1º de julho de 2008, regida por Isaac Karabtchevsky, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre fez, pela última vez, um concerto naquele local. A peça final foi Uma Vida de Herói, de Richard Strauss.

Foto: Floriano Bortoluzzi, BD, 5/10/1968

(colaborou Pedro Haase)

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