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Quem precisa de quem?

22 de julho de 2013 0

Foto: reprodução

Esse anúncio da Companhia Telephonica Rio Grandense (acima) – publicado há exatos 74 anos, na Revista do Globo de 22 de julho de 1939 – faz uma clara alusão ao famoso pôster desenhado pelo artista americano James Flagg (abaix0).

Foto: reprodução

No cartaz, o personagem Tio Sam, com o dedo indicador apontado para a frente, recrutava soldados para a I Guerra Mundial com a célebre frase “I want you for U.S. Army”. A antiga propaganda da CTR – empresa criada em 1908 por Juan Ganzo Fernandez, que a vendeu para a ITT em 1927 – inverte a lógica, como se o aparelho telefônico exclamasse: “Você me necessita!”.

O tempo passou e o texto profético parece se confirmar cada vez mais nos dias atuais, em que algumas pessoas chegam a carregar consigo mais de um aparelho telefônico celular. Eu, que ontem completei 62 anos, lembro-me bem que, quando criança, possuir um telefone particular era um luxo garantido a alguns poucos.

Meu pai era jornalista e não teve um telefone em casa até o início dos anos de 1960, quando tornou-se secretário de Imprensa do governador Brizola. Este, mais de uma vez, teve de recorrer a um batedor da BM – que, montado numa possante motocicleta Harley Davidson, ia do Palácio Piratini até a nossa casa, na Rua Fernando Machado, distante quatro quarteirões, levar algum recado ou fazer alguma convocação para reuniões não previstas.

Antes disso, morávamos na Vila dos Comerciários, que era um distante arrabalde e hoje está logo ali, na duplicação da Avenida Tronco. Minha mãe, para ligar para o jornal onde meu pai trabalhava, ou para o meu avô, que tinha um açougue e um telefone comercial na Rua Duque de Caxias, ia até um posto telefônico ao lado da Savic (Sociedade Amigos da Vila dos Comerciários) e manivelava sem parar um telefone vertical de madeira, preso a uma parede.

A tecnologia tornou esse recurso de comunicação tão banal, e irritante quando funciona mal, que seu valor só é percebido quando a conta chega.

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