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Memórias natalinas

24 de dezembro de 2013 0

Letânia no Natal de 1979. Foto: Arquivo Pessoal

 

Quando eu era muito pequeno (estou falando da década de 1950, do século passado, pô!), o cenário das festas de Natal era invariavelmente a velha casa de porta e duas janelas, na Rua Duque de Caxias, próximo do Alto da Bronze, onde moravam meus avós italianos, Natale e Fermina. Era sempre lá que se reuniam tios, primos, outros parentes e nossa família toda. Pinheiro natural (daqueles que espetavam) com direito a algodão (aquela imitação, tosca, de neve), muitas bolas e luzinhas coloridas e presépio com espelhinho no chão (para imitar um laguinho), areia e tudo o mais. Foi lá que, certa vez, ganhei uma inesquecível romiseta de plástico (naquela época, a maioria dos carrinhos ainda era de lata). Um dia, minha avó morreu, meu avô, logo depois. Eu cresci e, naturalmente, os Natais nunca mais foram como aqueles.

 

Letânia no Natal de 1979. Foto: Arquivo Pessoal

 

Quando nasceram meus filhos, Letânia (em 1977) e Leonel (em 1982), o Natal voltou a transcender seu significado intrínseco. Em Santo Ângelo, na casa do Rudi e da Iolanda, meus sogros, pais de Loraine, minha mulher, me achei protagonista, em novo papel. Com emoção e alegria, me cabia, agora, administrar a ansiedade das crianças. Vê-las superar o choro e o medo de encarar o Papai Noel (com sua indefectível máscara grotesca). Na penumbra, após ouvir seu nome, partiam, desconfiados, em busca do almejado presente.

 

Leonel no Natal de 1987. Foto: Arquivo Pessoal

 

Por razões profissionais nem sempre estivemos juntos nessa data. Em 1988, passei a noite de Natal longe da família, num velório, em Xapuri, no Acre. Dois dias antes, assassinaram o líder seringueiro Chico Mendes, e fui escalado para cobrir o crime. Outras vezes, ficamos apenas nós quatro, sem folga e sem parentes na cidade onde estávamos morando. Um telefonema, uma lágrima e confiança no futuro. Hoje, pretendemos estar juntos. Ainda não temos netos, mas quem sabe, um dia, nossa casa também possa ser lembrada como cenário de algum Natal inesquecível.

 

Leonel no Natal de 1987. Foto: Arquivo Pessoal

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