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Alô, estou ligando da praia!

28 de janeiro de 2014 0
O telefone sem fio na praia foi um sucesso no início dos anos 80. Foto: Juan Gomes, banco de dados, 07/03/1984

O telefone sem fio na praia foi um sucesso no início dos anos 80. Foto: Juan Gomes, banco de dados, 07/03/1984

 

Foi no verão de 1983 que o banhista conheceu a comodidade de uma ligação para qualquer parte do país sentado à beira do mar ou caminhando na orla. Não se usava celular, que recém engatinhava em operação nos Estados Unidos. A novidade por aqui era o telefone sem fio, maior do que um aparelho fixo de hoje e tão pesado quanto.

 

Na época, o celular não passava de vaga ideia futurista. Foto: Juan Gomes, banco de dados, 10/01/1986

Na época, o celular não passava de vaga ideia futurista. Foto: Juan Gomes, banco de dados, 10/01/1986

 

Uma funcionária da antiga Companhia Riograndense de Telefonia (CRT) perambulava pela areia em torno do restaurante Panorama, em Tramandaí, e oferecia o serviço ao veranista curioso, que em geral surpreendia o interlocutor do outro lado da linha, com a voz alterada:
– Estou ligando da praia!
Não raro, o banhista tinha de passar o aparelho para que a própria vendedora convencesse o incrédulo no aparelho.

 

As funcionárias da CRT ofereciam o serviço na beira da praia. Foto: Juan Gomes, banco de dados, 07/03/1984

As funcionárias da CRT ofereciam o serviço na beira da praia. Foto: Juan Gomes, banco de dados, 07/03/1984

 

Nos dois primeiros anos, a moça da CRT transitava de maiô branco oferecendo o telefone das 10h às 13h e conseguia em média 40 usuários. Mais tarde, das 20h às 22h, ela perambulava em meio à balada da Avenida Emancipação, e nesse período outras 50 pessoas recorriam ao serviço, a maioria pelo simples prazer do pioneirismo.
Gastavam à época, 238 cruzeiros por minuto – cerca de R$ 9,32 de hoje. Não custava barato a brincadeira, em discagem DDD ou a cobrar para todo o país. Com o tempo, pessoas de outros balneários corriam a Tramandaí atrás do alô sem fio, mesmo que fosse caro.

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