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Era uma vez... um chalé

04 de fevereiro de 2014 0

Quando, na metade dos anos 1950, meu pai comprou a pequena casinha de madeira, na esquina da Avenida Paraguassu com a Rua Maranguab, em Capão da Canoa, para as férias de nossa família, ele foi ironizado pelos amigos que alegavam que o imóvel ficava tão longe do centro, e do mar, que tínhamos escolhido veranear na Serra. A Paraguassu era a via de entrada no balneário. Pavimentada com pedras irregulares, tinha largo canteiro central e calçadas cobertas de grama.

 

A pequena casinha de madeira, em 1969. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

A pequena casinha de madeira, em 1969. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

 

Em torno da nossa casa só alguns galpões que abrigavam rústicas fábricas de móveis e esquadrias, e muita serragem espalhada para atenuar os valos abertos pela água das chuvas. O Miguel, que veio a ser o dono do Baronda, era um jovem marceneiro numa delas e chegou até a namorar uma prima nossa. A casa ganhou uma varanda de um lado, outra do outro, e foi sendo ampliada com um “puxadinho” a cada ano. Foi feita uma garagem que acabou virando quarto de hóspedes, deixando nosso flamante Simca Tufão 65 exposto à maresia. O avanço do tempo trouxe a Sociedade Amigos de Capão da Canoa (SACC), que era no Edifício Aimoré, para muito próximo de nós. Na nova sede, “até” piscina.

 

A única coisa que se manteve de 1969, quando o chalé foi fotografado, é a posição do poste de madeira próximo à esquina. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

A única coisa que se manteve de 1969, quando o chalé foi fotografado, é a posição do poste de madeira próximo à esquina. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

 

Hoje, o local onde ficava nosso chalé é o que podem ver nas fotos coloridas. Agora, quando vou a Capão, me sinto como o louco que caminha por entre os carros que tomaram totalmente a “sua” praça, nas cenas finais do filme Cinema Paradiso. Em vez de vociferar contra o progresso, em busca de alguma paz, me afasto (pelo menos nas férias). Quando não dava mais, passamos a veranear em Atlântida, depois… Xangri-lá. Atualmente, minha acolhedora casinha de madeira envernizada, onde fiquei de férias até ontem, fica ainda mais ao Sul, no Remanso. O tempo, que vai se esgotando, iria acabar por me trazer, aos poucos, de volta a Porto Alegre. Um dia, tudo será a mesma coisa em todos os lugares.

 

Esquina da Avenida Paraguassu com a Rua Maranguab, em Capão da Canoa. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

Esquina da Avenida Paraguassu com a Rua Maranguab, em Capão da Canoa. Foto: Ricardo Chaves, Arquivo Pessoal

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