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A Porto Alegre by night dos anos luminosos

22 de abril de 2014 1
Rua da Praia na década de 1950. Foto: Leo Guerreiro

Rua da Praia na década de 1950. Foto: Leo Guerreiro

A letra da música Gás Neon, feita por Gonzaguinha na década de 1970, remete a uma cidade que já não existe, mas foi fotografada, mais de 20 anos antes, por Leo Guerreiro. A Porto Alegre by night dos anos luminosos em que brilhavam, nas fachadas de alguns prédios do centro da Capital, nomes como American Boite, Maipú e Mocambo, entre outros com menos sex appeal, mas com igual poder de sedução ao consumo. Eram os anúncios coloridos fabricados com frágeis tubos de vidro que continham gases nobres, genericamente chamados de gás neon, e que eram alimentados por eletricidade de alta voltagem.

Montagem com luminosos de marcas que faziam sucesso no final da década de 1940. Foto: Leo Guerreiro

Montagem com luminosos de marcas que faziam sucesso no final da década de 1940. Foto: Leo Guerreiro

Novas tecnologias e o uso mais econômico e racional da energia, somados à legislação que restringe o uso de mercúrio (que também era empregado), fizeram com que praticamente desaparecessem as glamourosas publicidades de antigamente. O neon foi descoberto pelos químicos ingleses Willian Ramsey (1852-1916) e Morris Travers (1872-1961) por volta de 1898. O aproveitamento industrial em anúncios luminosos começou em 1912 e se popularizou quando, no início dos anos de 1920, se disseminou pela América do Norte.

O neon voltou a ser empregado como referência nostálgica. Foto: Ricardo Chaves

O aproveitamento do neon na propaganda começou em 1912. Foto: Ricardo Chaves

O gás Neon (ou Neônio) é raro na atmosfera terrestre. Há uma parte dele para cada 65 mil, considerando o volume, ou 83 mil, considerando a massa. É obtido pelo resfriamento do ar e pela destilação fracionada do líquido criogênico resultante. Outros gases nobres como Hélio, Argônio, Criptônio e Xenônio também foram usados para obtenção de cores diferentes. Depois de longa exclusão, os luminosos de Neon voltaram à moda, como coisa cult ou em forma de expressão artística. Aos mais nostálgicos e inconformados com a sem gracisse de alguns cartazes noturnos de agora, resta uma viagem a Las Vegas, onde poderão visitar o Neon Museum. Lá estão mais de 150 anúncios antigos, retirados de hotéis e cassinos. A maioria deles, para nossa tristeza, irremediavelmente apagados.

Foto: Ricardo Chaves

Luminosos de neon voltaram à moda como coisa cult ou forma de expressão artística. Foto: Ricardo Chaves

Comentários (1)

  • Marcelo Xavier diz: 22 de abril de 2014

    Me lembrou de uma seresta muito antiga do Orestes Barbosa, cantada pelo Sílvio Caldas: “cansei de esperar por ela/Toda noite na janela/Vendo a cidade a luzir/Nestes delírios nervosos/Dos anúncios luminosos/Que são a vida a mentir”. Arranha-Céu, clássico do Orestes que, apesar de escrever em sextilhas em sua versificação, usava temas “modernos” na sua composição: os anúncios luminosos, o elevador. Aqui a canção, um primor de dor-de-cotovelo. https://www.youtube.com/watch?v=53tT5SLC-M8

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