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O acidente aéreo que matou 40 pessoas em Bagé

24 de abril de 2014 9
Acidente que aconteceu há 57 anos, em Bagé, matou 40 pessoas. Foto: Revista do Globo, Reprodução

Acidente que aconteceu há 57 anos, em Bagé, matou 40 pessoas. Foto: Revista do Globo, Reprodução

No domingo, 7 de abril de 1957, o avião Curtiss-Comander PP-VCF, da Varig, levando 35 passageiros e 5 tripulantes, taxiou pela pista do aeródromo de Bagé e decolou. Logo o aparelho sumiu da vista daqueles que haviam ficado em terra. O dr. Jesus Olé, médico naquela cidade, foi ao aeroporto levar o amigo Carlos Alberto Viviano. Como também esperava um parente que chegaria de Porto Alegre em seguida, demorou-se um pouco mais ali, e acabou sendo testemunha ocular de uma tragédia. Menos de cinco minutos após a decolagem do PP-VCF, uma aeronave surgiu no horizonte e veio se aproximando. Enquanto alguns presentes supunham ser o voo que chegava da Capital, outros notaram que era aquele mesmo avião que acabara de decolar e estava retornando.

Avião caiu de dorso no chão, deslizou por 200 metros e explodiu, incendiando-se. Foto: Revista do Globo, Reprodução

Avião caiu de dorso no chão, deslizou por 200 metros e explodiu, incendiando-se. Foto: Revista do Globo, Reprodução

O dr. Olé relatou ao repórter Joseph Zukauskas, da Revista do Globo, que o avião foi chegando como se fosse pousar. Subitamente, a aeronave, de forma brusca, tornou a subir. A asa esquerda desprendeu-se. Desequilibrada, ela deu um giro de 180 graus, e veio de dorso em direção ao solo. Deslizou por 200 metros e explodiu, incendiando-se. A pista foi invadida por gente que corria em socorro. Estupefactos, os assistentes viram uma tocha humana emergir em meio aos destroços, se afastar, e cair no chão. Esse passageiro, identificado depois como Victor H. Bosse, morreria 30 minutos depois, no hospital. Ninguém sobreviveu ao acidente.

Liberato Salzano Vieira da Cunha foi uma das vítimas do acidente. Foto: Revista do Globo, Reprodução

Liberato Salzano Vieira da Cunha foi uma das vítimas do acidente. Foto: Revista do Globo, Reprodução

O fogo num dos motores fez o comandante Fernando da Silva Leandro avisar pelo rádio que estava voltando e tentaria o pouso. No acidente, morreram também o ex-prefeito de Cachoeira do Sul, deputado e secretário de Educação do Estado, Liberato Salzano Vieira da Cunha, e sua mulher, Dona Jenny Conceição. Seus corpos foram levados de trem para aquele município, onde uma multidão acompanhou o sepultamento. Como disse Zukauskas em sua reportagem: “A fatalidade, como sempre, decidiu a seu bel-prazer o destino das criaturas”.

Multidão acompanhou o sepultamento de Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Cachoeira do Sul. Foto: Revista do Globo, Reprodução

Multidão acompanhou o sepultamento de Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Cachoeira do Sul. Foto: Revista do Globo, Reprodução

Comentários (9)

  • Jeane Elizabeth Boose Pinheiro diz: 24 de abril de 2014

    É incrível que ao ler esta noticia nos cause tanta dor e saudade como se tivesse ocorrido hoje.Esta tocha humana que saiu dos destroços era nosso pai. Recebemos uma indenização que foi depositada na CEFER por ordem judicial, e ainda hoje lutamos na justiça para receber este valor.

  • FLAVIO JUAREZ FEIJO diz: 24 de abril de 2014

    Lembro-me muito bem da comoção provocada por esse terrível acidente. Na ocasião, eu tinha 11 anos e morava em Cachoeira do Sul. O meu pai Petry Feijó deveria estar nesse voo, mas atrasou-se e por muita sorte não embarcou.

  • EDUARDO diz: 24 de abril de 2014

    Eu adoro saber estas histórias do rio grande do sul. A pouco dias li sobre a construção da ponte internacional Uruguaiana-Paso de Los Libres e também fiquei impressionado com tudo que envolveu esta obra até sua inauguração pelo Eurico Gaspar Dutra e o Péron.

  • Leonardo diz: 24 de abril de 2014

    Meus avós paternos escaparam dessa tragédia, quando dois dias antes do acidente, optaram por adiar a viagem.

  • Rubens A R Bordini diz: 24 de abril de 2014

    Eu era membro da comissão que investigava acidentes na VARIG. Estava em New York quando acidentou-se o VCF. Chegamos à conclusão que uma pedra teria sido jogada pela roda do avião contra uma tubulação de gasolina a alta pressão que havia dentro do alojamento do trem, incendiando-se e causando a fundição da longarina da asa. Nunca se soube a razão que levou o Cmte. Leandro a arremeter ao inves de pousar na primeira tentativa. Como medida saneadora, as tubulações de gasolina que eram de alumínio foram trocadas por aço em todos os C-46. A pista de Bagé estava em obras, com muitas pedras soltas na superfície.

  • salomão jacob golandski diz: 27 de abril de 2014

    eu tinha meus 9 anos e me lembro que um vizinho meu estava neste voo , muito triste

  • Evian Marinho Leandro diz: 15 de maio de 2014

    Como filho sofri e continuo sofrendo.
    Tenho muitas duvidas e algumas certezas com relação a este acidente: Segundo me falou o Cmte Stepanski, contemporâneo de meu pai, assim como o Cmte Bordini, os compensadores do VCF estavam no batente (comandos que aliviam a força do piloto contra tendências do avião). Como o fogo estava derretendo a longarina da asa esquerda, e esta mudando o ângulo de ataque, em cada redução do motor direito o avião tendia a fazer curva para a direita o que era compensado pelo aumento de potência. O que penso é que na hora da ruptura da longarina com o aumento brusco do ângulo de ataque da asa esquerda meu pai aplicou toda a potência no motor restante o que deu para quem estava vendo a impressão de que estivesse tentando arremeter.
    A dúvida que tenho é por não saber em que parte da pista o avião caiu, pois se foi no primeiro terço não podemos afirmar que houve tentativa de arremetida, mesmo porque ninguém tentaria uma arremetida com tamanha dificuldade de comandos como ele estava.
    Obrigado pela oportunidade de mais uma vez tentar explicar esta tragédia.
    PS. Desculpe por usar termos aeronáuticos, mas para explicar de outra forma o texto ficaria ainda mais longo.

  • Dietrich Engl diz: 7 de dezembro de 2014

    Just came across this page; my father was a crew-member on that plain.
    I still try to gather information’s (picture and written) from this tragic accident, since my mother returned back to Switzerland ten with my brother and me in expectancy I don’t have much at all.
    A commercial pilot my self now I am interested what exactly happened then.
    Would appreciate if anybody could supply any. Thank you

  • Ricardo Almeida diz: 22 de novembro de 2015

    Neste acidente morreu meu irmão por parte de pai, Dr. Haroldo Nogueira de Almeida e sua esposa Maria, meu pai na época já era viúvo, no final do ano do acidente, 1957, Ele casou-se com minha mãe, dois anos após, 1959, no mesmo dia do acidente, 7 de abril, na mesma hora, por volta do meio-dia, Eu nasci.

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