Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

As mulheres e a antiga paixão por sapatos

28 de abril de 2014 1
A fachada da Casa Seabra, em seu segundo endereço na Rua dos Andradas. Foto: Revista do Globo, Reprodução

A fachada da Casa Seabra, em seu segundo endereço na Rua dos Andradas. Foto: Revista do Globo, Reprodução

No início do século 20, e por aqui especialmente nas décadas de 1930 e de 1940, o processo de modernização do país provocava transformações. Como constata a professora Maria Helena Steffens de Castro, em trabalhos como A Demanda da Memória da Publicidade Gaúcha – Percurso Histórico ou O Literário como Sedução – A Publicidade da Revista do Globo, nessa época “… as mulheres começavam a mostrar aos homens que também tinham ideias e queriam seu lugar entre os que se beneficiavam do progresso”. Os anúncios que a Casa Seabra, famosa loja de calçados de luxo, endereçava ao público feminino são emblemáticos. Um deles indagava: “Queres possuir esse poder de sedução pessoal?”. Um versinho complementava e respondia à pergunta:

Se esse é teu caso à Casa Seabra vai
Ali tens da elegância o primaciado
Mantido com o prestígio que não cai
Como a primeira casa de calçado

A Casa Seabra, estabelecida primeiro no número 1551 da Rua dos Andradas e, depois, numa nova loja, mais adiante, fez publicidade por mais de 16 anos nas páginas da Revista do Globo e foi um dos mais fiéis anunciantes. Minha mãe não era nenhuma Imelda Marcos, a viúva do ditador filipino Ferdinando Marcos, que comandou aquele país por mais de vinte anos. Quando o marido dela caiu, Imelda foi flagrada com uma coleção de 3 mil pares de sapatos que mantinha em seu palácio. Não, minha mãe apenas gostava de sapatos. Como, imagino, não tinha grana sobrando para gastar nas lojas mais caras, escolhia muito.

Para meu constrangimento de guri acompanhante às compras, ela derrubava, para experimentar, o estoque inteiro das sapatarias em que chegava. Eu, resignado, esperava sentado naqueles banquinhos (por onde andam?) destinados ao vendedor. Aqueles, de metal e assento de madeira, que possuíam uma borracha no plano inclinado que facilitava o trabalho de colocação do calçado. Se a mãe não ficasse satisfeita com nenhum modelo, aplicava o tradicional: “Se não encontrar outro, quem sabe volto para buscar esse…”. Para meu desespero, tudo ia começar, de novo, logo ali na próxima loja.

Comentários (1)

  • rita bromberg brugger diz: 30 de abril de 2014

    A minha mãe também era cliente das lojas Seabra- o fraco dela eram “sapatos”. Não tinha 3000, mas certamente meia dúzia- naquela época um luxo. E eu-esperando na porta, até que ela chegasse feliz, com a caixa empacotada…

Envie seu Comentário