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Antigo Araújo Vianna deu lugar ao prédio da Assembleia Legislativa

17 de novembro de 2014 2

O tempo passa e vai exigindo mudanças. Quando o velho prédio colonial da Assembleia Legislativa, ao lado do Palácio Piratini, que hoje abriga o memorial daquela casa, já não comportava as necessidades do parlamento gaúcho, foi erguido o moderno Palácio Farroupilha, nos primeiros anos da década de 1960. Para a construção desse edifício de vidro e mármore, que, segundo se sabe, já está pequeno, carecendo urgentes reformas e ampliação, foi sacrificado o antigo e lindo Auditório Araújo Vianna.

Bancos sendo removidos para demolição do Araujo Vianna. Foto: Banco de Dados, 14/06/1960

Bancos sendo removidos para demolição do Araujo Vianna. Foto: Banco de Dados, 14/06/1960

Nessa época, a modernidade, que via nascer Brasília, fazia com que Porto Alegre também aspirasse a ter a sua Praça dos Três Poderes contemporânea, mantendo concentrados na antiga Praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz) o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. O terreno ocupado pelo espaço cultural, dedicado especialmente à música, foi negociado entre o Estado e a prefeitura, que acertaram a transferência do Araújo Vianna para o Parque Farroupilha.

Antigo Auditório do Araújo Vianna, localizado na Praça da Matriz em Porto Alegre, nas vésperas de sua demolição. Foto: Acervo Última Hora

Antigo Auditório do Araújo Vianna, localizado na Praça da Matriz em Porto Alegre, nas vésperas de sua demolição. Foto: Acervo Última Hora

Assim, a concha acústica e a plateia para 1.200 espectadores, que se acomodavam em bancos de cimento e madeira, deram lugar a um canteiro de obras, destruindo o projeto do engenheiro italiano Armando Boni (1886-1946), responsável também por obras como o Cemitério São Miguel e Almas, o Palacinho do vice-governador, na Avenida Cristóvão Colombo, e o prédio da Livraria do Globo, na Rua da Praia.

Compositor e regente José de Araújo Vianna. Foto: Reprodução

Compositor e regente José de Araújo Vianna. Foto: Reprodução

Na metade da década de 1960, começou a remoção dos tradicionais bancos, que pelo menos foram preservados e podem ser vistos hoje adornando os jardins da Hidráulica Moinhos de Vento ou dispostos em praças como a Júlio de Castilhos, na extremidade da Avenida Independência. O compositor Araújo Vianna (1871-1916) não foi privado da sua justa homenagem, já que, em 12 de março de 1964, o novo auditório que leva seu nome foi reinaugurado na Redenção.

Banco do antigo auditório Araújo Vianna.  Foto: Jéssica Couto, Divulgação

Banco do antigo auditório Araújo Vianna. Foto: Jéssica Couto, Divulgação

Mas é inegável dizer que aqueles que conheceram o antigo auditório, de inúmeros concertos abertos e gratuitos, vão sempre associar o nome do músico gaúcho, que morreu aos 45 anos e foi um dos fundadores do Instituto de Belas Artes, ao lirismo dos caramanchões e ao ar livre.

Comentários (2)

  • Marcelo Xavier diz: 18 de novembro de 2014

    Boni foi quem introduziu o concreto armado aqui, ninguém acreditava que a concha acústica se sustentasse daquela maneira, na época.

  • Guilherme diz: 29 de março de 2015

    Esses bancos remetem à minha infância. Não no Araújo Vianna da Duque, mas na Redenção (o parque, não o auditório, onde aliás jamais entrei). Incrível saber que eles vieram de lá. Mas, pela quantidade de bancos que a foto mostra, devem existir diversos espalhados e esquecidos pela cidade. Quem sabe?

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