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Memorial em Itapuã

28 de novembro de 2014 2

Lembro bem que, quando garoto, assisti a um desses filmes ambientados em tempos bíblicos e, embora não recorde o nome da película e nem detalhes da história, nunca esqueci das cenas em que leprosos andrajosos viviam isolados e confinados em cavernas, longe do convívio social. O mesmo horror me assaltou, tempos depois, ao saber que numa época relativamente recente e, aqui bem perto (60 quilômetros do centro da Capital), em Itapuã, os portadores de hanseníase (lepra) também eram isolados de forma compulsória e obrigados, até, a entregar seus filhos à adoção.

Verdade que as condições oferecidas no Hospital Colônia de Itapuã visavam ao atendimento médico aos doentes e buscavam também evitar o contágio, comum numa das manifestações desse tipo de enfermidade. Mas, nem por isso, o confinamento e o estigma deixou de ser uma tragédia na vida de tantas pessoas.

O hospital, inaugurado em 11 de maio de 1940, foi a última unidade criada, de um total de 32 em todo o país. Entre 1940 e 1958, quando foi extinta a internação obrigatória, quase 2,5 mil pessoas passaram pela instituição. Só em 1986, os antigos hospitais-colônia (leprosários) foram transformados em hospitais gerais. Ontem, lá mesmo, em Itapuã, foi inaugurado o Memorial do Hospital Colônia de Itapuã, dedicado a contar a história desse período sombrio.

A iniciativa é da Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Departamento de Coordenação dos Hospitais Estaduais, e recebe o apoio do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan). Dados oficiais estimam que cerca de 10 mil brasileiros ainda busquem os seus familiares, separados pelo isolamento compulsório dos enfermos.

A preservação histórica dos antigos hospitais-colônia é uma das frentes de trabalho do movimento social, que busca acabar com o estigma ainda relacionado à hanseníase – possivelmente a doença mais antiga da humanidade. Uma lei de 2007 dispõe sobre a concessão de pensão especial às pessoas atingidas pela hanseníase que foram submetidas ao isolamento.

A hanseníase tem cura e, quando tratada em fase inicial, não causa deformidades. O tratamento está disponível no SUS, gratuitamente. O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de prevalência da doença e o segundo lugar em termos de números absolutos. De acordo com o Ministério da Saúde, 33.303 novos casos de hanseníase foram identificados no país em 2012.

 

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O Hospital Colônia de Itapuã na época de sua inauguração, em 1940.

Comentários (2)

  • Mauricio Reis diz: 28 de novembro de 2014

    O filme mencionado é, provavelmente, Ben-Hur, que se passa na época de Jesus, onde o protagonista Ben-Hur, vivido por Charlton Heston, possuía familiares leprosos que viviam isolados em uma caverna e que, ao final do filme, foram milagrosamente curados.

  • Luiz Bruno Azevedo Henz diz: 2 de dezembro de 2014

    É a cena em que a mãe e a irmã de Ben-Hur são separadas dos “normais”. Grande filme onde trabalhou Charlton Heston no papel título.

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