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O maioral da Ilhota

29 de dezembro de 2014 0

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O ano que está acabando foi marcado também pelas comemorações do centenário de nascimento do compositor Lupicínio Rodrigues. Nome consagrado na música popular brasileira, tornou-se conhecido nacionalmente, embora tenha vivido toda a sua vida em Porto Alegre, nunca cedendo aos apelos de se transferir para o centro do país.

Uma reportagem, infelizmente sem o crédito da autoria, publicada na Revista do Globo, em 21 de dezembro de 1938, nos indica como deve ter sido difícil para ele realizar essa façanha. No auge do sucesso nacional de seu famoso samba Se acaso você chegasse, Lupi foi procurado pela revista que manifestava o desejo de ouvi-lo sobre sua vida, suas composições e, especialmente, sobre seu mais recente hit.

O sambista, desconfiado, não acreditava que se fizesse publicidade em torno do seu nome e disse com um sorriso, coçando a “pera” do queixo: “Será a primeira vez que se faz isso em Porto Alegre, um sambista, no Rio, à primeira composição já vê seu nome enchendo as páginas de revistas, ecoando pelas ruas e, mais que tudo isso, passa logo a ganhar dinheiro… Mas, aqui, não acontece o mesmo, é preciso um autor fazer sucesso para que se acredite nas suas possibilidades. Os próprios meios radiofônicos da Capital não ajudam o compositor a aparecer”, desabafou.

O texto da matéria confessa que Lupicínio “é pouco conhecido pessoalmente, mas seu nome é murmurado todas as noites nos microfones, nas rodas dos cafés, nos quartos de estudantes e até mesmo nos meios sociais de Porto Alegre”. Fica claro que foi preciso Lupi chegar ao apogeu de sua glória para que a sociedade local se interessasse por ele. Esse, pelo jeito, sempre foi um fenômeno comum e típico da cultura caranguegística gaúcha, onde todos os crustáceos tentam se livrar do balaio que os aprisiona mas, quando um deles está conseguindo, os outros se encarregam de trazê-lo de volta ao fundo do cesto.

Lupicínio revela que, aos 13 anos, se iniciou “nos bailinhos da vizinhança”, começou a cantar no Jazz Silencioso, cujo maestro era Décio Pereira, e que num concurso da Exposição Farroupilha, em 1935, ganhou primeiro lugar com uma composição chamada Triste história.

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O samba conta o caso de um malandro abandonado que, apesar da máxima dizer “homem não chora”, “esse malandro chorou, me contando sua história, tal qual como se passou…” O estouro do magnésio (antigo flash fotográfico que produzia muita fumaça) encerra a reportagem, mas a voz de Lupicínio Rodrigues ficou ecoando na sala, até hoje. Para sempre.

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